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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

RECUAR PARA SALTAR MELHOR


por Leonardo Boff

O Natal não é apenas uma pausa na labuta pela vida, tempo denso para o encontro  festivo com os familiares e amigos ao redor da celebração do Puer aeternus, o nascimento de Deus sob a forma humana. A antropologia cristã irá afirmar que o ser humano só será plenamente humano, se a Última Realidade, Deus, se fizer também humana. Ensinavam os Padres antigos que “Deus se fez homem (ser humano) para que o homem se fizesse Deus”. Por detrás está a compreensão, também dos modernos, de que o ser humano é movido por um desejo infinito que somente descansa quando identificar no seu  processo de individuação uma Realidade igualmente infinita, a ele adequada. É a experiência de Santo Agostinho do cor inquietum  (o coração inquieto) que só se aquieta quando encontra finalmente o Infinito desejado.
Esse dia maior possui também um significado antropológico relevante:  reforça valores e sonhos que nos devem sustentar por toda uma vida, ao menos, por todo um ano, sonhos de paz, de reconciliação, de solidariedade e de amor. O ano que entra, 2018, promete ser um ano carregado de tensões e até de violências no mundo e no Brasil.
No mundo há o risco de que dois líderes políticos, o presidente norte-americano e o chefe político da Coréia do Norte, perderem o sentido da vida humana e a responsabilidade pela Casa Comum e deslancharem um processo de guerra  com armas nucleares que podem pôr em risco a biosfera e as condições vitais da civilização humana. Não se pode brincar com o princípio de auto-destruição que nossa  civilização tecnológica irracionalmente criou.
Não devemos esquecer também os lugares de grande periculosidade para o nosso futuro: o Oriente Médio, a questão palestina nunca resolvida e agora agravada pela intervenção do presidente Ronald Trump ao declarar Jerusalém a capital exclusiva do Estado de Israel, destruindo as pontes frágeis de diálogo e de negociação entre israelenses e palestinos.
Seria insensibilidade demasiada de nossa parte, não nos referirmos aos milhões de famintos do mundo, especialmente aos condenados de morrer de fome na Afria, adultos e principalmente crianças. É uma via-sacra de sofrimento, tanto mais doloroso quanto temos consciência de que poderíamos evitá-lo totalmente, pois dispomos de condições tecnológicas e financeiras para oferecer a cada um dos habitantes deste planeta uma vida suficientemente abastecida e decente. Não o fazemos porque ainda não sentimos o outro como um co-igual, um irmão e uma irmã,  um companheiro na curta passagem pela Terra. Não temos vontade ético-política e humanitária. Predomina o individualismo e o egocentrismo dentro da lógica férrea da concorrência sem sinais específicos que nos fazem humanos: a solidariedade.
Vivemos, em termos globais, a clara percepção de uma ruptura civilizatória: vale dizer, assim como o mundo se organiza não pode continuar, pois nos levaria a um caminho sem retorno. Vale repetir o que disse Z. Bauman em sua última entrevista antes de falecer: ”Estamos (mais do que nunca antes na história) em uma situação de verdadeiro dilema: ou nos damos as mãos ou nos juntamos ao cortejo fúnebre do nosso próprio enterro em uma mesma e colossal vala comum”.
O Brasil é o nosso caso particular. Vivemos desde 2016 tempos de grande desamparo e desesperança coletiva, pela deposição até hoje questionada pelas mais lúcidas inteligências jurídicas e políticas de nosso país, dando lugar a um Estado de exceção, com políticas sociais altamente restritivas de direitos conquistados pelo mundo do trabalho e pelos mais vulneráveis, tudo de costas para o povo e à revelia de preceitos constitucionais. Ninguém pode nos dizer qual será o desfecho final da crise de nosso sistema politico-social.
Temos esperança de que o sofrimento coletivo não será em vão. Como diz um proverbio francês: “réculer pour mieux sauter” :“recuar para saltar melhor”. Seguramente  sairemos desta crise melhores, com um projeto de nação mais fundacional e soberano. O recuo é para saltar melhor e mais alto. Trata-se de salvar e aprofundar a democracia de cunho eco-social e as liberdades democráticas.
Essa é uma tarefa não apenas desse momento crucial mas tarefa diuturna, consoante as sábias palavras de Goethe em seu Fausto:”Só ganha a sua liberdade e a existência aquele que diariamente as reconquista”.
Estes são meus votos a todos e a todas para 2018.
Leonardo Boff é articulista do JB on line e em fevereiro sairá o livro: Brasil: aprofundar a refundação ou prolongar a dependência pela Editora Vozes 2018.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O MELHOR PARA RELIGIÃO E ESTADO É O LAICISMO CONSTITUCIONAL. RELIGIÃO-PARTIDO NÃO FAZ SENTIDO DESDE HÁ MUITO

por Juracy Andrade



Abordo aqui novamente o tema do Estado laico, que, no Brasil, é uma lei, ou melhor, preceito constitucional olimpicamente ignorado. 

Desde que o imperador romano Constantino decidiu, dentro do conceito antigo de religião do Estado, que o cristianismo seria a nova religião do Império Romano, a religião cristã perdeu sua velha prática baseada no “a Deus o que é de Deus, a César o que é de César”. Os bispos passaram à condição de nobres, o clero adquiriu privilégios descabidos, mosteiros enriqueceram esquecendo a pobreza evangélica. Inventaram que São Pedro tinha sido papa e usava anel (?!); até hoje se fala em “anel do pescador”. Coitado de São Pedro, arrastado quase a pulso para Roma por São Paulo. Se um papa havia, era Paulo.

Os papas passaram a ter um poder muito grande, inclusive material e territorial, que só terminou com a unificação da Itália, processo em que grande papel tiveram nossos Garibaldi e Anita. Resmungando muito, o papa ficou confinado ao Vaticano e achando que tinham cometido contra a Igreja um abominável pecado. Sempre confundindo a Igreja de Cristo com o papado. Já no século 20, o ditador fascista Benito Mussolini assinou com Pio 11 o Tratado de Latrão, pelo qual se criava o Stato della Città Del Vaticano, independente, e concedia-se extraterritorialidade a alguns edifícios romanos, como as basílicas maiores, a Universidade Gregoriana. (Quando estudei nessa universidade, comunistas perseguidos pela polícia, pois a Democrazia Cristiana não era assim tão democrática, nem tão cristã, se refugiavam ali correndo da Piazza della Pilota.)

Além disso, Mussolini concedeu uma indenização simbólica ao papa, que serviu para a criação de um Banco do Vaticano, curiosamente chamado de Istituto per le Opere di Religione (IOR). Francisco, um papa cristão, está procurando sanar as estripulias desse banco, que, sobretudo no reinado do monsenhor americano Marcinkus, envolveu-se com máfia e com assassinatos.

Atrelada ao poder político, a Igreja, através do papado, envolveu-se em iniciativas abomináveis, como as Cruzadas, a Inquisição. Já com o iluminismo e enciclopedismo, começou-se a propor uma separação entre Igreja e Estado, entre religião e política. Isso ocorreu em parte, antes, com a Reforma de Martinho Lutero, que pretendia apenas dar uma boa sacolejada em práticas delituosas do Vaticano, sobretudo a venda de indulgências e o excessivo peso do papado sobre os fiéis, maioria pobre. Mais adiante, Lutero aliou-se a príncipes alemães, uma contradição que conduziu às assim ditas guerras de religião.

Mas foi com a Revolução Francesa que o domínio político do papado caiu mesmo em desuso. Voltaire queria enforcar o último rei nas tripas do último padre. Não precisou. Aos poucos, a própria Igreja sentiu que seria muito mais autêntica com a separação.

No Brasil, a Constituição imperial ainda não havia se adaptado à Revolução Francesa. O catolicismo continuava sendo a religião oficial e o imperador tinha a palavra final sobre a nomeação de bispos. Só com a República, estabeleceu-se a separação constitucional da Igreja em relação ao Estado. Mas só teoricamente. Os bispos ainda resmungaram muito tempo e exigiram prioridades, até se darem conta de que a separação era muito melhor para ambos.


Quando as religiões cristãs dissidentes de Roma, sobretudo as neopentecostais, começaram a crescer em Pindorama, insufladas principalmente pela política estadunidense, que acha a Igreja Católica Romana demasiado esquerdista, é que voltou a confusão entre religião e política. Ironicamente, pois lá longe elas se ligam à Reforma Luterana. E o que vemos? As confissões protestantes (que hoje preferem ser denominadas evangélicas; será que o catolicismo não se funda no Evangelho?) têm seus partidos e fazem propaganda política com base na Bíblia. O que é absolutamente contraditório em relação a uma Constituição laica. O pior é que muitas das confissões ditas neopentecostais pregam uma Teologia da Prosperidade, que contradiz a Teologia da Libertação: recolhem muito dinheiro de fiéis, muitas vezes pobres, e se espalham por toda parte prometendo o paraíso na Terra. Infelizmente golpeando o laicismo constitucional.

 Quem quiser ter sua religião que tenha, mas sem colocá-la a serviço de partidos e fins político-partidários. Amém! Aleluia!

Juracy Andrade é jornalista com formação em filosofia e teologia.

quinta-feira, 9 de março de 2017

É MELHOR SER ATEU?

Frei Betto

       Na missa de quinta, 23/2, em Roma, o papa Francisco citou o caso do empresário italiano, tido como católico exemplar, cujos empregados ameaçavam entrar em greve por melhores salaries, enquanto o patrão desfrutava de férias em uma praia asiática. O pontífice frisou que é melhor ser ateu do que se professar católico e levar uma vida dupla.
      “O que é escândalo?”, indagou Francisco. “É dizer uma coisa e fazer outra.” E lembrou que há quem diga “sou muito católico, vou sempre à missa, pertenço a essa ou aquela associação e, por outro lado, essa pessoa não leva uma vida cristã, não paga o salário justo, explora as pessoas, faz negócios escusos, lava dinheiro. Tantos católicos são assim e isso escandaliza.”
      Francisco resgata uma dimensão teológica sonegada na tradição cristã devido ao individualismo moderno exacerbado pelo capitalismo: o pecado social. Para muitos cristãos, pecados são apenas atos pessoais antiéticos baseados no decálogo mosaico: desonrar os pais, mentir, roubar, matar ou praticar o adultério. Não avançam do Antigo para o Novo Testamento, no qual Jesus se compara aos oprimidos (Mateus25) e frisa até mesmo a dimensão econômica do pecado ao derrubar as mesas dos cambistas no Templo de Jerusalém.
      A causa dessa miopia teológica, que impede muitos cristãos de enxergarem a dimensão social do pecado, reside na ideologia hegemônica no Ocidente, a que legitima a acumulação privada da riqueza em detrimento do direito à vida de bilhões de pobres. Segundo a Oxfam (O Globo, 16/01/2017, p. 16), apenas oito empresários detêm renda superior (US$ 426 bilhões) à de metade da humanidade, ou seja, 3,6 bilhões de pessoas (US$ 409 bilhões).
      Na terceira versão do clássico do faroeste Sete homens e um destino, dirigida por Antoine Fuqua, o vilão Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard), tenta se justificar dentro da igreja de Rose Greek: “Há muito que este país igualou a democracia com o capitalismo. E o capitalismo com Deus.”
      Francisco tem toda a razão ao enfatizar que é mais coerente negar a crença em Deus e, portanto, rechaçar a ética judaico-cristã, do que professar uma fé que não resulta em frutos de justiça. Isso não significa que os ateus não tenham ética. Pelo contrário. O papa assinalou que os cristãos devem encarar os ateus como pessoas boas se eles promovem o bem.
      As Igrejas cristãs deveriam aproveitar essa Quaresma, tempo de penitência e reconciliação, para um profundo exame de consciência. Como agem diante da tantos filhos e filhas de Deus excluídos de uma vida digna por essa sociedade que prioriza a competitividade e não a solidariedade? Como reagem ao fato de o Brasil contar, hoje, com 13 milhões de desempregados? Se o verdadeiro templo de Deus é o ser humano, por que tantos gastos com a construção de templos de pedra? Por que isentar as Igrejas de pagar impostos e favorecer a lavagem de dinheiro se cidadãos e instituições são todos obrigados a contribuir financeiramente para o bem comum?
      Certa vez a revista Paris Match perguntou a seus leitores qual a diferença entre empresários burgueses, sem religião, e católicos? A pesquisa apurou uma única diferença: os segundos costumam ir à missa aos domingos. De resto, seguem a mesma lógica de acumulação privada, insensíveis aos refugiados, aos empobrecidos e aos desempregados.
      Em todo bilhete de dólar estadunidense está gravado In God We Trust (Em Deus Confiamos). Penso que há ali um erro de grafia. Considerando o modo agressivo, bélico, com que os EUA tratam o resto do mundo desde a Segunda Grande Guerra, o certo seria In Gold We Trust (No Ouro Confiamos). O Brasil, como gosta de imitar Tio Sam, imprime no real Deus Seja Louvado. Sim, se a riqueza do país fosse justamente repartida.
      Francisco tem razão: não é a fé que define nossas convicções, nosso caráter, nosso sentido de vida. É o amor. “E quem ama conhece a Deus”, diz a carta do apóstolo João. E podemos acrescentar: ainda que Nele não creia. “Nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, e sim quem põe em prática a vontade de meu Pai” (Mateus 7, 21).
 Frei Betto é escritor, autor do romance Minas do ouro(Rocco), entre outros livros.
 Copyright 2017 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com) 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

MELHOR PARA A FRENTE



Por Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio 




Para que avaliar, retomar, fazer balanço?  Ainda que belas coisas hajam sucedido, é difícil um ano pior e mais desanimador que 2014.  Para o Brasil, pelo menos. Fora a vergonha inenarrável da Copa do Mundo – em casa! – seria difícil enumerar tantos e tão proeminentes roubos, ladroagens, falcatruas.  Tanta desmoralização de líderes de todas as procedências.  Tão absolutamente vergonhosas campanhas de ainda mais vergonhosas eleições.

As notícias que 2014 trouxe para o Brasil não poderiam ser piores, em termos econômicos, políticos e que tais.  Para que remoe-las e constatar: Sim, está tudo péssimo!?  Melhor olhar para a frente, crer e esperar, pedindo a intercessão do inspirador Péguy, que era fã da esperança.  Esperar que o pouco que houve de bom neste ano cresça e desenvolva-se pelo outro afora.

E eu resumiria essa “bondade” na consolidação da liderança mundial do Papa Francisco. Fato inegável e de alta importância.  Não se trata de ser católica e querer impingir o chefe de minha Igreja como personalidade de destaque.  Aliás, esse Papa não precisa disso.  Pois não apenas os católicos o amam.  O mundo, quando espera uma palavra de bom senso, sabedoria e firmeza, volta imediatamente os olhos para o Vaticano, onde o argentino que toma mate, torce pelo San Lorenzo e veio “do fim do mundo” fala e age.

O que mais impressiona no Pontífice é sua tenacidade e sua capacidade de dizer a palavra certa e tomar a atitude correta diante de cada desafio.  Assim foi com sua ida à Terra Santa, quando rezou nos dois muros e pediu a paz para as duas nações.  Assim foi quando com enorme discrição “costurou” o dificílimo acordo de aproximação entre Cuba e os Estados Unidos.  Assim foi quando lançou seu duro discurso à cúria, enumerando as atitudes condenáveis de inúmeros membros da mesma.

Hoje, na praia de Copacabana, em meio aos shows de artistas e cantores e aos fogos que iluminam os céus da princesinha do mar, estarão também, distribuídas em três telões, as palavras de Francisco, que se referirá ao evento que nossa querida cidade celebrará no ano que vai começar: seus 450 anos de fundação.  Aí na mesma praia onde falou aos jovens do mundo inteiro, as palavras do grande líder mundial que se tornou o Papa Francisco ressoarão para cerca de dois milhões de pessoas.  Público seguramente muito diferente dos quase 4 milhões que encheram a praia na Jornada Mundial da Juventude. Mas   atento e ávido de ouvir Francisco.

Melhor olhar para a frente: inspirados pela liderança firme e bem humorada, ao mesmo tempo sólida e carinhosa de Francisco, 2015 deverá ser um ano de amor pelo Rio de Janeiro.  Cuidado e carinho com suas feridas, que são muitas, desfigurando os rostos de seus habitantes, minando sua beleza tão justamente louvada em todos os tons e latitudes.  Tratar do Rio, fazer com que seu imenso potencial de beleza e feminino encanto volte a luzir e a brilhar, esta é a missão de cada carioca que na virada do ano certamente expressou desejos para o ano que se inicia.

O novo que esperamos é nossa responsabilidade construí-lo.  E chega até nós  nas palavras do Papa que, com sua autoridade moral, poderá imprimir um selo a nossos desejos e boas resoluções.  Para fazer o novo, é preciso que a novidade do Espírito tome as rédeas do processo e sopre livremente.  Este é o segredo de Francisco e o que o conduz em meio a conflitos e situações tão espinhosos e difíceis.

Que seja também o nosso segredo em 2015.  Que venha o novo simbolizado pelo Espírito que é livre e sopra onde quer e nunca se repete.  Ter um líder mundial da estatura do atual Papa não é pouca coisa.  Não desperdicemos essa oportunidade.  Temos alguém que faz para nós a “exegese”, a interpretação dos rumos que o Espírito deseja imprimir a este mundo e à humanidade. É fundamental ouvi-lo e deixarmos nos guiar por ele. 

Olhar para frente é melhor do que para trás.  A Bíblia já diz que quem toma a última atitude vira estátua de sal.  Em nosso caso, olhar para a frente é condição “sine qua non” de saúde mental e espiritual.  Olhar e andar para a frente sob a liderança de Francisco certamente transformará 2015 em bela aventura para nossa cidade, nosso país e para o mundo como um todo.

FELIZ ANO-NOVO!

A teóloga é autora de “O  mistério e o mundo –  Paixão por  Deus em tempo de descrença” (Rocco). 
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