O Jornal On Line O PORTA-VOZ surgiu para ser o espaço onde qualquer pessoa possa publicar seu texto, independentemente de ser escritor, jornalista ou poeta profissional. É o espaço dos famosos e dos anônimos. É o espaço de quem tem alguma coisa a dizer.
Mostrando postagens com marcador amigo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amigo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

FIDEL, UM INESQUECÍVEL AMIGO

 Frei Betto


 

       Em 13 de agosto Fidel completaria 95 anos. Não saberia dizer quantas conversas privadas tivemos desde que o conheci, em 1980. Após o nosso primeiro encontro, em Manágua, fiz inúmeras viagens a Cuba, e acredito que, a partir de 1985, em quase todas elas surgiu a oportunidade de encontrá-lo. 

       Mas nunca tive acesso direto a ele. Enganavam-se aqueles que me ligavam e pediam que eu fosse portador de uma carta ou de um apelo a Fidel. Não era alguém que eu pudesse chamar por telefone, embora ele tenha me ligado algumas vezes. Uma delas foi em 2010, pouco antes da eleição presidencial que daria vitória a Dilma Rousseff. Eu me encontrava em São Paulo, no Esch Café, em companhia – por coincidência – do embaixador de Cuba no Brasil e do cônsul em São Paulo. Fidel queria saber das chances de Dilma, candidata do PT e sucessora de Lula, ser eleita presidente da República. Os dois diplomatas, surpresos, devem ter imaginado que tais chamadas a mim fossem frequentes...

       Desconfio que, como eu, ele detestava falar ao telefone. Nas poucas vezes que o vi ao aparelho - uma, em seu gabinete, para cumprimentar o amigo Carlos Rafael Rodríguez, que fazia aniversário, e outra, certa noite em Havana, na casa do embaixador do Brasil, Ítalo Zappa, para cancelar um compromisso - foi tão sucinto que parecia o avesso daquele homem que, de uma tribuna, era capaz de entreter a multidão por horas seguidas. 

       Em 19 de fevereiro de 2016, eu estava em Havana, no meu último dia na cidade naquela ocasião, já de malas prontas para embarcar à tarde de volta ao Brasil. Fui pela manhã à Casa das Américas – a mais importante instituição cultural da América Latina -, assistir ao filme “Batismo de sangue”, baseado em meu livro homônimo. Havia marcado almoço com Homero Acosta e, em seguida, tomaria o rumo do aeroporto. 

       Para minha surpresa, Homero chegou bem antes do previsto e me retirou do salão no qual o filme era exibido. Dalia Soto del Valle, esposa de Fidel, ligara para ele dizendo que o Comandante tinha interesse em falar comigo pelo telefone. Por razões de segurança, a chamada não poderia ser por celular. Tínhamos que retornar ao hotel e, de lá, ligar do telefone fixo do apartamento em que me hospedara. 

       Ocorre que eu já tinha fechado a conta no Meliá Habana. Ainda assim, Homero insistiu em retornarmos ao hotel. Por sorte, o apartamento permanecia vazio. Homero fez a ligação e me passou o aparelho. Dalia me disse que, lamentavelmente, “el Jefe” não pudera me encontrar naqueles dias, mas antes que eu partisse queria ao menos me saudar por telefone. Fidel, sempre atencioso comigo, indagou se eu tinha mesmo que retornar ao Brasil naquela tarde, se não poderia ficar mais uns dias. Expliquei-lhe as dificuldades.

       ─ Mas, pelo menos, pode vir aqui para tomar um café? – convidou-me. 

       Respondi positivamente. Ao entrar no carro de Homero, nem ele nem Roberto, o motorista, sabiam onde ficava a casa de Fidel. Um segredo guardado a mil chaves por razões de segurança. No entanto, eu estivera lá várias vezes e conhecia bem o trajeto. De modo que se criou uma situação inusitada: um frade brasileiro indicando a um alto funcionário do Palácio da Revolução e a seu motorista o caminho da residência do Comandante. Aliás, foi a primeira vez que Homero esteve pessoalmente com ele, o que se repetiu em minhas visitas posteriores a Cuba, inclusive no dia em que ele completara 90 anos.

       O que primeiro chamava a atenção quando se deparava com Fidel era a sua imponência. Parecia maior do que era, e a farda lhe revestia de um simbolismo que transmitia autoridade e decisão. Quando ingressava em um recinto era como se todo o espaço fosse ocupado por sua aura. Os que estavam em volta se calavam atentos a seus gestos e palavras. Os primeiros instantes costumavam ser constrangedores, pois ficavam todos esperando que ele tomasse a iniciativa, escolhesse o tema, fizesse uma proposta ou lançasse uma ideia, enquanto ele persistia na ilusão de que a sua presença era uma a mais na sala e que lhe dariam o mesmo tratamento amigável, sem cerimônias e reverências. Como na canção de Cole Porter, ele devia se perguntar se não seria mais feliz sendo um simples homem do campo, sem a fama que o revestia. 

       Diz a lenda que, altas madrugadas, costumava dirigir seu jipe pelas ruas de Havana, incógnito. Sei que tinha o hábito de aparecer inesperadamente na casa dos amigos, desde que visse uma luz acesa, e embora alegasse que permaneceria apenas cinco minutos, não era surpresa se ficasse até que os primeiros raios de luz prenunciassem a aurora.

       Outro detalhe que surpreendia em Fidel era o timbre de voz. O tom em falsete contrastava com a corpulência. Às vezes soava tão baixo que seus interlocutores apuravam os ouvidos como quem recolhe segredos e revelações inéditas. E, quando falava, não gostava de ser interrompido. Magnânimo, passava da conjuntura internacional à receita de espaguete, da safra de açúcar às recordações de juventude. 

       Porém, não se deve julgá-lo um monopolizador da palavra. Jamais conheci alguém que gostasse tanto de conversar como ele. Por isso, não concedia audiências. Repugnavam-lhe os encontros protocolares, nos quais as mentiras diplomáticas ressoam como verdades definitivas. Fidel não sabia receber uma pessoa por 10 ou 20 minutos. Quando encontrava um amigo, ficava ao menos uma hora. Com frequência, a noite toda, até se dar conta de que era hora de ir para casa, tomar um banho de piscina, comer algo e dormir.

       Na conversa pessoal, o líder cubano procurava extrair o máximo de seu interlocutor. Quando se entusiasmava com um tema, queria conhecer todos os seus aspectos. Indagava a respeito de tudo: o clima de uma cidade, o corte de uma roupa, o tipo de couro de uma pasta ou sobre aviões militares de um país. Se o parceiro não dominava os detalhes do tema suscitado, o melhor era mudar de assunto.

       Ainda que iniciasse o diálogo confortavelmente sentado, logo tinha-se a impressão de que qualquer poltrona era demasiadamente estreita para o seu corpanzil. Eletrizado pela excitação de suas próprias ideias, Fidel se levantava, andava de um lado a outro, parava no meio da sala, os pés juntos, o tronco arqueado para trás, a cabeça tombada sobre a nuca e o dedo em riste; bebericava uma dose cowboy de uísque, provava um canapé, curvava-se sobre o interlocutor, tocava-lhe o ombro com as pontas dos dedos indicador e médio; sussurrava-lhe ao ouvido, apontava incisivo o indicador direito, gesticulava veemente, erguia o rosto emoldurado pela barba e abria a boca, exibindo os dentes curtos e pálidos, como se o impacto de uma ideia lhe exigisse reabastecer os pulmões; fitava o interlocutor com seus olhos miúdos e brilhantes, como quem quer absorver cada informação transmitida.

       Era preciso muita agilidade para acompanhar seu raciocínio. Sua prodigiosa memória era enriquecida por uma invejável capacidade de fazer complicadas operações matemáticas mentais, como se acionasse um computador no cérebro. Gostava que lhe contassem casos e histórias, descrevessem processos produtivos, traçassem o perfil de políticos estrangeiros. Mas não admitia que invadissem sua privacidade, guardada a sete chaves. A menos que o interesse estivesse relacionado à sua única paixão: a Revolução Cubana.

       Sempre cercado por atentos seguranças, Fidel sabia que não era alvo apenas das atenções de admiradores. Durante doze anos, entre 1960 e 1972, mafiosos como Johnny Roselli e Sam Giancana, interessados em recuperar os cassinos expropriados pela Revolução, tentaram assassiná-lo em colaboração com a CIA. 

       Apesar de tudo, sobreviveu. E faleceu aos 90 anos, serenamente, na cama, cercado de seus familiares. 

 

Frei Betto é escritor, autor de “Fidel e a religião” (Companhia das Letras), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org

 

Frei Betto é autor de 69 livros, editados no Brasil e no exterior. Você poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org  Ali os encontrará  a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio. 

 

 

®Copyright 2021 – FREI BETTO – AOS NÃO ASSINANTES DOS ARTIGOS DO ESCRITOR - Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com) 

 

 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

Você acaba de ler este artigo de Frei Betto e poderá receber todos os textos escritos por ele - em português e espanhol - mediante assinatura anual via mhgpal@gmail.com

 

 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

DOM PAULO EVARISTO ARNS: MESTRE, INTELECTUAL REFINADO E AMIGO DOS POBRES

Por Leonardo Boff


Perdi um mestre, um mecenas, um protetor e um amigo entranhável. Coisas importantes vão ser ditas e escritas sobre o Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, falecido hoje, dia 14 de dezembro. Não direi nada. Apenas dou meu testemunho.

Conheci-o no final dos anos 50 do século passado em Agudos-SP quando ainda era seminarista. Voltou de Paris com fama de ser doutor pela Sorbone. No seminário com cerca de 300 estudantes introduziu metodologias pedagógicas novas. Fez-nos conhecer a literature grega e latina, linguás que dominava como dominamos o vernáculo. Fez-nos ler as tragédias de Sófocles e de Eurípedes em grego. Sabíamos tanto grego que até representamos a Antígona em grego. E todos entendiam.

Depois vim a conhecê-lo em Petrópolis como professor dos Padres da Igreja e da história cristã dos dois primeiros séculos. Obrigava-nos a ler os clássicos em suas linguás originais, São Jerônimo, seu preferido, em latim e São João Crisóstomo, em grego.

Quando o visitei há dois anos no convento de religiosas na periferia de São Paulo o encontrei lendo sermões em grego de São João Crisóstomo.

Foi nosso Mestre de estudantes durante todo o tempo da teologia em Petrópolis de 1961-1965. Acompanha com zelo cada um em suas buscas, com um olhar profundo que parecia ir ao fundo da alma. Era alguém que sempre procurou a perfeição. Até entre nós estudantes disputávamos para ver quem encontrava algum defeito em sua vida e atividade. Cantava maravilhosamente o canto gregoriano no estilo de Solemnes, mais suave do que o duro de Beuron que predominava até a chegada dele.

Durante quatro anos o acompanhei na pastoral da periferia. Nas quintas-feiras à tarde, no sábado à tarde e no domingo todo, acompanhei-o na capela do bairro Itamarati em Petrópolis. Visitava casa por casa, especialmente as famílias portuguesas que cultivavam flores e horticutura. Onde chegava logo fundava uma escola. Estimulava os poetas e escritores locais. Depois da missa das 10.00 os reunia na sacristia para ouvir os poemas e os contos que haviam produzido durante a semana. Estimulava intelectualmente a todos a lerem, escreverem e a narrarem para os outros as histórias que liam.

Era um intelectual refinado, conhecedor profundo da literatura francesa. Escreveu 49 livros. Instigava-nos a seguir o exemplo de Paul Claudel que costumava cada dia a escrever pelo menos uma página. Eu segui seu conselho e hoje já passei dos cem livros.

O que sempre me impressionou nele foi seu amor e seu afeto franciscano pelos pobres. Feito bispo auxiliar de São Paulo ocupou-se logo com as periferias, fomentando as comunidades eclesiais de base e empenhando pessoalmente Paulo Freire. Como era tempo da ditadura, especialmente férrea em São Paulo, logo assumiu a causa dos refugiados vindo do horror das ditaduras da Argentina, do Uruguai e do Chile. Sua missão especial foi visitar as prisões, ver as chagas das torturas, denunciá-las com coragem e defender os direitos humanos violados barbaramente. Correu riscos de vida com ameaças e atentados. Mas como franciscano, sempre mantinha a serenidade como quem está na palma da mão de Deus e não nas garras dos policiais da repressão.

Talvez seu feito maior foi O Projeto Brasil: Nunca Mais desenvolvido por ele, pelo Rabino Henry Sobel e pelo Pastor presbiteriano Jaime Wright com toda uma equipe de pesquisadores. Foram sistematizadas informações de mais de 1.000.000 de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar. O livro publicado pela Editora Vozes “Brasil Nunca Mais” teve papel fundamental na identificação e denúncia dos torturadores do regime militar e acelerou a queda da ditadura.

Eu pessoalmente sou-lhe profundamente grato por me ter acompanhado no processo doutrinário movido contra mim pelo ex-Santo Ofício em 1982 em Roma sob a presidência do então Card. Joseph Ratzinger. No diálogo que se seguiu ao meu interrogatório entre o Card. Ratzinger, o Card. Lorscheider, o Card. Arns com a minha participação, ele corajosamente deixou claro ao Card. Ratzinger:”esse documento que o Sr. publicou há uma semana sobre a Teologia da Libertação não corresponde aos fatos que nós bem conhecemos; essa teologia é boa para os fiéis e para as comunidades; o Sr. assumiu a versão dos inimigos desta teologia que são os militares latino-americanos e os grupos conservadores do episcopado, insatisfeitos com as mudanças na pastoral e nos modos de viver a fé que este tipo de teologia implica” E continuous: “cobro do Sr. um novo documento, este positivo, que valide esta forma de fazer teologia a partir do sofrimento dos pobres e em função de sua libertação”. E assim ocorreu, três anos após.

Tudo isso já passou. Fica a memória de um cardeal que sempre esteve do lado dos pobres e que jamais deixou que o grito do oprimido por seus direitos violados ficasse sem ser ouvido. Ele é uma referência perene do bom pastor que dá sua vida pelos pequenos e sofredores deste mundo.

Leonardo Boff é teólogo e foi aluno do Card. Dom Paulo Evaristo Arns.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

MEU AMIGO FIDEL

por Frei Betto


 Perco um grande amigo. Nosso último encontro foi a 3 de agosto, quando completou 90 anos. Recebeu-me em sua casa, em Havana, e, à tarde, fomos ao Teatro Karl Marx, onde um espetáculo musical o homenageou. Embora tivesse o organismo debilitado, caminhou sem apoio da entrada do teatro à sua poltrona.

         Com Fidel, desaparece o último grande líder político do século XX,  o único que logrou sobreviver mais de 50 anos à própria obra: a Revolução Cubana. Graças a ela, a pequena ilha deixou de ser o prostíbulo do Caribe, explorado pela máfia, para se tornar uma nação respeitada, soberana e solidária, que mantém profissionais da saúde e da educação em mais de cem países, inclusive o Brasil.

         Conheci Fidel em 1980, em Manágua. O que primeiro chamava atenção era sua imponência. Parecia maior do que era, e a farda lhe revestia de um simbolismo que transmitia autoridade e decisão. A impressão era de que qualquer poltrona era demasiadamente estreita para o seu corpanzil. Quando ingressava num recinto era como se todo o espaço fosse ocupado por sua aura.  Todos ficavam esperando que ele tomasse a iniciativa, escolhesse o tema da conversa, fizesse uma proposta ou lançasse uma ideia, enquanto ele persistia na ilusão de que sua presença era uma a mais e que o tratariam sem cerimônias e reverências. Como na canção de Cole Porter, ele devia se perguntar se não seria mais feliz sendo um simples homem do campo, sem a fama que o revestia. Certa ocasião,  o escritor colombiano Gabriel García Márquez, de quem era grande amigo, perguntou se ele sentia falta de algo. Fidel respondeu: “De ficar parado, anônimo, numa esquina.”

Outro detalhe que surpreendia em Fidel era o seu timbre de voz. O tom em falsete contrastava com a corpulência. Às vezes soava tão baixo que seus interlocutores tinham de apurar os ouvidos. E quando falava, não gostava de ser interrompido. Porém,  não monopolizava a palavra. Jamais conheci alguém que gostasse tanto de conversar como ele. Desde que não fossem encontros protocolares, nos quais as mentiras diplomáticas ressoam como verdades definitivas, Fidel não sabia receber uma pessoa por dez ou vinte minutos.
A convite de Fidel e dos bispos de seu país, atuei no resgate da liberdade religiosa em Cuba, facilitado pela entrevista contida no livro Fidel e a religião (Fontanar), na qual o líder comunista aprecia positivamente o fenômeno religioso.

         Não saberia dizer quantas conversas privadas tive com Fidel.  Uma curiosidade é que este homem, capaz de entreter a multidão por três ou quatro horas, detestava, como eu, falar ao telefone. Nas poucas vezes que o vi ao aparelho sempre foi muito sucinto.

         Minhas frequentes viagens a Havana estreitaram nossos laços de amizade. No prefácio que generosamente escreveu para a minha biografia, lançada esta semana pela Civilização Brasileira, Fidel ressalta que defendo Cuba “sem deixar de sustentar pontos discrepantes ou diferentes dos nossos”. Na década de 1980, quando expressei críticas à Revolução, o Comandante frisou: “É seu direito. E mais: o seu dever”.
         Todas as vezes que eu o visitava em sua casa, depois que deixou o governo, levava-lhe chocolates amargos, seu preferido, castanhas e livros em espanhol sobre cosmologia e astrofísica. 

Conversávamos sobre a conjuntura política mundial, a sua admiração pelo papa Francisco e, em especial, sobre cosmologia. Contei-lhe que ao visitar Oscar Niemeyer, pouco antes da morte do arquiteto brasileiro, já centenário, este me disse, animado, que toda semana reunia em seu escritório um grupo de amigos para receber aulas de cosmologia. O fato de dois eminentes comunistas se interessarem tanto pelo tema, comentei com Fidel, me fez recordar uma cena do filme “A teoria de tudo”, no qual o protagonista do famoso físico inglês Stephen Hawking, ainda estudante em Cambridge, pergunta à jovem com quem iniciava o namoro: “O que você estuda? Historia, ela responde, e devolve a curiosidade. Ele informa: Estudo cosmologia. O que é isso?, indaga ela. E ele frisa: uma religião para ateus inteligentes.”

         Tenho para mim que Fidel, aluno interno de colégios religiosos ao longo de dez anos , abandonou a fé cristã ao abraçar o marxismo. De alguns anos para cá deixou-me a nítida impressão de que se tornara agnóstico. Várias vezes me pediu, ao nos despedirmos: “Ore por nós.” Tenho certeza de que  Fidel transvivenciou feliz com a sua coerência de vida.

Frei Betto é escritor, autor de “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros.

 Copyright 2016 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com
   http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

Você acaba de ler este artigo de Frei Betto e poderá receber todos os textos escritos por ele - em português, espanhol ou inglês - mediante assinatura anual via mhgpal@gmail.com