O Jornal On Line O PORTA-VOZ surgiu para ser o espaço onde qualquer pessoa possa publicar seu texto, independentemente de ser escritor, jornalista ou poeta profissional. É o espaço dos famosos e dos anônimos. É o espaço de quem tem alguma coisa a dizer.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

UM ENIGMA HUMANO: A VIOLÊNCIA PELA VIOLÊNCIA DO ESTADO ISLÂMICO


Por Leonardo Boff


O Estado Islâmico da Síria e do Iraque é uma das emergências políticas mais misteriosas e sinistras, talvez dos tempos históricos dos últimos séculos. Tivemos na história do Brasil, como nos relata o pesquisador Evaristo E. de Miranda (Quando o Amazonas corria para o Pacífico, Vozes 2007) genocídios inomináveis, “talvez um dos primeiros e maiores genocídios da história da Amazônia e da América do Sul”(p. 53): uma tribo antropófaga adveniente devorou todos sambaquieiros que viviam nas costas atlânticas do Brasil.

Com o Estado Islâmico está ocorrendo algo semelhante. É um movimento fundamentalista, surgido de várias tendências terroristas. Proclamou no 29 de junho de 2014 um califado, tentando remontar aos primórdios do surgimento do Islã com Maomé. O Estado Islâmico revindica autoridade religiosa sobre todos os islâmicos do mundo inteiro e assim criar um mundo islâmico unificado que siga à risca à charia (leis islâmicas).

Não é o lugar aqui de detalhar a complexa formação do califado, mas apenas nos restringir ao que mais nos torna confusos, perplexos e escandalizados por usar a violência pela violência como marca identitária. Entre os muitos estudos sobre o fenômeno cabe destacar dois italianos que viveram de perto esta violência: Domenico Quirico (Il grande Califfato 2015) e Maurício Molinari (Il Califfato del terrore, Rizzoli 2015).

Quirico narra que se trata de uma organização exclusivamente masculina, composta por pessoas, em geral, entre 15-30 anos. Sabem que estão aí para matar e que vão morrer cedo. Ao aderir ao Califato apagam todo o passado e assumem nova identidade: de levar a causa islâmica até a morte dada ou recebida. A vida pessoal e dos outros não possui nenhum valor. Traçam uma linha rígida entre os puros (a tendência radical islâmica deles) e os impuros (todos os demais, também de outras religiões com os cristãos, especialmente os armênios). Torturam, mutilam e matam sem qualquer escrúpulo. Ou se convertem ou morrem, geralmente degolados. Mulheres são sequestradas e usadas como escravas sexuais pelos combatentes que as passam entre si. O assassinato é louvado como um “ato dirigido para a purificação do mundo”.

Molinari conta que jovens iniciados por um vídeo sobre as decapitações, pedem logo para serem decapitadores. Parte dos jovens são recrutados nas periferias das cidades europeias. Não apenas pobres, mas até um laureado de Londres com boa situação financeira e outros do próprio mundo árabe. Parece que a sede de sangue clama por mais e mais sangue e pela morte fria e banal de crianças, idosos e de todos os que relutam em aderir ao islamismo.

Financiam-se com o sequestro de todos bens das cidades conquistadas da Síria e do Iraque, mas especialmente do petróleo e gás dos poços arrebatados, propiciando-lhes um ganho, segundo analistas de energia, de cerca de três milhões de dólares/dia, geralmente vendidos a preços muito mais baixos nos mercados da Turquia.

O Estado Islâmico recusa qualquer diálogo e negociação. O caminho só possui uma via: a violência de matar ou de morrer.

Esse fato é perturbador, pois coloca a questão do que é o ser humano e do que ele é capaz. Parece que todas as nossas utopias e sonhos de bondade se anulam. Buscamos em vão luz nos teóricos da agressividade humana, como Freud, Lorenz, Girard. As explicações nos soam insuficientes.

Para Freud, a agressividade é expressão da dramaticidade da vida humana, cujo motor é a luta renhida entre o princípio de vida (eros) e o princípio de morte (thánatos). Descarrega-se a tensão para fins de auto-realização ou proteção. Para Freud, é impossível aos humanos controlar totalmente o princípio de morte. Por isso, sempre haverá violência na sociedade. Mas por leis, pela educação, pela religião e, de modo geral, pela cultura pode-se diminuir sua virulência e controlar seus efeitos perversos (cf. Para além do princípio do prazer, Obras Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1976, v. 5).
Para Konrad Lorenz (1903-1989), a agressividade é um instinto como outros e destina-se a proteger a vida. Mas ela ganhou autonomia, porque a razão construiu a arma mediante a qual a pessoa ou o grupo potencializa sua força e assim pode se impôr aos demais. Criou-se uma lógica própria da violência. A solução é encontrar substitutivos: voltar à razão dialogante, aos substitutivos, como o esporte, a democracia, o autodomínio crítico do próprio entusiasmo que leva à cegueira e, daí, à eliminação dos outros. Mas tais expedientes não valem para os membros do Califado.

No entanto, Lorenz reconhece que a violência mortífera somente desaparecerá quando se der aos homens, por outro modo, aquilo que era conquistado mediante a força bruta (cf. Das sogenannte Böse: Zur Naturgeschichte der Aggression. Viena 1964).

René Girard com seu “desejo mimético negativo” que leva à violência e à identificação permanente de “bodes expiatórios” pode se transformar em “desejo mimético positivo” quando ao invés de invejar e de se apoderar do objeto do outro, decidimos compartilhá-lo e desfrutá-lo juntos. Mas para ele a violência na história é tão predominante que lhe significa um mistério insondável que não sabe como decifrar. E nós também não.

Na história há tragédias como viram bem gregos em seus teatros. Nem tudo é compreensível pela razão. Somos simultaneamente sapiens e demens. Mas há momentos em que a situação  demens ganha dimensões incontroláveis e diabólicas.Quando o mistério é grande demais, é melhor calar e olhar para o Alto, de onde, talvez nos venha alguma luz.

Leonardo Boff é colunista do JB on line, filósofo e escritor.


AS CRISES DA NOSSA ÉPOCA


 por  Maria Clara Lucchetti Bingemer 


O tempo em que vivemos passa por várias crises. Uma delas  é a cultural. Tempo feito de incerteza, de insegurança a respeito de uma posição estável e sólida na sociedade, ou de uma identidade clara, esse é o nosso quotidiano. Por isso, o que é ou não certo, o que é ou não verdadeiro, hoje pluralizou-se… E os filósofos debatem o assunto, construindo não uma teoria da verdade, mas uma teoria das verdades, no plural, golpeando mortalmente o reino das certezas que imperava antes.

E porque a pluralidade das verdades deixou de ser algo contestável radicalmente é deixada para trás. E devido à possibilidade de diferentes crenças poderem ser consideradas e julgadas simultaneamente verdadeiras, e o serem de fato, a teoria da verdade, que se situa no centro da atenção dos pensadores, hoje, parece ter perdido muito da sua função de disputa em relação ao status de qualquer conhecimento diferente do filosófico.

A cultura ocidental tem sido duramente criticada – e com muita razão – por ser racista, sexista e imperialista… Mas não se pode deixar de afirmar que também é uma cultura muito preocupada pelo fato de ser racista, sexista e imperialista, etnocêntrica, paroquial e intelectualmente intolerante. Ou seja, é uma cultura que não gostaria de sê-lo, que não encontra mais referências seguras – como Deus, ou a Verdade, ou a Natureza das coisas – ao seu alcance para assumir o que afinal quer e/ou deve ser.

É precisamente esse legado, ou parte desse complexo legado, que emerge hoje de forma crescente. Não encontramos mais certezas ou verdades absolutas. Estamos em meio a uma pluralidade em que nada é categoricamente afirmado e o chão foge-nos sob os pés.

Enquanto os pré-modernos eram ensinados a ver a diferença com equanimidade e a aceitar a pluralidade preordenada das coisas como parte integrante da criação de Deus, a modernidade ensina que é possível excluir algumas realidades e construir um mundo de acordo com as próprias preferências, dentro do modelo de algumas ideias preconcebidas. Assim, foram sendo erigidos os edifícios modernos das grandes narrativas, cheios de certezas, conceitos rigorosos bem calcados e respaldados em relatos sem brechas ou inseguranças.

Um dos grandes desafios da pós-modernidade em que vivemos, talvez sem precedentes, é o fim disso que acabamos de descrever. Ou seja, a diversidade e a pluralidade em que estamos mergulhados, diversidade situada no interior de uma fraca, negligente e impotente institucionalização de diferenças, com as suas resultantes fugacidade, maleabilidade e curta sobrevida.

Se, antes, o desafio para a questão da identidade humana era como construí-la consistentemente e como dar-lhe uma forma que recebesse reconhecimento universal, hoje, o problema da identidade emerge, sobretudo, da dificuldade de sustentar qualquer identidade por um prazo mais longo, da virtual impossibilidade de encontrar uma forma de expressão da identidade que tenha possibilidade de ser reconhecida por toda a vida, e a resultante necessidade de não abraçar nenhuma identidade muito estreitamente, a fim de poder abandoná-la da maneira mais rápida possível. Tudo é passageiro, nada é certo ou firme. E o ser humano, que não tem vocação para o caos ou a anarquia, sente-se perdido no meio desta situação.

Assim, a cultura torna-se, mais que «valores» a defender ou ideias a promover, um trabalho a empreender sobre todo o tecido da vida social, a fim de manter a máquina do consumo oleada. «Trata-se de uma sociedade feita de “homens que querem ter alguma coisa”, e cada vez menos de homens e mulheres que “querem ser alguém”.

Em meio a essa crise cultural, as instituições que sempre compuseram o tecido social e promoveram a cultura ocidental encontram-se reconfiguradas apesar delas mesmas.  Assim acontece com uma das mais tradicionais e fundamentais instituições: a familia. Neste momento em que o Sínodo sobre a família acontece em Roma, a sociedade se pergunta: que respostas trará para uma cultura movediça e líquida como a nossa? São grandes as expectativas e maior ainda as esperanças.


 Maria Clara Lucchetti Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio
A teóloga é autora de “O  mistério e o mundo –  Paixão por  Deus em tempo de descrença”, Editora  Rocco.  
 Copyright 2015 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

DESAFIOS DA IGREJA

Por Frei Betto


        O Sínodo da Família, convocado pelo papa Francisco, teve início em Roma a 4 de outubro, e será encerrado no próximo dia 25. Estão reunidos 270 padres sinodais (bispos e cardeais), eleitos por 110 conferências episcopais; chefes de Igrejas Orientais; 10 religiosos; peritos; e 18 casais (dois do Brasil).

        O tema é “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Na vigília de oração antes da abertura do evento, o papa lembrou que a Igreja Católica não pode “permanecer no passado”, nem se comportar como “simples organização”, e nela a autoridade é serviço e não dominação. Na Igreja, a missão não deve se confundir com mera “propaganda”; o culto com “evocação”; e a “prática dos cristãos, a uma moral de escravos.”

        Esta última frase tem endereço certo: o legalismo moralista que ainda predomina na Igreja e a faz mais parecida à hipocrisia dos fariseus que à misericórdia de Jesus. Ainda há padres e religiosos que preferem, desde sua indigência teológica e espiritual, apontar aos fiéis mais as penas do inferno que o amor incondicional de Deus; as leis canônicas que a amorosidade do Evangelho; o estigma da condenação que o afetuoso perdão espelhado no pai que festeja a volta do filho pródigo. “Se não somos capazes de unir compaixão à justiça, terminamos sendo seres inutilmente severos e profundamente injustos”, declarou o papa.

        Francisco enfatizou que a Igreja precisa abraçar “as situações de vulnerabilidade que a põem à prova: a pobreza, a guerra, a enfermidade, o luto, as relações (conjugais) laceradas e desgastadas e das quais brotam dificuldades, ressentimentos e rupturas.”

        O sínodo, uma assembleia consultiva, tem por missão debruçar-se sobre temas que, há séculos, permanecem como tabus na Igreja, como a homossexualidade. As três religiões do Livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – no mínimo sentem-se desconfortáveis com o fato de haver atração sexual e afetiva entre pessoas do mesmo sexo. E, muitas vezes, se julgam no direito de rejeitá-las e estigmatizá-las, como se Deus fosse um severo juiz moralista e não um Pai amoroso. Ou “mais Mãe do que Pai”, como disse o papa João Paulo I.

        Divorciados recasados podem ter acesso aos sacramentos? A relação sexual deve estar sempre norteada pela intenção de procriar? O uso do preservativo merece ser liberado? Como deve proceder a Igreja diante dos “órfãos sociais”, como se referiu Francisco aos imigrantes que chegam à Europa?

        São questões a serem debatidas por uma assembleia predominantemente masculina e que formalmente se abstém de relações sexuais e, portanto, nunca constituiu família. As decisões finais são prerrogativas do papa, que pode aceitar ou não os resultados das votações sinodais.

        Se João Paulo II foi um papa diplomata, empenhado na derrubada do Muro de Berlim; e Bento XVI um teólogo preocupado em preservar a ortodoxia; Francisco é um pastor e quer escancarar as portas da Igreja na mesma amplitude do coração de Deus: venham todos, cegos, surdos, estropiados, pecadores. Assim como Jesus acolheu a mulher samaritana que teve cinco maridos e vivia com um sexto homem, que não era seu marido.

        O papa Francisco tenta mover uma montanha, a Igreja Católica, com as próprias mãos. Sabe que não é fácil enfrentar os paradoxos que caracterizam a instituição: religiosos que fazem voto de pobreza e vivem confortavelmente em comunidades ricas; clero aburguesado cuja teologia pouco difere do catecismo elementar; mulheres impedidas de aceso ao sacerdócio; leigos infantilizados na fé; preconceito aos homossexuais; insensibilidade frente aos pecados sociais.

        Em 1910, dois terços dos católicos do mundo eram europeus. A continuar morrendo mais padres que recebendo novos seminaristas, em breve a Europa terá um número insignificante de católicos. E em todo mundo perdurará a contradição entre o que Roma prega e os fieis praticam, como é o caso do preservativo. A menos que a Igreja siga os passos de Francisco e procure responder a pergunta que ele se faz: como agiria Jesus em pleno século XXI?

Frei Betto é escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.
  http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.

 Copyright 2015 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

VOLTA GARANTIDA AOS ATOS DOS APÓSTOLOS?

                   
 Por  Juracy Andrade



Será, minha gente, que Francisco de Roma vai ter tempo e condições de completar a faxina gigantesca que começou a fazer nas estribarias de Áugias em que se transformou, ao longo dos séculos, a corte papal? Hipócrita e indevidamente chamada de Santa Sé, Sé Apostólica, pelo menos desde o século 4º ela é cenário de brigas pelo poder, prepotência, negação do Evangelho, papas depravados se auto-apresentando como infalíveis. Certamente houve tentativas de reverter tais escândalos e voltar aos Atos dos Apóstolos, mas logo a Cúria Romana dava um jeito de se voltar à “normalidade”, como ocorreu pós-João 23 e pós-João Paulo 1º. Aquele ainda conseguiu convocar o Concílio dos anos 1960, logo controlado e neutralizado pelos papas que se lhe seguiram. O primeiro João Paulo não durou um mês, morrendo misteriosamente enquanto, consta, lia um dossiê sobre o Banco do Vaticano (IOR).

Vem a seguir o longo inverno do papa polonês, obcecado por livrar sua pátria do comunismo e, para tanto, fazendo alianças com o demônio capitalista; protetor de fascistoides como um tal de Escrivá, fundador do Opus Dei; canonizando pedófilos como o mexicano Maciel; impondo a Olinda e Recife, após o pastorado de dom Helder, um cara como dom Dedé (não vale a pena falar  deste, pois ele está se acabando, tomando a bênção a cachorro). Depois, toma o poder vaticano o papa alemão, um teólogo fundamentalista, adversário da teologia da libertação e das comunidades eclesiais de base.

Mais de 30 anos depois, graças a um descuido dos cardeais votantes, a Igreja latino-americana manda para ser bispo de Roma o cardeal argentino Mário Bergoglio, um jesuíta-franciscano que, de saída, acabou com as dinastias papais, herdeiras do Império Romano, escolhendo para si o nome de Francisco, simplesmente. Dali em diante, vem procurando, para darmos um panorama abrangente, desmontar o edifício imperial e burocrático que vinha sendo erguido desde que o imperador romano Constantino proclamou o cristianismo religião oficial de Roma (uma aberração perante o Evangelho). É tamanha essa tarefa que daí vem a minha pergunta acima. Será que teremos uma recaída quando Francisco morrer ou renunciar? Aí seria por demais escandaloso.

A propósito de hipocrisias como Sé Apostólica, Trono de Pedro (isto é o pior, imaginar São Pedro sentado em um trono), pretendo transcrever uma carta de Martinho Lutero ao papa Leão 10, em 1520. Ela comprova que Lutero não queria criar uma nova igreja e, sim, descontaminar o papado. Começa assim: “Martinho Lutero saúda Leão 10º, Pontífice Romano, em Cristo Jesus, Nosso Senhor. Amém. Vivendo entre os monstros desta época, com os quais já pelo terceiro ano me ocupo e luto, às vezes sou obrigado a dirigir o olhar e a recordar-me  também de ti, Beatíssimo Pai Leão. E mais: como aqui  e ali tu és considerado a única causa da minha luta, não posso jamais deixar de me lembrar de ti. É certo que a injustificada fúria de teus ímpios aduladores me coagiu a apelar de tua Sé a um futuro Concílio, em nada respeitando  as vaníssimas disposições de teus predecessores Pio e Júlio, que, com estulta tirania, o proíbem”. 

Viram? Um Concílio. Já imaginaram como a história do cristianismo teria sido diferente se o papa houvesse convocado um concílio ecumênico? Mais pra lá, veio o de Trento, mas como anti-Reforma.



Juracy Andrade é jornalista com formação em filosofia e teologia