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sábado, 25 de dezembro de 2021

Presente à nação brasileira



Prof. Martinho Condini

Está semana enviei um uatezap para o “Papai Noel” (para mim um capetalista inescrupuloso)  que o melhor presente que nós vamos ganhar será em outubro de 2022, quando ocorrerão as eleições gerais em nosso país. 

Então, nós brasileiros e brasileiras teremos a oportunidade de nos presentear com o fim do governo das milícias, dos horrores, das atrocidades, do genocídio, da ignorância de um grupo e seus seguidores que infestaram o Brasil com sua burrice crônica, da qual eles se orgulham. Esta praga será combatida e exterminada nas urnas eletrônicas e não nas cédulas de papel como queria ou ainda quer o capetão cloroquina.

Não será fácil, eu sei, todos nós sabemos como é difícil exterminar as pragas, mas não é impossível. Principalmente se todas as brasileiras e brasileiros sensíveis e responsáveis se empenharem e começarem agora, a conversar com os seus parentes, amigos e amigas sobre a mudança que será necessária para o Brasil retomar o rumo da dignidade, desenvolvimento e justiça social. Não é nada razoável e coerente continuarmos com esse desgoverno que está acabando com o nosso país, e terá mais um ano para fazer muito estrago.

Nós iniciamos o século XXI, de uma maneira extraordinária, nos tornamos a sexta economia do mundo, jovens ingressaram nas universidades públicas e privadas por meio do  PROUNI, o nosso desenvolvimento agroindustrial possibilitou a geração de milhões de empregos, como também  milhões de pessoas saíram da condição de miseráveis. Políticas públicas foram implementadas em vários setores: educação, saúde, assistência social e outros. A fome foi extinta no Brasil (e agora está de volta de maneira avassaladora, infelizmente, não é por causa da pandemia, mas do desgoverno do pandemônio). Isso tudo só foi possível por um simples motivo, vontade política de um grupo político progressista e preocupado com as camadas populares do nosso país, que ao longo da história sempre estiveram à margem das prioridades das elites governistas.

Nada acontece se não houver vontade política por parte daqueles que estão no poder. E quando digo, dos que estão no poder, me refiro aos membros do legislativo e executivo, sendo que num sistema presidencialista são os legisladores que determinam como a banda irá tocar. E hoje em nosso congresso quem está com a batuta na mão são os parlamentares da bancada do BBB (Bíblia, Bala e Boi). São estes que dão sustentação ao capetão cloroquina.  

Desde o golpe de 2016, esse país entrou em um processo de esfacelamento, todas as conquistas que a sociedade obteve até então estão sendo destruídas.

Para recuperarmos a credibilidade do nosso Brasil no exterior, o crescimento econômico e as condições dignas de vida do povo brasileiro, precisaremos impedir que esse “Estupidossauro Bolsonarus” e o seu gado acéfalo sejam extirpados do governo.

O presente a nação brasileira virá daqui a dez meses, após todos nós, durante este período, conversarmos e dialogarmos nas fábricas, escolas, escritórios, na feira, super mercado, consultórios médicos ou dentários, festas de aniversário, restaurantes, bares, quiosques de praia, na roça, nas redes sociais ou qualquer outro espaço, sobre o que está ocorrendo em nosso país. Isso fará toda a diferença.

      E tenho certeza que essa nossa atitude possibilitará sermos felizes de novo.

O Prof. Martinho Condini é historiador, mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação. Pesquisador da vida e obra de Dom Helder Camara e Paulo Freire. Publicou pela Paulus Editora os livros 'Dom Helder Camara um modelo de esperança', 'Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo', 'Fundamentos para uma Educação Libertadora: Dom Helder Camara e Paulo Freire' e o DVD ' Educar como Prática da Liberdade: Dom Helder Camara e Paulo Freire. Pela Pablo Editorial publicou o livro 'Monsenhor Helder Camara um ejemplo de esperanza'. Contato profcondini@gmail.com

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

BRASIL, NAÇÃO MUITO DESIGUAL





Frei Betto

       Duas pesquisas acabam de nos informar que a situação social do Brasil sofreu considerável piora nos dois últimos anos do governo Temer. A pesquisa extraoficial, feita pela Oxfam Brasil e intitulada “País estagnado, um retrato das desigualdades brasileiras”, foi divulgada em 26/11. A oficial, tornada pública em 5/12, é a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE.

       A redução da desigualdade estagnou entre 2016 e 2017. Hoje, a renda média da metade mais pobre da população é de R$ 787,69 por mês, inferior ao valor do salário mínimo (R$ 954). Sessenta por cento dos brasileiros sobrevivem com menos de um salário mínimo por mês.

       O Brasil recuou cinco anos na questão social. Voltou ao patamar de 2012. A população em situação de extrema pobreza, com renda inferior a R$ 8 por dia, passou de 13,5 milhões de pessoas, em 2016, para 15,2 milhões de pessoas, em 2017. Em um ano foram condenados à miséria 1,7 milhão de brasileiros.  

       Ampliou-se o número dos que sobrevivem abaixo da linha da pobreza, com renda diária inferior a R$ 22. Em 2016, eram 52,8 milhões de pessoas. Em 2017, 54,8 milhões sobreviviam com menos de US$ 5,50 por dia (R$ 406 por mês), patamar que, segundo o Banco Mundial, designa o nível de pobreza. Três vezes a população do Chile.

       Em 2016, os pobres tinham renda média de R$ 217,63. No ano seguinte, R$ 198,03. Perda de 9%. Já os 10% mais ricos tiveram 2,09% de aumento na renda, que chegou a R$ 9.519,10 por mês. Desses 10%, 12 milhões ganharam até R$ 17,8 mil de renda tributável. E a parcela de 1% mais rico, que abrange 1,2 milhão de brasileiros, teve rendimento médio superior a R$ 55 mil por mês.

       Para que todo esse contingente populacional deixe a pobreza é preciso investir R$ 10,2 bilhões por mês ou R$ 187 mensais por pessoa! O governo prevê destinar ao Bolsa Família, em 2019, R$ 30 bilhões. Erradicar a extrema pobreza no Brasil significa canalizar à área social quatro Bolsas Famílias.

       Para reduzir a desigualdade não bastam medidas conjunturais. São necessárias atitudes estruturantes, como a reforma tributária. Quem ganha mais deve pagar mais impostos. O sistema fiscal precisa ser progressivo, como em muitos países. Não adiantam ajustes fiscais sem políticas sociais. Nem cortar gastos da administração pública sem promover a reforma tributária com novas alíquotas de imposto de renda para os mais ricos. É preciso reduzir a tributação sobre bens e serviços e aumentá-la sobre rendimentos e patrimônios. De que vale salvar as contas do governo e jogar a maior parte da nação no desamparo?

       Se em 20 anos o nosso país reduziu pela metade a mortalidade infantil, ampliou de cinco para oito os anos de escolaridade e diminuiu o número de famílias na miséria, isso não resultou apenas da austeridade fiscal. Foi sobretudo fruto de políticas sociais.   

  Porém, nada indica que estamos na direção certa. O Judiciário reajusta seus gordos salários e os royalties do pré-sal destinados à educação são reduzidos pela metade! A renda do 1% de brasileiros mais ricos é 36 vezes superior à media do que ganham os mais pobres. O Brasil é o segundo país que mais concentra renda no topo da pirâmide social. Só perde para o Qatar.

       Em 2017, 28% da população eram crianças de 6 a 14 anos fora de escola, pessoas com mais de 14 anos analfabetas e acima de 15 anos sem o ensino fundamental completo. Sem investimento em educação não haverá redução do desemprego.

       Fala-se muito que tudo será melhor se for aprovada a reforma da Previdência. Mas  afetará os privilégios do funcionalismo público? Estudo do Ministério da Fazenda, divulgado no último dia 5, demonstra que a Previdência paga 12 vezes mais para os ricos do que para os mais pobres. De todos os benefícios previdenciários, apenas 3,3% vão para os mais pobres. O que equivale a R$ 17,8 bilhões. Os mais ricos embolsam 40,6% do bolo, ou seja, R$ 243,1 bilhões – 12 vezes mais.

       Enquanto não for dado um basta ao patrimonialismo – a ideia de que o Estado é patrimônio da elite – não haverá erradicação da pobreza e, portanto, redução da violência e da exclusão social.

Frei Betto é escritor, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco/Anfiteatro), entre outros livros.

Copyright 2018 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com


quinta-feira, 29 de setembro de 2016

BRASIL, NAÇÃO DE TARADOS


 por Por Frei Betto



      Mulheres que se vestem com roupas provocantes não devem se queixar se forem estupradas. É a opinião de 30% dos brasileiros em pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

      Isso significa que, de cada três brasileiros, ao menos um é potencialmente tarado. E covarde. Tarado, por não respeitar o direito de a mulher se vestir como bem entender. Covarde, por admitir que um homem pode dominá-la, estuprá-la e... a culpa é dela!

      Ora, o problema não está na mulher, e sim na mentalidade de quem não consegue se conter diante de uma mulher que ele considera provocante, assim como os pedófilos que atacam crianças.

      O que é provocante? O fio dental, o biquíni, a minissaia, o vestido decotado? Ora, a provocação não reside neste ou naquele detalhe do adereço feminino, e sim na cabeça de quem é incapaz de olhar uma mulher com o mesmo respeito com que os índios miram as mulheres da aldeia que exibem seus corpos nus.

      Daqui a pouco dirão que a culpa de tantos caixas eletrônicos estourados por bandidos é dos bancos que se atrevem a estocar dinheiro em locais de acesso público. A culpa da inflação alta é do consumidor que não boicota os produtos mais caros. A culpa do terrorismo é da indústria química que fabrica explosivos.

      É cômodo e cínico tentar encobrir o machismo pondo a culpa na mulher. Ora, se um homem se sente ameaçado pelo modo como uma mulher se veste, deveria se tratar.

      A mesma pesquisa apontou que 65% dos brasileiros temem a violência sexual, dos quais 85% são mulheres. A violência se manifesta também no abuso sexual frequente em transportes coletivos, no assédio moral, nas piadinhas na rua, nas redes sociais, sem falar das agressões físicas entre quatro paredes.

      De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2014 foram notificados, no Brasil, 47.646 estupros. Porém, outras fontes indicam que, em nosso país, ocorrem 15 violações sexuais por hora ou uma a cada 4 minutos.

      Detalhe: na pesquisa, os mais jovens e os que possuem diploma universitário são menos vulneráveis à tara. Em suma, educação é sempre uma boa “terapia” para evitar que extrapole o monstro que habita cada um de nós.

      Há um dado, porém, que talvez ajude a explicar essa fobia sexual machista: o modo como a publicidade exibe a mulher. São incessantes peças publicitárias nas quais a mulher é reduzida a seus atributos físicos e apresentada como mera isca de consumo. E uma pergunta não quer se calar: se protestam contra o uso de animais em novelas e filmes, por que esse silêncio quanto ao abuso da imagem erotizada da mulher na propaganda?

Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.

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