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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ENCONTRO COM FIDEL



Por Frei Betto


      HAVANA. Há tempos Fidel não se manifestava. Como me disse em Havana um cubano, “é gritante o silêncio do Comandante”. Muitos supunham que ele se encontrava muito doente, talvez recolhido a um hospital, e com seu estado de saúde tratado como segredo de Estado.

      Pouco antes de eu viajar para Cuba, em meados de janeiro, correu a notícia de que Fidel havia morrido. Pela milésima vez... Jornalistas me ligaram interessados em saber se eu recebera confirmação de meus amigos de Cuba.
      Fui pesquisar. De fato, Fidel morreu dia 3 de janeiro de 2015, em Nairobi, no Quênia, e seu nome completo era Fidel Castro Odunga, filho de um queniano que, quando jovem, estudou em Cuba.

      Meus amigos, aqui em Havana, se perguntavam se Fidel havia ou não recebido os Cinco Heróis cubanos, recentemente libertados de longos anos de prisão nos EUA e transferidos para seu país de origem. E por que o Comandante não se manifestara, pelo menos com um artigo, quando Obama admitiu que o bloqueio “não funcionou” e aceitou entabular conversações com o governo cubano para reatar relações diplomáticas e comerciais.

      Pairava um mistério em torno do silêncio do líder da Revolução Cubana.
      Vim para participar do Congresso Mundial de Pedagogia. Proferi palestra na Universidade de Havana para pedagogos cubanos e dirigentes da FEU (Federação dos Estudantes Universitários), a UNE local.

      A convite do embaixador do Brasil, Cesário Melantonio Neto, na Casa das Américas fiz conferência sobre Paulo Freire e, no Instituto Superior de Artes, sobre Arte Contemporânea e Mercado.

      No Congresso de Pedagogia falei sobre Educação e Subjetividade e, no dia seguinte, sobre Educação, Consciência Crítica e Protagonismo Social.

      Na tarde de terça, 27 de janeiro, Fidel me convidou à sua casa. Em companhia de sua esposa Dália, conversamos durante uma hora e meia. Ele se mostrou interessado em meu encontro com o papa Francisco, em abril de 2014, em Roma, e demonstrou profunda admiração pelo chefe da Igreja Católica.

      Fidel me pediu detalhes sobre os conteúdos das palestras e discorreu sobre os temas de astrofísica e física quântica que levanto em meu livro “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), editado em Cuba.

      Aos 88 anos, o líder da Revolução Cubana, recolhido em casa, segue com atenção o noticiário mundial, sobretudo através da TV e da internet, e mantém o mesmo raciocínio ágil de quando o conheci, em 1980.

      Suas maiores preocupações, além do futuro de Cuba, são a paz mundial e a degradação ambiental. Ele teme que o espírito bélico das grandes potências e a ambição de lucro leve à destruição da humanidade muito antes do apocalipse.

      Apesar de tudo, mantém um jovial entusiasmo, de quem sabe que o melhor é guardar o pessimismo para dias melhores.

Frei Betto é escritor, autor de “Oito vias para ser feliz” (Planeta), entre outros livros.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

ESTADO LAICO INTEGRA DIREITOS HUMANOS



Por Juracy Andrade


Na contramão da liberdade de culto, algumas igrejas protestantes e muitos políticos teimam em desconstruir o edifício do Estado laico, tão frágil apesar de instituído constitucionalmente desde os albores da República. A presidente Dilma, que inicia o segundo mandato com um governo do Bradesco e dos ruralistas, corre a prestigiar a inauguração de mais um templo (melhor dizendo, financeira) do autonomeado bispo Edir Macedo. Candidatos a postos eletivos buscam avidamente o apoio de líderes protestantes e das assim ditas “bancadas evangélicas”. Até ministérios são confiados a pastores. O do Esporte, por exemplo, George Hilton, que de esporte entende tanto quanto o comunista descafeinado Aldo Rebelo, ganhou a pasta por ser filiado ao PRB (Partido Republicano Brasileiro, que ironia!), braço político de Macedo e de sua teologia da prosperidade. Hilton é conhecido principalmente por ter sido detido no Aeroporto da Pampulha (MG) com onze malas e mais umas caixas de dinheiro.

A ONG Atletas pelo Brasil, que reúne dezenas de jogadores de várias modalidades esportivas, incluindo Gustavo Borges (natação), Hortência (basquete) e Ana Moser (vôlei), apitou em nota: “Infelizmente, há anos, o Ministério do Esporte é usado na barganha política”. E tem mais: o homem das caixas de dinheiro goza da simpatia dos herdeiros de João Havelange e de Ricardo Teixeira na CBF, José Maria Marin e Marco Polo del Nero.

Bem, o meu objetivo não é falar de esportes, mas de Estado republicano laico. Desde a mais longínqua antiguidade, a religião e os deuses fizeram parte integrante do Estado, da sociedade, da cultura. Inclusive entre os judeus. Tanto que um dos motivos do desentendimento e distância entre judeus e cristãos é o fato de o nosso mestre Jesus Cristo pregar a extensão do Reino de Deus a todos os povos da Terra. Fruto, no Ocidente, do iluminismo, do enciclopedismo e da Revolução Francesa, o Estado laico ou secular é aquele que é independente de qualquer organização ou confissão religiosa, em que as autoridades políticas (de qualquer poder do Estado) não aderem publicamente a nenhuma religião e onde as crenças religiosas não influem na política, no governo, na administração.

É a definição mais clara e usual do conceito de Estado Laico: Estado em que se prescinde, por exemplo, do ensino religioso e que é independente de qualquer influência de qualquer religião. Claro que tudo isso deve ser entendido dentro de um contexto de ampla liberdade de qualquer um e qualquer agremiação religiosa, todos com direito à liberdade religiosa, isto é, a praticar sua religião sem ser impedido pelo Estado.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, inclui a liberdade de religião para qualquer pessoa entre as que nela são proclamadas. Em seu artigo 18, consta que toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, direito que inclui a liberdade de mudar de religião ou de crença, assim como liberdade de manifestar sua religião ou crença individual e coletivamente, em público e privadamente, pelo ensinamento, a prática, o culto e a observância.

Deve-se levar em conta, no entanto, conforme modernas constituições, que a ordem pública é o limite para essas liberdades (tipo: o meu direito termina quando começa o do outro). Os fiéis de uma confissão religiosa são obrigados a respeitar os direitos humanos. O exercício da liberdade religiosa não pode atentar contra a ordem pública. Abro uma digressão para fazer dois comentários.

O primeiro se refere à barulheira de certas manifestações religiosas, que tiram o sossego e o sono da vizinhança, invadindo o espaço do direito alheio. E ao fato de o governo brasileiro ter sido levado a instituir ensino religioso em escolas públicas (imposição dos assim ditos evangélicos?). Além de o presidente Lula se ajoelhar aos pés do papa. Um chefe de Estado não pode fazer isso, mesmo sendo católico.

O segundo é quanto a uma interpretação exagerada e equivocada do que é ordem pública. Por exemplo, quando o governo direitista francês de Nicolas Sarkozy proibiu as garotas muçulmanas de usar o véu na escola e de portar símbolos religiosos. Um destempero. Mulheres católicas usaram véu durante séculos. E os católicos não usam cruzes, os judeus não usam a estrela de Davi, o quipá? Burca, sim, é justo proibir, pois, além de anti-higiênico, a pessoa poderia carregar ali debaixo um arsenal. E, quando digo isto, não estou associando muçulmanos a terrorismo. Quem praticou o terrorismo de Hiroshima-Nagasaki? E o terrorismo das Cruzadas, da Inquisição, do colonialismo?

No Brasil, a Igreja resmungou muito e demorou a aceitar o laicismo do Estado republicano. Até hoje ainda há quem não aceite a Constituição. Apesar de o Concílio Vaticano 2º haver proclamado, na declaração Dignitatis humanae, que a Igreja aceita a liberdade religiosa. Mas muitas confissões protestantes continuam brigando para tomar o Estado de assalto. Muitos católicos também continuam defendendo símbolos como cruz em tribunais e outras práticas que em nada contribuem para a manutenção de um Estado laico que só fez bem à liberdade religiosa, à religião (qualquer uma) e à Igreja.


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Juracy Andrade é jornalista com formação em filosofia e teologia

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

SER ÍNDIO, HOJE, NO BRASIL



Por Marcelo Barros



“Na escuridão da noite, a madrugada silenciosa foi interrompida pelo barulho de tiros. Tudo ocorreu de repente. Mal se viam os vultos dos agressores.  Uns vinham armados com paus, outros com armas de fogo. Gritos e gemidos. Apavoradas, mães buscavam proteger seus filhos. Os encapuçados começaram a atear fogo nas casas de palha. Logo, o fogo se alastrou e as pessoas, desarmadas, corriam para salvar suas vidas. Atrás, ficaram dois mortos e vários feridos. Os invasores tinham dado um aviso. Desapareceram tão de repente quanto tinham surgido”.  Essa não é uma cena escrita para algum filme de faroeste ou de gangster. Foi real. Ocorreu no Assentamento indígena União dos Povos, no bairro Parque das Nações de Manaus, exatamente, na noite do sábado 10 desse mês de janeiro (2015). Assim testemunhou a índia Cairé, da etnia Tupiniquim, uma das vítimas do ataque que matou os irmãos Tayrê da etnia Mura (25 anos) e Rudá da etnia Baré, jovem índio de 29 anos. 

Esse acontecimento, trágico e vergonhoso, não mereceu nenhuma coluna em algum jornal. Ninguém se mobilizou em manifestação de solidariedade aos índios agredidos. Só os parentes puderam chorar os seus mortos. De fato, isso ocorreu menos de uma semana depois que a nova Ministra da Motosserra e do Agronegócio declarou enfaticamente que “o problema dos índios é que eles deixam a floresta e vêm ocupar terras produtivas”. Ao contrário, mais uma vez, foi a cidade (no caso, Manaus) que, destruindo a floresta, se expande na direção das terras que sempre foram indígenas. A especulação imobiliária ameaça os índios, agora legitimada pela conivência do Estado, parceiro dos que destroem a natureza e aterrorizam a vida dos povos indígenas. 

Atualmente, segundo o Censo de 2010, a população indígena no Brasil é calculada em 734.111 pessoas. Além disso, se tem conhecimento de, ao menos 28 grupos indígenas isolados e sobre os quais ainda não se têm dados completos. No Brasil, os índios pertencem a 220 povos organizados. Falam 180 línguas diferentes. Todos os 27 estados da Federação têm grupos indígenas. Há também uma população de quase 400 mil pessoas (388.298) que se autodeclaram índias e que moram em periferias urbanas. De fato, muitos foram expulsos de suas terras por garimpeiros e pelo latifúndio. Eles ou seus pais fugiram para não morrerem. Alguns ainda escondem que são índios para não perder emprego e não se isolar de vizinhos, em regiões, nas quais o preconceito contra os índios ainda é gritante.  

Embora as legislações internacionais e a Constituição brasileira reconheçam os direitos dos índios a suas terras e seu modo de viver próprio, as políticas de governo e os projetos de desenvolvimento não os respeitam. O Estado brasileiro tem uma dívida histórica e moral imensa com os povos ancestrais. A cada ano, no dia 07 de fevereiro, no Rio Grande do Sul, as comunidades lembram a memória de Sepé Tiaraju, cacique guarani que, em 1778, deu a vida pelo seu povo, quando os reinos de Portugal e Espanha se uniram para destruir as missões dos jesuítas com os Guarani. Agora, mais de 200 anos depois, a figura de São Sepé, canonizado pelo povo, ressurge nos mártires indígenas de hoje e em diversos chefes indígenas que arriscam suas vidas para defender os direitos dos povos indígenas e unir as diversas etnias em associações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).  

Quem tem fé acredita que o Espírito Divino se manifesta na força de resistência e de ressurreição dos pequenos. No Evangelho, Jesus orou: “Eu te agradeço, Pai, porque escondeste os teus segredos dos sábios e entendidos do mundo e os revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25).  

Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A ÁGUA NO MUNDO E SUA ESCASSEZ NO BRASIL


por Leonardo Boff

 A atual situação de grave escassez de água potável, afetando boa parte do Sudeste brasileiro onde se situam as grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, nos obriga, como nunca antes, a repensar a questão da água e a desenvolver uma cultura do cuidado, acolitado por seus famosos erres (r): reduzir, reusar, reciclar, respeitar e reflorestar.


Nenhuma questão hoje é mais importante do que a da água. Dela depende a sobrevivência de toda a cadeia da vida e, consequentemente, de nosso próprio futuro. Ela pode ser motivo de guerra como de solidariedade social e cooperação entre os povos. Especialistas e grupos humanistas já sugeriram um pacto social mundial ao redor daquilo que é vital para todos: a água. Ao redor da água se criaria um consenso mínimo entre todos, povos e governos, em vista de um bem comum, nosso e do sistema-vida.

Independentemente das discussões que cercam o tema da água, podemos fazer uma afirmação segura e indiscutível: a água é um bem natural, vital, insubstituível e comum. Nenhum ser vivo, humano ou não humano, pode viver sem a água. A ONU no dia 21 de julho de 2010, aprovou esta resolução: “a água potável e segura e o saneamento básico constituem um direito humano essencial.”

Consideremos rapidamente os dados básicos sobre a água no planeta Terra: ela já existe há 500 milhões de anos; 97,5% das águas dos mares e dos oceanos são salgadas. Somente 2,5% são doces. Mais de 2/3 dessas águas doces encontram-se nas calotas polares e geleiras e no cume das montanhas (68,9%); quase todo o restante (29,9%) são águas subterrâneas. Sobram 0,9% nos pântanos e apenas 0,3% nos rios e lagos. Destes 0,3%, 70% se destina à irrigação na agricultura, 20% à indústria e restam apenas 10% destes 0,3% para uso humano e dessedentação dos animais.

Existe no planeta cerca de um bilhão e 360 milhões de km cúbicos de água. Se tomarmos toda a água dos aceanos, lagos, rios, aquíferos e calotas polares e a distribuissemos equitativamente sobre a superfície terrestre, a Terra ficaria mergulhada debaixo da água a três km de profundidade.

A renovação das águas é da ordem de 43 mil km cúbicos por ano, enquanto o consumo total é estimado em 6 mil km cúbicos por ano. Portanto, não há falta de água.

O problema é que se encontra desigualmente distribuída: 60% em apenas 9 países, enquanto 80 outros enfrentam escassez. Pouco menos de um bilhão de pessoas consome 86% da água existente enquanto para 1,4 bilhões é insuficiente (em 2020 serão três bilhões) e para dois bilhões, não é tratada, o que gera 85% das doenças segundo OMS. Presume-se que em 2032 cerca de 5 bilhões de pessoas serão afetadas pela escassez de água.

O Brasil é a potência natural das águas, com 12% de toda água doce do planeta perfazendo 5,4 trilhões de metros cúbicos. Mas é desigualmente distribuída: 72% na região amazônica, 16% no Centro-Oeste, 8% no Sul e no Sudeste e 4% no Nordeste. Apesar da abundância, não sabemos usar a água, pois 37% da tratada é desperdiçada, o que daria para abastecer toda a França,  a Bélgica, a Suíça e norte da Itália. É urgente, portanto, um novo padrão cultural em relação a esse bem tão essencial (cf.o estudo mais minucioso organizado pelo saudoso Aldo Rabouças, Aguas doces no Brasil: Escrituras, SP 2002).

Uma grande especialista em água que trabalha nos organismos da ONU sobre o tema, a canadense Maude Barlow, afirma em seu livro “Agua: pacto azul (2009): “A população global triplicou no seeculo XX mas o consumo da água aumentou sete vezes. Em 2050 quando teremos 3 bilhões de pessoas a mais, necessitaremos de 80% a mais de água somente para o uso humano; e não sabemos de onde ela virá”(17). Esse cenário é dramático, pois coloca claramente em xeque a sobrevivência da espécie humana e de grande parte dos seres vivos.

Há uma corrida mundial para privatização da água. Ai surgem grandes empresas multinacionais como as francesas Vivendi e Suez-Lyonnaise a alemã RWE, a inglesa Thames Water e a americana Bechtel. Criou-se um mercado das águas que envolve mais de 100 bilhões de dólares. Ai estão fortemente presentes na comercialização de água mineral a Nestlé e a Coca-Cola que estão buscando comprar fontes de água por toda a parte no mundo, inclusive no Brasil.

Mas há também fortes reações das populações como ocorreu no ano 2000 em Cochabamba na Bolivia. A empresa américa Bechtel comprou as águas e elevou os preços a 35%. A reação organizada da população botou a empresa para correr do país.

O grande debate hoje se trava nestes termos: A água é fonte de vida ou fonte de lucro? A água é um bem natural, vital, comum e insubstituível ou um bem econômico a ser tratado como recurso hídrico e posto à venda no mercado?
Ambas as dimensões não se excluem mas devem ser retamente relacionadas. Fundamentalmente a água pertence ao direito à vida, como insiste o grande especialista em águas Ricardo Petrella (O Manifesto da Agua, Vozes 2002). Nesse sentido, a água de beber, para uso na alimentação e para higiene pessoal e dessedentação dos animais deve ser gratuita.

Como porém ela é escassa e demanda uma complexa estrutura de captação, conservação, tratamento e distribuição, implica uma inegável dimensão econômica. Esta, entretanto, não deve prevalecer sobre a outra; ao contrário, deve torná-la acessível a todos e os ganhos devem respeitar a natureza comum, vital e insubstituível da água. Mesmo os altos custos econômicos devem ser cobertos pelo Poder Publico.

Não há espaço para discutir as causas da atual seca. Remeto ao estudo do importante livro do cientista Antonio Donato  Nobre ” O futuro climático da Amazônia”, lançado em meados de janeiro deste ano de 2015 em São Paulo, onde afirma que a mudança climática é um fato de ciência e de experiência. Adverte:”estamos indo para o matadouro”.

Uma fome zero mundial, prevista pelas Metas do Milênio, deve incluir a sede zero, pois não há alimento que possa existir e ser consumido sem a água.
A agua é vida, geradora de vida e um dos símbolos mais poderosos da natureza da Última Realidade. Sem a água não viveríamos.

Leonardo Boff é colunista do JBonline e escreveu Do iceberg à arca de Noé, Mar de Ideias, Rio, 2010.