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segunda-feira, 4 de abril de 2022

MALDITAS TODAS AS GUERRAS!

 Por Padre Francisco Aquino Júnior


 

Parar as guerras, construir a paz

 

As imagens e cenas divulgadas pela mídia nas últimas semanas sobre a guerra na Ucrânia são impactantes, chocantes, aterrorizantes: centenas de mortos e feridos; milhares de refugiados (quase três milhões!); residências, escolas e até hospitais destruídos; crianças e idosos mortos, feridos, em fuga… Uma tragédia! Um crime! Um atentado contra a humanidade e contra Deus: quem atenta contra os filhos de Deus atenta contra o próprio Deus. As mães entendem bem disso: “faça contra mim, mas não faça contra meu filho”. O escândalo é ainda maior pelo fato dos principais interessados e promotores dessa guerra (Putin e Biden) se dizerem cristãos.

Diante dessa tragédia ou desse crime temos que reagir e gritar com toda força: Parem! Chega! Basta! “Em nome de Deus, parem esse massacre”! Nada justifica uma guerra. Não existe guerra justa. Toda guerra é maldita porque é assassina. Não podemos banalizar a vida e a morte dos filhos e filhas e de Deus. E aos que creem ou dizem crer em Deus, recordamos com o Papa Francisco: “Deus é apenas o Deus da paz, ele não é o Deus da guerra, e aqueles que apoiam a violência profanam o seu nome”!

Ao mesmo tempo que temos que reagir com toda força contra a guerra, temos que construir caminhos de paz. E isso exige diálogo, renúncias, acordos. A paz não se constrói da noite para o dia nem a toque de mágica. É um processo árduo, difícil, penoso… 

No meio de uma guerra, o primeiro desafio é a garantia de medidas de proteção e de ajuda humanitárias: corredores humanitários; alimento, água potável, medicamento e assistência médica; acolhida de refugiados; não bombardeio de áreas civis. Mas isso não resolve o conflito. Apenas ameniza seu impacto mortal imediato.

No enfrentamento do conflito é preciso tomar em sério os interesses que estão em jogo entre os principais atores do conflito. E aqui não podemos ser ingênuos: não há bandidos (Putin/Rússia/China) e mocinhos (Biden/EUA/OTAN) como apresenta a mídia. Há uma guerra de interesses econômicos, militares e geopolíticos, cujos principais atores são os governos imperiais da Rússia e dos EUA. E não haverá solução possível sem acomodação desses interesses. Imagine qual seria a reação dos EUA ante a possibilidade de a Rússia instalar uma base militar na fronteira de seu território. A entrada da Ucrânia na OTAN, significa presença militar das grandes potências ocidentais (comandadas pelos EUA) na fronteira da Rússia. E isso ela nunca vai permitir, como os EUA nunca permitiriam uma base militar russa em suas fronteiras.

Não nos deixemos enganar pela mídia que seleciona imagens e produz narrativas para legitimar os interesses econômico-militar-geopolíticos dos EUA, apresentados como os defensores da democracia ante imperialistas assassinos. Não estamos diante de um conflito entre bandidos e macinhos, mas de governos imperialistas que fazem guerra para defender e impor seus interesses. É curioso como a mídia ocidental faz um bombardeio de imagens e informações sobre a guerra na Ucrânia, mas silencia completamente outras guerras que estão matando e desterrando milhares de pessoas. Recentemente a Folha de São Paulo publicou um levantamento do “Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Aramados” que registra conflitos ou combates armados em pelo menos 28 países. Por que não vemos imagens e relatos impactantes desses conflitos? Quem sabe/vê o que acontece na Síria, na Somália, no Iêmen? Ou não importa?

Além de gritar contra as guerras, negociar medidas de proteção/ajuda humanitária, compreender os interesses em jogo no conflito, precisamos, a médio e longo prazo, aprender/exercitar outra forma de lidar com os conflitos. A lógica militar que trata o adversário como inimigo a ser eliminado a qualquer preço atua tanto nas relações entre países e povos, quanto nas relações interpessoais e sociais. A guerra é a expressão maior dessa lógica assassina. Por isso, precisamos desmilitarizar o coração, a sociedade e as relações internacionais. Sem isso, não haverá paz duradora.

59 anos atrás o papa João XXIII publicava em plena Quinta-feira Santa, em meio ao conflito entre EUA e União Soviética, sua Carta Encíclica “Paz na Terra”. E concluía com um apelo orante que fazemos nosso nesse tempo de guerras em que vivemos:

Que o Senhor “afaste dos corações dos homens tudo o que pode pôr em perigo a paz e os transforme a todos em testemunhas da verdade, da justiça e do amor fraterno”. Quele ele “ilumine com sua luz a mente dos responsáveis dos povos para que, junto com o justo bem-estar dos próprios concidadãos, lhes garanta o belíssimo dom da paz”. Que ele “inflame a vontade de todos os seres humanos para abaterem as barreiras que dividem, para reforçarem os vínculos da caridade mútua, para compreenderem os outros, para perdoar aos que lhes tiverem feito injúrias”.

Que o Senhor da paz nos dê a paz e nos transforme em artesãos da paz!

 

A GUERRA JAMAIS JUSTA

 Maria Clara Bingemer


 

            No momento em que parecia que a humanidade iria emergir do pesadelo da Covid-19, o anúncio da guerra na Ucrânia caiu como uma bomba.  Não há outro assunto na mídia, levantando posições diversas sobre um e outro lado desta guerra.  E o que se apresenta aos olhos de todos nós é o saldo de sempre: sangue, destruição, sofrimento,  vítimas e mais vítimas, sobretudo crianças e pessoas vulneráveis das vulnerabilidades tantas que compõem o cenário da vida humana neste já avançado século XXI. 

            Discute-se se a guerra é justa ou não; quem tem razão e quem não tem; quais implicações tem esta ou aquela tomada de posição; que organismos internacionais devem ou não intervir.

É sempre bom ouvir o que dizem sábios e justos de outras épocas que viveram situações semelhantes.  Aqui trazemos a reflexão da filósofa Simone Weil, que viveu no século XX. Nascida em 1909, viveu a Primeira Guerra mundial, lutou na Guerra Civil Espanhola e morreu durante a Segunda Guerra mundial, em 1943, aos 34 anos. 

Para Simone Weil, na sociedade como no mundo a ordem resulta do jogo das forças e energias que se limitam e se equilibram.  Isso para ela é a imagem da pureza, o equilíbrio entre a força da gravidade e a energia da luz.  Não é possível, portanto, haver relações justas entre os seres humanos senão na medida em que uns e outros sabem limitar seus desejos e não desejam se apropriar dos objetos finitos.  Pois um desejo limitado pode compor com os outros desejos que a pessoa porventura tenha e com os desejos limitados das outras pessoas.

A violência surge precisamente quando o homem começa a desejar o ilimitado, ou seja, perde o freio de seus próprios desejos e/ou quando seu desejo se encontra contrariado pelos outros.  Enraíza-se, então, em um desejo ilimitado que esbarra no limite constituído pelo desejo de um outro. Para Simone Weil, a justiça e a paz só podem acontecer no momento em que os seres humanos renunciam a possuir o infinito, renunciam a desejar ilimitadamente.  Se não conseguem fazer isso, é preciso que a lei os constranja a isso.  A lei será o limite nas questões sociais e de luta pela justiça.

A injustiça resultaria do desequilíbrio das forças, sendo os mais fracos oprimidos pelos mais fortes.  Agir pela justiça é restabelecer o equilíbrio das forças.  Mas isso só é possível quando uma força impõe um limite à força que introduz o desequilíbrio.  

 A grande filósofa francesa está longe, portanto, de ser uma pacifista ingênua.  Pelo contrário, é a favor da ação, embora reconheça que a ação sempre traz em si o peso da força.  Mas não ousa estabelecer uma distinção clara entre a ação violenta e a ação não violenta, como se, para ela, o agir humano estivesse sempre “sombreado” de violência.

A violência não é somente instrumento de opressão social ou de agressão militar. É também um método de ação que parece às vezes necessário para defender a liberdade ameaçada ou para conquistá-la.  Ela pode, com efeito, ser empregada a serviço de causas justas.  Mas isso não a torna justa.  Se  parece necessária para combater a injustiça, a violência não permanece menos uma violência que machuca e fere a humanidade, tanto daquele que a sofre como daquele que a exerce.

Simone Weil lutou contra a violência enquanto pôde ao longo de toda a sua vida.  Lutou com a inteligência luminosa e o extraordinário talento que possuía para pensar e escrever.  Uniu-se a grupos políticos e somou-se a eles em suas lutas libertárias contra poderes opressores.  E soube afastar-se deles, igualmente, quando estes a decepcionaram e não lhe pareceram fiéis e transparentes ao ideal que haviam abraçado. Escreveu muito para defender aquilo em que acreditava.  Encheu folhas e folhas de papel nas situações mais incômodas e pouco propicias à escrita: no exílio, no campo de refugiados, no barco que a levava em plena guerra juntamente com seus pais para os Estados Unidos etc. E se preocupou de, antes de partir para o exílio, entregar seus escritos a pessoas em quem confiava, a fim de que fossem  divulgados e pudessem ajudar outras pessoas.

A vida e o pensamento desta pensadora nos interpelam hoje, quando presenciamos nações se enfrentando e medindo forças.  Na verdade, a força é, segundo ela, o que determina as relações entre os homens.  E não é possível amar e ser justo senão conhecendo o império da força e sabendo não respeitá-lo. Que o mundo consiga aprender essa difícil atitude, é o que resta desejar diante da guerra que se trava neste momento, mobilizando o mundo. 

 

Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de "Simone Weil: a força e a fraqueza do amor” (Editora Rocco), entre outros livros

 

domingo, 3 de abril de 2022

D E S A B A F O

 Marcelo Mário de Melo


Em memória de Wladimir Herzog e Manoel Fiel Filho (*)

 

Isto não é uma exposição acadêmica nem um requebro retórico. É um desabafo.

Talvez muitos preferissem a linguagem das estatísticas.

Esta a coluninha dos torturados.

Aqui os estropiados fisicamente com subdivisões para hematomas cicatrizes fraturas lesões e toda a nomenclatura da medicina torturante de urgência.

Aqui os mutilados mentalmente com subseções reservadas a psicoses neuroses fobias úlceras gastrites insônias obsessões apatias.

Neste espaço reservado a Torturas/Mortes computem-se “Suicídios”, “Mortos em Tiroteio” e “Tentativas de Fuga”.

E nesta linha verde-acinzentada escreva-se com sangue: Distensão/Desaparecidos.

Poderia preencher um gráfico que satisfaria ao esteticismo seco do mais exigente burocrata. Tão imponente e preciso aos espíritos formalistas como as tabelas do imposto de renda e os projetos de reforma administrativa.

Mas os que precisassem disso para avalizar nossas denúncias jamais seriam convencidos de nada porque há muito estariam vacinados contra a verdade ou formados nas filas do lado de lá.

Quem não puder ser convencido hoje pelos exemplos esparsos indícios ruídos abafados da máquina de triturar presos políticos abrirá certamente os olhos só se os abrir quando as verdades vivas de agora passarem à respeitabilidade morta dos museus de amanhã ou se a máquina começar a moer a sua própria carne os próximos.

Nós os presos políticos do Brasil atual nos dirigimos àqueles que sabem pressentir a cascavel pelo sibilo e se dispõem a renegar o seu veneno.

Mesmo que apenas com o grito de alerta ou o gesto mudo repulsa de quem se associa à dor.

(*) Escrito em outubro de 1975, em cela do Esquadrão Dias Cardoso, Bongi, Recife-PE, no intervalo entre uma greve de fome e outra, depois dos assassinatos sob tortura, em São Paulo, do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho.


Marcelo Mário de Melo é poeta, escritor e militante de esquerda


sexta-feira, 1 de abril de 2022

Em meio à irracionalidade resgatar o bom senso

Leonardo Boff


 

Com a guerra na Ucrânia, movida pela Rússia, com o risco de uma hecatombe nuclear comprometendo a biosfera e a vida humana, com o predomínio do egoísmo a nível internacional no enfrentamento do Covid-19 e com ascensão do nazifascismo com sua onda de ódio e de violência e o pensamento reacionário e ultraconservador em várias partes do mundo, se está revelando a irracionalidade da razão moderna.

Perdendo a razão perdemos os critérios que orientam nossas práticas e os seres humanos demonstram comportamentos ensandecidos. Em momentos assim, temos que recorrer ao que é mais fundamental na vida humana: o bom senso crítico. O bom senso, crítico e não ingênuo, sempre foi o grande orientador antecipado de nossas práticas para que mantenham seu nível humano e minimamente ético.

Que é o bom-senso? Dizemos que alguém mostra bom senso quando para cada situação tem a palavra certa, o comportamento adequado e quando atina logo com o cerne da questão. O bom-senso está ligado à sabedoria concreta da vida. É distinguir o essencial do secundário. É a capacidade de ver e de colocar as coisas em seu devido lugar.

O bom senso é o oposto ao exagero. Por isso, o louco e o gênio que em muitos pontos se aproximam, aqui se distinguem fundamentalmente. O gênio é aquele que radicaliza o bom-senso. O louco, radicaliza o exagero.

Para concretizar o bom senso, tomemos dois exemplos de figuras arquetípicas: o mais próximo, o Papa Francisco, e o mais originário Jesus de Nazaré.

O eixo estruturador da retórica do Papa Francisco não são as doutrinas e os dogmas da Igreja Católica. Não que as preze menos. Sabe que elas são criações teológicas criadas historicamente. Mas elas provocaram conflitos e até guerras de religião, cismas, excomunhões, teólogos e mulheres (como Joana D’Arc e as tidas por “bruxas”) queimados na fogueira da inquisição. Isso durou por séculos e o autor destas linhas fez uma amarga experiência pessoal no cubículo onde se interrogavam os acusados no edifício severo e escuro da ex-Inquisição, à esquerda da basílica de São Pedro de quem o olha de frente.

O Papa Francisco revolucionou o pensamento da Igreja remetendo-se à prática de extremo bom senso do Jesus histórico. Ele resgatou o que hodiernamente se chama “a Tradição de Jesus” que é anterior aos atuais evangelhos, escritos 30-40 anos após a sua execução na cruz.

A Tradição de Jesus ou também, como nos Atos dos Apóstolos se chama “o caminho de Jesus” se funda mais em valores e ideais do que em doutrinas. Essenciais para o Papa são o amor incondicional, a misericórdia, o perdão, a justiça dos oprimidos, a centralidade dos pobres e marginalizados e a total abertura a Deus-Abbá (Paizinho querido). Estes são os valores axiais que orientam suas intervenções e os revela concretamente em seus gestos de bondade, de cuidado, particularmente, para com os imigrados do Oriente Médio, de África, e agora da Ucrânia bem como as vítimas dos pedófilos por parte de alguns da própria Igreja.

Voltemo-nos a Jesus de Nazaré. Ele não pretendeu fundar uma nova religião. Quis nos ensinar a viver. Viver com fraternidade, solidariedade e cuidado de uns para com os outros e total abertura ao Deus-Abbá. Estes são os conteúdos de sua mensgem: o Reino de Deus e a misericórdia ilimitada de seu Deus de infinita bondade.

Como nos testemunham os evangelhos, evidenciou-se como um gênio do bom-senso. Um frescor sem analogias perpassa tudo o que diz e faz. Deus em sua bondade, o ser humano com sua fragilidade, a sociedade com suas contradições e a natureza com seu esplendor comparecem numa imediatez cristalina. Não faz teologia. Nem apela para princípios morais superiores. Nem se perde numa casuística tediosa e sem coração como o faziam e fazem os fariseus de ontem e de hoje.  Suas palavras e atitudes mordem em cheio no concreto onde a realidade sangra  e ele, face aos sofredores, consola-los, cura-os e até ressuscita-os.

Suas admoestações são incisivas e diretas: ”reconcilia-te com teu irmão”(Mt 5,24). “Não jureis de maneira nenhuma”(Mt 5, 34). “Não resistais aos maus”(Mt 5, 39) mas”amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”(Mt,5, 34). “Quando deres esmola, que a mão esquerda não saiba o que faz a direita”(Mt 6, 3).

Esse bom-senso tem faltado, não raro, à Igreja institucional (Papas, bispos e padres), especialmente em questões morais ligadas à sexualidade e à família. Aqui tem se mostrado severa e implacável. Sacrifica as pessoas em sua dor aos princípios abstratos. Rege-se antes pelo poder do que pela misericórdia. E os santos e sábios nos advertem: onde impera o poder, se esvai o amor e desaparece a misericórdia.

Como é diferente com Jesus e com o  Papa Francisco. A qualidade principal de Deus, nos diz o Mestre e o repete continuamente o Papa,  é a misericórdia. Jesus é contundente: “Sede misericordiosos como vosso Pai celeste é misericordioso”(Lc 6, 36).

O Papa Francisco explica o sentido etimológico da misericórdia: miseris cor dare”: “dar o coração aos míseros”, aos que padecem. Numa fala no Angelus  de 6 de abril de 2014 diz com voz alterada: ”Escutai bem: não existe limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos”. Pede que a multidão repita com ele: “Não existe limite algum para a misericórdia divina oferecida a todos”.

Dá uma de teólogo ao recordar a concepção de São Tomás de Aquino sobre  prática, da misericórdia: é a maior das virtudes “porque cabe-lhe derramar-se para os outros e mais ainda socorre-los em  suas debilidades”.

Cheio de misericórdia, face aos riscos da epidemia da zica abre espaço para o uso de anticoncepcionais. Trata-se de salvar vidas: “evitar a gravidez não é um mal absoluto”, disse em sua vista ao México. Durante a pandemia do Covid-19 fez apelos contínuos à solidariedade e ao cuidado, especialmente às crinças e aos anciãos. Gritantes foram seus apelos à paz no conflito  bélico da Rússia contra a Ucrânia. Chegou a dizer: “Senhor detenha o braço de Caim. Uma vez detido, cuide dele, pois é nosso irmão”.

Aos novos cardeais diz com todas as palavras: “A Igreja não condena para sempre. O castigo é para esse tempo”. Deus é um mistério de inclusão e de comunhão, jamais de exclusão. A misericórdia é sempre triunfante. Jamais pode perder um filho ou filha que criou com amor (cf. Sab 11,21-24).

Lógico, não se entra de qualquer jeito no Reino da Trindade. Passar-se-á pela clínica purificadora de Deus até as pessoas saírem purificadas.

Tal mensagem é verdadeiramente libertadora. Ela confirma sua  exortação apostólica “A alegria do Evangelho”. Tal alegria é oferecida a todos, também aos não cristãos, porque é uma caminho de humanização e de libertação.

Eis o triunfo do bom senso que tanto nos falta neste momento dramático de nossa história, cujo destino está em nossas mãos. O Papa Francisco e Jesus de Nazaré comparecem como inspiradores de bom senso, de misericórdia e de uma radical humanidade. Tais atitudes nos poderão salvar.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu Habitar a Terra: qual o caminho para a fraternidade universal? Vozes 2021; Nostalgia de Deus: a força dos humildes, Vozes 2020.