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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

UM INADIÁVEL ACERTO DE CONTAS COM A MÃE TERRA


Por Leonardo Boff



A encíclica do Papa Francisco sobre “O cuidado da Casa Comum”(Laudato Si) está sendo vista como a encíclica “verde”semelhantemente como quando dizemos economia “verde”. Eis aqui um grande equívoco. Ela não quer ser apenas “verde” mas propõe a ecologia “integral”.

Na verdade, o Papa deu um salto teórico da maior relevância ao ir além do ambientalismo verde e pensar a ecologia numa perspectiva holística que inclui o ambiental, o social, o político, o educacional, o cotidiano e o espiritual. Ele se coloca no coração do novo paradigma segundo o qual cada ser possui valor intrínseco mas está sempre em relação com tudo, formando uma imensa rede como aliás o diz exemplarmente a Carta da Terra.

Em outras palavras, trata-se de superar o paradigma da modernidade. Este coloca o ser humano fora da natureza e acima dela como “seu mestre e dono (Descartes), imaginando que ela não possui nenhum outro sentido senão quando posta a serviço do ser humano que pode explorá-la a seu bel-prazer. Esse paradigma subjaz à tecnociência que tantos benefícios nos trouxe mas que simultaneamente gestou a atual crise ecológica pela sistemática pilhagem de seus bens naturais.

E o fez com qual voracidade que ultrapassou os principais limites intransponíveis (a Sobrecarga da Terra). Uma vez transpostos, colocam em risco as bases físico-química-energéticas que sustentam a vida (os climas, a escassez de água, os solos, a erosão da biodiversidade entre outros). É hora de se fazer um ajuste de contas com a Mãe Terra: ou redefinimos uma nova relação mais cooperativa para com ela e assim garantimos a nossa sobrevivência ou podemos conhecer um colapso planetário.

O Papa inteligentemente se deu conta desta possibilidade. Daí que sua encíclica se dirige a toda a humanidade e não apenas aos cristãos. Tem como propósito fundamental cobrar um novo estilo de vida e uma verdadeira “conversão ecológica”. Esta implica uma novo modo de produção e de consumo, respeitando os ritmos e os limites da natureza também em consideração das futuras gerações às quais igualmente pertence a Terra. Isso está implícito no novo paradigma ecológico.

Como temos a ver com um problema global que afeta indistintamente a todos, todos são convocados a dar a sua contribuição: cada país, cada instituição, cada saber, cada pessoa e, no caso, cada religião como o cristianismo.

Em razão desta urgência, o Papa juntamente com a Igreja Ortodoxa instituiu todo o dia 1º de setembro de cada ano como o “Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”. Assevera claramente que “devemos buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação”(Carta do Papa Francisco de 6/08/2015). Observe-se a expressão “paixão pelo cuidado da criação”. Não se trata de uma reflexão ou algum empenho meramente racional mas de algo mais radical, “uma paixão”. Invoca-se aqui a razão sensível e emocional. É ela e não simplesmente a razão que nos fará tomar decisões, nos impulsionará a agir com paixão e de modo inovador consoante a urgência da atual crise ecológica mundial.

O Papa tem consciência de que o cristianismo (e a Igreja) não está isento de culpa por termos chegado a esta situação dramática. Durante séculos pregou-se um Deus sem o mundo, o que propiciou o surgimento de um mundo sem Deus. Não entrava em nenhuma catequese o mandato divino, claramente assinalado no segundo capítulo do Genesis, de “cultivar e cuidar o jardim do Éden” (2,15). Pelo contrário, o conhecido historiador norte-americano Lynn White Jr ainda em 1967 (The historical Roots of our Ecologic Crisis, em Science 155) acusou o judeu-cristianismo com sua doutrina do domínio do ser humano sobre a criação como o fator principal da crise ecológica. Exagerou como a crítica o tem mostrado. Mas de todos os modos, suscitou a questão do estreito vínculo entre a interpretação comum sobre o senhorio do ser humano sobre todas as coisas e a devastação da Terra, o que reforçou o projeto de dominação dos modernos sobre a natureza.

O Papa opera em sua encíclica (nn. 115-121) uma vigorosa crítica ao antropocentrismo dessa interpretação. Entretanto, na carta de instauração do dia de oração com humildade suplica a Deus “misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos”. Volta a referir-se a São Francisco com seu amor cósmico e respeito pela criação, o verdadeiro antecipador daquilo que devemos viver nos dias atuais.

Cabe concluir com as palavras do grande historiador Arnold Toynbee:”Para manter a biosfera habitável por mais dois mil anos, nós e nossos descendentes temos que esquecer o exemplo de Pedro Bernardone, (pai de São Francisco), grande empresário de tecidos no século XIII e seu bem-estar material e começar a seguir o modelo de Francisco, seu filho, o maior entre todos os homens que viveram no Ocidente…Ele é o único ocidental que pode salvar a Terra” (em ABC, Madrid 19/12/1972, p. 10).

Leonardo Boff é colunista do JB on-line e escreveu Opção Terra: a solução da Terra não cai do céu, Record 2010.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

GOSTO, SABOR E PALADAR


   Maria Clara Lucchetti 




 As primeiras acepções do verbo sapere em alguns dicionários são todas ligadas a sabor, ao paladar. O  substantivo saporis, aliás, surgiu como derivado de sapere. Em latim, o saber propriamente dito, ligado ao intelecto e ao conhecimento, nasceu mais tarde por extensão figurada.

Pode parecer meio estranha esta conexão  entre o paladar e o intelecto, mas a lógica dessa expansão de sentido é bem semelhante à que liga o sentido do paladar e a sensação do gosto (“sabor”) ao gosto (“juízo, discernimento”). Ter um paladar apurado significava ter gostos cultivados, refinados – que como se diz hoje, tem afinidade com o saber:  “saber das coisas”.

O caso do adjetivo sapiens (“sábio”) é elucidativo. Famoso por seu emprego na expressão homo sapiens: sua primeira acepção em alguns dicionários é “que tem bom paladar, que é conhecedor ou entendedor”. No verbete sapientia (“sapiência, sabedoria”), o nexo entre uma coisa e outra  fica ainda mais claro. Bom paladar, ao mesmo tempo em que é gosto apurado para conhecer o sabor dos alimentos, também e não menos consiste em  aptidão, habilidade, capacidade, instrução; razão, bom senso.

Inegavelmente, em nossos dias, a questão do comer e da gastronomia tem andado em evidente alta.  Aquilo que para a minha geração tinha o acento mais na reunião ao redor da mesa, seja da família ou de amigos; o que na militância política e social era entendido, segundo a categoria marxista como “reposição da força de trabalho”, passa a ser objeto de estudos apurados, refinamento de combinações de elementos vários para obter um sabor especial, invenção criativa de novidades e inusitadas surpresas. 

 A gastronomia passa a ser uma carreira promissora para as novas gerações e área respeitada de pesquisas e estudos, o que demonstra mais uma vez a conexão indissolúvel entre o sentido do gosto e a razão.

O que passa pela boca passa pela cabeça, então?  Sim, sem dúvida.  Assim como os excessos da boca e do estômago refletirão seguramente sua conexão nos efeitos desastrosos que produzirão na mente.  É o caso do alcoolismo, que afeta a tantos; da obesidade, que já se transforma em epidemia sob os aspectos nacional e mundial; da bulimia, anorexia e outras doenças da beleza e da estética ligadas à alimentação e ao comer, sintomáticas em uma sociedade desordenada como a nossa.

Por isso, o paladar deve ser educado, da mesma forma que todos os outros sentidos.  Em nossos dias, assistimos a um desvirtuamento desse importante sentido e também dos outros.  Os agrotóxicos poluíram nossas mesas; ingerimos alimentos para satisfazer nossa fome, sem saber se estamos deglutindo doenças, pestes e morte.  O ato de tomar o alimento e degustá-lo em comunidade desapareceu de nossas vidas.  O advento da televisão, do celular, do tablet e de outras tecnologias que nos capturam e aprisionam por inteiro impedem que o estar à mesa, comendo e exercitando o paladar conviva com o exercício da razão, do saber, da conversação, das trocas do coração.

A família raramente se reúne em torno da mesa.  Em geral, cada um tem um horário e a comida pronta e requentada ao micro-ondas será engolida sem degustação e humanizante saborear em frente à televisão, ou ao computador, ou ao celular.  Desconectaram-se paladar e pensar, paladar e sentimento.  Comer volta a ser um ato animal.

E, no entanto, “o reino dos céus é como um banquete”, diz o evangelista Mateus. Nesta bela e sugestiva metáfora jesuânica, encontramos o elemento definitivo para pensar a importância do paladar como um sentido profundo para a vida humana.  Quando comemos e bebemos nos fazemos vivos, partilhando a mesa, vivendo a cumplicidade, a amizade, a fraternidade.   Ao saborear o alimento em comunidade exercemos essa extraordinária capacidade que nos foi dada e nos diferencia dos outros animais: celebrar a vida em todas as suas dimensões. O que é apenas saciar uma necessidade biológica se transforma em ritual de louvação da vida, aspiração principal do ser humano.  Através do gosto da comida saboreada à mesa e em convivência, Jesus de Nazaré identificou a beleza desse ato com o Reino de seu Pai.

A presença de Deus junto aos homens e mulheres por Ele amados se manifesta e revela de sua forma mais plena e densa no banquete do qual participam pecadores que recebem o perdão, mulheres que são valorizadas e reintegradas em sua dignidade e todos os que têm fome e sede de justiça.

     Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio,  teóloga e autora de “O  mistério e o mundo –  Paixão por  Deus em tempo de descrença”, Editora  Rocco.  
 Copyright 2015 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

EUROPA COLHE O QUE PLANTOU

por Frei Betto


      Todos acompanhamos, pela mídia, o fluxo migratório, rumo à Europa Ocidental, de africanos e árabes de países em conflito, como Síria, Iraque, Eritreia e Líbia. Em 2015, 332 mil imigrantes indocumentados já aportaram no Velho Continente. As águas do Mediterrâneo sepultaram, de janeiro a agosto deste ano, 2.500 fugitivos da miséria e da violência, em busca de um pouco de pão e paz. Em 2014, 3.500.

      Um dos casos mais dramáticos é o dos 71 imigrantes encontrados mortos em um caminhão frigorífico nas proximidades de Viena, asfixiados pela falta de ventilação. O que fizeram os nazistas nas décadas de 1930 e 40 agora se repete em escala menor, contudo de modo não menos trágico.

      O papa Francisco tem feito insistentes apelos em defesa das vítimas de um mundo hegemonizado por um sistema no qual a livre circulação de moedas não encontra reciprocidade na livre circulação de pessoas. Ao capital todas as fronteiras se abrem. Às pessoas, todas se fecham, sobretudo se são negras ou muçulmanas. Estas tidas, pelo preconceito, como potenciais terroristas.

      A União Europeia já decidiu que cada país membro deve abrigar determinada cota de imigrantes. Porém, quem foge da fome e da guerra ignora estatísticas. Quer um lugar ao sol neste mundo marcado pela desigualdade e indiferença.

      É triste ver crianças perambulando por estradas e idosos se arrastando por baixo de cercas de arame farpado, alvos de policiais que tentam repeli-los com bombas de gás, cães farejadores, telas elétricas e cassetadas.

      A Europa Ocidental colhe o fruto da semente maligna que plantou: séculos de colonialismo na África e de apoio a regimes ditatoriais no Oriente. Após extorquir riquezas naturais e sustentar ditadores sanguinários, os europeus deixaram um lastro de miséria e violência. Tivessem promovido a democracia e o desenvolvimento daqueles países, não estariam agora erguendo muros para deter a horda de imigrantes, e estes não arriscariam a vida nas águas do Mediterrâneo agarrados à frágil esperança de uma vida melhor.

      A União Europeia apoiou a brutal intervenção dos EUA em países árabes. Após sustentar Saddam Hussein, Kadafi e Bashar al-Assad, as potências ocidentais, de olho no petróleo daqueles países, apelaram ao pretexto de terrorismo para derrubar suas antigas marionetes e deixar no lugar o caos.

      Os europeus ocidentais se esquecem do próprio passado. Entre 1890 e 1910, mais de 17 milhões de europeus migraram para os EUA – 570 mil por ano. E milhares vieram para a América do Sul. Isso quando a população mundial era quase um quarto da de hoje. O fluxo migratório do Atlântico foi muito mais intenso que o atual.

      Por que a Europa Ocidental não fechou suas fronteiras após a queda do Muro de Berlim, quando se intensificou o movimento migratório do leste rumo ao oeste? Ora, os povos do leste têm traços eslavos, pele branca como a neve, olhos claros. Nada melhor do que ter como empregados – em hotéis, restaurantes, lojas e residências – gente de “boa aparência”.

      O preconceito mata – suas vítimas e os valores humanos que teoricamente defendemos. E a discriminação revela a nossa verdadeira face.

Frei Betto é escritor, autor do romance policial “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.

 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
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terça-feira, 8 de setembro de 2015

IGREJAS EM PROCESSO CONCILIAR

Por Marcelo Barros


Nesses dias, voltaram a circular na internet, pessoas e grupos católicos que pedem ao papa Francisco para convocar um novo concílio ecumênico. A cada dia, esse pedido agrega mais assinaturas de adesão. De fato, na Igreja Católica, o desejo de um novo Concílio ecumênico surgiu concretamente em 1999, no Sínododos Bispos em Roma, a partir de um pedido do cardeal Carlo Maria Martini e de outros bispos. A partir daí muitos ministros e fiéis aderiram ao pedido. Em Madri, existe até uma secretaria internacional do movimento por um novo Concílio.

No entanto, nos anos mais recentes, a proposta foi sendo transformada. Em primeiro lugar, atualmente, devido à importância do tema e à realidade, não parece mais ser indicado um concilio que reúna apenas bispos e sim possa se constituir como uma grande assembleia ou fórum mundial, representativa de todas as forças vivas da Igreja. Também em tempos de uma “Igreja em saída”, como propõe o papa Francisco, esse fórum eclesial deve sim tratar de temas e questões internas da Igreja, mas não pode se restringir a isso. Desde os anos 40, ainda na Alemanha nazista, o pastor Dietrich Bonhoeffer já havia sugerido um concílio de todos os cristãos sobre a paz, justiça e defesa da criação (natureza).

Tanto pelo tema, como pela proposta de serviço comum à humanidade, essa assembleia precisará reunir ministros e fiéis de todas as Igrejas cristãs que aceitarem dialogar e representantes de outras religiões que se proponham a um caminho comum. Evidentemente, um fórum dessa natureza teria de ser preparado com muita antecedência e ser precedido por diversos encontros locais, regionais e nacionais. As discussões e aprofundamentos das bases se realizariam, antes de tudo, em cada Igreja e, depois, se ampliariam até o nível ecumênico e inter-religioso. Isso é o que se chama de processo sinodal. Vem do termo grego synodos que se significa “caminho feito em comum”.

No Cristianismo, algumas Igrejas têm natureza sinodal. O sínodo é a autoridade máxima para denominações como as Igrejas Orientais Ortodoxas e, no Ocidente, as Igrejas evangélicas congregacionais. Em 1973, em Salamanca, a Comissão Fé e Constituição ligada ao Conselho Mundial de Igrejasfoi retomada pela Assembléia do CMI em Nairobi. Afirmava: “A Igrejadeve ser vista como uma comunidade conciliar de Igrejas locais, autenticamente unidas umas às outras. Nessa comunidade conciliar, cada Igreja local possui, em comunhão com as outras, a plenitude da catolicidade e dá testemunho da mesma fé apostólica.” (...) “Na vida da Igreja, o fato de se organizar em sínodo é o reflexo de que cremos em um Deus que é comunhão.” 

Na Igreja Católica Romana, depois de séculos, o Concílio Vaticano II revalorizou a realização de sínodos, tanto nos níveis locais e regionais, como no plano mundial. Em 2007, como arcebispo de Buenos Ayres, o cardeal Bergoglio foi um dos coordenadores do mais recente sínodo das Igrejas latino-americanas e caribenhas: a 5a Conferência Geral do episcopado latino-americano em Aparecida (2007). E esse sínodo o marcou muito. Ao se apresentar como “bispo de Roma”, o papa Francisco revela sua intenção de insistir mais nesse instrumento de diálogo e crescimento em comum.

O mês de setembro nos recorda a importante conferência desse mesmo episcopado católico em Medellín, Colômbia, em setembro de 1968.  Esse foi o encontro que adaptou o Concílio Vaticano II às dioceses da América Latina. Mais do que isso, nessa conferência, a Igreja Católica conseguiu inserir-se profundamente na realidade social e política do nosso continente e propor um novo modo de viver a missão em cada país e situação. A partir da conferência de Medellín, se fortaleceu a experiência das comunidades eclesiais de base. Dois anos depois, começava-se a Teologia da Libertação: um método teológico de unir fé e vida, missão da Igreja e serviço libertador dos mais pobres.


Nesse momento, em que muitos grupos pedem que as Igrejas retomem sua vocação sinodal, é importante recordarmos as propostas principais formuladas pelos bispos católicos em Medellín. Sem dúvida, a realidade mudou muito. No entanto, ninguém pode negar a força atual da proposta central dos bispos em Medellín: “Que, na América Latina e Caribe, se apresente cada vez mais claramente o rosto de uma Igreja autenticamente pobre, missionária e pascal, corajosamente comprometida com a libertação de toda humanidade e de cada ser humano em sua integralidade” (Medellin. 5, 15 a).

Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países