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quinta-feira, 19 de março de 2015

TERESA, UM CASO DE AMOR


Por Frei Betto


      A 28 de março comemoram-se 500 anos do nascimento da espanhola Teresa de Ahumada, mais conhecida como Teresa de Jesus ou Teresa de Ávila, mística e doutora da Igreja Católica.

      Teresa salvou minha vocação religiosa. Eu não completaria neste ano cinco décadas de pertença à Ordem Dominicana – que em 2016 celebrará 800 anos de fundação – se não fossem os livros de Teresa: “Vida” (autobiografia), “Caminho da perfeição”, “Castelo interior”, “Conceitos de amor”, “Exclamações”, e suas cartas e poemas.

      Em 1965, deixei a militância estudantil (no ano anterior havia sofrido minha primeira prisão sob a ditadura, no Rio), a faculdade de jornalismo, e ingressei no noviciado dominicano, em Minas.

      Três meses depois, sofri profunda crise de fé. Decidi deixar o convento. Frei Martinho Penido Burnier, meu diretor espiritual, sugeriu-me paciência. Introduziu-me na leitura de Teresa. Foi uma paixão à primeira vista.

      Em sete meses de “noite escura”, ela operou em mim o que caracteriza sua mística: deslocou Deus das abóbadas celestiais, dos conceitos catequéticos, para o íntimo do coração. Na boca da alma, provei o sabor do Transcendente.
      Bernini a esculpiu, flechada pelo anjo, em expressão de indescritível orgasmo, na imagem exposta na igreja de Santa Maria della Vittoria, em Roma. Isto é Teresa: Deus como caso de amor. Não o deus dos castigos eternos, das culpas irremediáveis, do moralismo farisaico. Deus como paixão incontida. Tanto ansiava por ele, que ousava repetir: “Morro por não morrer.”

      Teresa foi uma feminista avant la lettre, numa época em que, na Europa, mulheres eram relegadas ao analfabetismo e, as místicas, atiradas à fogueira da Inquisição como bruxas. Leitora compulsiva, reformou a Ordem das carmelitas, indignada com os conventos transformados em depósitos de mulheres cujos maridos vinham explorar as riquezas do Novo Mundo.

      Teresa rompe com o Carmelo convencional, e também com a mediação do clero entre a pessoa e Deus. Peregrina incansável, funda comunidades de mulheres vocacionadas à exclusividade do amor divino.

      O representante do papa na Espanha, indignado, a acusa de “mulher irrequieta e andarilha, desobediente contumaz, que a título de devoção inventa má doutrina, andando fora da clausura, contra a ordem do Concílio de Trento e dos bispos, ensinando como mestra, à revelia do preceito de São Paulo de que as mulheres não devem ensinar.”

      Salvou-a da condenação como herética e maluca a intervenção de seus confessores e teólogos, que se tornaram seus discípulos. Em 1970, o papa Paulo VI concedeu-lhe o título de Doutora da Igreja.

      Seu principal discípulo e cooperador não foi uma mulher, e sim um homem, João da Cruz, patrono dos poetas espanhóis. A dupla reformou a vida carmelita e introduziu entre os católicos o saudável exercício da meditação – embora esta palavra não apareça em seus escritos e a Igreja Católica, ainda hoje, nutra injustificável preconceito em relação à sua prática, o que arrefece, entre os fiéis, a contemplação.

      Com exceção de Francisco de Assis, nenhum outro santo atrai tanto a atenção de artistas, intelectuais e psicoterapeutas quanto Teresa. Nela se realizou, em plenitude, a promessa de Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e viremos a ele e nele faremos a nossa morada” (João 14, 23).

      Teresa transvivenciou aos 67 anos, em 1582. Suas obras completas, encontráveis em qualquer livraria católica, nos ensinam a beber do próprio poço.

Frei Betto é escritor, autor de “Fome de Deus” (Paralela), entre outros livros. 


 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O PASTOR CELEBRA 70 ANOS

 por Rejane Menezes

O nosso querido colaborador, o monge beneditino MARCELO BARROS completou 70 anos na última quinta-feira, 27.

E, para comemorar a vida desse pastor, que leva a sério a sua vocação e conhece suas ovelhas pelo nome, foi realizada uma  Celebração Ecumênica em Ação de Graças na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade, no Espinheiro.

                               
Conduzida por Reginaldo Velozo e presidida pelo irmão de Marcelo, o reverendo anglicano Marcos Barros, a celebração  teve momentos emocionantes, marcados pela presença dos familiares, de amigos e companheiros de caminhada, não só aqui de Recife, mas também vindos de diversas partes do Brasil e do interior do Estado.

                           

Parentes, Religiosos, políticos e, por que não dizer, discípulos, cantaram, rezaram e agradeceram a Deus pela vida de Marcelo. Misturavam-se crianças, jovens e adultos, para homenagear o pastor que, de alguma forma, em algum momento de suas vidas, se fez ou se faz presente, numa troca de amor e vida, de experiências e ensinamentos.

            


     

Foram vários os depoimentos, dos companheiros mais antigos, do início da vida religiosa, como a mentora e amiga Irmã Agostinha, dos tempos da Fraternidade, dos grupos de jovens da época em que era da pastoral da juventude da Arquidiocese nos idos dos anos 70, dos movimentos sociais, antigos e novos, das religiões irmãs, eram tantos os amigos, era tanto o carinho, que a celebração, pode-se dizer que, realmente, foi um momento de verdadeira comunhão, todos unidos em amizade, carinho e agradecimento.
                                              
                                          
Durante a celebração o rev, Marcos entregou a Marcelo um livro, organizado por ele e pelo casal Pedro e Emília Lapa, reunindo textos de amigos de Marcelo, o Monge Peregrino, que também foi distribuído entre os presentes.

A celebração foi encerrada com todos cantando e se abraçando, numa troca de energia e amizade, porque vale a pena  "viver e não ter a vergonha de ser feliz.

Após a celebração a confraternização continuou, com muita alegria e os parabéns cantado por todos.

         
Viva a Vida de Marcelo e que venham muitas e muitas outras celebrações.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

MARCELO BARROS: 70 ANOS ILUMINANDO O NOSSO CAMINHO


  por Rejane Menezes

O ano era 1971, não lembro o mês. Nós, os adolescentes ousados membros do grupo S.O.S. (Sempre Ousamos Salvar), aguardávamos, em uma sala do Colégio Salesiano, a chegada de um jovem monge beneditino que coordenava a pastoral de Juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife.

O S.O.S. não era apenas mais um grupo de jovens, tão comuns àquela época. Era um grupo diferenciado, porque ousava salvar, vejam vocês. Salvar no sentido amplo da palavra, no sentido de transformar o mundo.

E dom Marcelo Barros estava vindo conversar com a gente sobre o nosso jornalzinho, O Balaio, que, como se diria hoje “Estava causando”. Nós escrevíamos os textos, recolhíamos textos de jovens de outros grupos, datilografávamos no estêncil, rodávamos no mimeógrafo do colégio Salesiano e vendíamos a um preço que só dava para comprar o papel da próxima edição. A impressão era cortesia do Salesiano, que nos dava o maior apoio. Nosso orientador espiritual, o Pe. Ivan Teófilo era padre salesiano.

E, com a chegada de dom Marcelo, seu sorriso largo e sua fala suave, os receios se dissiparam e tivemos um encontro muito bom, que se repetiu muitas outras vezes. A Arquidiocese só queria chegar junto da gente e nos apoiar, caso precisássemos.  E, naquele momento, não sabia eu que estaria conhecendo um grande amigo.

Naquela época os grupos de jovens eram muitos e tanto tinham momentos de reflexão quanto de ação. O S.O.S. além do jornal, tinha uma participação efetiva na O.A.F. (Organização de Auxílio Fraterno), nas Rondas e também com as crianças. Imagine que nosso jornal entrevistou Maria Bethânia, MPB4 e Chico Buarque. 

Nós, os jovens e adolescentes da década de 70 temos muito a agradecer ao apoio e ao carinho dos religiosos e religiosas que nos apoiaram, que nos mostraram o caminho para a cidadania e despertaram em nós a vontade de tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

Hoje Marcelo Barros está comemorando 70 anos de uma vida cheia de lutas e muitas conquistas. Uma vida dedicada ao pastoreio das ovelhas que ele conhece pelo nome. Uma vida dedicada a reunir, a agregar e combater as diferenças.
Parabéns meu amigo querido por esses 70 anos cheios de luz e brilho. Obrigada pelo privilégio de ser meu amigo.

Um grande abraço pra você. E muitos e muitos mais anos iluminando a nossa vida e o nosso caminho. (Cacá)