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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

PALAVRAS DE PEDRO - 7.12.2022

 

Dom Pedro Casaldáliga



        A terra é o habitat, a cultura, a vida para os povos indígenas. É o “chão”, a comida, o trabalho, para os lavradores. É, na cidade, a moradia, o mínimo de dignidade que uma família humana pode exigir. Porque é bom lembrar que o problema da terra é tão agudo no campo como na cidade. Quase a metade da população de São Paulo vive em favelas ou em cortiços desumanizadores. O êxodo rural massivo é que provoca o inchaço das cidades, a desestabilização cultural e familiar, o desemprego cumulativo, o desespero, a violência. Numa ocasião, dentro de uma assembleia nacional da CNBB, dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo, conversando comigo, reconhecia na “migração” interna — com suas causas e seus efeitos — o maior problema pastoral do Brasil.

 

Pedro Casaldáliga, Do prólogo a Chiesa e terra in Brasile, SIAL-ASAL, Roma, 1988

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

OS SINAIS DE QUEM VEM



       
Maria Clara Bingemer

 

            Que ano duro e difícil para o povo brasileiro, esse 2022 que se aproxima do fim.  Quanta angústia, quanta dor, quanto medo vivido, quanta ansiedade reprimida. Após dois anos de uma pandemia que a todos confinou e tantas perdas dolorosas gerou, parecia que no início do ano anunciava-se uma trégua.  As vacinas existiam e estavam disponíveis, muitos as tomamos, sentíamo-nos protegidos. 

            Porém nesse momento a “outra” pandemia – ou seria a mais real de todas, a única que realmente existiu? – mostrou seu rosto sombrio.  E a política polarizada e enraivecida dividiu o país e o povo, rompendo relações e instaurando um clima ameaçador no cotidiano dos brasileiros.  A inflação, a subida dos preços, as dificuldades muitas de cada dia pareciam pequenas, menores, diante da terrível perspectiva de que poderíamos ser obrigados a viver mais alguns anos de opressão, impiedade e violência.  E talvez, com mais tempo pela frente, essa desolação maior se instalasse e permanecesse roubando-nos para sempre a alegria.  

            A eleição aconteceu e parecia que a vitória acontecida exorcizava os fantasmas.  No entanto, o que se vive agora, neste tempo posterior às urnas, continua a ser obscurecido e ameaçado por manifestações que bloqueiam estradas, impedem o direito de ir e vir, decretam que filhas não podem dar o último abraço à mãe que está morrendo em hospital distante; bloqueiam a ida de um jovem à rodoviária para tomar o ônibus que o levaria à cirurgia que lhe devolveria a visão.

            Grupos revestidos com a bandeira brasileira se aglomeram diante de quartéis ou em plena rua, pedindo a intervenção militar em nome da democracia.  O nome de Deus é invocado a cada momento, seja ao lado de outras palavras de ordem como pátria e família, seja simbolizado em celulares postos no alto de cabeças na absurda intenção de comunicar-se com seres extraterrestres para que concedam a graça do estado de exceção em nome da liberdade. 

            Tudo isso leva a desejar mais ardentemente que venha o que se espera: a paz, a vida em abundância, a alegria.  E a buscar ansiosamente sinais desse estado de coisas, por mínimos que sejam. Porém, em meio a essa sagrada busca notícias de partidas abruptas de seres admirados e amados por todos, que ajudaram a dar ao Brasil sua identidade, trazem outra vez a dor:  Gal Costa, a baiana linda de cabelos negros e cacheados, boca vermelha e voz afinada cai fulminada por um infarto em sua casa.  Erasmo Carlos, o gigante gentil, o tremendão amado que embalou juventudes e brasileiros de todas as idades, é derrubado por uma doença já instalada em seu corpo e diz adeus. 

            Como  viver o Advento nesse clima em que parece que nada vem e tudo se vai.  Vai-se o bem-estar, o sentir-se livre, as referências afetivas.  E o vazio parece instalar-se com ares sombrios de quem veio para ficar.  E, no entanto, uma vez mais, somos chamados a voltar-nos para a espera de quem vem.  De quem disse que vinha e fielmente vem a cada ano, porque na verdade já veio na história humana há mais de dois mil anos.  E vem a cada dia para todo homem e mulher que seja capaz de abertura ao mistério e esteja em busca do sentido maior da vida. 

            A poesia de mais um artista que graças a Deus se encontra vivo entre nós – Alceu Valença – nomeia a expectativa que insiste em habitar-nos, apesar de todos os percalços, as trevas e o medo. 

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais

            Como podemos crer nisso?  Como, se tudo ao nosso redor parece desmentir a existência desses sinais e dessa vinda. Como se não enxergamos sinal algum?  E, no entanto, a voz do anjo sussurrou a uma jovem que ela seria mãe do Salvador.

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido, já escuto os teus sinais

Na casa de uma jovem moça em Nazaré da Galileia, o mensageiro de Deus chegou dizendo notícias de começos e boas novas.  A voz do anjo sussurrou ao ouvido de Maria, noiva de José o carpinteiro.  E ela, embora perplexa, acreditou e se dispôs a ser a serva do Senhor e a tornar-se morada de Sua Palavra. Escutando os sinais que o anjo trouxe, seu corpo engravidou do mistério que anuncia que Deus não se esqueceu da humanidade e uma vez mais foi fiel a seu povo.  

Por isso, hoje nosso povo está convidado a escutar esses sinais prenhes de esperança.  O anjo sussurra e convoca a estar atentos aos sinais da chegada de quem traz uma vez mais a todos o amor, a união e a paz. Escutar esses sinais é acreditar. 

Que tu virias numa manhã de domingo. 

             Os sinais trazidos pelo mensageiro da alegria e pelo ventre grávido da jovem mãe nos convidam com firmeza e delicadeza a crer, acolher e anunciar sua vinda por cima dos telhados, no fundo dos poços, nos grotões da miséria, no aconchego das casas e nos sinos das catedrais. 


          Eu te anuncio nos sinos das catedrais.

 

 

Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de Crônicas de cá e de lá ( Editora Subiaco), entre outros livros.

 

 Copyright 2022 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>

 

Maria Helena Guimarães Pereira
MHP Agente Literária - Assessoria
mhgpal@gmail.com

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Vamos ao encontro de nossa destruição?

 

Leonardo Boff


A história de ser humano na Terra, em grande parte,se resume num permanente conflito contra o ambiente. Esse processo foi levado tão longe que o ser humano moderno moveu uma verdadeira guerra contra a Terra em todos as suas  frentes: no solo, no subsolo, no ar e no mar, sempre na perspectiva de saquear e extrair mais e mais vantagens.Fala-se em  círculos científicos que a ação humano sobre a Terra como um todo fundou uma nova era geológica, o antropoceno. Significa: os danos à natureza não vêm de fora, mas da própria ação pensada e orquestrada do ser humano no seu afã de extrair mais e mais benesses para a sua vida. Tal fato teve como consequência o desequilíbrio do planeta que reage enviando-nos mais calor, eventos extremos como enchentes, tufões e secas além de uma gama crescente de vírus, muitos deles letais como o Coronavírus.

O fato é que perdeu-se a perspectiva do Todo. Ficou-se somente com a parte. Ocorreu uma verdadeira fragmentação e atomização da realidade e dos respectivos saberes. Sabe-se cada vez mais sobre cada vez menos.Tal fato possui suas vantagens mas também seus limites. As vantagens, especialmente, na medicina que conseguiu identificar os vários tipos de enfermidades e como tratá-las. Mas importa recordar que a realidade não é fragmentada. Por isso os saberes sobre ela também não podem ser fragmentados.

Dito figurativamente: a atenção se concentrou nas árvores, consideradas em si mesmas, perdendo-se a visão global da floresta. Pior ainda, deixou-se de considerar as relações de interdependência que todas coisas guardam entre si. Elas não estão jogadas ai ao esmo, uma ao lado da outra sem as necessárias conexões entre elas que lhes permitem, solidariamente viver, se auto-ajuda e juntas  co-evoluir.

Vejamos as árvores: elas possuem uma  linguagem própria, diversa da nossa, fundada na emissão de sons. Elas falam mediante odores que emitem e a produção de toxinas que enviam para as outras. Entre as iguais estabelecem relações de reciprocidade e colaboração. Com outras diversas, não raro, fazem verdadeiras batalhas químicas, no afã de cada uma ter mais acesso à luz do sol ou a nutrientes do solo.  Mas sempre é feito sem excesso, numa medida justa de tal forma que o conjunto das árvores formam uma rica e diversa floresta.

No caso humano, perdemos estes equilíbrio e justa medida: erodiu-se aquela corrente que relaciona todos com todos, chamada de  Matriz Relacional. Desconsiderou-se a vastíssima rede de relações e de  interconexões que envolvem o próprio universo e todos os seres existentes. Nada existe fora da relação. Tudo está relacionado com tudo em todas as circunstâncias. Essa é a realidade de todas as coisas existentes, no universo e na Terra, das galáxias mais distantes à nossa Lua, até às ervas   silvestres. Elas têm  seu lugar e sua função no Todo.

Numa elegante formulação do Papa Francisco em sua encíclica Laudato si: sobre o cuidado da Casa Comum (2015) se afirma:

 “Tudo está relacionado e todos nós, seres humanos, caminhamos juntos, como irmãos e irmãs, numa peregrinação maravilhosa que nos une com terna afeição,ao irmão Sol, à irmã Lua, ao irmão rio e à irmã e Mãe Terra…o Sol e  Lua, o cedro e a florizinha, a águia e o pardal só coexistem na dependência uma das outras para se completarem mutuamente no serviço uma das outras”(n.92;86).

Se realmente todos estamos entrelaçados, então devemos concluir que o modo de produção capitalista, individualista, visando o maior lucro possível à custa da exploração da força de trabalho e da inteligência humana e especialmente das riquezas naturais sem se dar conta das relações existentes entre todas as realidades, poluindo o  ar, contaminando as águas e envenenando os solos com pesticidas, está na contramão da lógica da natureza e do próprio universo que ligam e religam tudo com tudo, constituindo o esplendoroso grande Todo.

A Terra nos criou um lugar amigável para viver mas nós não estamos nos mostrando amigáveis para com ela. Ao contrário, a agredimos sem parar a ponto de ela não aguentar mais e começar a reagir, numa espécie de contra-ataque. Este é o significado maior da intrusão de toda uma gama dos vírus, especialmente o Covid-19. De cuidadores da natureza (Gênesis 2,15) nos fizemos em seu Satã ameaçador.

Ate o advento da modernidade entre os séculos XVII-XVIII, a humanidade se entendia normalmente com parte da Mãe Terra e de um cosmos vivente e cheio de propósito. Percebia-se ligado ao Todo. Agora a Mãe Terra foi transformada num armazém de recursos e num baú cheio de bens naturais a serem explorados. Nessa compreensão que acabou por se impôr, as coisas e os seres humanos estão desconectados entre si, cada qual seguindo um curso individual.

A ausência do sentimento de pertença a um Todo maior, o descaso das teias de relações que ligam todos os seres, tornou-nos desenraizados e mergulhados numa profunda solidão. Somos possuídos por um sentimento de que estamos sós no universo e perdidos, coisa que uma visão integradora do mundo, que existia anteriormente, o impedia. Hoje nos damos conta de que devemos estabelecer um laço de afetividade para com a natureza e para com os seus diversos seres vivos e inerte, pois possuímos a mesmo código genético de base, portanto, somos irmãos e irmãs, (árvores, animais mas também montanhas, lagos e rios). Sem não colocarmos coração em nossa relação – daí a razão cordial – dificilmente salvaremos a diversidade da vida e a própria vitalidade da Mãe Terra.

Por que fizemos esta inversão de rumo? Não será uma única causa, mas um complexo delas. Mas a mais importante e danosa foi ter abandonado da assim chamada Matriz Relacional. Vale dizer, a percepção da teia de relações que entrelaçam todos os seres. Ela nos conferia a sensação de sermos parte de um Todo maior, de que estávamos inseridos na natureza como parte dela e não simplesmente como  seus usuários e com interesses meramente utilitaristas. Perdemos a capacidade de encantamento pela grandeza da criação, de reverência face ao céu estrelado e de respeito por todo tipo de vida. Caso não mudarmos, poderá se realizar o que o Papa Francisco advertiu na encíclica Fratelli tutti:”estamos no mesmo barco:ou nos salvamos todos ou ninguém se salva (n.32).”Não somos chamados a ser os agentes de nossa própria destruição mas a ser a melhor floração do processo cosmogênico.

Leonardo Boff escreveu com o cosmólogo Mark Hathaway, O Tao da libertação:explorando a ecologia de transformação, Vozes 2010/ Orbis Books, N.York 2010 prefácio de F. Capra.

 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

A HUMANIDADE EM RISCO

Frei Betto


 

       O capitalismo ameaça a sobrevivência da humanidade. Agravou a crise climática, a desigualdade social, o poderio bélico. As estações do ano parecem enlouquecidas: faz calor em pleno inverno e frio intenso no auge do verão. Furacões, ciclones e secas são como se Gaia arreganhasse os dentes para morder a espécie humana que, em busca insaciável de lucro, não cessa de violentá-la.

       Os desastres ambientais quintuplicaram nos últimos 50 anos: desmatamento, queimadas, contaminação das águas fluviais e marítimas. Esses crimes matam 115 pessoas por dia e dão prejuízo diário de US$ 202 milhões. Em 2021, o planeta perdeu 11,1 milhões de hectares de florestas tropicais (World Resources Institute (WRI)/ Universidade de Maryland, EUA). Mais de 40% da perda da vegetação nativa mundial aconteceu no Brasil. A floresta amazônica, que se estende por nove países, já perdeu 30% de sua cobertura vegetal devido à pressão dos exportadores de madeira nobre e do agronegócio dedicado à pecuária e à produção de soja, exportadas para a Europa e a China.

       Comunidades indígenas e camponesas são afetadas pela mineração predatória. O garimpo ilegal extrai ouro e diamante utilizando mercúrio, que contamina as águas e a terra. Em nenhum período anterior da história se utilizaram tantos agrotóxicos, em detrimento da fertilidade do solo, com extermínio da  biodiversidade e poluição dos rios, lençóis freáticos e a atmosfera. 

       A ciência já comprovou que o agrotóxico glifosato – o mais vendido no mundo – provoca câncer. Mais de 42 mil agricultores estadunidenses ganharam direito à indenização por terem sido expostos ao glifosato, um poderoso herbicida que mata ervas daninhas e o que se cultiva, exceto sementes transgênicas. 

       As águas dos mares estão cada vez mais poluídas por plásticos e outros dejetos humanos, que eliminam muitas espécies de peixes e aniquilam a vida marinha. O uso crescente de fertilizantes químicos provoca a acidificação das águas oceânicas. No Oceano Pacífico, por exemplo, há uma grande mancha de lixo que se estende por 1 milhão de quilômetros quadrados. 

       As cidades são poluídas pelo dióxido de carbono emitido pela queima de combustíveis fósseis, que aumenta as doenças respiratórias. E a Covid veio agravar a crise sanitária da humanidade, pois a destruição da biodiversidade e a expansão das fronteiras agrícolas pelo agronegócio provocam o aumento de zoonoses, ou seja, a transmissão de enfermidades de animais para seres humanos.

       As comunidades indígenas e camponesas, que ao longo da história protegeram e cuidaram da biodiversidade, são vítimas de violências permanentes. O capital trata de agredi-las para assumir o controle dos territórios protegidos. 

       A crise socioambiental, tão denunciada pelo papa Francisco em sua encíclica “Laudato Sí” (Louvado sejas), afeta a economia, a política e a ética. Bilhões de pessoas sofrem falta de alimentos, água, moradia, terra, emprego, educação e renda, e são obrigadas a migrar. 

       A quem culpar por colocar a humanidade em risco? O único responsável é o sistema capitalista movido por sua desenfreada ganância de apropriação privada das riquezas e crescimento exponencial de lucro. Assim, impede a proteção de nossos biomas, a redução dos fluxos migratórios e a distribuição de uma renda básica a todos os 8 bilhões de habitantes da Terra. 

       A crescente privatização do Estado nega à humanidade suficientes direitos trabalhistas e sociais. Fracassa a democracia formal e se ampliam os espaços dos governos autoritários. O capitalismo inocula nas pessoas, sobretudo crianças e jovens, forte tendência ao individualismo e ao consumismo. Os vínculos de solidariedade cedem lugar ao ódio e as diferenças – sexuais, étnicas, políticas – se tornam intransigentes divergências. 

       As mais poderosas corporações transnacionais não respeitam fronteiras, leis, Estados, governos e direitos dos povos. Empresas como Bayer, BASF, Monsanto, Syngenta e DuPont fabricam agrotóxicos, exploram a mineração predatória, multiplicam veículos e sistemas de energia elétrica movidos a combustíveis fósseis. Coca-Cola, Pepsi e Nestlé controlam o mercado de água e considerável parcela do mercado mundial de alimentos. Associados, estão os bancos e o capital financeiro.

       Somam-se a essas empresas e bancos as poderosas corporações de tecnologia que controlam a opinião pública, como Amazon, Microsoft, Google, Facebook/Meta e Apple.

       Por sua vez, os governos encobrem os crimes corporativos e a grande mídia, dependente da publicidade desse conglomerado, evita denunciar as violações cometidas pelas corporações e apontar os culpados. 

       Diante de tais ameaças só resta à sociedade civil se fortalecer via movimentos populares e sociais, grupos identitários e sindicatos, comunidades religiosas e partidos políticos progressistas. Há que buscar “um outro mundo possível” e intensificar a educação política, crítica e participativa dos segmentos excluídos e vulneráveis. 

       Fora do povo não há salvação. Nem libertação. 

 

Frei Betto é escritor, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org 

  

Frei Betto é autor de 73 livros, editados no Brasil e no exterior. Você poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org  Ali os encontrará  a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio. 

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