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terça-feira, 28 de abril de 2020

DECLAREMOS QUE A POBREZA É ILEGAL




por Marcelo Barros

Nesta semana em que trabalhadores/as do mundo inteiro celebram o 1º de maio, é importante perceber que o Capitalismo faz com que pensemos que a pobreza é normal (Deus fez o mundo com ricos e pobres). Os pobres são culpados por serem pobres, visto que não souberam dar duro e prosperar na vida. Além disso, como são muitos, se tornam pesados para o país. No ano passado, os governos gastaram 1 trilhão e 822 bilhões de dólares com armas. Cada dia, gastaram em armamentos mais de 25 milhões de reais. No entanto, afirmam que os sistemas públicos de saúde e de aposentadoria são deficitários. Com esse pretexto, a cada dia, aprovam leis para diminuir os direitos dos trabalhadores e da população mais empobrecida.

No quadro atual de uma pandemia que, a cada dia, mais gente,  há cientistas que nos advertem: por causa da poluição das águas, da péssima qualidade do ar e da deterioração das condições de higiene e saúde em todo o mundo, existe a possibilidade real de que, a esta pandemia do coronavírus se sigam outras. A manipulação de organismos vivos para fins de comercialização no formato de vacinas é imoral e inaceitável. Rechaçamos a patentização e a disputa comercial pelo controle da produção e distribuição da única possibilidade de proteger as todos e todas. Para sair dessa espiral de destruição e morte, será necessário que a humanidade se organize como humanidade. A ONU como associação dos governos já não tem legitimidade para falar em nome da humanidade. Só a humanidade organizada como tal pode exigir uma transformação das relações sociais e mudar as formas de produção e consumo. É preciso ter coragem de declarar ilegal a pobreza no mundo.

Ninguém nasce pobre por destino, ou por acaso. Há pessoas que nascem com necessidades especiais, físicas ou psíquicas, mas não existem em si pobres. Existem empobrecidos. Atualmente, mais de 90% da humanidade têm de se contentar com menos de 10% dos bens que seriam de todos, porque a elite organizou o mundo para garantir as desigualdades sociais e a mercantilização dos bens que, por natureza, seriam de todos.  

Desde 2012, em diversos países, muitos homens e mulheres lançaram uma campanha para fazer com que a assembleia geral da ONU aceitasse declarar ilegal a pobreza. Em 2018, quando se comemorava o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, se pedia que a ONU reconhecesse como ilegais as leis, instituições e práticas sociais que produzem e alimentam a pobreza no mundo.  Apesar de que a ONU nunca aceitou discutir o assunto, a campanha organizou-se como fundação e se chama “Audácia em nome da Humanidade”. Propõe uma Ágora dos/das Habitantes da Terra e esse encontro da humanidade reconhece todo ser humano como cidadão planetário. Planeja publicar uma Carta dos Direitos da Vida que não pode ser comercializada. Além disso, lutamos pelo reconhecimento da terra, da água, do ar, da saúde e outros elementos como bens comuns de toda a humanidade, aos quais todos os humanos devem ter direito. Para isso, já está em formação um Conselho Internacional de Segurança da Água como bem comum de todo o universo.

O desafio de todas essas iniciativas é que como as árvores começam pela semente e só crescem se firmarem raízes, todo esse processo precisa de partir de sementes boas de comunhão amorosa. Se essa luta pacífica aqui descrita não se enraizar nas bases dos movimentos sociais e dos grupos locais, pode se conseguir uma boa articulação nacional e internacional, mas será como uma árvore frondosa que a raiz é sem profundidade.

No primeiro domingo da Páscoa, o Papa Francisco escreveu aos representantes de movimentos sociais de todo o mundo: “se a atual pandemia é uma guerra, vocês combatem com a arma do senso comunitário”. O senso de que dependemos uns dos outros e só juntos podemos salvar a terra e a vida de todos. Para quem é cristão e está celebrando a Páscoa, esse é o caminho através do qual podemos testemunhar a ressurreição de Jesus e viver uma Páscoa nova de toda a humanidade e do planeta que é nossa casa comum.  



  MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 57 livros publicados. O mais recente é Teologias da Libertação para os nossos dias (Vozes). Email: contato@marcelobarros.com
 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

QUESTIONAMENTOS APÓS MEDELLIN: A POBREZA

Por Eduardo hooranert



É de se compreender que uma virada da grandeza de Medellín 1968 mexe com ideias desde muito enraizadas na tradição eclesial e fomenta questionamentos de fundo. Hoje, decorridos quase 50 anos após Medellín, aparecem, de forma mais ou menos explícita e clara, alguns questionamentos, dos quais resgato aqui três: a compreensão da pobreza; o ritualismo, o sacerdócio. 

Quanto à compreensão da pobreza, há de se considerar que, por causa de longos séculos de falta de aprofundamento do tema, pelo menos na Igreja oficial, se perdeu aos poucos a compreensão bíblica da pobreza. A contundência com que os profetas de Israel condenaram a riqueza dificilmente encontra eco em textos da tradição cristã. Só dou uns exemplos:

Vocês que oprimem o povo com impostos sobre o trigo,
Vocês que constroem casas em pedras lavradas,
Eu sei a extensão de seus pecados! (Amós 5, 11-12).

Oh! Leis criminosas,
Legisladores sentados em seus escritórios
Para negar o direito aos fracos
Privar de seus direitos os que andam curvados,
Despojar a viúva
Espoliar o órfão.
O que vocês farão no dia da visita
E da catástrofe?
Vocês se jogarão nos braços de quem? (Isaías 10, 1-3).

Maldito quem constrói seu palácio sobe a injustiça
E seus apartamentos fora do direito!
Maldito quem mantém o vizinho na mão
E não lhe paga o salário! (Jeremias 21, 13).

Os profetas do antigo Israel se perguntam por que os pobres estão numa condição deplorável, e encontram a resposta: por causa dos impostos sobre o trigo, da concentração de terras e riquezas, de um poder judiciário injusto, da exploração de viúvas e órfãos, da construção de palácios ao lado dos casebres dos pobres, da falta de pagamento de um salário justo. Esse tom concreto e contundente costuma fazer falta nos textos dos Padres da Igreja, que são os intelectuais do primeiro milênio da tradição cristã.  Cipriano fala em esmola, donativos, fundos financeiros para os pobres, generosidade; Basílio escreve que a pobreza é fruto do pecado e que o cristão tem de doar o supérfluo ao pobre; Ambrósio e Crisóstomo escrevem que pobre é quem não toca no ‘vil metal’; Agostinho sustenta que é pobre quem não deseja possuir nada e que pobreza é uma virtude, pois nos redime do pecado. Em geral, as reflexões dos Padres da Igreja perdem muito, quando comparadas com as dos antigos profetas. Não vão ao fundo da questão da pobreza, que é a injustiça, a exploração econômica e social. Nisso o contraste com os profetas de Israel antigo é flagrante, como fica claro numa frase de Helder Câmara:

Quando dou um pão a um pobre, me chamam de santo,
Quando pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista.

Os profetas de Israel se perguntam donde vem a pobreza, os Padres da Igreja não. Donde vem essa falha em suas reflexões? Há um aspecto a ser considerado: os Padres da Igreja praticam a chamada ‘leitura grega’ da Bíblia, ou seja, uma leitura influenciada pela filosofia grega, especificamente pelo pensamento platônico. Esses Padres, que escrevem na língua grega, traduzem os termos hebraicos ‘basar’ e ‘nefesh’, que definem a antropologia bíblica, por ‘corpo’ e ‘alma’. Na antropologia bíblica, o termo ‘basar’ acentua os aspectos frágeis, provisórios e vulneráveis do ser humano, sujeito a doença, sofrimento, infortúnios e morte, mas não tem um sentido negativo. O termo ‘nefesh’, por sua parte, expressa o elemento dinâmico da pessoa humana. A melhor tradução de ‘nefesh’ talvez seja ‘vida’ e, na descrição do relacionamento com Deus, ‘desejo’. Esses termos formam um binômio, ou seja, devem ser entendidos de forma correlata, já que expressam dinâmicas do ser humano que funcionam em conjunto. A antropologia platônica, pelo contrário, estabelece um contraste muito forte entre ‘corpo’ (inferior) e ‘alma’ (superior). As traduções gregas da Bíblia (usadas pelos Padres da Igreja e posteriormente pelos teólogos) traduzem o termo hebraico ‘nefesh’ por ‘psuchè’, enquanto a Vulgata (tradução latina) o traduz por ‘anima’ e as línguas modernas por ‘alma, âme, soul, Seele’. O resultado é que o termo ganha um sentido platônico. Entra uma visão dualista acerca do ser humano, que passa a ser apresentado como um ‘composto’ de corpo (elemento negativo) e alma (elemento positivo). Desse modo se instala uma confusão de longa duração na tradição de Jesus. Aparecem temas como ‘abjeção da carne’ (leia: o abandono de questões sociais), ‘elevação da alma’, 'comunicação da alma com Deus’, ou seja, a ‘espiritualidade’ é entendida em oposição à ‘materialidade’. Desvalorizam-se as informações provenientes dos cinco sentidos do corpo e fala-se em ‘mortificação’ desses sentidos do corpo, ou ainda em ‘desprezo pelo mundo’ (‘contemptus mundi’). Nessa linha, a pobreza é interpretada como sendo algo que atinge o corpo, não a alma. Diz-se que o pobre cristão é pobre no corpo, mas rico na alma.

Aqui se percebe a importância de Medellin. O tema da ‘opção pelo pobre’, cedo ou tarde, leva à redescobrimento do sentido bíblico da pobreza. A leitura bíblica da pobreza significa a volta aos profetas bíblicos, que declaram que o corpo pobre, em si (sem considerações morais), é um escândalo para Deus, uma situação intolerável, como aparece no Livro Jó, no profeta Sofonias e em muitos outros profetas. Não existe o dualismo ‘corpo-alma’ na teologia bíblica. Não há como dizer que a pessoa é ‘pobre no corpo e rica na alma’, ‘pobre em dinheiro e rico em Deus’. A pobreza dos corpos é a mais clara negação de Deus em nossas sociedades.
 Eduardo Hoornaert foi professor catedrático de História da Igreja. É membro fundador da Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina (CEHILA). Atualmente está estudando a formação do cristianismo nas suas origens, especificamente os dois primeiros séculos.

www.eduardohoornaert.blogspot.com.br/


sexta-feira, 28 de março de 2014

A pobreza do outro




Por Maria Clara Bingemer




                        A Igreja respira encantada com o Papa Francisco e o movimento que inaugurou e mantém de volta ao Concílio Vaticano II e sua renovação.  Seu pontificado vem marcado por essa retomada do espírito de liberdade e abertura daquele inesquecível evento eclesial que aconteceu há 50 anos.

                        Na América Latina, a recepção deste Concílio se deu em uma direção bem marcada de fidelidade ao contexto do continente, feito de pobreza, injustiça e opressão.  Toda a Igreja do continente releu o grande evento do Vaticano II com uma atenção qualificada àquelas grandes maiorias que se encontravam mais necessitadas, mais fragilizadas e mais empobrecidas.  A chamada opção preferencial pelos pobres foi o nome cunhado para “batizar” essa escolha evangélica feita pela comunidade eclesial naquele momento histórico.

                        Após um tempo longo que já foi chamado por grandes teólogos e pessoas da Igreja de “inverno eclesial”, onde parecia que – entre outras – a primordialidade dos pobres havia ficado na sombra, eis que foi lançado recentemente em Roma o livro do Prefeito para a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Gerhard Müller: “Ao lado dos pobres”. Trata-se da mais alta autoridade em termos de doutrina da Igreja Católica e, portanto, guardião da indiscutível legitimidade do conteúdo do livro.

         Mas há mais: Müller não escreveu o livro sozinho.  Acompanhou-o outro teólogo: o pai da Teologia da Libertação, o sacerdote peruano da Ordem dos Pregadores, Gustavo Gutiérrez.  No prefácio, Joseph Sayer, presidente da Obra Assistencial Misereor, identifica o teólogo peruano como uma pessoa apaixonada.  E como não haveria de sê-lo quem passou a vida servindo os pobres, vivendo junto a eles e lidando apaixonadamente com a pergunta:  “Como se pode falar do amor de Deus perante a miséria dos pobres e a injustiça do mundo?”.

              Ou seja, o alerta lançado por Hans Jonas após a Segunda Grande Guerra e o holocausto nazista: “Como falar de Deus depois de Auschwitz”? ecoa novamente diante de outro genocídio: aquele cotidiano que mata continuamente milhares e mesmo milhões de pessoas em todo o planeta. Gustavo Gutiérrez  descobriu, vivendo perto dos pobres, que toda teologia deve fazer-se esta pergunta e deixar-se atingir por ela, para então construir seu discurso sobre Deus.  Pois, concordando com a frase de Berdiaev, “se eu tenho fome, é um problema biológico.  Se o meu irmão tem fome, é um problema teológico”.

          E foi justamente a pobreza do outro a interpelar com pungente insistência a fé que levou Gutiérrez a criar a corrente chamada Teologia da Libertação, que posteriormente ganhou muitos adeptos não apenas na América Latina, mas também no hemisfério Norte e no mundo inteiro.  Essa teologia e seus protagonistas também conheceram dificuldades e conflitos devido à opção de fazer teologia ao lado dos pobres e a partir de suas interpelações.  Foram convocadas a testemunhar e provar sua pertença eclesial e sua ortodoxia.

           A teologia de Gustavo Gutiérrez ofereceu essa prova em suas obras, nas quais o compromisso inarredável com os pobres se alia indissoluvelmente à mais profunda espiritualidade cristã e à mais profunda fidelidade à Igreja.  Ela ajudou a Igreja a redescobrir o compromisso com a justiça e o anúncio da boa nova aos pobres como um de seus imperativos centrais.

         O Papa Francisco, em prólogo feito ao livro, agradece profundamente aos autores que chamam assim a atenção para este tema fulcral na Igreja: a pobreza do outro que é critério de verificação da confissão de fé cristã.  Afirma sua esperança de que os leitores terão o coração tocado pela exigência de uma conversão a esses que, maltratados pela sociedade injusta, são os prediletos de Deus.  E diz literalmente: “E bem saibam, amigos leitores, que nesta exigência e nesta via, me encontram desde agora com vocês, como irmão e sincero companheiro de caminho. “

          O Cardeal Müller, o teólogo Gutiérrez e o Papa Francisco querem dizer que enquanto a pobreza empalidecer no rosto do outro o fulgor de sua imagem e semelhança com Deus, a Igreja não pode descansar.  O que importa nem é tanto tal ou qual corrente teológica.  Importa, sim, a realidade vital dos pobres.  Enquanto esta for uma interpelação dolorosa e cruel lançada à consciência da humanidade, as preocupações e a reflexão da Teologia da Libertação estarão mais do que vivas.
                       
Maria Clara Bingemer é autora de "Deus amor: graça que habita em nós” (Editora Paulinas), entre outros livros. (wwwusers.rdc.puc-rio.br/agape)
É professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio

 
Copyright 2014 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>
  

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terça-feira, 15 de outubro de 2013

A erradicação da pobreza



Por Marcelo Barros



A ONU consagra o 17 de outubro como o dia da erradicação da pobreza. No ano 2000, a assembleia geral da ONU tinha proposto como uma das oito metas do milênio reduzir a pobreza pela metade até o ano 2015. Agora que esse ano se aproxima, se constata que, com exceção da América Latina, no mundo inteiro, o número de pobres tem aumentado. Isso ocorre não como uma fatalidade do destino ou acidente da natureza e sim como consequência do modo de organização injusta da sociedade. O Capitalismo é, por natureza, excludente e por seu próprio modo de ser agrava a diferença entre pobres e ricos. Atualmente, se considera mais próspera a empresa que menos necessita de funcionários, porque assim dá mais lucro. Então, o desemprego se torna destino de uma imensa multidão de homens e mulheres que têm suas condições de vida deterioradas.  Nesses dias, um relatório do Instituto da ONU que pesquisa o clima informou: as péssimas condições de tráfego de nossas cidades têm agravado os problemas de saúde da população e a realidade econômica já difícil de nossos países. A ONU declara que, com 300 bilhões de dólares, poderia superar a pobreza no mundo. Ora essa soma é apenas a terceira parte do que as grandes potências gastam com armamentos e a indústria da guerra. Nenhum dos países ricos está disposto a diminuir esses gastos. No plano econômico, há três anos, os governos destinaram 180 bilhões de dólares para salvar bancos privados em crise por causa da corrupção de seus dirigentes que, aliás, em nenhum momento, tiveram diminuídos seus astronômicos salários. O papa Francisco tem chamado a atenção para o fato de que se a bolsa de Londres ou Tóquio perde 10% é uma calamidade. Mas, se, como ocorreu na semana passada, centenas de africanos perdem a vida nas praias de Lampedusa, a maioria da sociedade europeia não dá a menor importância a isso.  

Na Itália, a Universidade do Bem Comum tem proposto que os movimentos sociais e grupos da sociedade civil comecem a pressionar para que, em todos os países, passe a ser considerada ilegal toda política que gera ou aumente a pobreza. Por trás de todo processo de empobrecimento, há uma estrutura iníqua de distribuição desonesta da riqueza. A pobreza que se espalha no mundo atual atenta contra ao menos cinco dos direitos fundamentais proclamados pela ONU em 1948. Há quase 70 anos, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, a ONU já afirmava que toda pessoa humana tem direito à segurança alimentar, à moradia, ao trabalho, à saúde e à educação. Atualmente, mesmo países que tradicionalmente garantiam alguns desses direitos básicos de seus cidadãos destruíram o chamado “estado de bem estar social” e, hoje, têm sucateado seus serviços de saúde, de educação e de assistência social. 

A pobreza pode ser combatida por medidas conjunturais, mas se não vamos até a raiz doente da árvore, não conseguiremos curá-la. Se um sistema social está envenenado não pode ser sanado pelo uso do mesmo veneno que o deixou mal. Não será o Capitalismo que pode tirar o mundo dessa crise estrutural. Conforme a ONU, na América Latina, os países que, nos anos recentes, mais conseguiram diminuir a pobreza e a desigualdade social foram os que optaram claramente pelo novo processo bolivariano, especificamente a Venezuela, o Equador e a Bolívia. 

Essa própria realidade grita à consciência da humanidade e de toda pessoa que busca aprofundar um caminho espiritual. Só a solidariedade social e política poderá nos unir no grande mutirão para libertar a humanidade da pobreza, da fome e da desigualdade social. Quem segue a fé cristã vê nesse caminho uma antecipação do projeto divino para o mundo, mesmo se ainda parcial e com defeitos. Conforme o evangelho, Jesus afirmou: “O reino de Deus não virá de fora. Ele está entre vós e em vós” (Lc 17, 21).