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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Igreja profética em memória sombria


Por Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

Relembramos neste mês o cinquentenário de anos terríveis.  Anos de opressão, de morte, de ditadura e de obscurantismo.  Lembro-me do presidente Jânio Quadros condecorando Che Guevara e recebendo Fidel Castro em 1959.  E em 1961, os tempos de prelúdio do que se anunciava: a renúncia de Jânio, dizendo-se pressionado por “forças ocultas” jamais reveladas.  E a posse de João Goulart. Depois veio 1964, em seu inesquecível 1º de abril que, infelizmente, não era mentira.

          No rádio, Carlos Lacerda usava sua poderosa oratória em favor do golpe.  Em casa, todos sentiam medo.  Minha avó, meu avô, minha mãe... era preciso salvar o país dos comunistas. O Pe. Peyton, americano, mandara rezar o terço em família.  E aquela casa católica obedecia.

           Eu ainda adolescente, sem saber muito das coisas, acompanhava o medo personificado nos tanques que marchavam em direção ao esmagamento do governo de João Goulart. Rezei muito para que o Brasil não caísse nas mãos dos comunistas e disseram-me que os militares nos haviam salvado desse cruel destino.

          Em 1968 entrei para a PUC, para o curso de jornalismo.  E aí pude experimentar na carne a verdade do que acontecia. Em cada sala de aula havia um ou mais espiões, dedos-duros, pretensos colegas que anotavam o que se falava e pensava para delatar “os perigosos subversivos” às forças da polícia do governo militar.  De repente, desaparecia um deles ou delas e não se sabia seu paradeiro.

          A disciplina educação moral e cívica era obrigatória. E nos ensinava a história que não passava pelos porões do DOI-CODI, onde jovens, trabalhadores, religiosos eram barbaramente torturados e perdiam o juízo e a vida. Segundo os professores de EPB, em geral militares reformados, o Brasil crescia e se transformava em potência mundial.

          Eu me sentia emergindo de um torpor, e esse despertar continuou quando mataram o estudante Edson Luís. Depois  quando levaram minha amiga, minha irmã de toda a vida, presidente do diretório central de estudantes da minha universidade. Passei a fazer teatro, peças que criticavam a burguesia e a alienação; a assinar papéis e manifestos contra a ditadura; a ajudar no mimeógrafo a álcool que multiplicava textos contrários ao regime.

          Em 1969 casei-me e fui morar na França por um ano. Foi lá que ouvi pela primeira vez a denúncia das torturas. Pela boca dos exilados, dos artistas, dos brasileiros que se reuniam no restaurante “A Feijoada” para matar as saudades do Brasil e comentavam, perplexos, o que acontecia no país, fiquei sabendo da verdade.  Ao voltar, em 1971, reabri minha matrícula na PUC-Rio. O AI-5 vigorava a pleno vapor, minha amiga se encontrava exilada, trocada pelo embaixador americano.  Não consegui reencontrar vários colegas, que não mais frequentavam a universidade.

          Em 1975, formei-me e fui trabalhar na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cuja sede era no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.  E ali vivi outro capítulo definitivo de minha tomada de consciência do que o golpe de 64 semeava de terror e crueldade pelo país afora.  Foi uma experiência de indignação, mas também de maravilhamento.  Pois foi então que conheci em profundidade a face profética e santa de minha Igreja.

          Em um momento em que todos se calavam em apavorado silêncio, os bispos levantavam a voz.  Denunciavam, enfrentavam, agiam. Eram ameaçados e agredidos, como dom Adriano Hipólito, em Nova Iguaçu, e dom Helder, em Recife.  Quando ninguém mais tinha coragem de defender os direitos humanos, dom Aluisio Lorscheider, dom Ivo, dom Helder, dom Adriano, dom Waldir Calheiros se faziam ouvir, para que a verdade ressoasse e libertasse o povo brasileiro do engano em que se encontrava mergulhado.

          Pela sede da CNBB passavam jovens torturados e exilados, moças grávidas em estado de choque, vindos de países vizinhos ou de outras partes do país.  Os bispos e a Caritas, que funcionava na parte inferior do edifício, lhes davam passaportes, passagens de avião para a Europa ou para outros lugares do mundo e lhes devolviam a esperança e a liberdade.

          Depois soube que minha doce amiga tinha sido acompanhada pessoalmente por dom Ivo à prisão.  Ele a visitara frequentemente e graças a isso ela dali saiu com vida e com sua integridade preservada. Nenhum ou quase nenhum daqueles militantes era católico ou cristão.  Que importava?  Eram seres humanos e, portanto, tinham direito à integridade física e mental, à dignidade, à liberdade que Deus lhes dera.

          Ali começou para mim uma nova etapa de vida, um novo aprendizado.  Orgulhosa de minha Igreja até a última dimensão de meu ser, dispus-me a estudar teologia para poder estar ao lado daqueles que se arriscavam pela vida alheia e defendiam os direitos dos outros, denunciando as agressões à vida humana cometidas no país.

          Hoje, neste macabro cinquentenário, lemos horrorizados o relato descarado do torturador Paulo Magalhães sobre seus métodos requintados daqueles terríveis anos. Ele narra como cortava dedos, membros e abria vísceras dos prisioneiros políticos antes de esquartejá-los e atirá-los nos rios da região serrana. Em meio ao asco e ao horror da leitura, celebro a graça de fazer parte desta Igreja que corajosamente se opôs a isso. Tão cheia de pecados e falhas, mas tão destemida e santa é ela quando se deixa inspirar por Jesus e seu Evangelho.  Que sua atuação não seja esquecida na triste, mas necessária memória destes 50 anos do Golpe militar.

 Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. A   teóloga é autora de “Ser cristão hoje" (Editora Ave Maria).
Copyright 2014 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>
  


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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Brasil Pós-ditadura


Por Frei Betto
 

        Faz 50 anos que o golpe militar, respaldado pela Casa Branca, implantou uma ditadura no Brasil. E 29 que os generais voltaram às casernas. E agora, José, vivemos uma verdadeira democracia?
        Devagar com o andor, pois o santo é de barro. Cracia, sim; mas demo... Os generais deixaram o poder. Não de ter poder. Falam grosso nos quartéis e ainda têm a petulância de batizar turmas de formandos de Agulhas Negras com o nome de “Emílio Garrastazu Médici”, o mais sanguinário de todos os ditadores.

        Comissões da Verdade trabalham arduamente para apurar os crimes da ditadura. Como não são também da Justiça, atuam manietadas. Não têm poder nem projeto de punir ninguém. “Homem mau dorme bem”, intitula-se um filme de Akira Kurosawa. O que dá às Forças Armadas a prerrogativa de não prestar satisfações à nação e manter sob sigilo os arquivos do regime militar, como fazem com os documentos da Guerra do Paraguai. Mas ninguém escapa de prestar contas à história...

        Passadas quase três décadas do fim da ditadura, o Brasil nem sacudiu a poeira nem deu a volta por cima. Quem é hoje a figura majestática do PMDB, o maior partido do Brasil e principal aliado do governo petista? José Sarney. Quem era o presidente da Arena, partido de respaldo à ditadura e aos crimes por ela cometidos? José Sarney.

        Nossas estruturas ainda conservam fortes resquícios dos 21 anos (1964-1985) de atrocidades. Em especial na política, que mantém o mesmo número de senadores por estado, malgrado a desproporção populacional, e aprova o financiamento de campanhas eleitorais por empreiteiras, bancos e empresas. Sei que nem tudo é como dantes – temos pluripartidarismo e a Constituição de 1988 – mas ainda trafegamos à sombra do quartel de Abrantes.

        Houve mudanças! O impossível aconteceu: Lula eleito presidente e o PT há 11 anos no poder. Lá chegou graças aos movimentos sociais que minaram os alicerces da ditadura. Como já disse, o poder, a cracia, ganhou novos protagonistas. Porém, a demo... o povo ficou de fora!

        Nossa democracia ainda é predominantemente delegativa (delega-se, pelo voto, poder ao eleito); tendenciosamente representativa (vide os lobbies do agronegócio e dos grandes meios de comunicação); e nada participativa.
        A social-democracia chegou ao Brasil, paradoxalmente, pelas mãos do PT, e não do PSDB. A pobreza extrema sofreu significativa redução; a escolaridade ampliou-se; a saúde socorreu-se na importação de médicos estrangeiros. No Nordeste, trocou-se o jegue pela moto. A inflação ficou sob controle; o salário mínimo teve crescimento expressivo; a linha branca, desonerada e facilitada pelo crédito, encheu os domicílios populares de geladeiras, fogões e máquinas de lavar.

         Quem nunca comeu melado... Cadê os benefícios sociais? Transporte coletivo precário e congestionado; saúde pública infeccionada por falta de recursos; educação sem qualidade; segurança despreparada e insuficiente.
        Em 11 anos de governo petista, nenhuma reforma de estruturas. Nem a agrária, nem a política, nem a tributária. Como fazia a ditadura, os megaprojetos atropelam as exigências ambientais (transposição do São Francisco; hidrelétricas como Belo Monte; Copa), enquanto a Amazônia perde o fôlego asfixiada por lavouras movidas a agrotóxicos e  ampliação dos pastos abertos a serra elétrica. 

        Eis que, de repente, o Brasil se dá conta de que não está deitado em berço esplêndido. E o gigante adormecido acorda... nas manifestações de rua! 

        Se os 11 anos de governo petista promoveram considerável inclusão econômica, falta propiciar a participação política. Ao contrário, temos um governo despolitizante, que acredita que só de pão vive o homem... Nada estranho que haja arruaças em manifestações. 

        Ainda somos o país do futuro... O presente requer um novo projeto Brasil.


Frei Betto é escritor, autor de “Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros. 

http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Igreja terra prometida após caminhada no deserto



Por  Juracy Andrade


A Igreja de Cristo, a meu ver, e também na visão de muita gente mais autorizada que eu, pelo saber teológico e posição no contexto eclesial, caminha, com a celeridade possível, no rumo de uma profunda reforma. Não uma reforma como outras por que passou, com alguns concílios, com papas como Gregório Magno. Mas algo muito mais estrutural e também aprofundado nas comunidades e na pessoa de cada cristão, no caminho de uma retomada do grande concílio dos anos 1960, solapado e descafeinado por papas posteriores ao grande João 23 e, principalmente, pela temível máfia da Cúria Romana. Uma reforma no sentido de uma retomada da fé e das práticas da Igreja dos primeiros séculos, antes de ela cair nos braços do Império Romano, no século 4º.

Felizmente, depois de tanto tempo de caminhada no deserto, temos um bispo de Roma que não pretende ser o dono da Igreja e proprietário das almas dos crentes. Ele quer ouvir os outros componentes do Colégio Apostólico para saber o que pensam e querem os cristãos das mais diversas regiões do mundo. Pela primeira vez na história do papado, ele criou um conselho permanente de oito cardeais representando regiões. E enviou um amplo questionário sobre temas como divórcio, união homossexual, uso de anticoncepcionais para os bispos levarem aos fiéis de todo o mundo antes do Sínodo dos Bispos marcado para outubro. Além disso, apeou do poder o cardeal Tarcisio Bertone, que comandava a seu talante a Secretaria de Estado. E anunciou um superministério com a espinhosa missão de dar transparência às nebulosas finanças do Vaticano, o que inclui o IOR (Banco do Vaticano), acusado de tenebrosas transações como a lavagem de dinheiro das máfias. Não esqueceu o triste e constrangedor abuso de crianças por parte de padres e religiosos em busca de uma escapatória para o voto de castidade (tipo: ter mulher não pode; mas escandalizar crianças pode).

Outra marca do Hermano Francisco é a sua espontaneidade e antiformalismo. Saúda os fiéis com um popular “bom dia” ou “boa noite”. Telefona pessoalmente para quem lhe envia cartas. Na Semana Santa de 2013, lavou os pés (liturgia) de menores infratores, incluindo uma menina (que horror! para a hipocrisia vigente) e um muçulmano. No dia do seu aniversário, comemorou com três moradores de rua com quem tomou capuccino e comeu croissants; e mais um cachorro vira-lata. Seu despojamento o levou a descartar a luxuosa estola estabelecida para posses papais, e vestes e sapatos como os que os seus predecessores usavam, além de ir morar numa hospedaria vaticana; nada de Palácio Apostólico. Uma batina branca simples é sua vestimenta e não se senta em trono. Ele é contra o luxo, qualquer forma de ostentação e chegou a afastar um bispo alemão amigo de grandes gastos, igrejas e palácios suntuosos.

Frases inesperadas marcaram seu primeiro ano de papado. “Se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?” “Eu me sinto mal quando vejo um padre ou uma feira com um carro de último modelo. Assim não dá!” “Quando o amor fracassa, e fracassa muita vezes, devemos sentir a dor desse fracasso. Não devemos condenar [os divorciados]. É preciso caminhar com eles”. “No centro da atual globalização não está a pessoa humana, apenas o dinheiro.” Outro ponto a assinalar é a aproximação dele a líderes do judaísmo e do protestantismo, num promissor indício de abertura.

A crítica ao capitalismo e à globalização desumana, principalmente na exortação apostólica Evangelii Gaudium, destoa de toda a mais do que secular pregação da chamada doutrina social da Igreja. Para Leão 13 (encíclica Rerum Novarum) e outros papas, o socialismo era mesmo que um satanás e o máximo que os patrões capitalistas deviam fazer era tratar bem seus operários, dar-lhes moradia. Daí que, inspirados na Rerum Novarum, os pioneiros pernambucanos da indústria têxtil, no início do século 20, ciaram vilas populares ao redor de suas fábricas, como a TSAP, Torre, Camaragibe etc. Já para Francisco, “Não há esperança social sem trabalho decente para todos [...]. Neste sistema sem ética, no centro há um ídolo, e o mundo tornou-se idólatra desse deus dinheiro. É o dinheiro que manda”. É o que ele disse a mineiros da Sardenha, em visita que lhes fez. Para o jornalista italiano Claudio Bernabucci, o papa fala as palavras de paz e amor do santo de Assis, mas age com os métodos e a audácia de Inácio de Loyola, o fundador da ordem dos jesuítas, a que Francisco pertence.


Juracy Andrade é jornalista com formação em filosofia e teologia

terça-feira, 1 de abril de 2014

Democracia e cidadania




Por Marcelo Barros


 Há 50 anos do golpe militar de 1964, os meios de comunicação noticiam que, nesses dias, em São Paulo e outras cidades, grupos de direita mobilizam pessoas para uma nova “Marcha da Família com Deus pela liberdade”. Essa iniciativa reedita marchas que aconteceram em 1964 para apoiar o golpe ocorrido no 1º de abril. Nessas marchas, as pessoas expressam o desejo de que os militares intervenham para “salvar” o Brasil da corrupção e de  outros problemas que veem na situação atual do país. 

Em um regime democrático, é o direito dos cidadãos se expressarem livremente. As marchas ocorridas no dia 22 e outras que se fizeram não encontram apoio na maioria da população. É diferente de 1964 quando essas marchas, com apoio do empresariado, da classe média e mesmo da maioria do clero católico, reuniram mais de um milhão de pessoas. Hoje, poucos brasileiros apoiariam um retrocesso social e político aos tempos da ditadura. 

Nesses 50 anos, o Brasil mudou. Atualmente, em todo o país, ao menos em grandes setores da sociedade, existe uma consciência clara: não é pelo autoritarismo e pela imposição que conseguiremos mudar nada para melhor. Todas as renovações devem ser construídas a partir das bases e com a participação cidadã de todos. Na história do mundo, nenhuma ditadura perdurou. Além de terem sido transitórias, nenhuma deixou saldo positivo. Se temos problemas a resolver, a solução deve vir dos movimentos sociais organizados e das representações do povo consciente. Nesse ano de 2014, os movimentos sociais começam uma campanha para colher o milhão de assinaturas necessárias para que se possa pedir a instauração de uma Assembleia Nacional Constituinte para refazer nossa Constituição e atualizar uma ampla reforma política. Essa reforma será um passo para frente e não para retroceder aos tempos da ditadura. 

Naquele tempo, o fantasma do Comunismo era usado pelos agentes do império para assustar e ameaçar as pessoas menos informadas. Mesmo setores da hierarquia católica participaram daquele movimento. Hoje, os bispos não têm mais a mesma influência social que tinham naquele tempo. Hoje, o país é religiosamente mais plural. E a maioria dos religiosos sabe: o verdadeiro risco para o Brasil não é o socialismo e sim continuar vassalo do império que promoveu econômica e militarmente o golpe de 64 no Brasil e em diversos países do continente. É o mesmo império que, em nome da democracia, continua até agora a fomentar golpes e violências em vários países da América Latina. 

As marchas que ocorrem nesses dias podem levantar a bandeira da defesa da família de classe média, isolada em si mesma e mergulhada no afã do consumismo, mas não tem como, legitimamente, usar o nome de Deus. Ele nada tem a ver com uma elite que, pelo grito ou pela força, pretenda perpetuar as desigualdades sociais. 

 Hoje, a maioria do povo brasileiro rememora, mas não comemora o aniversário do golpe de 64. O objetivo dessa memória dolorosa é lembrar o que o povo sofreu e evitar que aquela tragédia se repita. A Comissão da Verdade do Ministério da Justiça tem documentos sobre quase 500 pessoas desaparecidas e assassinadas pela ditadura militar daqueles anos e sobre milhares de pessoas presas e perseguidas. Durante 21 anos, o Brasil se viu despojado e mesmo proibido de ter lideranças políticas. Toda manifestação pública de caráter livre era reprimida. Atualmente, certos setores de direita se manifestam contra a corrupção como se ela só existisse agora. Nem se pode dizer que, atualmente, seja  mais espalhada. A diferença é que agora tudo é escancarado. Podemos saber de tudo o que se passa. Na época da ditadura, a boca pequena, falava-se de desvios econômicos em obras como Itaipu, Ponte Rio Niterói e outras, mas nenhum órgão de imprensa podia noticiar. Havia boatos sobre golpes econômicos que envolviam primeiras damas, mas, todos faziam de conta que não sabiam de nada. 

 Quem vive a fé cristã sabe que o projeto divino é o reino de Deus, ou seja, o projeto divino de um mundo justo e de paz. Para a realização desse projeto, todos os filhos e filhas de Deus devem ser considerados cidadãos/ãs. Por isso, mesmo com falhas, a democracia é mais próxima desse projeto divino do que qualquer regime autoritário.