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sexta-feira, 21 de outubro de 2022

DESATANIZAR A SATÃ OU O DIABO

Leonardo Boff


 

Nestes tempos de campanha política e presidencial não é raro um candidato  satanizar seu adversário. Faz-se inclusive uma divisão  esdrúxula entre quem é da parte de Deus e quem é da parte do Diabo ou de Satã.

Esse termo Satã (em hebraico) ou Diabo (em latim) ganhou muitos significados, positivos e negativos, ao longo da história. Isso ocorre em muitas religiões especialmente nas abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamismo.

No entanto, devemos dizer que ninguém sofreu tantas injustiças e foi tão “satanizado” como o próprio Satã. No inicio não foi assim. Por esta razão é importante fazer brevemente a história de Satã ou do Diabo.

Ele é contado entre os “filhos de Deus” como os demais anjos, como se diz no livro de Jó (1,6). Está na corte celeste. Portanto, é um ser de bondade. Não é a figura má que ganhará mais tarde. Mas recebeu de Deus uma tarefa inusitada e ingrata: deve pôr à prova as pessoas boas como Jó que é “um homem íntegro, reto, temente a Deus e afastado mal”(Jó 1,8). Deve submetê-lo a todo o tipo de provas para ver se, de fato, é aquilo que todos dizem dele:”não há outro igual na terra”(Jo 1,8). Como prova promovida por Satã, ele perde tudo, a família, os bens e os amigos.Mas não perde a fé.

Houve uma grande mutação a partir do século VI aC, quando os judeus viveram no cativeiro babilônico (587aC) na Pérsia. Lá se confrontaram com a doutrina de Zoroastro que estabelecia o confronto entre o “príncipe da luz”com o “príncipe das trevas”. Eles incorporaram esta visão dualista e maniqueísta. Deu-se origem ao Satã como da parte reino das trevas, o “grande acusador” ou “adversário” que induz os seres humanos a atos de maldade. Em seguida, produz-se o confronto entre Deus e Satã. Nos textos judaicos tardios, do século II as, especialmente no livro  de Honoch, elabora-se a saga da revolta de anjos chefiados por Satã, agora chamado de Lúcifer, contra Deus. Narra-se a queda de Lucifer e cerca de um terço dos anjos que aderiram e acabaram expulsos do céu.

Surge então a questão: onde colocá-los se foram expulsos? Ai valeu-se da categoria do inferno: do fogo ardente e de todos os horrores,bem descritos por Dante Alighieri na segunda parte de sua Divina Comédia dedicada ao inferno.

No Primeiro Testamento (o Antigo) quase não se fala do diabo (cf.Cron 21,1;Samuel 24,1). No Segundo Testamento (Novo) aparece em alguns relatos”…serão lançados no fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes”(Mt 8,12;13,42-50;Lc 13,27) ou na parábola do rico epulão e o pobre Lázaro (Lc 16,23-24) ou no Apocalipse (16,10-11).

Essa compreensão foi assumida pelos teólogos antigos, de modo especial por Santo Agostinho. Ele influenciou toda a tradição das Igrejas, a doutrina dos Papas e chegou até hoje.

A categoria do inferno e da condenação eterna foi determinante na conversão dos povos originários na América Latina e de outros lugares de missão, produzindo medo e pânico. Seus antepassados, dizia-se, pelo fato de não terem sido cristãos, estão no inferno. E argumentava-se que se eles não se convertessem e não se deixassem batizar conheceriam o mesmo destino.Isso está em todos os catecismos que foram logo após a conquista elaborados com os quais se pretendia converter astecas, incas, mais e outros. Foi o medo, outrora levou e ainda hoje,leva à conversão de multidões como o mostrou o grande historiador francês Jean Delumeau. É apelando ao Diabo, a Satã que hoje em tempos de ira e ódio social, se procura desqualificar o adversário, não raro, feito inimigo a ser desmoralizado e,eventualmente,liquidado.

Aqui devemos superar todo o fundamentalismo do texto bíblico. Não basta citar textos sobre o inferno, mesmo na boca de Jesus. Devemos saber interpretá-los para não cairmos em contradição com o conceito de Deus e mesmo destruir a boa-nova de Jesus,do Pai cheio de misericórdia, como o pai do filho pródigo que acolhe o filho perdido(Lc 15,11-23).

Em primeiro lugar o ser humano busca uma razão pelo mal no mundo. Tem grande dificuldade de assumir a sua própria responsabilidade. Então transfere-a ao Demônio ou aos demônios.

Em segunfo lugar, o significado dos demônios e do inferno dos horrores representam uma pedagogia do medo para, pelo medo, fazer as pessoas buscarem o caminho do bem. Demônio e inferno, portanto, são criações humanas, um espécie de pedagogia sinistra, como ainda mães fazem às crianças:”Se não se comportar direito, de noite,vem o lobo mau morder seu pé”. O ser humano pode ser o Satã da terra e da sociedade. Ele pode criar o “inferno”aos outros pelo ódio, pela opressão e pelos mecanismos de morte, como infelizmente está ocorrendo em nossa sociedade.

Em terceiro lugar, Satã ou o Diabo é uma criatura de Deus. Dizer que é uma criatura de Deus, significa que, em cada momento, Deus está criando e recriando esta criatura, mesmo no fogo do inferno.Pode Deus que é amor e bondade infinita se propor a isso? Bem diz o livro da Sabedoria:”Sim, tu amas todos os seres e nada detestas do que fizeste; se odiasses alguma coisa não a terias criado; e como poderia subsistir alguma coisa se não a quisesses…a todos poupas porque te pertencem, oh soberano amante da vida”(Sab 11,24-26). O Papa Francisco o disse claramente:”não existe condenação eterna; ela é só para este mundo”.

Em quarto lugar, a grande mensagem de Jesus é a infinita misericórdia de Deus-Abba (paizinho querido) que ama a todos, também os “ingratos e maus” (Lc 6,35). A afirmação do castigo eterno no inferno destrói diretamente a boa-nova de Jesus.Um Deus castigador é incompatível com o Jesus histórico que anunciou a infinita amorosidade de Deus para com todos,também para com os pecadores. O salmo 103 já havia intuído isso:”O  Senhor é compassivo e clemente, lento para a cólera e rico em misericórdia. Não está sempre acusando nem guarda rancor para sempre.Não nos trata segundo nossos pecados…como pai sente compaixão pelos seus filhos e filhas, assim o Senhor se compadecerá com os que o amam,porque ele conhece nossa natureza e se lembra de que somos pó…A misericórdia do Senhor é desde sempre para sempre”(103,8-17). Deus não pode nunca perder nenhuma criatura, por mais perversa que seja. Se ele a perdesse,  mesmo que seja uma só, ele teria fracassado em seu amor. Ora, isso não pode acontecer.

Bem  disse o Papa Francisco que incansavelmente prega a misericórdia:”A misericórdia sempre será maior que qualquer pecado e ninguém poderá pôr limites ao amor do Deus que perdoa”(Misericordiae vultus, 2)

Isso não significa que se entrará no céu de qualquer maneira. Todos passarão pelo juízo e pela clínica de Deus, para lá purificar-se, reconhecer seus pecados, aprender a amar e finalmente entrar no Reino da Trindade. É o purgatório que não é a ante-sala do inferno, mas a ante-sala do céu. Quem está lá se purificando já participa do mundo dos redimidos.

O inferno e os demônios e o principal deles, Satã, são projeções nossas da maldade que existe na história ou que nós mesmos produzimos e das quais não queremos nos resonsabilizar e as projetamos nestas figuras sinistras.

Temos que libertar-nos, finalmente, de tais projeções, para vivermos a alegria da mensagem de salvação universal de Jesus Cristo. Isso deslegitima toda satanização em qualquer situação,especialmente, em política  e nas igrejas pentecostais que usam de forma totalmente exorbitante a figura do demônio e do inferno. Antes assusta os fiéis do que os conforta com o amor e a infinita misericórdia de Deus.

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escreveu: Vida para além da morte, Vozes,muitas edições 2021.

 

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

LULA E BOLSONARO: ASCENSÃO E QUEDA

 Frei Betto


 

       As trajetórias de Lula e Bolsonaro já foram exaustivamente analisadas do ponto de vista político. Não conheço, porém, nenhuma análise do ponto de vista dos arquétipos literários. Suas biografias são pratos cheios para uma nação como o Brasil, onde a maioria do povo é pobre e confia na sorte (ou no milagre) para sair do buraco. 

       No estudo de obras literárias, há técnicas de garimpar textos e descobrir por que causam tanto impacto a leitores de sucessivas gerações. O professor Matthew Jockers, das universidades de Nebraska e Vermont, analisou inúmeros romances. Chegou a seis tipos de arquétipos que servem de base à elaboração de narrativas complexas: 1) Ascensão (da pobreza à riqueza ou de má a boa sorte); 2) Declínio (de bom a mau, tragédia); 3) Ícaro (ascensão e declínio); 4) Édipo (declínio, ascensão e declínio de novo); 5) Cinderela (ascensão, queda, ascensão); 6) Homem no buraco (queda e ascensão).

       A pesquisa se baseou na análise de sentimento, uma técnica estatística usada por marqueteiros para analisar postagens em mídias digitais. Cada palavra é associada a uma "pontuação de sentimento". Assim, uma palavra é qualificada como positiva (feliz) ou negativa (triste), ou associada a emoções mais sutis, como medo, alegria, surpresa e anseio. Por exemplo, a palavra "abolir" é negativa, associada a raiva. 

       Ao fazer a análise de sentimento das palavras de um romance, percebe-se as mudanças de humor ao longo do texto, revelando um tipo de narrativa emocional. 

       Bons exemplos são “A divina comédia”, de Dante Alighieri; “Madame Bovary”, de Flaubert; “Romeu e Julieta”, de Shakespeare; “Orgulho e preconceito”, de Jane Austen; “Frankenstein”, de Mary Shelley; e “O patinho feio”, de Hans Christian Andersen. 

       “A divina comédia” é um poema épico de ascensão. O autor inicia por descrever sua jornada no inferno, acompanhado pelo poeta Virgílio. Eis ali "um homem no buraco". Ao sobreviver milagrosamente ao inferno, a dupla escala a montanha do purgatório, na qual repousam as almas dos excomungados, preguiçosos e luxuriosos. Beatriz, paixão e musa de Dante, substitui Virgílio como companhia e a ascensão do casal ao paraíso é marcada por crescente alegria. A alma do poeta se torna plena "do amor que move o sol e outras estrelas". 

       Lula se encaixa melhor no poema de Dante que Bolsonaro. Saiu da miséria (o inferno), padeceu uma vida de trabalhador assalariado (o purgatório) e, enfim, chegou a presidente da República com 87% de aprovação (o paraíso). Bolsonaro saiu do purgatório (sua fracassada e breve carreira militar) e chegou ao paraíso (eleito presidente). Sabe-se, porém, que caso seja derrotado no próximo dia 30 será condenado ao inferno (o retorno a uma vida sem mandato e o risco de cair nas malhas da Justiça). 

       Lula condiz com o arquétipo Cinderela. Após a ascensão à presidência, conheceu a queda sob as garras injustas da Lava Jato e, agora, experimenta a preferência eleitoral e poderá ser o primeiro brasileiro eleito três vezes para chefiar a nação. Neste caso, em 1º de janeiro de 2023 a faixa presidencial o cobrirá como o sapatinho ofertado pelo príncipe se adequou ao pé de Cinderela. 

       Bolsonaro sabe que está mais para Madame Bovary, que se deslumbrou com amores fortuitos, e corre o risco de, após o imprevisível voo que o alçou ao Planalto, cair como Ícaro no mais profundo abismo. 

       Esses arquétipos estão enraizados em nosso inconsciente. São amplamente utilizados em todas as narrativas ficcionais, como novelas de TV.  Causam maior impacto quando são realidade, como é o caso da família real britânica. Ela dispensa novelas de TV na Inglaterra. Os dramas – o tio que abdicou da coroa para se casar com uma mulher desquitada; a rainha longeva; o filho que se separa da mulher bela para se juntar à mulher feia; o príncipe flagrado em orgia; e o príncipe de “sangue azul” que se casa com uma mulher de “sangue negro” etc... – tudo isso atrai olhares e provoca a imaginação. 

       No dia 30 nossos votos haverão de acrescentar mais um capítulo à tragédia brasileira. Há aqueles que votarão pela “pontuação de sentimento negativo” (Bolsonaro) e aqueles que darão o seu voto à “pontuação de sentimento positivo”. Espero em Deus que a maioria dos eleitores vote sem medo de ser feliz. 

 

Frei Betto é escritor, autor de “Jesus militante – o Evangelho e o projeto político do Reino de Deus” (Vozes), entre outros livros.

 

Frei Betto é autor de 73 livros, editados no Brasil e no exterior. Você poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org  Ali os encontrará  a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio. 

 

 

 

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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

PALAVRAS DE PEDRO - 21.1.2022


 Dom Pedro Casaldáliga



Eu desenharia a sociedade que sonho com palavras bem simples.

Seria pão, circo, seresta e culto.

Uma sociedade em que você possa comer, beber, que tenha fim de semana, férias, folga.

 Que valorize a própria cultura plural, desde a quadrilha, a capoeira, até o último vídeo.

Uma sociedade que se comunique com seus ancestrais, com o Deus da vida, dentro do pluralismo cultural.

 

A partir de minha fé cristã, uma sociedade que responda a esse sonho de Deus.

Você sabe que os direitos humanos são os interesses de Deus.

Porque os direitos dos irmãos e irmãs são os direitos dos filhos e filhas.

Gosto de dizer sempre que toda a política deste mundo se resume no Pai Nosso.

“Pai nosso que estás no céu”, nosso, não meu.

O pai nosso é o pão nosso.

 

O teólogo jesuíta espanhol González Faus, que conhece muito bem América Latina, diz em seu livro Projeto de irmão que a ética, a moral e explicitamente a ética e a moral cristã são, em última instância um projeto de fraternidade.

 

Pedro Casaldáliga

#Casaldàliga!

#PedroCasaldáligaPresente!

#PereCasaldàliga

#NãoQueremosGuerraQueremosPaz!

#RomariaDosMártiresDaCaminhada

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Momento de promessas, tempo de compromisso

 






Marcelo Barros

 

Daqui a poucos dias, o Brasil vai viver o segundo turno das eleições presidenciais e de vários governantes estaduais.  Principalmente, na opção por Lula ou pelo atual presidente, o que está em jogo são duas propostas ou projetos de país. Enquanto a extrema-direita ainda assusta as pessoas com o fantasma do Comunismo e provoca o medo de crentes com boatos de que, se eleito, Lula fecharia Igrejas, o projeto do seu candidato está ligado aos interesses de empresas mineradoras, de madeireiras, do latifúndio e do capital internacional. Retomam acusações sobre a corrupção do PT, mesmo se a corrupção na Petrobrás explodiu com os chamados “anões do orçamento”,  em 1993,  dez anos antes de Lula assumir o governo. Sabe que, nos governos do PT, a polícia federal teve como nunca liberdade para agir e os processos de corrupção, antes engavetados, vieram à tona. 

Atualmente, comparado com o que foi o chamado mensalão ou outros esquemas de corrupção ocorrido durante governos do PT, o “orçamento secreto” do atual presidente rouba do país uma soma equivalente a muitos mensalões. É claro que nenhum erro justifica outro. No entanto, na história do Brasil, quase sempre, acusações de corrupção servem de pretexto para que a direita desacredite a democracia e cometa crimes ainda piores.

A coligação de partidos que propõe Lula como presidente tem como base retomar um projeto de país para todos os brasileiros e brasileiras. A prioridade é garantir o direito universal à alimentação, à moradia e a condições de vida digna para mais de 33 milhões de brasileiros/as, nestes anos recentes, reduzidos à fome e à extrema pobreza. É urgente salvar o que ainda é possível da Amazônia e da sustentabilidade dos biomas brasileiros.

Trata-se de eleger alguém que, ao contrário do atual presidente, seja capaz de dialogar positivamente e de forma inteligente com o poder legislativo e com o judiciário, assim como com todos os segmentos da sociedade para construirmos novamente um país inclusivo para todos/as. Lula já demonstrou ser a pessoa mais competente para fazer isso.

É preciso ter clareza: quando o Evangelho diz que o Verbo, a Palavra de Deus, se fez carne, afirma que o amor divino assume a realidade do mundo como ela é. Encarna-se, isso é, se insere na caminhada da humanidade, sem transformá-la em Cristandade, evangélica ou católica. O projeto de país deve ser laico e pluralista, aberto a todos os cidadãos e cidadãs, a serviço da Paz, Justiça e Cuidado com a Terra e a natureza.

Quem é discípulo ou discípula de Jesus deve dar testemunho de que é capaz de conviver como irmão/ã com toda e qualquer pessoa humana, seja de que religião for, ou sem nenhuma tradição específica. Jesus não veio ao mundo para organizar religião. Afirmou: “Eu vim para que todos/as tenham vida e vida em abundância” (Jo 10, 10).

Na sexta-feira, 7 de outubro, líderes religiosos/as de diversas tradições publicaram uma “Carta aberta às mulheres e homens de fé do Brasil”. Nesta carta, afirmam: “Nós, líderes religiosos e de diferentes credos e tradições, direcionamos nossa voz ao povo brasileiro. Nesse momento político conturbado, violento e disputado pelas redes sociais, convidamos todas as pessoas a assumirem sua cidadania, escolhendo cuidadosamente seu candidato e verificando seu alinhamento com os valores comuns às mais diversas tradições de fé que permeiam o coração do nosso povo...” (...).                   No final, concluem: “Não silenciemos! Escolhamos o Presidente do Brasil impulsionados pela FÉ e pelo compromisso com uma vida digna e justa para todas e todos. Nesse sentido, declaramos nosso voto e apoio ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, por entendermos que é nossa única opção para reconstruir o Brasil comprometida com a DEMOCRACIA, PLURALIDADE e JUSTIÇA SOCIAL”. Na íntegra, a carta pode ser lida no site do MST:

https://mst.org.br/2022/10/08/carta-aberta-as-mulheres-e-homens-de-fe-do-brasil/

Que a palavra profética destes irmãos e irmãs possa ressoar para todas as pessoas e comunidades de fé.