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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

MÃES E AVÓS: SUSTENTO E GARANTIA DA SOCIEDADE




 Por Maria Clara Lucchetti Bingemer

Em meio ao conjunto de contrassensos em que se transformou o cenário brasileiro às vésperas das eleições, o universo das mulheres atrai a atenção. São potencial eleitoral respeitável e inimigas a temer. 

É fato que em muitos países a participação política feminina tem sido decisiva para mudar contextos, transformar mentalidades e, inclusive, obter vitórias importantes.  Não seria demais lembrar o grande movimento das mães da Praça de Maio que, caminhando em círculos silenciosamente, todos os dias, com um pano branco sobre a cabeça, ajudaram a desestabilizar a cruel ditadura argentina.

Entre nós, neste momento, a atitude de alguns candidatos com mulheres tem sido particularmente eivada de machismo e preconceito.  Algumas vezes têm chegado às raias do insulto.  Como o candidato que disse a uma colega do Congresso Nacional que não a estupraria porque ela não o merecia.  O (mesmo) candidato atalhou com particular impaciência e grosseria outras mulheres que o entrevistaram ou apartearam, ou dele discordaram. Igualmente foram feitos comentários em discursos ou entrevistas de que era muito normal e até mesmo desejável que a mulher ganhasse um salário menor do que o do homem.

Tudo isso provocou a indignação das mulheres que, em tempos de feminismo já para além da terceira onda e numa sociedade onde a questão do gênero é central, não admitem mais ouvir semelhantes barbaridades.  Porém, o que mais tem provocado estupefação e indignação são as recentes declarações de um candidato a vice-presidente.

Declarou o candidato que famílias onde falta a presença masculina e paterna, e onde as crianças são criadas pelas mães e avós produzem filhos e netos desajustados, que se tornam presa fácil para o tráfico e a criminalidade.  Questionado posteriormente o candidato reafirmou suas declarações, desta vez acrescentando que sua intenção não era depreciar as mulheres, mas defendê-las, devido às duras condições em que são obrigadas a viver. 

Parece-me muito positivo que o candidato se preocupe com a situação das mulheres que não recebem do estado creches e condições adequadas para deixar seus filhos a fim de poderem trabalhar.  Em sua análise, porém, falta um detalhe: a solidariedade dessas mulheres entre si. Ao partir para o trabalho, são ajudadas pelas vizinhas, amigas e conhecidas, que tomam conta de seus filhos pequenos.   

Ao chegar em casa, as mulheres que trabalharam o dia inteiro resgatam seus filhos da casa onde se encontram, lhes dão de comer e à noite ainda participam de reuniões de comunidade, de igreja ou clubes de mães.  Por sua vez, aquelas que se responsabilizaram pelas crianças durante a jornada de trabalho das mães continuarão prontas a ajudar sempre que necessário. E assim se forma a rede de solidariedade feminina, condição fundamental para que a sociedade – e em termos maiores, a humanidade – possa crescer e desenvolver-se sem estar condenada a uma extinção prematura.

Até o presente momento, caro candidato, os homens têm, sim, sido ativos na reprodução da espécie, mas não em sua conservação.  Muitas vezes engravidam as mulheres e se vão, em busca de outras experiências, sobretudo mais novas.  As mães permanecem. E criam os filhos, enfrentando todas as dificuldades, dispostas a defender as crias e tirar o pão da boca para alimentá-las.

Nesta tarefa têm sido muito ajudadas.  Por quem?  Pelos homens?  Não exatamente.  Por outras mulheres, mais velhas, que foram as que as criaram e jamais delas desistiram.  É a cadeia imortal e milenar da maternidade, que se mantém ativa e dinâmica, gerando, nutrindo e protegendo a vida.

Perdi meu pai com nove anos de idade, fui criada por minha mãe e minha avó.  Juntas formaram o marco de ternura e vigor que me constituiu como pessoa.  Ambas foram meus exemplos e guias na vida.  Embora sentindo, sim, muita falta de meu pai, não resultei desajustada e disfuncional. 

A razão pela qual as famílias mais pobres hoje em dia perdem tantas vezes seus filhos para o tráfico não é o fato de terem mulheres como chefes e cabeças.  E sim a pobreza e a injustiça em si mesmas.  É um contexto opressor que não deixa saídas aos jovens, que não lhes apresenta oportunidades, que lhes rouba a esperança.  Dentro desse quadro sombrio, muitas vezes o tráfico e a criminalidade conseguem lançar sua mão mortal sobre eles. Mas outras vezes não.  E quando não conseguem, é quase sempre porque houve em suas origens uma mãe e uma avó para dar carinho, para estar presente, para dar vida ao preço da própria vida. 

Não culpe, por favor, as mulheres pela violência que vitima cruel e maciçamente nossa juventude.  Culpe as estruturas injustas que geram miséria e violência, e que a política teria a obrigação de ajudar a transformar. Nesta missão, sempre poderá contar com o concurso das mulheres. São elas as primeiras interessadas em construir um mundo mais humano para as novas gerações que gestaram em seus ventres. 
  
Maria Clara Bingemer é teóloga, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de “Mística e Testemunho em Koinonia” (Editora Paulus), sua mais recente obra, entre outros livros.

Copyright 2018 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


segunda-feira, 11 de maio de 2015

SOBRE MÃES E PARABÉNS


 por Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio
                           


         Chega o dia das mães e sempre gostamos de homenagear seja a nossa mãe, ou as mães da família ou mães amigas.  Também já escrevi muito sobre mães distantes que passavam situações difíceis ou exemplos de mães que assumiram atitudes corajosas perto ou longe de nós. 

         Minha mãe já se foi e convive comigo desde outra dimensão.  Minhas filhas e minha nora são mães amorosas de lindos filhos, e delas sou devota e admiradora. Hoje, aqui e agora, neste dia das mães, quero homenagear uma mãe pela qual tenho muito carinho.  É filha de grandes amigos. Eu a vi pequenininha e de certa maneira acompanhei seu crescimento, sendo meu marido padrinho de sua irmã e minha filha mais velha amiga de seu irmão.

         Nana – este é seu apelido carinhoso com o qual é chamada em família – cresceu e eu a encontrei já grande.  Jamais foi uma menina comum.  Sempre as grandes causas da humanidade, a justiça e a paz, a pobreza e os direitos humanos, encheram sua mente privilegiada de inúmeras questões inspirando muitas de suas decisões na vida. 

 Encontrei-a após uma ida ao Haiti, onde trabalhou durante um tempo.  Lá conheceu um rapaz que começou a namorar.  Depois via-a no aeroporto; ia ao encontro dele para viajarem juntos pela América Central. Linda, sorridente, era visível    que estava amando.  E eu lhe disse: você vai casar com ele, Nana.  Ela perguntou: Você acha, tia?  A tia achou que sim e acertou.

           Nana teve sua primeira filha, uma menina linda e esperta.  E escreveu um belo livro a partir de sua experiência de convivência com sua bebê. Aliás, essa é outra veia que nela sempre esteve presente: a escrita. Nana é uma grande artesã da palavra, elaboradora de textos e esse é o trabalho ao qual se dedica profissionalmente.

           Após o nascimento da primeira filha, e do filho de papel, ficamos sem notícias durante algum tempo da vida e milagres de Nana.  Tudo ia bem. Quando não há notícias, são boas notícias, diz o dito popular. Até que há pouco tempo soubemos que estava novamente grávida.

A segunda menina, Carolina, nasceu.  E quando já planejávamos visitar Nana, recebemos uma lindíssima carta dela e do marido narrando o nascimento da filha e as circunstâncias especiais que o configuravam.

Tudo parecia correr normalmente até que a pediatra disse a Nana e ao marido que eram necessários exames porque Carolina apresentava talvez uma síndrome ainda não identificada.  Foram dias de angústia e pesadelo até que o geneticista disse aos pais o diagnóstico: Carolina tinha síndrome de Down.

Em sua corajosa narrativa e em sua mensagem aos amigos, Nana nem por um minuto camufla o choque do primeiro momento.  E quem não o sentiria?  Mas esse choque já vem narrado, envolvido pelo amor incondicional sentido pelos pais da linda Carolina e pela firmeza e decisão de amá-la de todo coração.

Como diz belamente Nana em seu texto: “Carolina é Minha Filha antes de ter isso ou aquilo.  O primeiro é ser filha, amada, querida e o que ela é ou tem vem junto com esse ser filha que é o primeiro que importa e na verdade o único que realmente tem peso verdadeiro.”

Ao lado do marido que a apoia incondicionalmente e divide com ela o amor apaixonado pela bebezinha, Nana lutou logo de início contra o preconceito e a falta de sensibilidade das pessoas que não conseguem mudar suas atitudes mentais e dela se aproximavam com palavras infelizes e consolos tortos.

Nana não queria consolo e sim parabéns. E deixou isso bem claro na mensagem que escreveu aos amigos e parentes.   Carolina é sua filha amada, um ser humano belo e maravilhoso, que vai levar uma vida cheia de amor nessa família onde nasceu, e que a acolheu e acolhe cada dia de braços abertos.

Passado um ano, Carolina a faz a mãe mais feliz do mundo. Segundo ela mesma diz, com ela aprendeu que “não temos controle nenhum nesta vida. Nossa missão me parece ser a de aprender a amar.” Sim, Nana, eternos aprendizes do amor somos nós.  Mas devo dizer que pessoas como você, seu marido e Carolina ajudam muito nesta aprendizagem que não tem fim.

Por isso, neste dia das mães, parabéns, parabéns e parabéns.  Pela Carolina e por você e sua família. Por tudo que você é e ensina com seu jeito de ser mãe.  Mãe da Carolina e da irmã dela.  Você só merece parabéns e nada mais.

A foto de vocês quatro, Carolina no colo do pai, com um sorriso encantador e a mãozinha esquerda levantada parece dizer:  “Oi gente, estou aqui.  E estou adorando viver! ”  Parabéns, querida e que você passe um belíssimo Dia das Mães.  E que possa nos ensinar a amar.  Sem dúvida, essa é a missão de Carolina, que você transmite muito bem a todos nós. 

 A teóloga é autora de “O  mistério e o mundo –  Paixão por  Deus em tempo de descrença”, Editora  Rocco. 

Copyright 2015 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


domingo, 13 de maio de 2012

HOMENAGEM ÀS MÃES











por Marieta Borges









Não importa a idade que ela tenha...
Pode ser uma mãe-jovem,
uma mãe-de-meia idade
ou mesmo uma mãe-idosa, talvez já experimentando
a multiplicação da vida em netos, bisnetos...

 Não importa – talvez – como foi a sua vida:
se pontuada de facilidades materiais
ou duramente enfrentada,
nas lutas de cada dia,
nas horas de entrega absoluta,
para suprir a família de bens necessários...
  
Ter sido mãe, um dia, é o que importa!
Não há recompensa material
que se coloque acima do que é,
para uma mãe – qualquer mãe –
saber-se alvo de pensamentos positivos,
de presenças revigorantes, de carinhos inesperados!
  
Feliz daquele
que ainda tem uma mãe para tocar,
para afagar, para preocupar-se com ela...
Porque quando elas vão-se embora,
o vazio que fica é eterno e
nunca mais será preenchido!

 Mães de todo mundo:
que Deus as abençoe, como o fez, um dia,
dando-lhes o privilégio da maternidade,
o merecido apoio dos filhos acolhidos,
a coragem de um dia, dizer SIM
à missão que mereceu receber!

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Feliz “DIA DAS MÃES