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domingo, 9 de abril de 2023

Renascer

 



 

Renasce das cinzas

Depois das queimadas

E segue em frente ...

Despe das dores de outrora,

Das flechas arrancadas da alma,

E ama...

Despedida mágoas,

Revisitar a alegria de saborear A Vida!

Degustar com delicadeza

Os verdadeiros afetos,

Perdoa o passado

E segue...

Deixa as correntes caírem,

Solta as armadilhas,

Abre os alçapões,

E voa...

Voa alto, voa livre...

Livre da dor, livre do peso do rancor...

Redescobre o Amor

Como caminho de vida

Como caminho de Luz,

E ressuscita!

03/04/2023

Goretti Santos

sábado, 8 de abril de 2023

Como viver a Páscoa no meio de tantas crises?

 




                                     Leonardo Boff

         Muitas crises  estão assolando a humanidade: a crise econômica derrubando grandes bancos nos países centrais, a crise política com o ascenso mundial das políticas de direita e de extrema-direita, s crise das democracias em quase todos os países, a crise do Estado cada vez mais burocratizado, a crise do capitalismo globalizado que não consegue resolver os problemas que ele mesmo criou,gerando uma acumulação de riqueza em pouquíssimas mãos num mar de probreza e de miséria, a crise ética, pois não contam mais valores da grande tradição da  humanidade, mas o vale tudo pós moderno (every think goes), a crise do humanismo pois impera relações de ódio e de barbárie nas relações sociais, a crise de civilização que começou a introduzir a inteligência artificial autônoma que articula bilhões de algorítmos, toma decisões, independente da vontade humana, pondo em risco nosso futuro comum, a crise sanitária que atingiu toda a humanidade pelo Covid-19, a crise ecológica que, se não cuidarmos da biosfera, nos alerta para uma tragédia possível e terminal do sistema-vida e do sistema-Terra. Por detrás de todas estas crise há uma crise ainda maior: a crise do espírito que representa uma crise da vida humana neste planeta.

O espírito é aquele momento da vida consciente no qual nos damos conta de que pertencemos a um todo maior, terrenal e cósmico,que estamos à mercê de uma Energia poderosa e amorosa que sustenta todas as coisas e a nós mesmos. Temos a faculdade específica de com ela poder  dialogar e a ela nos abrir,identificando um Sentido maior que tudo perpassa e que atende ao nosso impulso de infinitude. A vida do espírito (que neurólogos chamam de”ponto Deus” no cérebro) vem soterrada pela votande irrefleável de acumulação de bens materiais, pelo cnsumismo, pelo egoismo e pela falta profunda de solidariedade.

Depois de agosto de 1945, os USA lançando duas bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki, nos sbriu a consciência de que podemos nos auto-aniquilar. Esse risco aumentou com a corrida armamentista,incluindo nove nações, com armas químicas, biológicas e cerca de 16 mil ogivas nucleares. A atual guerra entre a Rússia e a Ucrânia fez com que Putin ameaçasse o uso de armas nucleares, trazendo o temor apocalíptico do fim da espécie humana.

Nesse cenário como celebrar a maior festa da cristandade que é a Páscoa, a ressurreição do Crucificado, Jesus de Nazaré? Ressurreição não deve ser entendida como  a reanimação de um cadáver como o de Lázaro. Ressurreição, nas palavras de São Paulo representa a irrupção do “novissimus Adam (1Cor 15,45), vale dizer, do ser humano novo, cujas infinitas virtualidades presentes nele (somos um projeto infinito) afloram totalmente. Desta forma comparece como uma revolução na evolução, uma antecipação do fim bom da vida humana. O Ressuscitado ganhou uma dimensão cósmica, nunca mais deixou o mundo e enche todo o universo.

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Nesse sentido a ressurreição não é a memória de um passado, mas a celebração de um presente, sempre presente a nos suscitar alegria, o suave sorriso na certeza de que a morte matada de Jesus de Nazaré, a sexta-feira santa, é só uma passagem para uma vida, livre da morte e plenamente realizada: a ressurreição. O horizonte sombrio se desanuviou e o irrompeu o Sol da esperança.

Pensando em termos do processo cosmogênico que tudo engloba, a ressurreição não está fora dele. Ao contrário, é uma emergência nova da cosmogênese e daí seu valor universal, para além do salto da fé. A ressurreição é a síntese da dialética, de onde Hegel tirou sua dialética, da vida (tese), da morte (antítese) e da ressurreição (síntese).Esta é o termo de tudo, agora antecipado para nossa alegria.  É o gênesis verdadeiro, não do começo, mas do fim já alcalçado.

Considero a versão do evangelho de São Marcos sobre a ressurreição a mais realista e verdadeira.Ele termina se texto com Jesus ressuscitado,dizendo às mulheres:”ide dizer aos apóstolos e a Pedro que ele (o Ressuscitado) vos precede na Galiléia. Lá o vereis com vos disse”(Mc 16,7). E assim termina. As aparições relatadas, é covicção dos estudiosos, seria um acréscimo posterior. Quer dizer: todos estamos a caminho da Galiléia para encontrar o Ressuscitado. Ele pessoalmente ressuscitou mas sua ressurreição não se completou enquanto seus irmãos e irmãs e a inteira natureza ainda não ressuscitaram.Estamos a caminho, esperados pelo Ressuscitado que ainda não se mostrou totalmente. Por esta razão, o mundo fenomenoligicamente continua o mesmo ou pior, com guerras e momentos de paz, com bondades e perversidades, como se não tivesse havido a ressureição como sinal de superação desta realidade ambigua.

Mesm assim depois que Cristo ressuscitou não podemos mais ficar tristes: o fim bom está garantido.

Boa festa de Páscoa para todos os que puderem realizar este percurso e também para aqueles que não o podem realizar.

Leonardo Boff escreveu: A ressurreição de Cristo e a nossa na morte, Vozes 1972 várias edições.

 

Ensinamentos

 



 Meu coração se alegra em receber

Ensinamentos que vem aquecer

A alma que deseja conhecer

Jesus de Nazaré para crescer

 

Na cidade vivo vida política

Entro no universo do humano mítico

Onde contemplo meu encontro místico

Com o outro de mim e com minha  Ética

 

Procuro reconhecimento e afeto

Desde o útero quando fui um feto

Em potência que carrega o Divino

 

Dar a vida para alguns é loucura

Para outros, escândalo sem cura

Para o poeta, amor de menino

 

 

Recife, 02 de abril de 2023

Luiz Carlos Bezerra

 

Neste dia as igrejas das CEBS celebram o domingo de Ramos.

 

Salves as Páscoas.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

GOVERNO LULA: RESGATE DE UMA PRIORIDADE

 

Frei Betto


 

      Lula já declarou que 4 anos passam muito rápido e ele tem pressa. Sabe que seu desafio prioritário é administrar um conjunto de medidas socioambientais: reduzir a desigualdade social; erradicar a fome e diminuir a insegurança alimentar; fazer a inflação refluir; evitar o desmatamento de nossos biomas; proteger os povos indígenas; preservar a floresta amazônica; reindustrializar o país; aumentar investimentos em infraestrutura.

      São medidas semelhantes às de seus dois primeiros mandatos e que o fizeram deixar o governo com 87% de aprovação. Na época, seu polo opositor era o PSDB que, visto de hoje, pode ser comparado a uma elegante dama que, numa batalha de canhões, empunha luzidia esgrima.

      O golpe liderado por Temer em 2016, que resultou na derrubada da presidenta Dilma; a prisão ilegal de Lula pela dupla Dallagnol-Moro; e a eleição de Bolsonaro em 2018; comprovaram que um governo não se sustenta apenas com boas ações administrativas. Nem com maioria parlamentar. É imprescindível outro ingrediente capaz de respaldar as lideranças políticas ainda que elas se encontrem fora do governo: apoio popular. Maquiavel demonstrou que sem o apoio do povo o príncipe não reina, ainda que não perca a majestade. 

      Como se conquista apoio popular em uma conjuntura na qual a mais extremada direita se parece a um pitbull que ladra forte, enquanto a esquerda emite fracos miados? Eis um desafio que os governos do PT jamais priorizaram em suas pautas – a politização do povo brasileiro. Basta dizer que as prefeituras de Maricá (RJ) e Ipatinga (MG) foram administradas por quatro mandatos petistas e nas eleições de 2022 os dois municípios deram vitória a Bolsonaro no primeiro e no segundo turnos. 

      O leitor talvez se pergunte como Bolsonaro, um obscuro deputado federal, foi capaz de se eleger presidente, arrebatar tantos apoiadores e mobilizar a turba fanática que vandalizou a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro e, ainda hoje, prossegue disseminando o terrorismo presencial e virtual. 

      Bolsonaro apenas serviu de estopim para um bomba que vinha sendo alimentada há décadas, desde que o Brasil cometeu o erro de não acertar contas com três vergonhosas manchas de seu passado: a escravidão (hoje os negros são duplamente discriminados: por serem negros e por serem pobres, pois foi negado aos libertos o acesso à terra); a ditadura de Vargas (derrubado em 1945, o ditador voltou à presidência da República, por voto popular, em 1950); e a ditadura militar (torturadores e assassinos foram inocentados por uma esdrúxula lei da anistia). 

      Além dessas graves omissões, vivemos em um sistema capitalista que favorece as forças de direita ao exaltar a acumulação privada da riqueza acima dos direitos humanos; o supremacismo branco; a lei do talião como medida de justiça; o belicismo como solução às contendas. Toda essa conjuntura foi anabolizada por dois fenômenos, um atual – as  redes digitais e, outro, velho como o cachimbo de Adão - o fundamentalismo religioso.

      As redes digitais, controladas por plataformas visceralmente ligadas ao capital, favorecem o individualismo e o narcisismo, e proporcionam um relativo distanciamento propício à manifestação de nossos impulsos atávicos mais agressivos. Para muitos de seus usuários, elas são convenientes porque cancelam o diálogo e impõem o monólogo (mesmo quando coletivo e fechado em uma bolha identitária); permitem a emoção se sobrepor à razão; promovem a mentira à condição de pós-verdade; encobrem a verdadeira identidade do emissor; e escapam da legislação vigente, o que as torna inimputáveis. 

      O fundamentalismo religioso internaliza nos fiéis a “servidão voluntária”, induzindo-os a identificar a palavra do padre ou pastor com a de Deus; abdicar da razão crítica; negar a laicidade do Estado e mirar a política pela ótica da confessionalização, exigindo leis que reflitam os preceitos religiosos de determinado segmento eclesial. 

      Diante desse quadro, só resta ao governo Lula abraçar, como prioridade número 2, a educação política de nossa população. Tarefa que ele delegou à Secretaria Geral da Presidência da República e requer urgência no seu desempenho, tanto na capilaridade alcançada nacionalmente pelo governo federal (como as 22 milhões de famílias do Bolsa Família), quanto da poderosa máquina de comunicação do governo, como a EBC, a Voz do Brasil e a transversalidade da ação interministerial. 

      Para assegurar sua governabilidade, um governo necessita duas pernas: maioria parlamentar e apoio popular. Sabemos todos que a primeira é falha na atual legislatura. Resta a Lula desencadear intenso trabalho político para reforçar a segunda. E, para isso, não bastam boas ações administrativas, como Minha Casa, Minha vida, aumento do salário mínimo ou do emprego. É preciso trabalhar o universo epistêmico das pessoas, mudar a ótica de visão da realidade, o que só se consegue com educação. 

      É hora de trocar, definitivamente, Paulo Guedes por Paulo Freire. 

 

Frei Betto é escritor, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org

 

Frei Betto é autor de 73 livros, editados no Brasil e no exterior. Você poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org  Ali os encontrará  a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio.