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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

BATISMO DA MÃE TERRA



Por Marcelo Barros

Nesse domingo 13 de janeiro, as Igrejas de tradição latina e também as orientais encerraram o ciclo litúrgico do Natal, festejando a memória do batismo de Jesus. Em muitas regiões do mundo, nos primeiros dias do ano, as pessoas buscam entrar no mar ou banhar-se em um rio como rito de purificação para o ano novo. Grupos espirituais e comunidades tradicionais realizam ritos de purificação pela água, pelo ar e pelo fogo, elementos comuns da mãe Terra, sem os quais a vida não existiria ou não seria a mesma.

O rito original do batismo (em grego, o termo significa mergulho), feito pelo profeta João Batista no rio Jordão, significava um compromisso de purificação e renovação de vida. O batismo era um desses ritos de renascimento, no qual somos convidados/as a sermos parte da Terra. Ao nos unirmos à água, primeiro elemento da vida, assumimos o compromisso de nunca nos distanciarmos da Terra a qual pertencemos. O próprio Jesus, ao assumir o batismo no Jordão, fez esse sinal de se unir à terra e à água para ser profeta do reino divino que vem ao mundo. Então, não podemos permitir que a ambição humana continue a contaminar a flora, a fauna e o mundo mineral.  A Terra, a água e a natureza não podem ser reduzidas a meras mercadorias.

Precisamos cuidar da vida com a mesma ternura que uma mãe vela por seu filho ou filha doente. Nosso planeta é mais do que apenas uma bola imensa que gira ao redor do sol. É um organismo vivo dentro do conjunto do sistema solar. Sua diversidade é comparável ao equilíbrio que há entre os órgãos de nosso corpo, diversidade e equilíbrio indispensáveis para que possamos viver. 

Todos nós desejamos um futuro melhor para a humanidade e para o planeta Terra, tão ameaçado pela crise ecológica. Entretanto, para que nossos votos possam ser eficazes, é importante que o nosso desejo se concretize em ações de solidariedade que levem a uma nova organização da sociedade. Nossos desejos de um futuro melhor devem se concretizar no apoio aos movimentos populares e fóruns que trabalham por um novo mundo possível.  Toda a humanidade se encontra envolvida em uma crise  que atinge as bases do sistema social e econômico dominante. Essa situação joga as novas gerações em uma situação deprimente de insegurança e desemprego estrutural e ameaça destruir até as próprias condições da vida no planeta Terra.

A partir dessa semana, muitas pessoas voltam ao seu ritmo habitual da vida e do trabalho. A Agenda latino-americana desse ano de 2019 é dedicada às “grandes causas no pequeno”. De fato, temos que redescobrir que as Grandes Causas estão também comprometidas nesse imenso âmbito do “pequeno” do nosso dia a dia, do pessoal-privado, da intimidade, do familiar, das amizades, da nossa casa, do entretenimento, do ócio... Em tudo o que vivemos, mergulhemos na comunhão com a Mãe Terra, nos sintamos unidos/as a toda a humanidade e todos os seres vivos. Assim, em nós, se atualizam o batismo de Jesus, o mergulho místico de todas as pessoas que são nossos mestres e mestras em todas as religiões e o batismo da Mãe-Terra.

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 44 livros publicados, dos quais  “O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede da Paz e Loyola. Email: irmarcelobarros@uol.com.br





quinta-feira, 10 de janeiro de 2019





Por Frei Betto

         Feliz Ano Novo a quem alarga o horizonte da utopia e espelha a diversidade de gênero nas cores do arco-íris. E aos que proclamam a soberania do amor como lei irrevogável. 

        Feliz Ano Novo a quem teme sombras de coturnos e aos que se atrevem a ressoar a voz de quem a exclusão silencia, para que também tenha vez.

      Feliz Ano Novo aos que livram a democracia de suas algemas liberais e insistem que ela também floresça lá onde a economia impõe a afronta de poucos terem muito e muitos sobreviverem com quase nada. 

      Feliz Ano Novo aos artistas que fazem da palavra eco de esperança e desnudam, com suas obras, os figurinos da hipocrisia que encobrem a realidade.

      Feliz Ano Novo a quem se recusa a beber a cicuta do ódio à espera de que outros morram. E aos que reverenciam a alteridade como ponte que separa a diferença da divergência.

      Feliz Ano Novo aos alpinistas da solidariedade, que escalam confiantes a montanha da indiferença para desfraldar, no topo, a bandeira da ontológica sacralidade de cada ser humano.

      Feliz Ano Novo a quem é capaz de enxergar os fenômenos sociais além dos efeitos, e reconhece que entender o capitalismo não requer estudos nem decifrar os índices do mercado. Basta sair à rua e ter cuidado de não pisar nos pedintes estendidos pelas calçadas.

      Feliz Ano Novo a quem não divorcia liberdade de justiça e não se refugia em sua ilha de conforto cercada de egoísmo mórbido. E a quem se irmana a todos que lutam para que o pão nosso não seja apenas um verso da oração ensinada por Jesus.

      Feliz Ano Novo aos que se despem de toda arrogância para desinvisibilizar aqueles que, na loteria biológica, não mereceram o prêmio de uma vida digna. E a quem desconsidera privilégio ter mais alimentos que apetite, e faz disso uma dívida social.

      Feliz Ano Novo a quem cultiva seu jardim de valores éticos e ousa abdicar de todo poder capaz de fomentar opressão, discriminação e sofrimento.

      Feliz Ano Novo a quem guarda a memória do passado sombrio e não permite que se apaguem as luzes do alvorecer democrático. E a todos que reforçam os laços das demandas populares e tornam ensurdecedor o grito parado no ar.

      Feliz Ano Novo a quem não renuncia ao riso nem se deixa abater pelas diatribes do terror. E a todos que impedem que a noite devore o dia, o sol seja engolido pelos buracos negros, e a liberdade trocada pela segurança.

      Feliz Ano Novo aos que ousam apontar que o rei está nu e se empenham em arrancar-lhe a coroa. E a quem anuncia aos quatro ventos que não há súditos, somos todos majestades.

      Feliz Ano Novo a quem guarda saudades do velho e se paralisa diante da pedra no caminho. E a todos que descobriram que o contrário do medo não é a coragem, é a fé.

      Feliz Ano Novo a todos que se sabem habitantes de um minúsculo planeta situado em uma pequena galáxia do Pluriverso e, por isso, aprenderam a recolher as asas da afetação. E a quem garimpa a própria subjetividade em busca de preciosidades inefáveis.

      Feliz Ano Novo a todos que desnaturalizam a desigualdade social e se sentem tocados pelo dor alheia. E a quem se desassossega perante os arautos da fatalidade e se soma aos iconoclastas do mercado.

      Feliz Ano Novo a todos que, conscientes de que o humano vem com defeito de fabricação e prazo de validade, se despem da empáfia e contabilizam seus erros como lições no rumo da transparência.

      Feliz Ano Novo a quem sabe que a fonte da felicidade é fazer os outros felizes. E que um dia abracem esta verdade todos que atropelam os semelhantes com a sua soberba, seus preconceitos e sua voracidade de prazeres. Empanturrados de si mesmos, ignoram que o melhor roteiro turístico é o que nos faz viajar para mergulhar nas aventuras do espírito. No avesso de si, então se encontra o dom do outro. O resto é silêncio.

Frei Betto é escritor, autor do romance “Aldeia do silêncio” (Rocco), entre outros livros.
Copyright 2018 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

“TERRIVELMENTE CRISTÃ!”




Carta aberta à Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Senhora Ministra,

em seu discurso de posse, num rasgo de fanática “profissão de fé”, a Sra. assim se definiu, perante um Estado, que a Sra. reconhece como laico: “Eu sou terrivelmente cristã”.
Para quem sobrará essa sua declaração de “terrorismo cristão”?...
Se a Ministra-Pastora se identificar com outra Mulher que veio bem antes da Sra., e, como Aquela, sentir-se contemplada, na sua “humildade”, e escolhida por Deus justamente para contribuir com seu Projeto de Libertação (Evangelho segundo Lucas 1,48-49)...
Se o seu ser “terrivelmente cristã”, tiver a ver com o que Maria, bem antes da Sra., um dia, cantou, justamente, quando elogiada por sua fé (Lucas 1,39-55)...
Que a Ministra Damares, em nome do Deus “Poderoso”, venha realizar este “santo terror”:
-  ao permitir que, através da Sra., “o braço” de Deus aja ”valorosamente”, dispersando “os que no coração alimentam pensamentos orgulhosos”, julgando-se maiores e melhores que os demais (veja o verso 51);
- ao possibilitar que, através da sua atuação, “os poderosos”, os opressores e tiranos de sempre, sejam derrubados “dos seus tronos”, e, exaltados “os humildes”, os marginalizados e excluídos (veja o verso 52);
- ao concretizar, através do seu Ministério, o sonho de Maria e de todos os famintos e sedentos da Justiça: ver encherem-se “de bens, os famintos”, e “os ricos”, despedidos “vazios” (veja o verso 53).
Se o seu “ser terrivelmente cristã”, tiver a ver com o que o Filho bendito de Maria, um dia, profetizou, que venha a Ministra Damares com todo o ímpeto deste terror:
- para ajudar a realizar a Bem-aventurança que privilegia todos ”os pobres, porque” deles “é o Reino de Deus!” (veja, no cap. 6, o verso 20);
- para ajudar a realizar a Bem-aventurança que prioriza “os que agora” têm “fome, porque” serão “saciados” (veja o v. 21a);
- para ajudar a realizar a Bem-aventurança que dá o primeiro lugar aos “que agora choram”, para que a gente possa vê-los “rir” (veja o v. 21b);
- para possibilitar que sejam “bem-aventurados” os que agora são odiados, expulsos, injuriados e rejeitados, justamente porque serviram ao Projeto de Libertação do “Filho do Homem”,  tomando a defesa deles, permitindo, assim, que haja uma grande alegria neste país, pois justamente estes serão reconhecidos, desde já, como os agraciados de Deus (veja os v. 22-23);
A Ministra Damares será aclamada pela Terra e pelo Céu, se for, de fato, “terrivelmente cristã”, como Jesus:
- anunciando desde já a desgraça dos “ricos” (veja o v. 24);
- proclamando desde já a desgraça dos “que agora” estão “fartos” (veja o v.25ª);
- profetizando desde já a desgraça dos “que agora” riem (veja o v. 25.b);
- decretando desde já a desgraça dos que são louvados por “todos” (veja o v. 26).
Só assim, graças à sua atuação destemida e corajosa, essa gente soberba e abastada vai “ter fome”, haverá “de lamentar e chorar”, e todo mundo vai poder perceber de que lhes valeu tanta ostentação e tanta bajulação.
Se for para isso, Ministra, pode vir com todo o seu terror. Deus e o Povo irão aplaudi-la.
Mas, quanto antes,
- passe a cuidar das famílias dos Sem-Teto, para que não se repita o que aconteceu na primeira noite de Natal, e famílias vejam seus filhos nascerem nas piores condições “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2,7);
- não tenha medo nem vergonha de comer e beber “com os publicanos e pecadores”, porque são estes os que mais “precisam” da Vossa Senhoria, e são os preferidos do “Mestre” (Marcos 2,16-17);
- e tome a defesa da Mulher mal vista e malquista, não permitindo que seja apedrejada, pois só “aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire apedra” (João 8,7);
- finalmente, não desespere de nenhuma pessoa tida como marginal, perdida, ou bandido, pois para surpresa de muitos “publicanos e meretrizes vos precederão no reino de Deus” (Mateus 21,31), e a um “malfeitor” de quem foi companheiro na morte, Jesus mesmo disse: “hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23,43). Antes, cuide bem de proporcionar-lhes todas as oportunidades possíveis de recuperação de sua dignidade e do direito de viverem e serem felizes.
Somente assim, com esse espírito de compaixão a cima de tudo, poderá ser “terrivelmente cristã”, feito o “Bom Pastor”, que veio para que as “ovelhas” assaltadas e espoliadas “tenham vida e a tenham em abundância” (João 10,10b).
De outra forma, Vossa Senhoria se igualará aos “escribas e fariseus hipócritas” que, sob o pretexto da “Lei”, impedem as pessoas de terem acesso ao Reino da Vida (Mateus 23,13-36) e não fazem outra coisa senão “matar e destruir” (João 10,10a).
O Deus da Vida, Criador do céu e da terra, e seu Filho Jesus, o Divino Samaritano, a abençoem e lhe concedam seu Espírito de Luz, de Verdade e Amor.

                           Reginaldo Veloso,

Presbítero leigo das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs
Assistente do Movimento de Trabalhadores Cristãos – MTC
Assessor do Movimento de Adolescentes e Crianças – MAC
Assessor da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife

(Se alguém tiver como fazer chegar às mãos (aos olhos e ao coração) da |Ministra Damares, esta Carta Aberta, receba toda a minha gratidão, com os votos de um Feliz Ano Novo)


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

APELO ÀS CONSCIÊNCIAS





Por Marcelo Barros

Nesses dias em que ainda ressoam em nossos ouvidos os votos de feliz ano novo, precisamos nos colocar de acordo sobre como verdadeiramente suscitar um tempo novo para a humanidade. Foi com essa consciência que, desde dezembro, grupos da sociedade civil e pessoas responsáveis se reuniram para aprofundar algumas decisões e propostas para o nosso futuro imediato.

Por ocasião dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, diversas redes de solidariedade como a Rede Global Diálogos em Humanidade, a organização Arquipélago Cidadão dos Dias Felizes, a Rede Internacional pela Inovação Social e Ecológica, a Ágora dos/das Habitantes da Terra e a Global Social Justice, Bruxelles se reuniram e elaboraram um documento que chamaram de “Apelo às Consciências”.

Esse apelo afirma: “Nós, cidadãs e cidadãos de diversos povos da terra, temos consciência do perigo mortal que pesa sobre o futuro de nossa humanidade comum. De fato, um duplo distúrbio climático ameaça a vida no nosso planeta. O primeiro se expressa ecologicamente pelo risco de que nossa mãe Terra se converta em um “piso de vidro”, inabitável para um número cada vez maior de pessoas. Se a temperatura da terra alcançar o limite de 4º C, isso afetaria a mais de um bilhão de pessoas. 

Se esse limite se exceder, será ainda pior. Esse aquecimento leva ao agravamento de acontecimentos extremos, como inundações, secas, incêndios, pragas, ciclones e tempestades. No entanto, as mudanças climáticas têm outra face: o congelamento emocional e relacional expresso na ampliação das desigualdades e no desprezo pelos mais pobres. Mais grave ainda é o fato de que o medo de baixar na escala social gera uma luta mesmo entre as vítimas, trabalhadores, sem-teto e migrantes... Alguém que sente a ameaça de perder o pouco que lhe resta, teme que o outro ainda mais pobre lhe tome o lugar.

Por sua cobiça, seu cinismo e sua desigualdade, o fundamentalismo de mercado deu origem a um duplo monstro: o fundamentalismo por identidade, que pode assumir formas religiosas, nacionalistas, xenófobas e outras. Pode se expressar tanto pelas armas, como pelas urnas. A chegada ao poder de indivíduos que representam uma ameaça não somente à democracia e aos direitos humanos, começando pelos direitos das mulheres, mas também aos equilíbrios ecológicos, é uma manifestação perigosa desse fundamentalismo. Nas Filipinas, Hungria, Estados Unidos, Itália, Brasil, Colômbia, Equador e outros países, forças social e ambientalmente injustificáveis, ameaçam a humanidade no que é mais essencial: viver em paz em um planeta habitável.

Hoje, a instrumentalização de meios de comunicação e a manipulação de informações nas campanhas eleitorais podem fazer com que,  como aconteceu nos anos 30 (com a ascensão de Hitler e do Nazismo), pessoas irresponsáveis e criminosas possam chegar ao poder, amparando-se em formas aparentemente legais, aproveitando o cinismo de alguns e o medo e a covardia de outros.

Diante dessa realidade, nós nos negamos a ceder ao medo e a tolerar passivamente a expansão desse perigo mortal. Vamos organizar uma resistência criativa em todas as partes, baseada na rejeição da regressão social, da irresponsabilidade ecológica e do desprezo dos direitos humanos fundamentais.

Devemos declarar ilegítimo qualquer tipo de poder que não cumpra os três pilares essenciais da convivência da humanidade em um planeta protegido: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os pactos sociais das Nações Unidas as convenções internacionais destinadas a assegurar a sustentabilidade do planeta e a luta contra as mudanças climáticas. Nós nos negaremos, através de todos os meios não violentos que estiverem ao nosso alcance, incluindo boicotes, desobediência civil contra a a autoridade ilegítima a nos deixarmos dominar ou intimidar por esses poderes. Sempre que seja possível, criaremos territórios-refúgios para as vítimas desses poderes e oásis de vida para enfrentar os desertos de morte que fabricam esses males (regressão social, irresponsabilidade ecológica e violação dos direitos humanos).

Nós nos comprometemos em nos organizar mais e melhor nessa resistência criativa, mas também em vivermos desde já os valores econômicos, ecológicos, sociais, políticos e culturais de uma sociedade do Bem-viver. Convocamos todos os companheiros e companheiras para que, a partir dos bairros de nossas cidades e dos povoados do campo, possamos nos conectar e assim nos unir entre nós e à nossa Mãe Terra”.

Que esse apelo às consciências e aos nossos grupos organizados possa ser o convite que escutamos, vindos da humanidade e em nome do Amor que as pessoas que creem chamam de Deus. Que esse apelo nos uma e nos mobilize por um mundo novo possível.   
  

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 44 livros publicados, dos quais  “O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede da Paz e Loyola. Email: irmarcelobarros@uol.com.br