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sábado, 26 de junho de 2021

PARABÉNS A ELES

Prof Martinho Condini

 


Uma parcela significativa de brasileiros e brasileiras: operários, camponeses, comerciantes, industriais, banqueiros, prestadores de serviços, aposentados, religiosos, fiéis cristãos católicos e evangélicos, policiais, militares, universitários e professores; prestaram um eficiente desserviço à nação ao elegerem a “coisa”, o verme acéfalo, o negacionista e o genocida para comandar o nosso país.

 

Parabéns a eles.

 

Começo a desconfiar que o conhecimento deles sobre a história do Brasil deva ser muito rasteiro ou míope, no mínimo. Pois elegeram uma “coisa” que afirma ser admirador do Cel. Carlos Brilhante Ustra, que dispensa qualquer comentário. Poxa, no mínimo isso me causa estranheza e desconfiança.

 

Será que aqueles que elegeram a “coisa” se esqueceram de ir atrás da sua história? Por exemplo, quantos projetos de lei a “coisa” apresentou como parlamentar? Quantos desses projetos foram aprovados durante as três décadas que ele esteve como parlamentar no congresso nacional? Ou foram procurar saber quais são as matrizes ideológicas que o formaram?

 

Pois é, aqueles que elegeram a “coisa” devem estar orgulhosos e falando para seus filhos, esposa e amigos (se é que estão vivos), que esses mais de meio milhão de mortos pela pandemia são frutos do trabalho  exemplar daquela “coisa” que ajudaram a eleger.

 

Parabéns a eles mais uma vez.

   

Também devem estar satisfeitos que a corrupção foi extinta e o Brasil decola  para se tornar uma das maiores potências do planeta em 2022, não é mesmo?

 

O Brasil não merecia estar passando por uma das maiores crises de sua história, no âmbito ambiental, humanitário, sanitário, econômico, social e político. Mas graças a eles que elegeram essa “coisa”, vivemos essa tragédia. Parabéns a eles mais uma vez.

 

Todas as atitudes e pronunciamentos dessa “coisa” não me surpreendem em nada, pois era sabido que desta “coisa” não poderíamos esperar mais nada do que estamos vivenciando.

Em relação àqueles que elegeram a “coisa” o meu sentimento é uma mistura de pena, escárnio e asco. Pelo simples fato que nosso povo e nosso país não precisariam estar passando por essa situação tão sombria, medonha e tenebrosa.

 

Mesmo assim, muitos daqueles que o elegeram querem manter o “mito” no poder. Me desculpem, mas o entendimento de “mito” por parte daqueles  que o elegeram, também denominados  “gado”, é praticamente inexistente.

 

Quero acreditar que aqueles que elegeram essa “coisa” consigam perceber o quanto o nosso país retrocedeu nesses últimos três anos e reflitam diante dos fatos. As perdas propiciadas pela “coisa” são irreparáveis e jamais recuperadas. Por isso, mais uma vez parabéns a eles.

 

Mas quero acreditar que muito em breve a sociedade irá acordar desse pesadelo e  vamos  reconstruir essa nação pelas mãos de cidadãos e cidadãs que acreditam na democracia e na liberdade como princípios fundantes para a construção de uma nação soberana, digna e justa para todos. 

 

   O Prof. Martinho Condini é historiador, mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação. Pesquisador da vida e obra de Dom Helder Camara e Paulo Freire. Publicou pela Paulus Editora os livros 'Dom Helder Camara um modelo de esperança', 'Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo', 'Fundamentos para uma Educação Libertadora: Dom Helder Camara e Paulo Freire' e o DVD ' Educar como Prática da Liberdade: Dom Helder Camara e Paulo Freire. Pela Pablo Editorial publicou o livro 'Monsenhor Helder Camara um ejemplo de esperanza'. Contato profcondini@gmail.com      

segunda-feira, 11 de maio de 2015

SOBRE MÃES E PARABÉNS


 por Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio
                           


         Chega o dia das mães e sempre gostamos de homenagear seja a nossa mãe, ou as mães da família ou mães amigas.  Também já escrevi muito sobre mães distantes que passavam situações difíceis ou exemplos de mães que assumiram atitudes corajosas perto ou longe de nós. 

         Minha mãe já se foi e convive comigo desde outra dimensão.  Minhas filhas e minha nora são mães amorosas de lindos filhos, e delas sou devota e admiradora. Hoje, aqui e agora, neste dia das mães, quero homenagear uma mãe pela qual tenho muito carinho.  É filha de grandes amigos. Eu a vi pequenininha e de certa maneira acompanhei seu crescimento, sendo meu marido padrinho de sua irmã e minha filha mais velha amiga de seu irmão.

         Nana – este é seu apelido carinhoso com o qual é chamada em família – cresceu e eu a encontrei já grande.  Jamais foi uma menina comum.  Sempre as grandes causas da humanidade, a justiça e a paz, a pobreza e os direitos humanos, encheram sua mente privilegiada de inúmeras questões inspirando muitas de suas decisões na vida. 

 Encontrei-a após uma ida ao Haiti, onde trabalhou durante um tempo.  Lá conheceu um rapaz que começou a namorar.  Depois via-a no aeroporto; ia ao encontro dele para viajarem juntos pela América Central. Linda, sorridente, era visível    que estava amando.  E eu lhe disse: você vai casar com ele, Nana.  Ela perguntou: Você acha, tia?  A tia achou que sim e acertou.

           Nana teve sua primeira filha, uma menina linda e esperta.  E escreveu um belo livro a partir de sua experiência de convivência com sua bebê. Aliás, essa é outra veia que nela sempre esteve presente: a escrita. Nana é uma grande artesã da palavra, elaboradora de textos e esse é o trabalho ao qual se dedica profissionalmente.

           Após o nascimento da primeira filha, e do filho de papel, ficamos sem notícias durante algum tempo da vida e milagres de Nana.  Tudo ia bem. Quando não há notícias, são boas notícias, diz o dito popular. Até que há pouco tempo soubemos que estava novamente grávida.

A segunda menina, Carolina, nasceu.  E quando já planejávamos visitar Nana, recebemos uma lindíssima carta dela e do marido narrando o nascimento da filha e as circunstâncias especiais que o configuravam.

Tudo parecia correr normalmente até que a pediatra disse a Nana e ao marido que eram necessários exames porque Carolina apresentava talvez uma síndrome ainda não identificada.  Foram dias de angústia e pesadelo até que o geneticista disse aos pais o diagnóstico: Carolina tinha síndrome de Down.

Em sua corajosa narrativa e em sua mensagem aos amigos, Nana nem por um minuto camufla o choque do primeiro momento.  E quem não o sentiria?  Mas esse choque já vem narrado, envolvido pelo amor incondicional sentido pelos pais da linda Carolina e pela firmeza e decisão de amá-la de todo coração.

Como diz belamente Nana em seu texto: “Carolina é Minha Filha antes de ter isso ou aquilo.  O primeiro é ser filha, amada, querida e o que ela é ou tem vem junto com esse ser filha que é o primeiro que importa e na verdade o único que realmente tem peso verdadeiro.”

Ao lado do marido que a apoia incondicionalmente e divide com ela o amor apaixonado pela bebezinha, Nana lutou logo de início contra o preconceito e a falta de sensibilidade das pessoas que não conseguem mudar suas atitudes mentais e dela se aproximavam com palavras infelizes e consolos tortos.

Nana não queria consolo e sim parabéns. E deixou isso bem claro na mensagem que escreveu aos amigos e parentes.   Carolina é sua filha amada, um ser humano belo e maravilhoso, que vai levar uma vida cheia de amor nessa família onde nasceu, e que a acolheu e acolhe cada dia de braços abertos.

Passado um ano, Carolina a faz a mãe mais feliz do mundo. Segundo ela mesma diz, com ela aprendeu que “não temos controle nenhum nesta vida. Nossa missão me parece ser a de aprender a amar.” Sim, Nana, eternos aprendizes do amor somos nós.  Mas devo dizer que pessoas como você, seu marido e Carolina ajudam muito nesta aprendizagem que não tem fim.

Por isso, neste dia das mães, parabéns, parabéns e parabéns.  Pela Carolina e por você e sua família. Por tudo que você é e ensina com seu jeito de ser mãe.  Mãe da Carolina e da irmã dela.  Você só merece parabéns e nada mais.

A foto de vocês quatro, Carolina no colo do pai, com um sorriso encantador e a mãozinha esquerda levantada parece dizer:  “Oi gente, estou aqui.  E estou adorando viver! ”  Parabéns, querida e que você passe um belíssimo Dia das Mães.  E que possa nos ensinar a amar.  Sem dúvida, essa é a missão de Carolina, que você transmite muito bem a todos nós. 

 A teóloga é autora de “O  mistério e o mundo –  Paixão por  Deus em tempo de descrença”, Editora  Rocco. 

Copyright 2015 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

MARCELO BARROS: 70 ANOS ILUMINANDO O NOSSO CAMINHO


  por Rejane Menezes

O ano era 1971, não lembro o mês. Nós, os adolescentes ousados membros do grupo S.O.S. (Sempre Ousamos Salvar), aguardávamos, em uma sala do Colégio Salesiano, a chegada de um jovem monge beneditino que coordenava a pastoral de Juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife.

O S.O.S. não era apenas mais um grupo de jovens, tão comuns àquela época. Era um grupo diferenciado, porque ousava salvar, vejam vocês. Salvar no sentido amplo da palavra, no sentido de transformar o mundo.

E dom Marcelo Barros estava vindo conversar com a gente sobre o nosso jornalzinho, O Balaio, que, como se diria hoje “Estava causando”. Nós escrevíamos os textos, recolhíamos textos de jovens de outros grupos, datilografávamos no estêncil, rodávamos no mimeógrafo do colégio Salesiano e vendíamos a um preço que só dava para comprar o papel da próxima edição. A impressão era cortesia do Salesiano, que nos dava o maior apoio. Nosso orientador espiritual, o Pe. Ivan Teófilo era padre salesiano.

E, com a chegada de dom Marcelo, seu sorriso largo e sua fala suave, os receios se dissiparam e tivemos um encontro muito bom, que se repetiu muitas outras vezes. A Arquidiocese só queria chegar junto da gente e nos apoiar, caso precisássemos.  E, naquele momento, não sabia eu que estaria conhecendo um grande amigo.

Naquela época os grupos de jovens eram muitos e tanto tinham momentos de reflexão quanto de ação. O S.O.S. além do jornal, tinha uma participação efetiva na O.A.F. (Organização de Auxílio Fraterno), nas Rondas e também com as crianças. Imagine que nosso jornal entrevistou Maria Bethânia, MPB4 e Chico Buarque. 

Nós, os jovens e adolescentes da década de 70 temos muito a agradecer ao apoio e ao carinho dos religiosos e religiosas que nos apoiaram, que nos mostraram o caminho para a cidadania e despertaram em nós a vontade de tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

Hoje Marcelo Barros está comemorando 70 anos de uma vida cheia de lutas e muitas conquistas. Uma vida dedicada ao pastoreio das ovelhas que ele conhece pelo nome. Uma vida dedicada a reunir, a agregar e combater as diferenças.
Parabéns meu amigo querido por esses 70 anos cheios de luz e brilho. Obrigada pelo privilégio de ser meu amigo.

Um grande abraço pra você. E muitos e muitos mais anos iluminando a nossa vida e o nosso caminho. (Cacá)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Parabéns!



Por Roberta Barros
 
     Domingo passado, fui convidada para uma festinha infantil.

    Meu neto e minha filha mais nova estavam ansiosos para saber qual seria o motivo da festa e sair com as caixinhas cheias de surpresas gostosas e guloseimas, que em um futuro bem próximo, nos levará aos dentistas com bastante frequência.

     Era uma festinha simples, as crianças iam chegando aos poucos, e  em cada mesa que passavam, os olhinhos brilhavam.  No centro, um bolo com o Super-herói  preferido do aniversariante, reluzia. 

     Tudo corria muito bem, a criançada se divertiam, e as mães, mais gordinhas se escondiam dos brigadeiros e bem casados que passavam nas bandejinhas decoradas. Naquele momento a alegria parecia realmente afastar as tristezas que rodeavam algumas crianças.

     Tudo pronto! Está na hora! O momento dos PARABÉNS!

    Neste instante João, puxa a mãe pelo braço, que, sem entender o que ocorria, cruza o salão e chega perto da mesa, aponta e, pergunta se aquele Super-herói, não poderia trazer seu pai de volta.

     Só neste momento a mãe entende a pressa de João. Na semana anterior, ela tentara explicar a ele de todas as formas possíveis, para onde seu pai tinha ido.

     Seu pai foi assassinado depois de uma discussão de trânsito.
Como a mãe tinha lhe contado que o pai tinha ido para o céu, talvez aquele Super-herói pudesse trazê-lo de volta. 

     Apagam-se  as luzes, com as palmas das crianças, a música começa, a mãe procura resposta, e a festa continua...

     De volta à mesa, João se reencontra com sua irmã menor, que a mãe acomoda no colo, nesta nova tentativa, ela segue explicando para ele, o que as crianças precisam saber, e que os adultos não conseguem  explicar. 


Roberta Barros é pedagoga e fundadora da CAMM