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quinta-feira, 5 de março de 2015

MOEDA DE PRATA

Por Frei Betto



      Decide a Câmara dos Deputados, à revelia dos eleitores, da moral e dos bons costumes, conceder às mulheres dos deputados e aos maridos das deputadas passagens de avião pagas com o nosso dinheiro. É a farra aérea.

      Já que o ajuste fiscal não se aplica às Suas Excelências, por que não estender a prebenda às sogras e genros, filhos e netos? Que viaje toda a família nas asas do despudorado nepotismo abastecido pela malversação do dinheiro público.

      Machado de Assis prefigurou o Brasil de hoje no Conto de escola, ambientado em 1840. Na sala de aula, Raimundo, em troca de “cola”, passa ao colega Pilar uma moeda de prata. Toma lá, dá cá. Porém, o colega Curvelo andava de olho. E delata a negociata ao mestre Policarpo, que castiga os corruptos com “bolos” de palmatória.

      No Brasil republicano, aplicar palmatórias não é permitido a nós, eleitores. Até que venham as próximas eleições, não temos como punir os nobres deputados prestes a aprovar, em nome do ajuste fiscal, as medidas que penalizam ainda mais os pobres: redução do acesso a benefícios da Previdência Social, ao seguro desemprego e ao abono salarial. Enquanto isso, seus cônjuges ajustam o cinto em viagens aéreas...

        Será, como insinua Machado de Assis, que só nos resta ir atrás do diabo do tambor?... Ora, melhor sugerir às Suas Excelências que façam bom uso de sua moeda de prata e aprovem também auxílio-balada para filhos adolescentes, abono-socorro a parentes endividados e bolsa família de grife, com direito a jatinhos executivos para levar toda a prole de férias a Miami.

Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.
 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Nem Ouro, nem Prata



Por ROBERTA BARROS



     É comum chefes de estados, viajarem a outros países em comitivas.
      Entenda-se comitiva, como esposas ou noivas, chefes de gabinetes, cabeleireiros, garçons, etc.

     Muitas vezes usam jatinho da força aérea, pagos por nós, pobres contribuintes. Ultimamente até cachorrinhos de estimação são transportado, levados para ilhas paradisíacas, para assistirem jogos, e ainda juram de pés juntos, que estão em missão oficial, tão oficial como suas caras de pau.
     É sabido também que nossos representantes, quando em missões se hospedam nos melhores hotéis mundo a fora, tomam os melhores vinhos e suas belas e estonteantes acompanhantes ostentam sem a menor cerimônia suas roupas de marcas, combinando com sapatos de grife.

     Pompas e  deslumbres são palavras de ordem, e para o povo resta o ultraje a rigor, e a esperança no próximo sufrágio eleitoral, onde aguardaremos de novo pelo redentor.

    O papa Francisco chegou!

     Carregou sua própria mala.

     Pegou uma carona em um carro popular, que boa Idea (como o nome do carro).

     Caminhou com vidros abertos, por locais, onde até nós, brasileiros nos escondemos por traz das películas fumês.

     Afirmou não ter ouro nem prata!

     Estendeu a mão ao povo.

     Em todos os momentos do seu primeiro discurso, o que se escutava era a máxima da serenidade, simplicidade e da humildade, adjetivos que destoavam dos nossos proferidos por nossos representantes.

      Mas se Deus é brasileiro, e no mês passado afirmamos que o Gigante acordou, da próxima vez aqui, precisamos mostrar uma juventude mais incluída e menos violada, um Brasil bem mais igual para todos.

     Afinal em seu discurso, que mais parecia uma prece, nos inspira a crer, que podemos fazer um país melhor. 

     Bote fé.

Roberta Barros é pedagoga e fundadora da CAMM