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quinta-feira, 19 de maio de 2016

POBRE PAGA CONTA DE RICO


Por Frei Betto
     


      Um dos equívocos dos governos do PT foi implementar uma política neodesenvolvimentista que nem sequer pode ser qualificada de pós-neoliberal. Enquanto o orçamento do Bolsa Família para este ano é de R$ 28 bilhões, e o déficit primário do governo chega a R$ 120 bilhões, o “bolsa empresário” é de R$ 270 bilhões – quase dez vezes superior. Pai severo com os pobres, o governo atuou como mãe supergenerosa com os ricos. Nem assim o PT logrou aplacar o ódio de classe contra o partido.

      A fortuna do “bolsa empresário” é o resultado da soma de subsídios, desonerações e regimes tributários diferenciados para portos, indústrias químicas, agronegócio, empresas de petróleo e fabricantes de equipamentos de energia eólica.

      A agricultura, por exemplo, quase nada recolhe para a Previdência Social, e a maioria dos produtores rurais sonega impostos ao se enquadrar na Receita Federal como pessoa física e não jurídica.

      No bolo da sonegação legal, destaca-se o Sistema S (Senai, Sesc, Sesi, Senac, Senar, Sescoop e Sest), que mescla seu orçamento com o de inúmeras entidades empresariais, e não prima pela transparência em suas prestações de contas.

      Outro pacote de bondades ao empresariado é o FI-FGTS, fundo de investimento abastecido por recursos dos trabalhadores, que aplica quase R$ 23 bilhões em projetos privados. É gerido pela Caixa Econômica Federal, e a referência de retorno para o fundo é a TR (Taxa Referencial), de cerca de 0,2%, mais 6% ao ano – percentual generoso comparado às taxas de juros cobradas pelos bancos de quem toma dinheiro emprestado.

      Neste ano, o total de benefícios tributários, financeiros e creditícios soma R$ 385 bilhões! (Fonte: Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas). Uma pequena parte desse montante é destinada à desoneração da cesta básica, e descontos e isenções para creches e transporte escolar. A parcela maior, de R$ 270 bilhões, será embolsada pelo setor empresarial privado. Quem garante que haverá retorno para a economia do país e a sociedade?

      Quando se reclamava que o pacote de bondades era exagerado, o governo alegava que o corte de impostos ou a sonegação legal visava a fomentar o desenvolvimento das regiões mais pobres do Brasil. Ora, os dados demonstram que 52% do total de gastos tributários beneficiam, este ano, o Sudeste, a área mais rica do país.

      Só o horário eleitoral “gratuito” livra TVs e rádios de pagarem, em impostos, R$ 562 milhões. O que ninguém nunca me explicou é por que o sistema radiotelevisivo do Brasil, sendo propriedade da União, merece ficar livre de tributação, já que os concessionários veiculam peças publicitárias regiamente pagas?

      No início do governo Dilma, as desonerações ou sonegações legais eram de R$ 197 bilhões. No fim, R$ 385 bilhões. Desse total, R$ 267 bilhões é o que o governo deixou de arrecadar, dos quais 29% consumidos pela área social (educação, saúde, cultura, meio ambiente, cidadania, assistência social, trabalho) e 71% ou R$ 190 bilhões embolsados pelo setor empresarial (agronegócio, indústria, comércio e serviços).

      Enquanto não houver reforma tributária e o imposto passar a ser progressivo (quem ganha mais, paga mais), no Brasil os pobres continuarão a pagar as contas dos ricos.

Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.


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terça-feira, 17 de maio de 2016

A ÉTICA MANDA DESOBEDECER


Marcelo Barros


Todo exército tem como regra básica a disciplina e requer obediência aos superiores. No entanto, em Israel, não são poucos os jovens recrutados ao serviço militar obrigatório que se negam a combater palestinos. Nos Estados Unidos, há soldados que não obedecem ordens se essas são para invadir países e fazer novas guerras. Esses jovens invocam um direito individual, assegurado pela ONU: a objeção de consciência. Em vários países, a objeção de consciência é direito civil, reconhecido por lei. No Brasil, a Constituição garante aos jovens o direito de prestar um serviço civil no lugar do tempo de serviço militar. Entretanto, as leis complementares à Constituição nunca foram sancionadas. Por isso, esse direito ainda não pode ser plenamente exercido e poucos brasileiros têm consciência disso. A Onu consagra o 15 de maio e toda essa semana para aprofundar e divulgar essa atitude pacifista. Só se reconhece a dignidade humana onde a consciência individual e a fé de cada grupo são respeitadas. 
 
A ciência e a arte de viver têm progredido mais por conta das pessoas que ousam desafiar as leis e inovar os costumes do que pela ação das que simplesmente seguem caminhos convencionais. A objeção de consciência é a atitude de quem, por convicção religiosa, social ou política, se nega a pegar em armas e a participar de guerras ou atos violentos.

No mundo inteiro, homens e mulheres, reconhecidos como construtores da paz e da justiça, alguns até premiados com o Nobel da Paz, foram ou ainda são, em seus países, considerados rebeldes e desobedientes. Para os budistas tibetanos, Sua Santidade, o Dalai Lama, é a 14a reencarnação do Buda da Compaixão. No entanto, para o governo chinês, ele é apenas um dissidente, desobediente às leis. O prêmio Nobel da Paz foi dado a dois latino-americanos ilustres: a Rigoberta Menchu e Adolfo Perez Esquivel. Riboberta é uma índia que viveu anos sem poder voltar à Guatemala para não ser morta ou simplesmente condenada pelas leis do seu país. Durante anos, o governo da Argentina tentou prender Adolfo Perez Esquivel, como agitador. Hoje, amigo do papa Francisco, ele goza de mais liberdade. No Brasil da ditadura militar, Dom Hélder Câmara, era escutado no mundo inteiro. Enquanto isso, em nosso país, os meios de comunicação não podiam divulgar nada que falasse em seu nome. No passado, Gandhi e Martin Luther King foram presos e condenados como desobedientes às leis vigentes. Para os católicos, muitos mártires são testemunhas da fé. Muitos foram condenados à morte por se negar a reconhecer o imperador como divino. Outros, por objeção de consciência ao serviço militar. Do ponto de vista da fé, são heróis, mas a sociedade da época os condenou como desrespeitadores das leis e até criminosos.

Objetar é mais do que estar em desacordo. É opor-se determinadamente a cumprir uma lei que fere a consciência. A violência, mesmo se esta é institucional, ou seja perpetrada pelo Estado, nunca será capaz de construir um mundo de paz e justiça.

Há também objeção de consciência quando a pessoa se nega a cumprir ordens anti-éticas, ou que firam a vida. Em alguns países, cidadãos adquiriram o direito de saber a destinação exata do dinheiro que resulta do pagamento de seus impostos. Se a objeção de consciência é direito de toda pessoa diante do poder social e político, com maior razão ainda, as religiões e Igrejas deveriam reconhecer um direito à dissidência e à objeção de consciência diante de um poder religioso autoritário ou injusto.

Nas mais diversas tradições espirituais, a  espiritualidade valoriza a obediência como uma atitude de disponibilidade interior que faz a pessoa escutar e acolher positivamente a palavra e as propostas de outro. Essa obediência, adulta e responsável, se baseia na liberdade do coração e se realiza através do diálogo franco e aberto. Ela conduz a pessoa a superar seus limites interiores e a aventurar-se nos caminhos do amor.

Conforme a Bíblia, quando as autoridades de Jerusalém proibiram os apóstolos a falar no nome de Jesus, estes responderam: “Entre obedecer a Deus e aos homens, é melhor obedecer a Deus”(At 5, 29).  

A negação deste direito abre a porta ao fundamentalismo religioso, hoje, responsável por tantos atos de intolerância e mesmo de violência. O que, na Bíblia, caracteriza a fé cristã é o aprendizado da liberdade interior e social. Paulo escreveu aos coríntios: “Onde estiver o Espírito do Senhor, aí haverá liberdade” (2 Cor 3, 17).
            

 Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo. É autor de 49 livros, entre os quais  "Evangelho e Instituição". (Ed Paulus). 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

TEOPOÉTICA

Por Maria Clara Lucchetti Bingemer 



      Antes da mensagem deve haver a visão, antes do sermão, o hino, antes da prosa, o poema.  Esta citação do poeta e pastor estadunidense Amos Wilder parece extremamente iluminadora para as dificuldades que a evangelização enfrenta.

Desde o início do Cristianismo assim aconteceu.  A liturgia sempre precedeu a formulação e a elaboração das verdades da fé.  O que foi rezado, louvado, cantado, expressado nas celebrações cúlticas das catacumbas dos primeiros séculos foi o material com o qual os padres da igreja puderam elaborar seus escritos e lançar as bases de uma dogmática que consiste até os dias de hoje no conteúdo da fé professada.  A liturgia é a primeira instância da tradição, a que se segue imediatamente à escritura, ao mesmo tempo em que a precede.

            O louvor, a celebração, o canto, os rituais não são acessórios na vida cristã, mas a fundação mesma da identidade desta.  A liturgia e o rito revelam aquilo em que realmente a fé crê e professa, e visibiliza para o mundo a relação do ser humano com Deus e com o mundo.  Como a Igreja louva, celebra e canta é ou deve ser um testemunho profético da verdade que professa. A estética, a beleza, a gratuidade atrai para a Beleza maior e infinita d’Aquele que é o centro da vida.

            Portanto, retorna aqui a máxima Lex Orandi Lex Credendi, o “ leitmotiv” que significa que é a oração que leva à fé, ou melhor dito, é a liturgia que conduz à teologia.  Este é um antigo princípio cristão que está no fundamento da elaboração dos primitivos “Credos” ou “Símbolos da fé”, e igualmente um antigo cânon da Escritura, que contém em muitas de suas passagens extratos litúrgicos. 

Na Igreja Primitiva havia tradição litúrgica antes do credo e da doutrina.  E estas tradições litúrgicas proveem o marco teológico para estabelecer os credos e o cânon. A frase latina (Lex orandi, lex credendi) algumas vezes expandiu-se tornando-se Lex orandi, lex credendi, lex vivendi, aprofundando aí as implicações desta verdade: a maneira pela qual celebramos reflete no que cremos e determina como vivemos.

            Mas ao lado das celebrações e rituais propriamente religiosos existem outras possibilidades para a expressão da fé. Essas formas de expressão seguramente carregarão consigo novas linguagens.  Em nosso caso, a da religião e da liturgia, certamente, mas também e não menos a da poesia, da arte, da literatura, da música e de todas as outras formas estéticas que a humanidade inventou em sua história de muitos milhares de anos.

            Os desenhos e pinturas nas paredes das cavernas dos grupos humanos primitivos, os primeiros rabiscos, os fragmentos encontrados em diversos pontos do planeta dão testemunho desta primordialidade da imaginação e do sopro criador, que faz a humanidade caminhar em direção à sua vocação que, em termos bíblicos, é ser um sopro animado pelo espírito divino.

            Uma das características do ser humano, uma das “constantes” que aparecem em sua identidade constitutiva é este dom de passar além do sensorial e aceder ao espiritual. Aqui entendemos por  “espiritual” tudo aquilo que direta ou indiretamente se encontra conectado com o espírito, com aquela dimensão humana que passa além dos cinco sentidos.  Está incluída aí a estética sob as suas diversas formas.  E também a religião.  O espírito informa e conforma a corporeidade.

Isso nos mostra que a maneira concreta de falar da Transcendência que nos desafia e nos habita, nos encanta e nos eleva, nos carrega a profundidades insuspeitadas e batiza nossos sentidos de maneira que, tocando o universo, possamos perceber que o segredo escondido nele e para além dele é um Mistério.  Mistério este que desde a fé chamamos “Deus”.

            Para falar deste mistério, há que passar pela linguagem conceitual, rigorosa e acadêmica, mas não necessariamente deter-se indefinidamente nela.  Conceitos e enunciados são importantes e pertinentes, mas as tradições teológicas ocidentais e orientais, os místicos e profetas de todos os tempos nos dizem que há mais possibilidades, sempre abertas, de propor o discurso teológico.   Ha maneiras de falar de Deus mais poéticas, evocativas, empatizantes, performativas, implicantes, esperançadas... que movem mais o leitor que a simples  “passividade” assimilativa.

Assim sucede no Novo Testamento, por exemplo.  As parábolas de Jesus são consideradas poéticas por mais de um autor e comentador. Ao serem analisadas, estão sujeitas à discussão sobre se a estética deve ser considerada independente do autor. Mas no caso de Jesus essa dissociação não procede.  Suas parábolas são reflexo de seu mundo interior, de sua compreensão do reino.  A obra de arte é a objetivação final da intuição poética, o que a obra aspira, em última instância, transmitir à alma dos outros e essa intuição poética que estava na alma do poeta. “Assim acontece com Jesus, que toma elementos de seu contexto vital, com sua visão inspirada pelo Espírito Santo e transmite sua experiência de Deus aos discípulos e aos que o seguem. Sua sensibilidade, profunda ligação e compromisso com a experiência que faz ao lado de sua criatividade e observação da realidade o levam a compreender e transmitir o que considera como mais importante: seu amor ao Pai e seu projeto do Reino. Por isso, sua fantasia criadora, sua imaginação inspirada, as parábolas que narra são determinantes para o sentido que comunica.  E o que sai de sua boca é, em verdade, uma teopoética.

Para poder falar diretamente à mente e ao coração de nossos contemporâneos, importa não apenas recorrer a textos, canções, obras de arte explicitamente religiosas.  Mas também e não menos lançar mão de autores e obras que não atuam no campo da teologia, e sim na arte, na literatura, no cinema, na imagem entendidos em seu sentido secular. Sua arte e poética têm em comum com a teologia a sede de sentido para a vida, a sede de justiça, liberdade, vida plena e a fé na humanidade.

Maria Clara Lucchetti Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-RJ.  A teóloga é autora de Teologia e literatura - Afinidades e segredos compartilhados (Ed. Vozes)
  
 Copyright 2016 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


sexta-feira, 13 de maio de 2016

MÃE ARQUÉTIPO FUNDAMENTAL DA PSIQUÉ

                                  Por Leonardo Boff


                                           

A mãe é mais do que uma figura física com a qual estamos emocionalmente ligados por toda a vida. É a primeira palavra que dizemos quando nos despertamos para este mundo e, para muitos, é a última palavra que aos lábios quando se despendem, especialmente em uma situação de perigo extremo.

Grandes nomes da tradição psicanalítica como C. G. Jung e seu discípulo favorito E. Neumann se aprofundaram na irradiação do arquétipo da mãe. Mas também devemos mencionar a valiosa contribuição de Jean Piaget com a sua psicologia e pedagogia  evolucionista e, especialmente, Donald W. Winnicott de sua pediatria combinada com a psicanálise infantil. Eles nos detalham os complexos caminhos da psique da criança nestes momentos iniciais e fundamentais na vida, que nos dão a sensação de ser amado, protegido e sempre bem-vindo.

No Dia das Mães vale a pena  lembrar essas contribuições que nos fortalecem o sentimento profundo que temos com nossas mães. Mais que reflexões hoje valorizamos o afeto, cujas raízes estão fundadas no cérebro límbico, que surgiu mais de duzentos milhões de anos atrás, quando começou o processo de evolução dos mamíferos, dos quais descendemos. Com esta espécie nos veio o amor, o afeto  e o cuidado, guardados como , até hoje pelo, por nosso inconsciente coletivo . Entreguemo-nos brevemente com a terna força desse afeto.

Há muitos textos comoventes exaltando a figura da mãe, como o belíssimo do  bispo chileno Ramon Jara. Mas há outro de grande beleza e verdade que vem de África, de uma nobre abissínia, coletado no prefácio do livro Introdução à Essência da Mitologia (1941), escrito por dois grandes mestres na área, Charles Kerény e C. G. Jung. Assim disse uma mulher, em nome de todas as mulheres e mães, o que reproduziram aqui. Mais uma vez, vemos que aqui fala mais alto o afeto que a reflexão, pois neste dia das mães, é ativado, mais do que em outros momentos, o arquétipo da mãe.

"Como pode um homem saber o que é uma mulher? A vida de uma mulher é completamente diferente do que a dos homens. Deus fez assim. O homem é o mesmo desde o momento da sua circuncisão até o seu declínio. É o mesmo antes e depois de ter encontrado pela primeira vez uma mulher. No entanto, o dia em que a mulher encontra seu primeiro amor, a sua vida é dividida em duas partes. Este dia se converte em outro. Antes do primeiro amor, o homem é o mesmo que era antes. A mulher, desde o dia de seu primeiro amor, é outra. E permanecerá sendo por toda a vida. "

"O homem passa uma noite com uma mulher e depois sai. Sua vida e seu corpo são sempre os mesmos. Mas a mulher concebe. Como mãe, é diferente da mulher que não é mãe, porque leva em seu corpo, durante nove meses, as consequências de uma noite. Algo cresce em sua vida e nunca irá desaparecer da sua vida. Pois é uma mãe. E a mãe permanecerá mesmo se a criança ou crianças morreram. Porque ele carregou a criança em seu coração. Mesmo após o nascimento, ele ainda carrega em seu coração. E seu coração nunca vai embora, mesmo se a criança morre. "

"Tudo isso não é do conhecimento do homem. Ele não sabe nada. Ele não sabe a diferença entre o "amor antes" e "depois do amor", entre o antes e depois da maternidade. Ele não pode saber. Apenas uma mulher pode conhecer e falar sobre isso. É por isso que, as mães, nunca devemos permitir que nossos maridos possam obscurecer esse profundo sentimento nosso. Uma mulher pode só uma coisa. Pode cuidar de si mesma. Pode se manter decente. Deve ser o que é a sua natureza. Deve ser sempre criança e mãe. Antes de cada de amor é uma criança. Depois de cada amor é uma mãe é. Então saber se ela é uma boa mulher ou  não ".

Sem dúvida, esta é uma visão idealizada da mulher e mãe. Nelas também há sombras. Mas neste dia podemos esquecer as sombras para se concentrar apenas no momento arquétipo de luz que toda mãe é. Por isso muitas pessoas viajam no Dia das Mães, se deslocam de muito longe, para ver a sua  "querida mãezinha",  para lhe dar um abraço filial e cobri-la de beijos.

Elas merecem isso. Nós não estaríamos aqui se não tivéssemos tido o cuidado infinito de nós darem as boas-vindas à vida e nos encaminhar nos labirintos misteriosos da existência. Para elas, o nosso afeto, o nosso carinho e o nosso amor: vivas a elas que estão no topo mais alto da vida.

* Leonardo Boff é autor em colaboração com Rose-Marie Muraro, apenas na memória e afeto está conosco, o livro Feminino e Masculino livro. Uma nova consciência para o encontro das diferenças (2002).