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terça-feira, 25 de março de 2014

Profecia em tempos de Francisco





Marcelo Barros
  
Nessa segunda feira, 24 de março, o mundo inteiro recordou o martírio de Oscar Ranulfo Romero, o arcebispo de El Salvador, assassinado no meio da celebração eucarística, em 1980, por sua luta em defesa dos índios, dos pobres e dos perseguidos políticos pelas milícias paramilitares do seu país, na época, protegidas e mesmo patrocinadas pelo governo. 

Monsenhor Romero era um bispo conservador. No entanto, ele viu famílias pobres serem obrigadas a entregar sua terra ou casa a um proprietário rico. Viu pais de família serem enterrados simplesmente por tentar defender seus direitos humanos. Viu que padres como Rutílio Grande que defendiam os pobres eram torturados e mortos. Então, Romero começou a levantar a sua voz em defesa do povo oprimido. E passou a ser odiado pelas elites e pelos militares que as defendiam. No dia 24 de março de 1980, quando celebrava a missa na capela de um hospital, um atirador entrou na igreja e o alvejou no coração. O sangue de Romero se misturou com o cálice da eucaristia, no qual se faria memória do sangue de Jesus. 

O martírio de Romero teve uma repercussão enorme em todo o mundo. A situação de El Salvador tornou-se um escândalo mundial e, poucos anos depois, o sistema político foi renovado e o país conquistou a uma democracia mais justa. Atualmente, El Salvador acaba de ter eleições presidenciais. O povo escolheu como presidente a Salvador Cerém, antigo militante de esquerda. A proposta do novo governo é integrar-se na caminhada bolivariana de outros países do continente por uma verdadeira independência frente ao império norte-americano e uma administração política e econômica que acabe com a desigualdade social que ainda reina no país. 

Desde o martírio de Monsenhor Romero, muitos se perguntaram se seria tarefa de um bispo assumir de tal forma a função de defensor dos mais empobrecidos que, junto com outros grupos, possa transformar a política de um país. Na época, na América Latina, a maioria dos bispos e grupos de Igreja afirmavam que sim. Já em 1968, em Medellín, os bispos latino-americanos escreveram: “É preciso que se dê à Igreja o rosto de uma Igreja pobre e servidora dos mais pobres, comprometida com a libertação de toda humanidade e de cada pessoa humana por inteiro” (Med 5, 15). 

Trinta e três anos depois, a fisionomia da Igreja hierárquica tinha mudado. Mesmo se a pobreza no mundo aumentou, as injustiças sociais se agravaram e a humanidade estivesse precisando mais ainda de profetas, a Igreja hierárquica se tornou mais centrada em si mesma. Foi então que, inesperadamente, o mundo e a Igreja ganharam o papa Francisco. Como Romero, o papa Francisco é um homem simples que se tornou bispo de Roma. Imediatamente, ele retomou o diálogo afetuoso com a humanidade que, nos anos 60, o papa João XXIII tinha iniciado. Por seu modo de ser, revelou que a ditadura do pensamento único não ajuda ninguém. Já no século III, São Cipriano, bispo de Cartago, escreveu ao papa da época: “A unidade abole a divisão, mas respeita as diferenças”. 

Ao estimular padres e bispos a irem às periferias e servirem de fato às necessidades do povo, o papa deixou claro que o modelo de pastor que ele pensa para a Igreja é Oscar Romero, assim como tantos outros mártires que, por sua vida, testemunharam o amor de Deus à humanidade e especificamente às pessoas sofredoras. Nesse ano, a celebração da memória do martírio de Oscar Romero ocorre no clima de preparação para as celebrações pascais. Lembra que o testemunho de doação da vida pode, a partir da solidariedade, transformar o mundo.


Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países.  

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segunda-feira, 24 de março de 2014

Dia internacional da Água: Água fonte de vida ou de lucro?



Por Leonardo Boff



Neste dia mundial da água, convém fazermos pequena reflexão sobre o que ela significa e as ameaças que pesam sobre esse bem tão vital. Pois a questão da água potável constitui um dos maiores problemas da humanidade, tão grave quanto o aquecimento global. Consideremos  os dados básicos acerca da água. Ela é extremamente abundante e simultaneamente extremamente escassa.


      Existe cerca de um bilhão e 360 milhões de km cúbicos de água na Terra. Se tomarmos toda essa água que está nos oceanos, lagos, rios, aquíferos e calotas polares e distribuíssemos equitativamente sobre a superfície terrestre, toda a Terra ficaria mergulhada na água a três km de profundidade. 97% é água salgada e  3% é água doce. Mas somente 0,7% desta é diretamente acessível ao uso humano.


      A renovação das águas é da ordem de 43 mil km cúbicos/ano, enquanto o consumo total é estimado em 6 mil km cúbicos/ano. Há, portanto, superabundância de água mas desigualmente distribuída: 60%  se encontra em apenas 9 países, enquanto 80 outros enfrentam escassez. Pouco menos de um bilhão de pessoas consome 86% da água existente enquanto para 1,4 bilhões é ela insuficiente (em 2020 serão três bilhões) e para dois bilhões, não é tratada, o que gera 85% das doenças constatáveis.. Presume-se que em 2032 cerca de 5 bilhões de pessoas serão afetadas pela crise de água.


     O problema não é a escassez de água mas sua má gestão para atender as demandas humanas e dos outros seres vivos da natureza.


          O Brasil é a potência natural das águas, com 13% de toda água doce do Planeta perfazendo 5,4 trilhões de metros cúbicos. Apesar da abundância, 46% dela é desperdiçada, o que daria para abastecer toda a França,  a Bélgica, a Suíça e o Norte da Itália. 


Por ser um bem cada vez mais raro, ela é objeto da cobiça daqueles que querem fazer dinheiro com ela. Por isso nota-se uma corrida mundial para a privatização da água. E então surge o dilema:

A água é fonte de vida ou fonte de lucro? É um bem natural, vital e insubstituível ou um bem econômico e uma mercadoria?


       Os que apenas visam lucro, tratam a água como mercadoria e no máximo como recurso hídrico. Os que dão centralidade à vida, como a maior criação do universo e o supremo dom de Deus, a vêem como bem essencial aos seres humanos e a todos os organismos vivos.


    O direito sagrado à vida implica o direito à água potável gratuita. Mas pelo fato de haver custos na sua captação, no seu tratamento, distribuição, uso e reuso existe inegável dimensão econômica. Mas isso não justifica que ela se transforme em fonte de lucro. Os custos não podem invalidar o direito. Os custos devem ser cobertos pelo poder público e pela a sociedade com fundos destinados ao acesso universal de água doce.


   Há de se questionar a expressão “água como recurso hídrico”. Ela, propriamente, não é recurso. É patrimônio natural que herdamos e que devemos preservar para todos os seres vivos atuais e futuros. Água é vida. Por isso os cientistas buscam água em Marte, porque sabem, se existe água lá, estão dadas todas as condições para a vida, por mais rudimentar que seja.


       Quando falamos em água como vida ressoam em nós outros valores como vida, fecundidade, purificação, renascimento. Todos estes temas estão presentes nas religiões que transformaram a água num dos símbolos fundamentais de Deus,  e nós cristãos de Cristo e da vida eterna.


       A água tem imenso valor mas não tem preço. Para garantir água para todos faz-se mister uma ética do cuidado de suas fontes, das matas ciliares junto aos rios e de sua purificação. Por ser desigualmente distribuída na natureza, o direito  de todos à água demanda uma ética da solidariedade na sua distribuição. E para que não haja  desperdício precisamos de uma ética da responsabilidade; o que jogamos fora fará falta a outros.


       Se houver cuidado, solidariedade e responsabilidade a Terra será generosa e garantirá água abundante para todos e de qualidade.

*Leonardo Boff é filósofo e teólogo, escritor, assessor do projeto Cultivando Agua Boa da Itaipu Binacional  e um dos co-redatores da Carta da Terra
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sexta-feira, 7 de março de 2014

Ser mulher em tempos de Francisco



Por Maria Clara Bingemer



Para o Papa Francisco, a relação com a mulher não está configurada em termos de suspeita, dominação, ou poder.   Sabe ele que deve muito às mulheres, que o ampararam  ao longo de toda a sua vida.  E essa gratidão e reconhecimento encontram-se harmoniosamente impregnados em seu ministério e sua teologia.
O Papa aprecia na mulher sua sabedoria concreta, que nasce da experiência profunda e verdadeira porque ancorada e enraizada na realidade.  Nada pode substituir essa experiência, nem toda a ciência do mundo.  Como Bispo de Roma, o argentino Jorge Mario Bergoglio, em seus discursos e atitudes, tem deixado transparecer claramente essa confiança e esse carinho que podem resultar em uma grande esperança e abertura de perspectivas, não apenas para     as mulheres, mas para toda a Igreja. Perguntado sobre a situação da mulher no mundo de hoje, Papa Francisco muitas vezes tem se pronunciado favorável a uma valorização maior da mulher na Igreja. 
            Quando no avião que o trazia de regresso a Roma depois da viagem ao Rio de Janeiro declarou que uma Igreja sem as mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria.  Acrescentou – e isso nos parece o mais importante – que o papel da mulher na Igreja não é somente a maternidade e a família.   É mais forte.  E aí toma precisamente o ícone de Maria como Madonna, a quem a piedade cristã chama de Nossa Senhora; é aquela que ajuda a Igreja a crescer.  E por isso é mais importante que os apóstolos e seu ministério.
            Porém a grande novidade que diz, a nosso ver, é que  não se pode limitar o papel da mulher na Igreja.  A importância desta afirmação reside no fato de Francisco ir alem do tradicional enquadramento que todos os documentos e pronunciamentos de Papas anteriores fazem ao se referir sempre à maternidade ou à vida consagrada.  Assim transforma a impressao de que não restam outros espaços ou outras possibilidades para a mulher senão essas: o casamento, a família, a maternidade ou a consagração religiosa, passando rapidamente pelo trabalho e a profissão. 
            O Pontífice diz clara e textualmente que o papel da mulher na Igreja não deve circunscrever-se a ser mãe e/ou trabalhadora.  Não se pode nem se deve limitá-la. Reconhece porém que para isso é necessário avançar mais na explicitação deste papel e carisma da mulher.  Daí se pode inferir com justeza e sem forçar os pronunciamentos do Pontífice que quando ele diz que a Igreja é mãe e por isso o papel da mulher é tão importante, não pretende confinar a mulher ao privado do lar.  Ou limitá-la aos tradicionais afazeres domésticos de trocar fraldas, cozinhar, limpar, lavar, passar... para os homens.
E em seguida exemplifica belissimamente com um fato histórico que não deixa a menor dúvida sobre sua postura aberta frente à mulher: o tão importante papel das mulheres paraguaias na reconstrução do país. Vale recolher as palavras literais de Bergoglio porque têm um longuíssimo alcance: Para mim, a mulher do Paraguai é a mulher mais gloriosa da América Latina... Após a guerra, ficaram oito mulheres para cada homem, e essas mulheres fizeram uma escolha um pouco difícil: a escolha de ter filhos para salvar a pátria, a cultura, a fé e a língua. Na Igreja, temos de pensar a mulher sob essa perspectiva de escolhas arriscadas, mas como mulheres.
Temos ai uma afirmação ousada e bela. O Papa legitima e mesmo elogia uma decisão que aparentemente e no fundo entra em choque com a moral tradicional do casamento monogâmico e da concepção e procriação apenas dentro deste.  Admite uma ética circunstancial, onde mulheres, a fim de manter vivos seu país, seu povo, sua cultura optam por um bem maior que exige ir além das fronteiras da moral católica: ter filhos mesmo que não dentro da instituição do matrimonio
Porém, o mais importante e mais novo  de toda a reflexão de Francisco sobre a mulher é sua visão pastoral universal, que percebe o perigo de visões reducionistas sobre as questões da moral sexual em relacao à mulher: “Não podemos seguir insistindo apenas em questões referentes ao aborto, ao matrimônio homossexual, ao uso de anticoncepcionais.  É impossível”, afirmou.
O que o Papa quer dizer é que a moral deve ser consequência do kerigma, do primeiro anúncio, proposto com toda simplicidade, fulgor e entusiasmo.  Uma vez que este anúncio tenha chegado ao seu destino, que é o coração humano, todo o  resto é consequência.  Consequências que, ainda que importantes, não manifestam por si só o coração do ensinamento de Jesus.
As mulheres finalmente são libertadas pela atitude e as palavras do Papa da eterna suspeita de  serem as responsáveis pelo mal e pelo pecado, de terem facilitado sua entrada no mundo e de possuírem uma corporeidade que é sede de perigosa sedução, provocando desvios e erros que perturbam a castidade dos monges e o celibato do clero. Estas coisas não devem ocupar o lugar central da pastoral evangelizadora da Igreja – insiste Francisco – e, portanto homens e mulheres são chamados, todos e todas, a entregar suas vidas para que o Evangelho ganhe mundo e conforte os corações humanos.
 Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. A   teóloga é autora de “Ser cristão hoje" (Editora Ave Maria).
 Copyright 2014 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>
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quinta-feira, 6 de março de 2014

MARÇO DE 1964



Por Frei Betto


      Em 1964 eu morava no Rio, em um apertamento na esquina das ruas Laranjeiras e Pereira da Silva. Ali se instalavam os jovens dirigentes da JEC (Juventude Estudantil Católica) e da JUC (Juventude Universitária Católica), movimentos da Ação Católica. Ali se hospedavam, com frequência, os líderes estudantis Betinho, Vinicius Caldeira Brant e José Serra.

      Eu havia ingressado no curso de Jornalismo na Universidade do Brasil (atual UFRJ) e, entre meus professores, se destacavam Alceu Amoroso Lima, Danton Jobim e Hermes Lima. À direita, Hélio Vianna, professor de história, cunhado do marechal Castelo Branco. 

      Desde que cheguei ao Rio, vindo de Minas, o Brasil vivia em turbulência política. Despertava o gigante adormecido em berço esplêndido. Tudo era novo sob o governo João Goulart: a bossa, o cinema, a literatura... 

      A Sudene, dirigida por Celso Furtado, aliada ao governador de Pernambuco, Miguel Arraes, redesenhava um Nordeste livre do mando coronelístico de usineiros e latifundiários. Francisco Julião defendia as Ligas Camponesas, que lutavam por reforma agrária. 

      Paulo Freire implantava, a partir de Angicos (RN), seu método de conscientização política dos pobres através da alfabetização. Gestava a pedagogia do oprimido. 

      No Sul, Leonel Brizola enfrentava os monopólios estrangeiros e defendia a soberania brasileira. Marinheiros e sargentos do Exército se organizavam, no Rio, para reivindicar seus direitos.

      “Verás que um filho teu não foge à luta”. Porém, os filhos não tinham suficiente lucidez para perceber que, desde a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, vinha sendo chocado, pelas classes dominantes, o ovo da serpente...

      A embaixada estadunidense, ainda instalada no Rio, e tendo à frente Lincoln Gordon, movia-se à sombra para atiçar os militares brasileiros – muitos deles treinados nos EUA – contra a ordem democrática (vide “Taking charge: the Johnson White House Tapes – 1963-1964”, de Michael Beschloss).

      Quem conhece a história dos golpes de Estado na América Latina sabe que todos foram patrocinados pela Casa Branca. Daí a piada: nunca houve golpe nos EUA porque não há, em Washington, embaixada ianque...

      Os EUA, inconformados com o êxito da Revolução Cubana em 1959, temiam o avanço do comunismo na América Latina. O presidente Lyndon Johnson (1963-1969) estava convencido de que o Brasil era tão vulnerável à influência soviética quanto o Vietnam. 

      Rios de dinheiro foram destinados a preparar as condições para o golpe de 1º de abril de 1964. Para os pobres, que tanto ansiavam por reformas estruturais (chamadas na época de “reformas de base”, e até hoje não realizadas), os EUA ofereciam as migalhas das cestas básicas distribuídas pela Aliança para o Progresso. O empresariado se articulava no IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e no IPES (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais). 

      Os EUA sequer admitiriam que o Brasil se tornasse como o Egito de Nasser, um país independente das órbitas ianque e soviética. Navios estadunidenses da Operação Brother Sam rumavam em direção aos nossos portos.  

      Jango convocou o megacomício de 13 de março de 1964, na Central do Brasil. Eu queria estar lá, mas padre Eduardo Koaik (mais tarde bispo de Piracicaba {SP} e colega de seminário de Carlos Heitor Cony) decidiu que aproveitaríamos o feriado para um dia de estudos da direção nacional da JEC, da qual eu fazia parte, em Itaipava (RJ). 

      Em 29 de março, com passagem cedida pelo Ministério da Educação (leia-se: Betinho, chefe de gabinete do ministro Paulo de Tarso dos Santos), embarquei para Belém. Na capital paraense, o golpe militar me surpreendeu dia 1º de abril de 1964. Custei a acreditar que o presidente Jango, constitucionalmente eleito, havia se refugiado no Uruguai. 

      Aguardei a tão propalada reação popular. O PCB (Partido Comunista Brasileiro), com quem a JEC mantinha alianças na política estudantil, garantira que, em caso de golpe, Prestes havia de convocar milhares de trabalhadores em armas. 

      A Ação Popular, movimento de esquerda oriundo da Ação Católica, prometia mobilizar seus militantes para defender a ordem democrática.

      Esperei em vão. Reações isoladas, inclusive de altos oficiais das Forças Armadas, foram logo abafadas sem necessidade de um só disparo de arma de fogo. E ninguém acreditava que a ditadura duraria, a partir de 1o de abril de 1964, 21 anos.

Frei Betto é escritor, autor de “Batismo de Sangue” (Rocco), entre outros livros.
      http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
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