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domingo, 25 de dezembro de 2011
É NATAL EM BAGDAD E FALLUJAH

ENTRE PAPAI-NOEL E MENINO JESUS

por Frei Betto
Da última vez que visitei Oslo, reuniam-se na capital norueguesa ministros do turismo de países escandinavos e bálticos para decidir: qual é a terra de Papai-noel? Ministros da Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Islândia quebravam a cabeça para decidir como evitar propaganda enganosa junto ao público infantil. A criançada queixava-se: alguém mentia. Papai-noel não pode ter nascido - como sugeria a concorrência entre agências de turismo - na Lapônia e na Groenlândia, lugares distintos e distantes um do outro.
Não conheço o resultado da conferência de Oslo. Espero que, se não chegaram a um acordo, pelos menos a guerra, se vier, seja apenas de travesseiros. Mas é a Finlândia que melhor explora a figura do velho presenteador transportado no trenó puxado por renas. Assinala inclusive a sua terra natal: Rovaniemi, onde o Santa Park é, todo ele, tematizado por Papai-noel, lá denominado Santa Claus. Sabemos todos que Papai-noel nasce, de fato, na fantasia das crianças. Acreditei nele até o dia em que me perguntei por que o Paulo, filho da empregada, não recebera tantos presentes de Natal como eu. O velhinho barbudo discrima os pobres?
Malgrado tais incongruências, Papai-noel é uma figura lendária, reaviva a criança que trazemos em nós. E disputa a cena com o Menino Jesus, cujo aniversário é o motivo de festa e feriado de 25 de dezembro. Papai-noel enriquece os correios no período natalino, tantas as cartas que são remetidas a ele. Aliás, basta ir aos Correios e solicitar uma das cartas que crianças remetem ao velhinho barbudo. Com certeza o leitor fará a alegria de uma criança carente. Não se sabe o dia exato em que Jesus nasceu.
Supõem alguns estudiosos que em agosto, talvez no dia 7, entre os anos 6 ou 7 antes de Cristo. Sabe-se que morreu assassinado na cruz no ano 30. Portanto, com a idade de 36 ou 37 anos, e não 33, como se crê. Tudo porque o monge Dionísio, que no século 6 calculou a era cristã, errou na data do nascimento de Cristo.
Até o século 3, o nascimento de Jesus era celebrado a 6 de janeiro. No século seguinte mudou, em muitos países, para 25 de dezembro, dia do solstício de inverno no hemisfério Norte, segundo o calendário juliano. Evocavam-se as festas de épocas remotas em homenagem à ressurreição das divindades solares. Os cristãos apropriaram-se da data e rebatizaram a festa, para comemorar o nascimento Daquele que é "a luz do mundo". Para não ficar de fora da festa, os não cristãos paganizaram o evento através da figura de Papai-noel, mais adequado aos interesses comerciais que marcam a data.
Vivemos hoje num mundo desencantado, porém ansioso de reencantamento. Carecemos de alegorias, mitos, lendas, paradigmas e crenças. O Natal é das raras ocasiões do ano em que nos damos o direito de trocar a razão pela fantasia, o trabalho pela festa, a avareza pela generosidade, centrados na comensalidade e no fervor religioso. Pouco importa o lugar em que nasceu Papai-noel. Importa é que o Menino Jesus faça, de novo, presépio em nosso coração, impregnando-o de alegria e amor. Caso contrário, corremos o risco de reduzir o Natal à efusiva mercantilização patrocinada por Papai-noel.
Isso é particularmente danoso para a (de)formação religiosa das crianças filhas de famílias cristãs, educadas sem referências bíblicas e práticas espirituais. Lojas não saciam a nossa sede de Absoluto. Há que empreender uma viagem ao mais íntimo de si mesmo, para encontrar um Outro que nos habita. Esta é, com certeza, uma aventura bem mais fascinante do que ir até a Lapônia. Contudo, as duas viagens custam caro. Uma, uns tantos dólares. Outra, a coragem de virar-se pelo avesso e despir-se de todo peso que nos impede de voar nas asas do Espírito.
Frei Betto é escritor, autor do romance Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)
DIA DE JUÍZOSOBRE NOSSA CULTURA?

PARA UM ANO NOVO MAIS FELIZ

O desejo é uma palavra mágica. Quando desejamos com força interior, emitimos uma energia misteriosa que nos impulsiona para o compromisso de realizarmos aquilo que desejamos. Isso pode ter conseqüências concretas para as pessoas e para o mundo. Nesses dias, há quem diga aos amigos e amigas “feliz ano novo” como mera formalidade. Entretanto, o mundo e nosso continente necessitam muito de que 2012 seja um ano mais feliz e de paz para cada um de nós e para nossa pátria grande. Por isso, quem almeja de coração os melhores votos de ano novo precisa saber como transformar o seu desejo em caminho positivo que construa um futuro novo e melhor.
Quando eu era menino, as pessoas acreditavam muito no poder do olhar. Diziam que existe o olhar bom que emite energia positiva e existe o mau olhado que provoca problemas. As vizinhas gostavam de contar histórias de uma visita que receberam. A mulher gostou da planta ornamental que havia no terraço da casa. Olhou-a com inveja. No dia seguinte, a planta que estava viçosa e florescente, amanheceu seca e murcha. As antigas culturas e religiões crêem na força da palavra. Em algumas religiões, as palavras curam ou, ao contrário, podem matar. Na Bíblia, vários salmos pedem a Deus que nos proteja das pessoas que, com sua palavra, podem provocar males como doenças e tragédias ecológicas (Cf. Sl 6, 39, etc). Essa cultura de pessoas que amaldiçoam vinha de Sumer, onde havia rituais de Shurpu, maldições comuns em algumas culturas populares que não tinham outra força além da palavra.
A palavra é eficaz quando nasce no mais profundo do coração e é precedida pela prática da vida. A Bíblia diz que é como uma espada de dois gumes que penetra até as entranhas (Hb 4). Isaías compara a palavra de Deus com a chuva que cai, molha a terra. E não volta ao céu sem ter cumprido sua missão de fecundar e produzir o grão (Is 55). O Mahatma Gandhi ensinava: “Comece por você mesmo a mudança que deseja para o mundo”. Somente pelo fato de desejar, não temos a força para transformar organizações e sistemas do mundo, mas podemos sim colaborar para que se façam as condições necessárias para que elas mudem.
domingo, 18 de dezembro de 2011
PARA UM NATAL NOVO E FELIZ

por Marcelo Barros
Neste Natal, a casa da humanidade está pouco preparada. Uma grave crise de civilização assola o mundo. Em todos os continentes, a pobreza e a injustiça aumentaram. Nas casas, as pessoas enfeitam salas e armam presépios, mas Jesus continua a dizer: “É quando vocês socorrem um pequenino que acolhem a mim” (Mt 25, 31 ss).
Na América Latina, há muitos sinais de mudanças. Vários países aprovaram novas constituições políticas. Pela primeira vez na história, os mais pobres estão sendo sujeitos ativos de um processo de transformação social e política que não se limita a figuras importantes como o presidente da República ou tal chefe político. O processo envolve grupos e comunidades de pessoas pobres, índios, lavradores e gente de periferia urbana. Em vários países, dificilmente isso teria ocorrido se não tivesse sido preparado pela participação de cristãos nos grupos e movimentos sociais. Apesar de muitos sofrimentos e de contradições inerentes a todo processo deste tipo, para muitos latino-americanos, neste ano, isso significa poder celebrar um Natal novo e renovador.
Muitos se negam a crer em qualquer novidade e outros torcem o nariz procurando defeitos e erros nestes processos sociais e políticos. O profeta João escreveu: “nós somos as pessoas que acreditam no amor” (1 Jo 3). Este Natal vem como uma interpelação para que cada pessoa se reveja e responda: “Como você está de utopia?”
O Natal nos chama para revigorarmos em nós a capacidade de crer, esperar e preparar a realização do projeto divino nesse mundo. Esta é a proposta de Jesus. Quando o evangelho nos diz “a palavra se fez carne” (Jo 1, 14), está nos convidando a sermos cada vez mais humanos, como ele, Jesus. Carlos Drummond de Andrade interpretava isso ao dizer que, no Natal, imaginava o verbo outrar que, precisaria ser inventado na língua portuguesa. No Natal, uma das músicas cantadas pelas comunidades eclesiais de base no Centro-oeste foi composta por um lavrador do Pará. Tem como refrão: “Dentro da noite escura, da terra dura do povo meu, nasce uma luz radiante, no peito errante, já amanheceu”.
NATAL: A CHEGADA DO OUTRO

O NATAL DE ANTIGAMENTE

O OVO DA SERPENTE

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domingo, 11 de dezembro de 2011
CALENDÁRIO DOM HELDER 2012

Em 2012 comemoram-se os 50 anos do Concílio Vaticano II. O calendário está primoroso, com apresentação de Pe. João Pubben e frases do Dom em cada mês, ele é um convite à reflexão, além de ser um lindo presente de Natal.
O calendário pode ser adiquiro na rua Henrique Dias, 278 - Boa Vista, de segunda a sexta-feira das 8h às 12h e das 13h às 17h.
Fone: (81) 3231-5341 ou 3421-1076
O preço é apenas R$ 10,00.
"TENHO TEU CORAÇÃO DIANTE DE MIM, NÃO TE AFLINJAS"

E foi com o espírito combalido de tanta doença sobre si que o pobre sacerdote se prostrou com um derradeiro suspiro, procurando alívio, em frente a uma imagem de Maria.
A dificuldade de caminhar, o cansaço, o desconforto em respirar, as dores crônicas nas pernas que às vezes se exacerbavam insuportavelmente, oprimia o sacerdote.
Caminhar era difícil, falar mais ainda.
Refletia sobre o sofrimento humano, sem encontrar resposta convincente para si mesmo, como poderia reconfortar os enfermos? Ele mesmo se sentia enfermo e não estava encontrando consolo.
Naquele cair de tarde entrou quase em desespero. Lembrou de Elias quando estava desistindo de sua missão e pediu para que Deus providenciasse sua morte, ao que o próprio Deus enviou um anjo com um pedaço de pão e o mandou continuar. Talvez, quem sabe, o padre esperasse um anjo, um aviso, um sinal, um conforto. No íntimo, no íntimo mesmo ele não acreditava muito em anjos, visões, sinais miraculosos e outras coisas mais da nossa prática religiosa.
Deixou o corpo cair ajoelhado e os músculos relaxaram. A visão embaçou um pouco. A respiração também (a respiração pode embaçar a vida das pessoas).
Agora o que restava daquele jovem determinado que atravessou mares e sobreviveu a marés?
Maria parecia indiferente à sua reflexão.
Saindo então da genuflexão, sentou-se. Frente a frente, olho no olho, suplicantes olhos de sofredor peregrino.
Silêncio apenas, silêncio.
Nem um vento súbito, nem um raiozinho de luz, nem uma folha morta se arrastando, nem um besouro zunindo, nada, nada. O ambiente mergulhara na penumbra e no silêncio absoluto, e absorveu o nosso sacerdote, de tal maneira que quem passasse por ali, mesmo olhando não o veria.
Lembrou, como uma última lembrança, que todas as pessoas que se aproximaram de Jesus, segundo o relato dos evangelhos, foi por causa de uma doença ou sofrimento e um pedido de cura, e que através desse encontro mudaram suas vidas para sempre. Isso paradoxalmente o atormentou mais ainda, pois estava diariamente com Jesus no serviço aos pobres e na Eucaristia, sabia que Jesus sabia de sua aflição, portanto, então, ele não seria digno de receber uma graça que o aliviasse um pouco. Triste e pesaroso foi se levantando para se recolher. Nesse momento olhou para a imagem e percebeu como uma voz dentro de si dizendo suavemente: “Não te aflijas, pois tenho o teu coração diante de mim”.
NOVO OLHAR SOBRE O UNIVERSO

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É POSSÍVEL ALIMENTAR SETE BILHÕES DE PESSOAS?

CIDADE PLANETÁRIA

O termo parece vir da ficção científica. Entretanto, nos ajuda a compreendermos que não somos apenas cidadãos de um país ou região e sim membros da única família humana que, por sua vez, é parte da comunidade da vida no planeta Terra. O termo universal não pode mais se referir apenas à humanidade. Diz respeito a todos os seres vivos e até a natureza que abrange um universo sideral que estamos apenas começando a conhecer.
Nesta semana se completam 63 anos em que, no dia 10 de dezembro de 1948, a assembléia geral da ONU assinou a declaração universal dos direitos humanos. Esta primeira declaração diz respeito a direitos individuais de toda pessoa humana. Até hoje, muitos deles são absolutamente ignorados e desrespeitados.
Os direitos coletivos dos grupos, etnias, categorias sociais e gênero são fundamentais porque se a comunidade não é respeitada em seus direitos a viver em sua terra, expressar-se em sua cultura própria e exercer a religião na qual crê, os indivíduos também não terão seus direitos respeitados.
PRIMAVERA ÁRABE E AD-VENTO

sábado, 26 de novembro de 2011
ASSUERO GOMES
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
EDUARDO HOORNAERT
O historiador e padre casado Eduardo Hoornaert nasceu na Bélgica e reside há vários anos no Brasil. Ensinou História da Igreja nos Seminários de João Pessoa, Fortaleza e no SERENE II do Recife. Foi professor do extinto ITER (Instituto de Teologia do Recife) durante os anos em que morou em Recife. É um dos fundadores do CEHILA (Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina) e ado acessor das CEB's (Comunidades Eclesiais de Base).
É autor de vários artigos e livros sobre História do Cristianismo Antigo, História da Igreja e História da Igreja na América Latina, entre eles ‘História do Cristianismo na América latina e no Caribe', pela editora Paulus, São Paulo.
Coordenou o Projeto: História do Cristianismo no 3º Mundo, através do qual publicou, em 1995, o livro "O Movimento de Jesus". Foi pesquisador no Mestrado de História da Universidade Federal da Bahia.
E-mail: hoornaert@ig.com.br
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
FREI BETTO
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
GORETTI SANTOS
terça-feira, 22 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
LEONARDO BOFF
domingo, 20 de novembro de 2011
MARCELO BARROS
Marcelo Barros, monge beneditino da comunidade do Mosteiro da Anunciacao do Senhor, da Cidade de Goiás, e peregrino de Deus, procura testemunhar o seu amor por todas as regiões do Brasil e do mundo onde e chamado para assessorar grupos de base, coordenadores eclesiais e pessoas que buscam viver uma espiritualidade ecumênica ligada à paz, à justiça e à comunhão com a natureza. Nasceu em Camaragibe, cidade do Grande Recife, em uma família católica de operários muito pobres e e o mais velho de três irmãos e seis irmãs, das quais a mais nova é adotiva (seus pais a adotaram com dois dias de nascida).Quando era criança, queria ser veterinário para cuidar de jardins zoológicos e lidar com elefantes, girafas e animais selvagens. Estudou o segundo grau numa escola agricola. Aos 18 anos, apaixonado pela vida comunitária e pela Palavra de Deus e conquistado pelo ideal de viver uma vida radicalmente consagrada, entrou no Mosteiro de Sao Bento de Olinda.Durante 3 anos, morou com irmãos evangélicos (comunidade de Taizé em Olinda) e trabalhou com Dom Hélder Câmara para assuntos ecumênicos. Ingressou na comunidade do Mosteiro da Anunciacao do Senhoronde esta ate hoje, porque precisava de uma comunidade de monges no meio do povo e com a opção da Igreja dos pobres. Trabalhou 14 anos no secretariado nacional da Pastoral da Terra e até hoje do que mais gosta é quando assessora grupos de lavradores e quando e chamado para algum encontro com o MST.Também se realiza quando esta junto com grupos negros e indígenas, mas sua experiência maior tem sido mais ser testemunha da presença de Deus nos terreiros de Candomblé que freqüenta contemplativa e amorosamente.
Vive escrevendo (tem mais de 30 livros escritos e uma porção de artigos), mas descobriu que faz isso como forma de se comunicar e se sentir junto de tanta gente que ama. Diz ser afetivamente carente e precisar dos amigos e amigas que tem como o maior tesouro da sua vida. A eles e elas, procura ser fiel e se consagrar religiosamente, fazendo da amizade um verdadeiro culto, lugar de encontro com Deus.
sábado, 19 de novembro de 2011
MARIA CLARA BINGEMER
MARTINHO CONDINI
Martinho Condini é doutor em Educação e mestre em Ciências da Religião, ambos pela PUC-SP e graduado em Estudos Sociais e História pela UNICID. Registrado desde 2008 como Jornalista Profissional MTB 54967 SP.
Pesquisador da vida e
obra de Dom Helder Camara e Paulo Freire. Possui experiência na área da
educação, com ênfase em Formação de Professores, Didática, Prática Pedagógica e
Currículo.
Atua principalmente com
os temas: pensamento freireano, ética, direitos humanos e educação libertadora.
Integra o grupo de pesquisa do CNPQ (O pensamento de Paulo Freire na educação
brasileira), na linha de pesquisa (Pensamento de Paulo Freire - legado e
reinvenção) na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Leciona em cursos
de graduação e pós graduação e realiza palestras.
É editor assistente da
Editora Diálogo Freiriano. Publicou pela Paulus Editora os livros Dom Helder
Camara um modelo de esperança (2008), Helder Camara, um nordestino cidadão do
mundo (2011), Fundamentos para uma educação liberadora: Dom Helder Camara e
Paulo Freire (2014) e o DVD Educar para a liberdade: Dom Helder Camara e Paulo
Freire (2013).
Pela Pablo Editorial,
Bogotá, Colômbia, publicou o livro Monsenhor Hélder Câmara um ejemplo de
esperanza (2014). Publicou capítulos em livros editados pelo Instituto Paulo
Freire e Editora Diálogo Freiriano.
Contato: profcondini@gmail.com
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
ROBERTA BARROS
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
ROSSANA MENEZES
Rossana Menezes é jornalista, fotógrafa e designer gráfica. Nascida em Recife, reside desde 2010 em Toronto, no Canadá. Lugar pelo qual é apaixonada desde que esteve lá pela primeira vez com 15 anos.
Rossana também é criadoras dos Blogs There and Back Again sobre imigração para o Canadá e Canada on Demand sobre dicas turísticas e culturais.
sábado, 5 de novembro de 2011
DO CAPITAL AO SOCIAL

Este valor é mais que o dobro de todo o investimento feito pelo governo no mesmo ano - R$ 44,6 bilhões, incluindo construção de estradas e obras de infraestrutura.
Os R$ 116 bilhões foram destinados à rede de proteção social, que abarca aposentadoria rural, seguro-desemprego, Bolsa Família, abono salarial, Renda Mensal Vitalícia (RMV) e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Esses programas abocanharam 3,1% do PIB.
Em janeiro de 1996, a RMV foi extinta ao entrar em vigor a concessão do BPC. Hoje, a RMV é mantida apenas para quem já era beneficiário até 96. Já o BPC é pago a idosos e portadores de deficiências comprovadamente desprovidos de recursos mínimos.
Há quem opine que o governo federal “gasta” demais com programas sociais, prejudicando o investimento. Ora, como afirma Lula, quando o governo canaliza recursos para empresas e bancos, isso é considerado “investimento”; quando destina aos pobres, é “gasto”...
O Brasil, por muitas décadas, foi considerado campeão mundial de desigualdade social. Hoje, graças à rede de proteção social, o desenho da pirâmide (ricos na ponta estreita e pobres na ampla base) deu lugar ao losango (cintura proeminente graças à redução do número de ricos e miseráveis, e aumento da classe média).
Segundo o Ipea, entre 2003 e 2009, 28 milhões de brasileiros deixaram a miséria. Resultado do aumento anual do salário mínimo e da redução do desemprego, somados ao Bolsa Família, às aposentadorias e ao BPC.
A lógica capitalista considera investimento o que multiplica o lucro da iniciativa privada, e não o que qualifica o capital humano. Essa lógica gera, em nosso mercado de trabalho, a disparidade entre oferta de empregos e mão de obra qualificada. Devido à baixa qualidade de nossa educação, hoje o Brasil importa profissionais para funções especializadas.
Se o nosso país resiste à crise financeira que, desde 2008, penaliza o hemisfério Norte, isso se deve ao fato de haver mais dinheiro em circulação. Aqueceu-se o mercado interno.
Há queixa de que os nossos aeroportos estão superlotados, com filas intermináveis. É verdade. Se o queixoso mudasse o foco, reconheceria que nossa população dispõe, hoje, de mais recursos para utilizar transporte aéreo, o que até pouco tempo era privilégio da elite.
Há, contudo, 16,2 milhões de brasileiros ainda na miséria. O que representa enorme desafio para o governo Dilma. Minha esperança é que o programa “Brasil sem miséria” venha resgatar propostas do Fome Zero abandonadas com o advento do Bolsa Família, como a reforma agrária.
Não basta promover distribuição de renda e facilitar o consumo dos mais pobres. É preciso erradicar as causas da pobreza, e isso significa mexer nas estruturas arcaicas que ainda perduram em nosso país, como a fundiária, a política, a tributária, e os sistema de educação e saúde.
Frei Betto é escritor, autor de “Sinfonia Universal – a cosmovisão de Teilhard de Chardin” (Vozes), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)