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segunda-feira, 21 de março de 2022

HOJE, ANIVERSÁRIO DELA - INSURREIÇÃO DE ELLIS

 Marcelo Mário de Melo

 


Tu-arte és maior que Ellis-CPF-Regina.

Marulham em ti os vôos e abismos

que assomam nos lampejos do gênio

o vagido das vacas parindo

os urros dos garrotes castrados

o galope dos garanhões

tomando as éguas de assalto

o choque dos meteoritos

as chamas das estrelas cadentes

os mendigos ouvindo os sinos de Natal

o corpo despencando do andaime

o cão ante o cadáver do dono

o preso na câmara de gás

a criança morrendo no ventre

o rato roendo as entranhas

o encanto da chuva com sol

a agudeza dos estilhaços de vidro

o corte fundo de navalha

a luz do brilhante

o som do cristal

o balé da caixinha de música

A corrida na roda gigante.

as imagens na Casa dos Espelhos

a moça nua no rio

o esplendor da campina florida

o corpo quente do amante

o apito do trem no meio do sonho

o eclipse

a girândola

a uva na boca

o ácido nos olhos

o carinho e a fúria

o avião e o submarino

o cemitério e o circo

 

Diante de Tuarte

os fortins racionalistas se esboroam

o corte no dedo o coração as pestanas

latejam nas tuas diástoles

que marejam lágrimas

deixando-nos despidos

simplesmente humanos.

 

(Penitenciária Professor Barreto Campelo, janeiro de 1978, Itamaracá-PE, depois de ver na TV Ellis cantar O Bêbado e o Equilibrista)

sábado, 19 de março de 2022

PURA VERDADE


Prof. Martinho Condini


Caras companheiras e companheiros, desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, já mencionei em artigos anteriores a minha indignação em relação a postura das nações imperialistas ocidentais e a mídia ocidental de um modo geral, quando afirmam a postura heroica de Zelenski, presidente da Ucrânia e a condição de criminoso de guerra de Putin, presidente da Rússia. Já disse e repito, pau que bate em Chico deveria bater também em Francisco, mas isso não ocorre nessa mídia hipócrita do mundo ocidental imperialista (com exceções, é claro).

Mas para encerrar essa reflexão, hoje vou reproduzir o ótimo artigo Pelo Livre Direito de Chorar, do sociólogo Lúcio Carril*, publicado em sua coluna no BNC -  Brasil Norte Comunicações, em 08 de março de 2022.

Este artigo de Carril coloca uma pá de cal sobre essa temática que tanto incomoda a mim, e com certeza, companheiras e companheiros leitoras e leitores da minha coluna neste blog. O artigo de Carril deixa muito claro para nós, a existência de narrativas manipuladoras  sobre as guerras.

Pelo Livre Direito de Chorar

“A Globo agora diz por quem você deve chorar. Como não te mandou chorar pelos 500 mil mortos na Síria. Você também não chorou pelos mortos do Iraque, da Líbia, da Iuguslávia, da Somália. Você só chora por quem te mandam chorar.

A CNN mandou você chorar pelos refugiados da Ucrânia. Pessoas desesperadas com as bombas que voam sobre suas cabeças. Mas a CNN não mandou você chorar pelos 6 milhões de refugiados da Síria. Nem pelos 2,7 milhões da Iugoslávia (atual Bósnia e Herzegovina. Croácia. Montenegro).

A Band mandou chorar pelas crianças presas na Rússia. Uma abominável atrocidade. Mas a Band não mandou você chorar pelas mais de 100 crianças mortas nas repúblicas de Donetsk e Lugansk, vítimas dos bombardeios de drones mandados por Zelenski.

A mídia que controla teu choro já controla tuas emoções há muito tempo. Teu choro se tornou seletivo porque você só chora por quem te mandam chorar.

Chore pelos 250 mil mortos de Hiroshima e Nagasaki. Chore pelo povo queimado com a bomba nepalm no Vietnã. Chore pelas mulheres estupradas pelo exército americano no Afeganistão.

Se quer chorar, chore pelas mulheres, homoafetivos  e negros e negras mortos todos os dias no Brasil.

Quem diz hoje por quem você deve chorar está por de trás de todas as maldades neste mundo. Aquelas maldades que poderiam fazer explodir de tanta indignação, mas não te contam. Só falam pra você aquilo que querem que te faça chorar. 

Mas pense bem. Podemos chorar juntos, mas teremos que fazer de nossas lágrimas um pingo de mudança neste mundo, onde ninguém mais tenha que dominar o nosso choro.

E não choremos mais de tristeza. Todas nossas lágrimas serão de felicidade pela vida que florescerá da paz e da justiça. ”

Deixo aqui o meu cordial e fraterno abraço ao companheiro Lucio Carril.


*O Prof. Martinho Condini é historiador, mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação. Pesquisador da vida e obra de Dom Helder Camara e Paulo Freire. Publicou pela Paulus Editora os livros ‘Dom Helder Camara um modelo de esperança’, ‘Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo’, ‘Fundamentos para uma Educação Libertadora: Dom Helder Camara e Paulo Freire’ e o DVD ‘ Educar como Prática da Liberdade: Dom Helder Camara e Paulo Freire. Pela Pablo Editorial publicou o livro ‘Monsenhor Helder Camara um ejemplo de esperanza’. Contato profcondini@g

quinta-feira, 17 de março de 2022

TEMPO DE TIRANIAS

 

Frei Betto



       A história da humanidade é marcada por tiranias. E por ousados homens e mulheres que lideraram a resistência a elas, de Judite, que decapitou o general assírio Holofernes, como descreve a Bíblia, a Rosa Parks, pioneira no desafio ao racismo estadunidense; de Jesus a Nelson Mandela, de Spartacus a Fidel Castro.
       O capitalismo sempre conviveu muito bem com tiranias. Inclusive tratou de implantá-las em vários países, através de golpes de Estado e assassinatos de políticos progressistas, como Salvador Allende no Chile. A própria estrutura do sistema é tirânica: o poder político é virtualmente democrático, mediante eleições periódicas, mas o poder econômico, que tudo comanda, persiste concentrado em mãos de poucos que, por sua vez, monitoram o poder político.
       É pura falácia celebrar, como democrático, um país cujas leis defendem e protegem a concentração da riqueza em mãos de uma elite, enquanto a maioria da população carece de bens essenciais à vida digna, e a pobreza e a miséria se alastram a olhos vistos.


       No livro “O regime dos príncipes”, do século 13, Tomás de Aquino escreveu: “Se o que espolia um homem ou o escraviza ou mata é merecedor da pena máxima, que é a pena de morte no juízo dos homens, e a condenação eterna de Deus, que maior motivo se há de considerar para o tirano merecer os piores castigos, posto que ele, a todos e em toda parte, atenta contra a liberdade de todos e mata quando tem vontade! Inflados de soberba, afastados das mãos de Deus por seus pecados e iludidos por seus aduladores, raras vezes se arrependem, e ainda mais raramente pensam em reparar os danos” (Livro 1, cap. 11).
       O frade dominicano advertiu: “O domínio dos tiranos não pode ser duradouro, porque é odioso para o povo. Não pode manter-se muito tempo (...) E, chegado o tempo (...) para levantar-se contra o tirano (...) o povo apoiará o insurgente e não ficará sem vitória o que luta com apoio do povo” (Livro 1, cap. 10).
       No século 15, o teólogo franciscano Jean Petit, ao defender o Duque de Borgonha, João Sem Medo – que assassinara o tirano Duque de Orléans – se apoiou em Santo Tomás para provar a licitude do tiranicídio. O Concílio de Constanza (1414-1418) se negou a condenar o direito ao tiranicídio. Para Tomás de Aquino, a essência da tirania é o exercício do poder em proveito de quem governa e em detrimento dos direitos do povo.
       Séculos depois, o papa Paulo VI, na encíclica “Populorum progressio” (1967), admitiu o emprego da violência contra uma tirania prolongada e evidente, que atenta gravemente contra os direitos fundamentais da pessoa, e provoca graves danos ao bem comum (n. 37).
       Tomás de Aquino, na “Suma teológica” (questão 42), reconhece a licitude da revolução, mas não admite o princípio de que os fins justificam os meios. Ações terroristas carecem de base ética. Se a vitória da revolução trouxer ao povo mais sofrimento que a tirania, então a revolução é ilícita. Qualquer mudança que signifique a substituição de uma tirania por outra deve ser descartada.
       O princípio da não violência se impõe. Mas não de modo absoluto. Aqueles que defendem os direitos ao povo devem insistir na luta por meios pacíficos e democráticos. No entanto, quando os tiranos e seus cúmplices suprimem todas as vias democráticas e reprimem duramente seus opositores, não resta alternativa ética senão o povo se defender, pelas armas, da opressão que sofre. O primeiro tiro é sempre disparado pelos inimigos do povo. Contudo hoje, frente a governos como o do Brasil, a luta armada não se justifica, e só interessa a dois setores: fabricantes e traficantes de armas e defensores da volta à ditadura militar.
       Com a atual fragilização da democracia, fortalecida pelo crescente desinteresse das novas gerações pela política e o descrédito dos partidos, governos tirânicos apoiados por neonazistas e milicianos ou paramilitares voltam a ocupar o proscênio em vários países.
       É hora de os setores progressistas e de esquerda reaprenderem a se firmar como alternativas confiáveis e, assim, conquistar corações e mentes – voltar ao trabalho de base, adotar a metodologia de educação popular, aprimorar-se no uso das redes digitais e formular projetos de governo que contribuam para organizar e mobilizar a esperança.

Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do poder” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: 
freibetto.org
      
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Frei Betto é autor de 70 livros, editados no Brasil e no exterior. Você poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org  Ali os encontrará  a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio. 

 

 

 


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quarta-feira, 16 de março de 2022

PALAVRAS DE PEDRO - LATIFÚNDIO


 


O senhor vê perspectivas de mudanças para a questão do latifúndio?

 

O problema do latifúndio é o problema do Brasil e da América Latina, a acumulação da terra nas mãos de uns poucos, no campo e na cidade. Às vezes nos esquecemos da terra na cidade. Mudaram algumas coisas com os governos recentes. Agora se pode falar, antes não podia. Você pode exigir, mostrar documentos, se será reconhecido não se sabe, mas alguns são. Nos últimos anos, a partir de denuncias, a Policia Federal está trabalhando mais, mas pára.

 

Pedro Casaldáliga, entrevista para Revista Forum, 21/10/2011

#Casaldàliga!

#PedroCasaldáligaPresente!

#NãoQueremosGuerraQueremosPaz!