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segunda-feira, 26 de junho de 2023

RITA LEE : UM TALENTO EM FORMA DE MULHER


  Maria Clara Bingemer

            A luz dos cabelos ruivos e um par de olhos verdes foi subtraída de nossas retinas e sua voz de nossos ouvidos. Rita Lee partiu e faz o Brasil chorar de saudade.  Sobretudo as mulheres.  E por que o público em geral e muito especialmente o público feminino  tem esse carinho e essa paixão pela cantora que hoje nos deixou? 

            A primeira razão seguramente é seu talento. No momento em que o rock se firmava no Brasil, ela começou a brilhar como cantora e compositora. Foi a primeira mulher a liderar uma banda de rock.   Originalidade, humor, crítica de bom gosto eram a tônica de suas músicas e performances.  E além disso, graça, beleza, simpatia. Talento para dar e vender foi fazendo Rita Lee subir no gosto do público e ser líder de vendas de discos no tempo em que ainda se ouviam discos nas vitrolas. 

            A segunda razão é sua paixão libertária, de perfil rebelde e ruidoso.  Rita Lee não teve medo de nada e não deixou de defender nenhuma liberdade.  Pode-se não aderir a algumas bandeiras que a ruiva desfraldou ao longo da vida.  Mas não se pode deixar de respeitar a coerência com que viveu.  Por trás desse compromisso com tudo que fosse humano havia uma consistência ética inegável.  A roqueira enfrentou várias ditaduras: a dos costumes, a do pensamento, a do patriarcalismo e não menos, a militar.  

            Foi presa em casa, na Vila Madalena, por porte de maconha. Rita estava grávida e negou que a droga  fosse sua, pois como alegou à polícia, havia  parado de fumar devido à gravidez. 

      O período em que isso aconteceu, com o país em ditadura militar e mergulhado em um obscuro conservadorismo, colaborou para sua prisão.  Ela simbolizava tudo que era rejeitado pelo regime que vigorava então no país.  Hippies e roqueiros eram tratados como bandidos.  Além disso, Rita Lee simbolizava a liberdade de gênero  e a emancipação feminina.  Sua prisão era emblemática e  representou uma espécie de troféu.  Foi um momento difícil, agravado pela gravidez. Depois de passar  duas semanas na cadeia, a artista foi condenada a um ano de prisão domiciliar e multa de 50 salários-mínimos. Isso não impediu que continuasse com seu estilo crítico e irreverente, enfrentando todas as censuras e violências.  

            A terceira razão – e para o público feminino talvez a mais importante – é a genialidade com a qual introduziu pautas feministas em suas criações musicais.  Ao cantar a mulher, Rita Lee imortalizou afirmações que traziam um feminismo bem-humorado e verdadeiro para dentro dos lares e das vidas daquelas que viviam sob o tacão do machismo da sociedade. 

            Foi ela quem nos ensinou que “nem toda feiticeira é corcunda” em clara alusão à suspeita milenar que paira sobre as mulheres de serem bruxas, e que já levou muitas à fogueira. E que há mulheres – entre as quais a mesma Rita – que “é mais macho que muito homem”.  Anunciou em alto e bom som “ que um dia resolveu mudar e fazer tudo que queria fazer”. 

            Mas é na canção Cor de rosa choque que se encontram as mais belas verdades do pensamento desta mulher livre e talentosa sobre seu próprio gênero.  Ali ela diz que a mulher é um bicho esquisito,  que todo mês sangra e “tem um sexto sentido maior que a razão”. Desmitologizando a categorização do sexo feminino como sexo frágil, Rita afirmou que essa fragilidade toda não foge à luta homenageando assim todas as mulheres do Brasil e do mundo que cada dia se levantam ao mesmo tempo que o sol e saem em busca da vida para si e  os seus. Com ela, os dias de luta das Gatas Borralheiras teve fim, porque são Princesas, e Dondoca é uma espécie em extinção. 

            Em suma, nas composições da roqueira, o rosa bebê foi banido da paleta de cores femininas como a cor por excelência para significar a mulher, pálido e desbotado.  Se for rosa, é rosa choque.  Cor viva, pujante, provocante, que não aceita provocações machistas e conservadoras, assim como a própria Rita com seu rosto brejeiro de sorriso alegre, olhos verdes encimado por uma cabeleira ruiva que brilha como o sol. 

            O feminismo de Rita não é da primeira onda e não trava lutas antiéticas com os homens.  Pelo contrário, eles foram sempre muito benvindos em suas criações e em sua companhia.  Sua vida foi povoada intimamente por essa espécie chamada homem que, ao lado de uma mulher forte, pode dar toda a sua medida.  Testemunho disso é seu casamento de quase 50 anos com Roberto, companheiro na alegria e na tristeza, na saúde e quão dedicadamente na doença até o fim.  Assim como os três filhos Antônio, Beto e João. Alegre e encantadoramente, ela proclamou a liberdade da mulher e deixou uma marca original e particular na história do feminismo.  

            Mulher que não se enquadra nos padrões sociais mais conservadores, Rita foi sobretudo livre e alegre.  Seu legado é testemunho dessa liberdade e dessa alegria.  Seja de que credo for, de que proveniência, de que pertença, a liberdade é um dos pontos identitários mais constitutivos e dignos do ser humano.  A vida de Rita foi toda ela um canto à liberdade.  A alegria que vivia e espalhava ao seu redor era um dom cuja fonte mais originária é o Espírito que sopra sobre a argila e cria a vida. 

      Agora Rita vive a plenitude dessa liberdade e a alegria sem limites.  Sua vida foi plena e bonita.  Sua morte é sentida com saudades.  Seu legado permanece.  Em todo lugar onde se cantar a justiça e a liberdade, sua presença ali estará,  fazendo “um monte de gente feliz”. 

 

 Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de Crônicas de cá e de lá (Edições Subiaco), entre outros livros.

 

Copyright 2023 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>

 

 

sábado, 1 de outubro de 2022

A Mulher Guerreira, o Santo Rebelde, o Educador dos Oprimidos e o Operário Presidente

 Prof. Martinho Condini  


 

Em 1934, 1909, 1921 e 1945, nos estados da Paraíba, Ceará e Pernambuco nasceram quatro crianças em famílias humildes, e enfrentaram os problemas típicos das famílias brasileiras: esforço para a sobrevivência e o sustento da família, criação e formação escolar dos filhos.

A jovem e os três rapazes seguiram seus caminhos a partir de suas realidades sociais, histórias de vida e lugares de fala.

A história da Mulher Guerreira, do Santo Rebelde, do Educador dos Oprimidos e do Operário Presidente nos serve de exemplo, primeiro pela dificuldade de serem compreendidos pela sociedade brasileira, principalmente a elite. Segundo pela perseguição que enfrentaram dos seus opositores, no campo social, religioso, educacional, sindical e político. E terceiro pelo legado que nos deixaram a partir de seus feitos em benefício do povo brasileiro.

O mais incrível é que as pessoas que discordam das ideias e práticas de um dos quatro,   consequentemente não aceitam também as dos outros três. E as pessoas que admiram um deles, isso se repete com os outros três, isso reforça a similaridade que existe entre esses quatro personagens e protagonistas da história brasileira e mundial no século XX e XXI, principalmente em se tratando da história da sociedade brasileira. 

 

A Mulher Guerreira

Essa Mulher Guerreira representa a força e coragem das mulheres brancas, afrodescendentes, quilombolas, indígenas, oprimidas e excluídas da nossa sociedade.

Quando criança trabalhava vendendo os deliciosos bolos feitos por sua mãe, em sua cidade natal Uiraúna, na Paraíba. Em sua cidade na década de 1940 não havia 6ª série na escola, então ela foi obrigada a fazer a 5ª série duas vezes porque não queria parar de estudar. 

Por meio da sua militância na igreja católica progressista na década de 1950, ainda jovem, tornou-se diretora de Educação e Cultura da prefeitura de Campina Grande, na Paraíba. E em 1964 (ano do golpe militar) foi nomeada Secretária da Educação da mesma cidade.

Ela se formou em Serviço Social na UFPB em 1967 e na década de 1970 foi uma das principais colaboradoras na fundação da Faculdade de Serviço Social em Campina Grande.  

Na década de 1970, teve uma atuante militância na Pastoral da Terra, sendo uma ferrenha opositora da ditadura militar nos “Anos de Chumbo”. Naquela época a participação da mulher na política era muito pequena, mas ela estava lá, destemida, enfrentando os militares, o fim das torturas, da censura e pela retomada da democracia e comprimento dos direitos humanos em nosso país.

Mudou-se em 1971 para a cidade de São Paulo, onde iniciou uma carreira como assistente social e uma incansável luta ao lado dos movimentos populares periféricos da metrópole paulistana por melhores condições de saúde, moradia e educação.

A sua garra, caráter, força e sensibilidade feminina a transformaram numa liderança política; uma voz das periferias por justiça social e condições dignas para todas e todos os cidadãos e cidadãs da paulicéia desvairada.

A sua atuação incisiva nas políticas públicas em prol das populações mais carentes levou-a a vereança na década de 1980 e posteriormente à assembleia legislativa.

Mas foi em 1988 que brilhantemente ela surpreendeu a elite conservadora paulistana, numa virada histórica, derrotando o principal líder e representante político da direita em São Paulo na época, nas eleições municipais, tornando-se a primeira mulher prefeita da maior cidade da Latina América.

 A participação popular por meio dos conselhos municipais foi a marca do seu governo. Durante todo o seu mandato sofreu uma forte oposição, mas sempre firme e segura em suas decisões, deixou legados incontestes, principalmente na assistência social, na saúde, na moradia, na educação e no transporte público da cidade de São Paulo.

Com brilho no olhar azul, carisma, sinceridade, vivacidade, brio e decência, essa arretada e arrochada nordestina realizou a mais democrática e competente administração da cidade de São Paulo.

Após o mandato de prefeita, ela foi ministra de Estado e parlamentar federal com mandatos consecutivos. Atualmente tê-la no congresso nacional é a garantia que os pequeninos, oprimidos e excluídos do nosso Brasil jamais serão esquecidos, abandonados e desassistidos.

Mulher Guerreira, nordestina e socialista! Uma estrela imprescindível na constelação da nação brasileira!

 

O Santo Rebelde

O Santo Rebelde, miúdo de gestos largos e fala forte e incisiva, fez da sua vida uma luta em favor dos pequeninos, como gostava de chamar os excluídos e oprimidos da nossa sociedade.

 Na década de 1920, na cidade de Fortaleza criou o primeiro sindicato de trabalhadoras mulheres (empregadas domésticas) do Brasil.

Na cidade do Rio de Janeiro, entre às décadas de 1940 e 1950, idealizou e fundou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e também teve participação direta na criação da Conferência Episcopal Latino Americana (CELAM). Foi a principal voz latino americana e brasileira no Concílio Vaticano II (1962-1965), uma das principais vozes na Conferência Episcopal Latino Americana de Medellín (1968), um dos precursores da criação da “Igreja do Pobres”, das “Comunidades Eclesiais de Base” (CEBs), da corrente teológica “Teologia da Libertação”. Criou a Cruzada São Sebastião, conjunto habitacional com 10 prédios, que na época abrigou os moradores da favela Praia do Pinto e Morro Azul, no bairro do Leblon. Fundou a Cáritas brasileira, criou o Banco e a Feira da Providência, a Comunidade de Emaús e participou da organização do Movimento de Educação de Base (MEB).

Em 1964, enquanto ocorria o golpe militar, o Santo Rebelde foi transferido para Pernambuco, como arcebispo de Olinda e Recife, onde permaneceu até o seu falecimento em 1999.   

Em Recife, foi o idealizador e fundador do “Movimento Esperança”, uma ação orquestrada por ele para ajudar as pessoas mais necessitadas e excluídas de Recife, grande Recife e posteriormente expandiu-se para outras regiões do estado de Pernambuco.  

O Santo Rebelde se tornou a mais importante voz contra o regime ditatorial no Brasil. Foi o primeiro brasileiro a falar no exterior que no Brasil havia censura, tortura e morte. Foi calado por quase dez anos; os militares impediram que os órgãos de imprensa o entrevistassem ou mencionassem o seu nome. Sua voz foi calada no Brasil, mas ecoou mundo a fora, tornando-se “a voz de quem não tem voz”. A igreja onde morava foi metralhada por várias vezes. E ele não foi assassinado pela ditadura porque era uma liderança conhecida nacional e mundialmente pela sua incansável luta por justiça social e pelos direitos humanos. Por quatro vezes seguidas, por intervenção do Itamarati, não recebeu o “Prêmio Nobel da Paz”.   

O Santo Rebelde foi a principal liderança da igreja católica progressista no Brasil e na América Latina na segunda metade do século XX.

O Educador dos Oprimidos

O Educador dos Oprimidos, sensível às causas sociais, principalmente no que se refere à educação e alfabetização de jovens e adultos; no final da década de 1950, por meio de sua  práxis pedagógica realizou com outros educadores um processo de alfabetização de adultos na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. Esse processo criado e coordenado pelo Educador dos Oprimidos foi revolucionário, sendo até hoje pesquisado e praticado por muitas educadoras e  educadores no Brasil e outros países.   

         O processo de alfabetização criado pelo Educador dos Oprimidos tem como base uma educação libertadora, onde a leitura de mundo das crianças, jovens e adultos os levam a compreensão de sua realidade e a partir daí eles podem modificá-las e sair da condição de oprimidos e excluídos da sociedade, assumindo seus papéis de agentes da  história.

         Por isso, o governo brasileiro, entre os anos de 1963 e 1964, convidou o Educador a coordenar e implantar o Programa Nacional de Alfabetização (PNA), com o intuito de alfabetizar milhões de brasileiros.

         Mas, assim que ocorreu o golpe militar em 1964, e instaurada a ditadura, o programa de alfabetização foi abortado e o Educador dos Oprimidos foi exilado do Brasil, retornando apenas em 1980. Neste período de dezesseis anos trabalhou no Chile, Estados Unidos, Suíça e vários países da África, aplicando a sua práxis alfabetizadora.

         Neste período escreveu vários livros. Um deles se tornou o esteio de sua filosofia e prática educacional, Pedagogia do Oprimido,  sendo o terceiro livro mais lido no mundo na área das ciências humanas.

         Após o seu retorno ao Brasil, construiu um legado a partir da sua prática como educador, professor universitário, pensador da educação e escritor. A sua maneira sempre muito amorosa, sincera e cativante de lidar com as pessoas foi algo peculiar.

         Hoje, o Educador dos Oprimidos é reconhecido mundialmente. Vários países adotam suas práticas educacionais para formar as suas crianças, jovens e adultos. Mesmo após o seu falecimento em 1997, ele inspira milhares de educadoras e educadores do Brasil e do mundo. Atualmente é o patrono da educação brasileira e indiscutivelmente foi o mais importante educador da história do Brasil e um dos mais importantes do mundo.  

 

O Operário Presidente

O Operário Presidente teve a mesma história de milhões de nordestinos. Ainda criança vem com sua mãe e irmãos, de pau de arara, para São Paulo. Na infância pobre, ajudou no sustento da família, trabalhou como vendedor de amendoim, laranja, auxiliar de tinturaria, telefonista e bicos como engraxate. Adolescente, faz um curso de torneiro mecânico e torna-se operário da indústria na grande São Paulo.  E assim foi seguindo a sua vida, constituindo família, criando filhos e sempre na luta pela sobrevivência.

Ao final da década de 1960, despolitizado, ingressou na diretoria do sindicato da sua categoria profissional.  Mas no decorrer dos anos foi compreendendo a relação de exploração entre o capital e o trabalho. 

Em 1975, em plena ditadura militar se torna presidente do sindicato e junto com outros companheiros constrói um “novo sindicalismo”. Um sindicalismo de luta em defesa da classe trabalhadora.

Ao final da década de 1970 e começo da década de 1980, o Operário Presidente lidera as maiores greves de trabalhadores da história do Brasil na região do ABC na grande São Paulo, assembléias com mais de 150 mil trabalhadores, em um período em que greves de trabalhadores eram proibidas pela ditadura militar.

A truculência do governo militar lhe custou várias prisões, mas isso não o fez esmorecer, e a sua luta pela melhoria das condições de trabalho refletiu em outras categorias profissionais. O Operário Presidente tornou-se uma liderança nacional para as trabalhadoras e trabalhadores deste país. 

No início da década de 1980, o Operário Presidente percebe que a sua luta não era mais apenas ao lado da sua categoria profissional, mas uma luta a favor dos oprimidos e excluídos da sociedade brasileira. Então funda um partido político, o Partido dos Trabalhadores (hoje o maior partido progressista de esquerda do mundo), com o apoio de operários, camponeses, sindicalistas, intelectuais, representantes da igreja progressista, militantes de esquerda e de movimentos populares.

O Operário Presidente se tornou a principal liderança política do Brasil dos últimos 40 anos em nosso país. Após quatro eleições presidenciais, tornou-se presidente da república por dois mandatos seguidos; em 2002 eleito com mais de 52 milhões de votos e em 2006 com mais de 58 milhões votos. Em seu governo, o Brasil, que era a 13ª potência econômica do mundo, tornou-se a 6ª, segundo o banco mundial. Também, em seu governo foi instituída a maior política de inclusão social da história desse país, possibilitando a milhões de pessoas ter um emprego, tomar café da manhã, almoçar e jantar com suas famílias. Além disso, fez com que mais de 36 milhões de pessoas saíssem da condição de miseráveis e milhares de jovens ingressassem no ensino superior e conquistassem melhores empregos e condições de vida.

O Operário Presidente com seu carisma, sua sensibilidade e inteligência, tornou-se o mais popular e melhor presidente da história da nossa república.

Em 2018, o Operário Presidente foi injustamente preso pela Operação Lava Jato, assim foi impedido de disputar as eleições. Após 580 dias na prisão, foi solto e seus processos foram anulados pelo STF, que alegou abuso de poder da Operação Lava Jato.

E hoje o Operário Presidente está liderando as pesquisas eleitorais e quem sabe tornar-se  pela terceira vez presidente do Brasil. 

 

Quatro por quatro

Estou convencido que este quarteto dignifica a história do nosso país: a Mulher Guerreira, Luiza Erundina; o Santo Rebelde, Dom Helder Camara; o Educador dos Oprimidos, Paulo Freire e o Operário Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, oriundos de uma mesma raiz, irmanados pela mesma nordestinidade caracterizam-se pela coragem, valentia, caráter e perseverança.

A busca de cada um, ao seu modo pela justiça social, pelos direitos humanos, pelo respeito ao outro e pela dignidade para todos os pequeninos, oprimidos e excluídos, brasileiros e latino americanos, sintetiza o primor desses quatro arrochados e arretados personagens da nossa história.

Enfim, Luiza, Helder, Paulo e Lula carregam consigo a verdadeira brasilidade e o esperançar na construção de um Brasil genuinamente brasileiro. Protagonistas na história da igreja, da educação, do sindicalismo e da política brasileira, eles merecem todo o nosso respeito. Viva a liberdade, a democracia e as brasileiras e brasileiros comprometidos com o nosso povo!

        

           

 

quarta-feira, 9 de março de 2022

PALAVRAS DE PEDRO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 



        “A mulher. Ela, nem menos nem mais. Secularmente marginalizada em quase todas as culturas e também, é claro, nesta machista América Latina que, de fato, é mais Mátria do que Pátria Grande, Abya Yala, terra virgem mãe em constante fecundidade.

        As mulheres, todas as mulheres, também as negras, e as índias também, e as pobres e as usadas e submetidas, estão se colocando em pé de consciência coletiva e organizada, e são, com muita frequência, suporte e maioria nas diferentes esferas do movimento popular. E serão cada vez mais. E não só na práxis, mas também no pensamento, não só na militância, mas também na liderança. E os homens e a Sociedade e a Igreja haverão de reconhecer e respeitar e dialogar, porque já a mulher latino-americana se reconhece ativamente, exige o respeito da igualdade e dialoga à altura fraterna. Nem quer os privilégios tolos de certo feminismo primeiro-mundista, nem aceitará facilmente que a Sociedade ou a Igreja continuem declarando como dogma de fé a presença e a ação da mulher num segundo plano subordinado”.

 

Pedro Casaldáliga, Agenda Latino-americana 1993.

#Casaldàliga!

#PedroCasaldáligaPresente!

#NãoQueremosGuerraQueremosPaz!

domingo, 25 de julho de 2021

MULHER NEGRA DE ONDE VEM?

 


Shirley Pinheiro 

 

Vem das lutas pela igualdade,

 das guerrilhas pela paridade.

Das lágrimas  contidas em busca de preservar sua vida.

Vem das fábricas, vem das lavouras, dos balcões, vem das escolas, das Universidades também.

Vem desbravando preconceito,

nunca teve outro  jeito!

Não  é  teu cabelo que te define,

Muito menos a cor escura da pele.

É  tua alma sonhadora,

Ferrenha  lutadora.

Buscando com unhas, dentes  e garras,

O espaço  que lhe  é  de direito.

Direito sim ,porque não!

Afinal antes de ser negra.

Você  e  eu ,somos seres  humanos.

Criado do mesmo barro e pelo mesmo Criador.

Viemos a este espaço  terrestre,

Pra ser feliz e,não  sentir dor.

No entanto vivemos na guerra insana e desumana,

Criado por aqueles  que se acham senhor.

A luta será  continua,  não nos deixaremos  ser vitimas,

Nem permitiremos  ter a vida ceifada.

Pois além  de sermos mulher,

 e ter a pele negra, carregamos

 nas nossas entranhas, a herança  das nossas ancestrais.

As negras, que nunca se deixaram morrer,

Lutaram para continuar a viver.

Através  de nós

através  de você.

Mulher negra!

 

Shirley Pinheiro  25/07/2019

 

Em homenagem a Mulher  Negra  e Caribenha através  de Tereza de Benguela.

 

*Arte Lana Furtado

sexta-feira, 5 de março de 2021

MEU LADO MULHER

 Frei Betto


 

       Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens em um único dia do ano - 8 de março -, enquanto meu lado homem se farta com 364 dias. Porque vive-se em uma sociedade machista: matrimônio -  o cuidado do lar; patrimônio - o domínio dos bens.

     À mulher, exige-se que seja polivalente, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos, das compras e do bom-humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela. E  trabalhar fora para ajudar no sustento da família.

       Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaçá-lo ou agredi-lo. Nem sempre, entretanto, ela é tratada com o mesmo respeito. Esquece que marido e mulher não são parentes, são amantes. Ou deveriam ser.

        Na Igreja Católica, os homens têm acesso aos sete sacramentos. As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos. Não podem receber a ordenação sacerdotal, embora tenham merecido de Jesus o útero que o gerou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a amizade de Madalena, primeira testemunha de sua ressurreição.

        Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do imbecil que diz bobagens quando a garota passa; do pai que assedia a filha, jogando-a nas garras da prostituição; do patrão que exige préstimos sexuais da funcionária; do marido que ergue a mão para profanar o ser que deu à luz seus filhos.

        Diante da TV ou de uma banca de revistas, meu lado mulher estremece: ela é a burra, a idiota que rebola no fundo do palco, expõe-se na casa dos brothers, associa-se à publicidade de cervejas e carros, como um adereço a mais de consumo.

        Meu lado mulher tenta resistir ao implacável jogo da desconstrução do feminino: tortura do corpo em academias de ginástica; anorexia para manter-se esbelta; vergonha das gorduras, das rugas e da velhice; entrega ao bisturi que amolda a carne segundo o gosto da clientela do açougue virtual; o silicone a estufar protuberâncias. E manter a boca fechada, até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência, a ser enxertado no cérebro. E engolir antidepressivos para tentar encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.

        Meu lado mulher esforça-se por livrar-se do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Serei ela se ousar não querer ser como ele. Sereia em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de alteridade, porque o diferente não se fará divergente.

        Aquilo que é só alcançará plenitude em interação com o seu contrário. Como ocorre em todo verdadeiro amor.

 Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org 

 

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quinta-feira, 19 de março de 2020

MEU LADO MULHER





Frei Betto

         Meu lado mulher incomoda-se de receber homenagens em um único dia do ano - 8 de março -, enquanto meu lado homem se farta com 364 dias. Talvez se faça necessária esta efeméride, dor recente de cicatriz antiga. Porque vive-se em uma sociedade machista: matrimônio -  o cuidado do lar; patrimônio - o domínio dos bens.

         O marido possui casa, carro, mulher, que incorpora ao nome o da família dele. A casa, ele exige que se limpe todo dia. O carro, envia à oficina ao menor defeito. Mas à mulher, ser polivalente, cabe o dever de cuidar da casa, dos filhos, das compras e do bom-humor do marido, que nem sempre se lembra de cuidar dela.

         Meu lado mulher nunca viu o marido gritar com o carro, ameaçá-lo ou agredi-lo. Nem sempre, entretanto, ela é tratada com o mesmo respeito. Ele esquece que marido e mulher não são parentes, são amantes. Ou deveriam ser.

         Na Igreja Católica, os homens têm acesso aos sete sacramentos. Podem até ser ordenados padres e, mais tarde, obter dispensa do ministério e contrair matrimônio. Toda a hierarquia da mais antiga instituição do mundo é de homens. Mas o que seria dela e deles se não fossem as mulheres?

         As mulheres, consideradas pela teologia vaticana um ser naturalmente inferior, só têm acesso a seis sacramentos. Não podem receber a ordenação sacerdotal, embora tenham merecido de Jesus o útero que o gerou; o seguimento de Joana, de Susana e da mãe dos filhos de Zebedeu; a defesa da mulher adúltera; o perdão à samaritana; a amizade de Madalena, primeira testemunha de sua ressurreição.

         Meu lado mulher tem pavor da violência doméstica; do imbecil que diz bobagens quando a garota passa; do pai que assedia a filha, jogando-a nas garras da prostituição; do patrão que exige préstimos sexuais da funcionária; do marido que ergue a mão para profanar o ser que deu à luz seus filhos.

         Diante da TV, das imagens na internet ou de uma banca de revistas, meu lado mulher estremece: ela é a burra, a idiota que rebola no fundo do palco, mergulha na banheira exposta no palco, expõe-se na casa dos brothers, associa-se à publicidade de cervejas e carros, como um adereço a mais de consumo. Diante do poder despótico, meu lado mulher estremece: o presidente desbocado e debochado humilha, ofende, agride e pratica o estupro virtual.

         Meu lado mulher tenta resistir ao implacável jogo da desconstrução do feminino: tortura do corpo em academias de ginástica; anorexia para manter-se esbelta; vergonha das gorduras, das rugas e da velhice; entrega ao bisturi que amolda a carne segundo o gosto da clientela do açougue virtual; silicone e botox a estufar protuberâncias. E manter a boca fechada, até que haja no mercado um chip transmissor automático de cultura e inteligência, a ser enxertado no cérebro. E engolir antidepressivos para tentar encobrir o buraco no espírito, vazio de sentido, ideais e utopia.

         Meu lado mulher se esforça por livrar-se do modelo emancipatório que adota, como paradigma, meu lado homem. Serei ela se ousar não querer ser como ele. Sereia em mares nunca dantes navegados, rumo ao continente feminino, onde as relações de gênero serão de alteridade, porque o diferente não se fará divergente. Aquilo que é só alcançará plenitude em interação com o seu contrário. Como ocorre em todo verdadeiro amor.

Frei Betto é escritor, autor de "A arte de semear estrelas" (Rocco), entre outros livros.

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terça-feira, 3 de março de 2020

A CAMPANHA DA FRATERNIDADE E O DIA DA MULHER



Por Marcelo Barros

Anualmente, em março, a Igreja Católica no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, sempre sobre um tema de relevância para que a sociedade possa ser mais justa e mais igualitária. Também em março, sempre no dia 08, a ONU celebra o Dia internacional da Mulher. O objetivo desta comemoração é educar toda a humanidade sobre a necessária igualdade de direitos e condições entre homem e mulher, no respeito às diferenças de gêneros e na construção comum de um mundo novo possível.

Entre os diversos assuntos aos quais a Campanha da Fraternidade se dedicou, no decorrer desses mais de 50 anos, ainda não apareceu o desafio da promoção da igualdade de gêneros. Mesmo na Igreja Católica, muitos eclesiásticos pensam existir uma ideologia de gêneros e se colocam contra esse mito. Infelizmente, embora o evangelho de Jesus tenha como princípio a igualdade absoluta entre homens e mulheres, até hoje, a Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas não se abriram à participação igualitária da mulher e do homem nos ministérios e nos cargos de maior responsabilidade na Igreja. Como Igreja é fundamentalmente Igreja local, essa mudança só poderá ocorrer a partir das bases. E aí sim, as comunidades cristãs poderão dar um verdadeiro e profundo testemunho do reinado divino que vem a esse mundo.

É urgente  criar no mundo e nas Igrejas uma nova cultura de inclusão e superar o patriarcalismo e o machismo que fazem mal a todos, mulheres e homens. Nas sociedades tradicionais da América Latina, o machismo se infiltrou nas culturas de nossos povos. No entanto, muitas vezes, determinadas culturas, patriarcais e machistas nas relações afetivas e românticas, em outras instâncias, são matriarcais. Também o feminismo tem muitas correntes e variações. Cada uma delas nos chama a atenção para um aspecto da realidade.

Na América Latina, em movimentos indígenas e camponeses, as mulheres têm sido profetizas do cuidado com a terra, na relação de amor com a natureza e em propor novas relações no seio da família e da sociedade. A meta do bem viver tem algo que somente uma justa e profunda relação de gêneros pode alcançar.

Em todos os países da América Latina, as taxas de feminicídios, isso é, crimes nos quais mulheres são assassinadas por serem mulheres, são das mais altas do mundo. Além disso, a violência cotidiana de mulheres que são agredidas por companheiros ainda é assustadora. Nos nossos dias, ao vermos filmes e novelas sobre o tempo da escravidão, nos perguntamos como nossos antepassados puderam conviver com tanta atrocidade. Sem dúvida, no futuro, quando nossos netos e bisnetos estudarem como era o mundo em nossa época, vão saber de que lado estávamos nós e o que fizemos contra esses crimes que ocorrem sob nossos olhos e diante de nossa consciência. Não vamos poder dizer, como no mito do paraíso perdido, "a serpente nos enganou".

Nessa semana na qual o mundo inteiro será mais sensibilizado para a causa da mulher e da igualdade de gêneros, as comunidades cristãs são, especialmente, chamadas a aplicar a Campanha da Fraternidade de 2020 ao tema da solidariedade à causa da mulher. É preciso olhar toda a sociedade (não só as mulheres) como ferida pelo patriarcalismo e compreender a palavra de Jesus: vai e faze o mesmo como o apelo para que olhemos a realidade das mulheres nos meios em que convivemos, sejamos tomados pela solidariedade compassiva e juntos, mulheres e homens nos unamos no cuidado com a vida de todos e da natureza.

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 57 livros publicados. O mais recente é Teologias da Libertação para os nossos dias (Vozes). Email: contato@marcelobarros.com

















sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Num momento da história, o centro de tudo está numa mulher


por Leonardo Boff

A festa do Natal está toda concentrada na figura da Divina Criança (Puer aeternus), Jesus, o Filho de Deus que decidiu morar entre nós. A celebração do Natal vai além deste fato. Restringindo-se somente a ele, caimos no erro teológico do cristomonismo (só Cristo conta) olvidando que existe ainda o Espírito e o Pai que sempre atuam conjuntamente..
Cabe realçar a figura de sua mãe, Miriam de Nazaré. Se ela não tivesse dito o seu “sim”, Jesus não teria nascido. E não haveria o Natal.
Como ainda somos reféns da era do patriarcado, este nos impede de comprender e valorizar o que diz o evangelho de Lucas a respeito de Maria:”O Espírito Santo virá sobre ti e a energia (dínamis) do Altíssimo armará sua tenda sobre ti e é por isso que o Santo gerado será chamado Filho de Deus”(Lc 1,35).
As traduções comuns, dependentes de uma leitura masculinista, dizem “a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra”. Lendo o original grego não é isso que se diz. Literalmente se afirma: “a energia (dínamis) do Altíssimo armará sua tenda sobre ti (episkiásei soi). Trata-se de um modismo linguístico hebraico para significar “morar não passageira mas definitivamente” sobre ti, Maria. A palavra que se usa é skené que significa tenda. Armar a tenda sobre alguem (epi-skiásei), como afirma o texto, significa: a partir de agora Maria de Nazaré será a portadora permanente do Espírito. Ela foi “espiritualizada”, quer dizer, o Espírito faz parte dela.
Curiosamente a mesma palavra skené (tenda) o evangelista São João aplica à encarnação do Verbo. “E o Verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós (eskénosen, é o mesmo verbo de base)”, quer dizer, morou definitivamente entre nós.
Qual a conclusão que tiramos disso? Que a primeira Pessoa divina enviada ao mundo não foi o Filho, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Foi o Espírito Santo. Quem é terceiro na ordem da Trindade é primeiro na ordem da Criação, isto é, o Espírito Santo. O receptáculo desta vinda foi uma mulher do povo, simples e piedosa como todas as mulheres camponesas da Galiléia, de nome Miriam ou Maria.
Ao acolher a vinda do Espírito, ela foi elevada à altura da divindade do Espírito. Por isso, com razão diz o evangelista Lucas:”por isso (dià óti) ou por causa disso o Santo gerado será chamado Filho de Deus”(Lc 1,35). Somente alguém que está na altura de Deus pode gerar um Filho de Deus. Maria, por esta razão, será divinizada semelhantemente ao homem Jesus de Nazaré que foi assumido pelo Filho eterno e assim foi divinizado. É o Filho eterno encarnado em nossa  humanidade que celebramos no Natal.
Eis que num momento da história, o centro é ocupado por uma mulher, Miriam de Nazaré. Nela está atuando o Espírito Santo que nela habita e que está criando a santa humanidade do Filho de Deus. Nela estão presentes duas Pessoas divinas: o Espírito Santo e o Filho eterno do Pai. Ela é o templo que alberga a ambos.
Nossa Senhora de Guadalupe, tão venerada pelo povo mexicano, com traços mestiços, aparece como uma mulher grávida com todos os símbolos da gravidez da cultura nauatl (dos aztecas). Sempre que vou ao México me misturo às multidões que lá acorrem e visito a bela imagem de pano da Guadalupe. Vestido de frade, várias vezes perguntei a um peregrino anônimo: “hermanito, tu adoras a la Virgen de Guadalupe”? E recebia sempre a mesma resposta: “Si, frailecido, como no voy adorar a la Virgen de Guadalupe? Si que la adoro”.
O devoto respondia com toda razão, pois nessa mulher se escondem as duas Pessoas divinas, o Filho que crescia em suas entranhas pela energia do Espírito que morava nela. E ambas, sendo Deus, podem e devem ser adoradas. E Maria é inseparável deles, por isso merece a mesma adoração. Daí nasceu a inspiração para o meu livro, dos mais lidos, “O Rosto materno de Deus”.
Sempre lamentei que a maioria das mulheres, mesmo teólogas, não tenham assumido ainda sua porção divina, presente em Maria, por obra do Espírito Santo. Ficam com só com o Cristo, o homem divinizado.
O Natal será mais completo se junto ao Menino que tirita de frio na manjedoura, incluirmos sua Mãe que o acalenta, amparada por seu esposo o bom José. Ele também mereceria uma reflexão especial, coisa que já fiz nestas páginas do Jornal do Brasil: sua relação com o Pai celeste.
No meio da crise de nosso país há ainda uma Estrela como a de Belém a nos dar esperança e uma Mulher, portadora do Espírito e nos inspirar uma saída salvadora.
Leonardo Boff é articulista do JB online e escreveu O rosto materno de Deus, Vozes.11.edição 2012.