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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O GOLPE DE 2016 INTERROMPEU CONSTRUÇÃO DE UM BRASIL AUTÔNOMO



Por Leonardo Boff

Observador atento dos processos de transformação da economia mundial em contraponto com a brasileira, Celso Furtado, um dos nossos melhores nomes em economia política, escreveu em seu livro “Brasil: a construção interrompida”(1993):

“Em meio milênio de história, partindo de uma constelação de feitorias, de populações indígenas desgarradas, de escravos transplantados de outro continente, de aventureiros europeus e asiáticos em busca de um destino melhor, chegamos a um povo de extraordinária polivalência cultural, um país sem paralelo pela vastidão territorial e homogeneidade linguística e religiosa. Mas nos falta a experiência de provas cruciais, como as que conheceram outros povos cuja sobrevivência chegou a estar ameaçada…Não ignoramos que o tempo histórico se acelera e que a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação” (Paz e Terra, Rio de Janeiro 1993, p.35).

A atual sociedade brasileira, há que se reconhecer, conheceu avanços significativos sob os governos do Partido dos Trabalhadores (PT) e de seus aliados . Nunca ocorreu issso antes nas fases históricas hegemonizadas pelas oligarquias tradicionais que sempre detiveram o poder de Estado, nunca tiveram um projeto de nação, apenas o propósito corporativo de enriquecimento ilimitado. Agora com um Estado pós-democrático (cf;Rubens Casara) e de exceção está ocorrendo celeremente a desmontagem destas políticas aumentando o sofrimento do povo.

Estamos nos aproximando daquilo que Celso Furtado chamava de “provas cruciais”. Talvez como nunca antes em nossa história, atingimos este estágio crítico das “provas” como atualmente após o golpe de 2016. Dada a aceleração da história, impulsionada pela crise sistêmica mundial, seremos forçados a tomar uma decisão: ou aproveitamos as oportunidades reafirmando nossa soberania e garantindo nosso futuro autônomo ou as desperdiçamos e viveremos atrelados ao destino sempre decidido por eles que nos querem condenar a sermos apenas os fornecedores dos produtos in natura que lhes falta e assim voltam a nos recolonizar.

Não podemos aceitar esta estranha divisão internacional do trabalho. Temos que retomar o sonho de alguns de nossos melhores analistas do quilate de Darcy Ribeiro, Luiz Gonzaga de Souza Lima e de Celso Furtado, de Jessé Souza entre outros que propuseram uma reinvenção ou refundacão do Brasil sobre bases nossas, gestadas pelo nosso ensaio civilizatório tão enaltecido e reconhecido mundialmente.

Este desiderato foi profundamente ferido pelo golpe parlamentar que por detrás dele estão as classes dominantes internacionalizadas que tentam impor uma agenda política de um neoliberalismo radical, que lhes devolva os privilégios históricos, ameaçados pelas políticas sociais populares que tiraram da miséria e da invisibilidade milhões de brasileiros pobres.

O sonho de uma reinvenção e refundação do Brasil não pode ser perdido, nem sepultado pela voracidade destruidora dos donos do ter, do poder e do saber. Seu tempo já passou. Cresceu uma nova consciência política, especialmente, a partir dos movimentos sociais populares que se contam às centenas. Aí sempre se coloca a questão: que Brasil nós queremos (cf.L. Boff, Concluir a refundação ou prolongar a dependência, 2018)? Como vamos juntos construí-lo?

 Com que forças e aliados podemos contar para essa tarefa gigante?

Poderão elas ser coparteiras de uma cidadania nova – a cocidadania e a cidadania ecológica e terrenal – que articula o cidadão com o Estado, o cidadão com o outro cidadão, o nacional com o mundial, a cidadania brasileira com a cidadania planetária, ajudando assim a moldar o devenir humano? Ou elas se farão cúmplices daquelas forças que não estão interessadas na construção do projeto-Brasil porque se propõem inserir o Brasil no projeto-mundo globalizado de forma subalterna e dependente, com as vantagens concedidas às classes opulentas.Pois este é o projeto dos que deram o golpe parlamentar,jurídico e mediático de 2016.

A atual crise brasileira nos força a decidir não que partido apoiamos, mas de que lado estamos. A situação é urgente pois, como advertia pesaroso Celso Furtado: “tudo aponta para a inviabilização do país como projeto nacional” (op.cit. 35). Mas não queremos aceitar como fatal esta severa advertência.

Ainda há tempo, nestas eleições, para mudanças que podem reorientar o país para o seu rumo certo, especialmente agora que, com a crise ecológica, se transformou num peso decisivo da balança e do equilíbrio buscado pelo planeta Terra. Importa crer em nossa missão planetária.

Tudo está a clamar para uma refundação do Brasil sobre outras bases porque as vigentes são altamente antipovo, destrutivas das pessoas, desrespeitosas da natureza, espoliadoras dos bens públicos, violadoras da soberania nacional e negadores de um futuro melhor.

Leonardo Boff escreveu: Brasil, Concluir a refundação ou prolongar a dependência, Vozes 2018.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016:O ANO EM QUE SE TENTOU MATAR A ESPERANÇA DO POVO BRASILEIRO


Por Leonardo Boff


         A situação social, política e econômica do Brasil mereceria uma reflexão severa sobre a tentativa perversa de matar a esperança do povo brasileiro, promovida por uma corja (esse é o nome) de políticos, em sua grande maioria corruptos ou acusados de tal, que, de forma desavergonhada, se pôs a serviço dos verdadeiros forjadores do golpe perpetrado contra a Presidenta Dilma Rousseff: a velha oligarquia do dinheiro e do privilégio que jamais aceitou que alguém do andar de baixo chegasse a ser Presidente do Brasil e fizesse a inclusão social de milhões dos filhos e filhas da pobreza.

         Obviamente há políticos valorosos e éticos, bem como empresários da nova geração, progressistas que pensam no Brasil e em seu povo. Mas estes não conseguiram ainda acumular força suficiente para dar outro rumo à politica e um sentido social ao Estado vigente, de cariz neoliberal e patrimonialista.

         Ao se referir à corrupção todos pensam logo no Lava Jato e na Petrobrás. Mas esquecem ou lhes é negada, intencionalmente pela mídia conservadora e legitimadora do establishment, a outra corrupção, muito pior, revelada exatamente no dia de Natal que junto com o nascimento de Cristo se narra a matança de meninos inocentes pelo rei Herodes, hoje atualizado pelos corruptos que delapidam o país (O Estado de São Paulo 25/12/2016).

         Wagner Rosário, secretário do Ministério da Transparência, nos revela que nos últimos treze anos esquemas de corrupção, de fraudes e desvios de recursos da União, repassados aos Estados, municípios e ONGs e direcionados a pequenos municípios com baixo Indice de Desenvolvimento Humano podem superar um milhão de vezes o rombo na Petrobrás descoberto na Lava Jato. São 4 bilhões mas camuflados que podem se transformar, num estudo econométrico, em um trilhão de reais. As áreas mais afetadas são a saúde (merenda) e a educação (abandono das escolas).

       Diz o Secretário: “A gente chama isso de assassinato da esperança. Quando você retira merenda de uma criança, você tira a possibilidade de crescimento daquele município a médio e a longo prazo. É uma geração inteira que você está matando”.

         A nação precisa saber desta matança e não se deixar mentir por aqueles que ocultam, controlam e distorcem as informações porque são anti-sistêmicas.

         Mas não se pode viver só de desgraças que macularam grande parte do ano de 2016. Voltemo-nos para aquilo que nos permite viver e sonhar: a esperança.

         Para entender a esperança precisamos ultrapassar o modo comum de vermos a realidade. Pensamos que a realidade é o que está aí, dado e feito. Esquecemos que o dado é sempre feito e não é todo o real. O real é maior. Pertence ao real também o potencial, o que ainda não é e que pode vir a ser. Esse lado potencial se expressa pela utopia, pelos sonhos, pelas projeções de um mundo melhor. É o campo onde floresce a esperança. Ter esperança é crer que esse potencial pode se transformar em real, não automaticamente, mas pela prática humana. Portanto, a utopia que alimenta a esperança não se antagoniza com a realidade. Ela revela seu lado potencial, o abscôndito que quer vir para fora e fazer história.

         Faço meu o lema do grande cientista e físico quântico Carl Friedrich von Weizsäcker cuja sociedade fundada por ele me honrou em final de novembro em Berlim com um prêmio pelo intento de unir o grito da Terra com o grito do pobre: ”não anuncio otimismo, mas esperança”.

         Esperança é um bem escasso hoje no mundo inteiro e especialmente no Brasil. Os que mudaram ilegitimamente os rumos do país, impondo um ultraliberalismo, estão assassinando a esperança do povo brasileiro. As medidas tomadas só penalizam as grandes maiorias que veem as conquistas sociais históricas sendo literalmente desmontadas.

         Aqui nos socorre o filósofo alemão (Ernst Bloch) que introduziu o “princípio esperança”. Esta, a esperança, é mais que uma virtude entre outras. É um motor que temos dentro de nós que alimenta todas as demais virtudes e que nos lança para frente, suscitando novos sonhos de uma sociedade melhor.

        Esta esperança vai fornecer as energias para a população afetada poder resistir, sair às ruas, protestar e exigir mudanças que façam bem ao país, a começar pelos que mais precisam.

         Como a maioria é cristã valem as palavras do sábio Riobaldo de Guimarães Rosa: ”Com Deus existindo, tudo dá esperança, o mundo se resolve…Tendo Deus é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim, dá certo. Mas se não tem Deus, então, a gente não tem licença para coisa nenhuma”.

         Ter fé é ter saudades de Deus. Ter esperança é saber que Ele está ao nosso lado, ainda que invisível, fazendo-nos esperar contra toda a esperança.

Leonardo Boff é articulista do JB online e escreveu Teologia da libertação e do cativeiro, Vozes 2014.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

MISERICÓRDIA: PROJETO PARA 2016

Por Maria Clara Lucchetti Bingemer


            Ao longo de todo o Advento e também agora no Natal, vimos refletindo sobre a misericórdia e procurando unir-nos à convocação do Papa Francisco para toda a Igreja com o Ano da misericórdia. Encontramo-nos agora às portas de 2016. E desejamos fazer da misericórdia nosso projeto, nossa resolução de ano novo.

            Já vimos que a misericórdia não é apenas emoção frente ao sofrimento alheio.  Isto é o movimento que a desencadeia, certamente, mas não é autêntica misericórdia se não se faz práxis e ética.  Tem que converter-se rapidamente em fatos concretos e transformadores, geradores de justiça, paz, perdão e alegria.

            No entanto, parece-nos também que o conceito e a categoria de misericórdia devem ter uma tradução cultural, a fim de poder ser melhor entendida e consequentemente praticada em nossos tempos secularizados e plurais.  Foi o que aconteceu também com o termo “caridade”, que se diz hoje muito mais como “amor”, entendendo esse amor como uma sensibilidade à vulnerabilidade do outro, do diferente.  Essa concepção de caridade é hermeneuticamente mais compreensível quando uma mensagem deseja ser bem recebida pelos que hoje escutam a Igreja, mas não manejam sua linguagem com intimidade e conhecimento.

            Ainda que ultrapasse a justiça, a misericórdia não existe sem ela.  Portanto, tem que sair do âmbito da pura subjetividade e lançar-se para o espaço público, provocando impactos políticos de transformação da realidade.  Não se pode conceber uma misericórdia que exista desconectada dos direitos fundamentais da pessoa humana, da comunidade humana como um todo. A hermenêutica da palavra o exige, a fim de que possa dar os frutos que o mundo deseja e espera.

            A conversão à misericórdia a que nos chama o Papa Francisco tem que ter diante dos olhos a materialidade da vida, das necessidades concretas do outro, do semelhante, do próximo.  Tem que impactar sobre o comer e o vestir, sobre a moradia como direito de todos, assim como o acesso geral à saúde.  Terá que ver com segurança no viver, sem medo que a violência e a morte interrompam a existência a cada passo e em cada esquina.  Dirá respeito à qualidade afetiva de uma existência que não se exime de consolar os tristes e aflitos através do dom da consolação e da esperança.  Exige abrir as portas das casas para acolher os estrangeiros que chegam e necessitam um lugar para ficar, dormir durante a noite, enquanto buscam trabalho em um país que não é o seu.  Trata-se, enfim, de reconstruir a dignidade de vidas inteiras afetadas pela falta de respeito e o descarte subjetivo, coletivo e sobretudo tristemente real.

            Assim, a misericórdia tem que abandonar a esfera do privado e chegar igualmente à esfera pública, influir sobre a polis e ganhar dimensões políticas.  E não se trata aqui de uma política meramente partidária, mas de política em sentido amplo que, ainda segundo Francisco de Roma, é uma das formas mais elevadas da caridade, uma vez que busca o bem comum.
            O amor que vem de Deus, inspira e converte os corações, enchendo-os da mesma misericórdia que enchia e se derramava do coração de Jesus.  E o que este amor faz é suscitar uma mística de olhos abertos, que olha em volta, vê, para e se compadece.  E busca atender as distintas situações onde a misericórdia se faz urgente e necessária.  A isso está chamada a Igreja de Cristo: a ser no mundo uma das forças vivas onde pulsa o dinamismo do amor suscitado pelo Espírito do próprio Jesus Cristo.  É um amor que sabe que ainda que as urgências materiais sejam prioritárias no atendimento misericordioso, uma vez que sem isso não há vida possível, tampouco tudo não se resume à materialidade para que haja plenitude de vida.  Nem só de pão vive o homem nem a mulher.  Ambos necessitam, além de alimento, moradia e vestuário, de tranquilidade, cuidado, liberdade, dignidade, reconhecimento.  Em suma, justiça e paz.

            Uma cultura da misericórdia, portanto, tem que estar sempre em movimento, tem que ser mais e mais dinâmica.  Inclusive porque a história não se detém e vão aparecendo novas situações de necessidade, pobreza e crise.  Se não há um olhar misericordioso, inspirado e movido pelo amor, essas situações podem não ser percebidas.  Como por exemplo, a depressão que ataca tanta gente a ponto de ser considerada a doença do século.  Ou a solidão abrumadora, que faz com que anciãos morram em casa e ninguém se dê conta, a não ser quando, dias depois, o cadáver entra em decomposição e chama a atenção pelo cheiro.  Tudo isso revela uma sociedade de exclusão, que glorifica o consumo e a produtividade, não olhando e sobretudo não cuidando dos aspectos mais dolorosos e, por isso, mais escondidos da vida. 
           
            No ano que se inicia, somos chamados a voltar-nos para o sofrimento dos mais fracos, mas também para os excessos dos mais ricos e do consumismo capitalista enquanto sistema.  Assim também somos convocados a combater a exploração indiscriminada e impenitente dos recursos do planeta, que está a ponto de lançar toda a vida em um abismo sem retorno.

            Assim, estaremos colaborando para uma ética global da compaixão e da misericórdia, onde a autoridade não é dos que mandam, ou dos governos que detêm poder, mas dos que sofrem de forma injusta e não merecida. Deles provém a verdadeira autoridade, pois são as vítimas de todas as violências e todas as exclusões e, portanto, os destinatários prioritários de toda a misericórdia. Que o compromisso com eles possa ser nossa resolução maior para 2016. 
Feliz Ano Novo para todos!

 Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio.

A teóloga é autora de “Simone Weil – Testemunha da paixão e da compaixão" (Edusc) 

Copyright 2015 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

NOVEMBRO DE 2016

por Frei Betto



     Todo final de ano, a mídia faz o balanço das principais notícias dos 12 meses anteriores. A tragédia de Mariana e os massacres terroristas em Paris (Charlie Hebdo e Bataclan) sem dúvida merecerão destaque.

     Em novembro de 2016, um ano depois, os dois fatos voltarão a ser destaques na mídia. Não é preciso ter bola de cristal para adivinhar que seremos informados de que, em Mariana, as vítimas que sobreviveram ao mar de lama continuam desamparadas, vivendo em condições precárias, à espera do cumprimento de promessas do governo e da Samarco que, um ano depois, não saíram do papel.

     Enquanto isso, o minério continuará a ser abortado do ventre de Minas, sem que as condições de preservação ambiental estejam efetivamente asseguradas.

     De Paris, veremos de novo as fotos da mortandade causada pelo terrorismo. E, mais uma vez, as imagens dos aviões em choque com as torres gêmeas, em Nova York, em 2001, para enfatizar que ali se perpetrou o maior atentado terrorista da história.

     Mentira. Os dois maiores atentados terroristas foram as bombas atômicas lançadas pelos EUA, em 1945, sobre a população civil de Hiroshima e Nagasaki. Morreram 129 mil pessoas, segundo os estadunidenses, ou 246 mil, de acordo com os japoneses. Sem contar os efeitos colaterais indeléveis no corpo e na alma dos poucos que sobreviveram.

     Terão os aliados ocidentais derrotado o Estado Islâmico até novembro de 2016?  Se analisarmos os precedentes, paira a dúvida. O Ocidente, frente ao inimigo, reage por uma única via: a lei do talião, olho por olho, dente por dente. Assim, derrotada a Al-Qaeda e morto Bin Laden, surgiu o Estado Islâmico com muito mais força, por dominar um território entre o Iraque e a Síria, e muito mais ousadia cruel.

     Há 16 milhões de muçulmanos na Europa Ocidental, e não podem nem devem ser identificados como aliados do terrorismo. Porém, são discriminados e tratados como cidadãos de segunda classe. Como evitar que tantos jovens cresçam sem ressentimento e ódio no coração? Como possibilitar a eles um sentido de vida que, de um lado, não seja o de mero consumista em uma sociedade altamente competitiva e, de outro, o de “mártires” suicidas do fundamentalismo religioso?

     O Ocidente ainda não fez mea culpa das atrocidades perpetradas no Oriente, movido pela cobiça do petróleo. Por que os EUA e seus aliados europeus apoiaram, por tantos anos, a família al-Assad, na Síria; Saddam Hussein, no Iraque; Kadafi, na Líbia; para depois atirar essa gente na lata de lixo da história? Por que a CIA financiou Bin Laden como seu principal agente no Afeganistão ocupado pelos russos?

     O profeta Isaías proclamou, sete séculos antes de Cristo, que a paz só virá como fruto da justiça. Jamais do mero equilíbrio de forças.

     Enquanto a busca da paz for movida por ódio, preconceito e discriminação, a espiral da violência crescerá. A tão apregoada democracia política, da qual o Ocidente tanto se gaba, só deixará de ser mera falácia capitalista quando houver de fato, para 7,3 bilhões de pessoas que habitam a Terra, a sonhada democracia econômica.

Frei Betto é escritor, autor de “Oito vias para ser feliz” (Planeta), entre outros livros.
  

 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

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