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terça-feira, 9 de novembro de 2021

A COP 26, o Brasil e a defesa da Vida

 


Marcelo Barros

 

Nesta sexta-feira, 12 de novembro, em Glasgow, na Escócia, a ONU conclui a Conferência Mundial sobre as Mudanças Climáticas (COP 26). Já no final de outubro, nos dias anteriores à conferência, Antonio Guterrez, secretário geral da ONU,  advertiu aos governos que já não bastariam os acordos para manter as emissões de gases tóxicos na proporção antes pensada. Se o esforço não for duplicado e não for concretizado por soluções imediatas, em poucas décadas, o mundo chegará a um ponto sem retorno. O aquecimento global será de 2, 7 graus e isso porá em risco toda a vida no planeta Terra.

É triste e doloroso ver o governo brasileiro ir à reunião da ONU para apregoar as mentiras oficiais sobre o cuidado com a Amazônia e a natureza. Sabemos que o Brasil está na COP 26  não para se comprometer com a luta contra as mudanças climáticas e sim para pedir dinheiro às organizações internacionais. Bolsonero e a elite do agronegócio e da mineração querem mais recursos para melhor executar a destruição planejada das florestas, dos rios e de todos os biomas que ainda sobrevivem. 

Muitas pessoas das delegações oficiais e governos que estão reunidos em Glasgow na COP 26 defendem a Ecologia porque “é impossível fazer comércio em um planeta morto”, como, em documento enviado à conferência, afirmaram empresários internacionais comprometidos com a defesa do ambiente. Além disso, estudo da Organização Mundial da Saúde declara: as mudanças climáticas ameaçam a saúde da humanidade. Mesmo se ainda não se podem assegurar as origens do Coronavírus, sabe-se que a deterioração do ambiente e a poluição das águas favoreceram a propagação da pandemia. As mudanças climáticas possibilitam mais ainda a disseminação de doenças infecciosas como dengue, chikugunya, zika e outras enfermidades que atingem principalmente as populações mais empobrecidas e vulneráveis.

Há mais de dez anos, o Manifesto da Ecologia Profunda, coordenado por Arne Naess e George Sassions, começava afirmando:

“O bem-estar e o florescimento da vida humana e não humana sobre a Terra são valores em si mesmos. Esses valores são independentes da utilidade do mundo não humano para os fins do ser humano”.

Cada vez mais, quem opta por um caminho espiritual, seja no seguimento de alguma religião, seja mesmo fora das tradições religiosas, precisa desenvolver uma espiritualidade ecológica que consiste em nova relação amorosa com a Terra e a Vida em todas as suas manifestações. Como humanidade, temos a missão ética de defender a vida e a comunhão com a natureza. Se, de alguma forma, cremos em um amor que sustenta o universo, não podemos destruir nenhuma forma de vida, menos ainda por mera ambição de lucro ou por simples desamor.

No Brasil, as culturas dos povos originários nos ensinam a reverência à Mãe Terra, a veneração à Avó Água e à relação de amor com todas as energias vivas (Espíritos ou Orixás) da natureza. Para quem mergulha nessa sabedoria ancestral, a sustentabilidade da vida deve ser a prioridade fundamental de toda organização da sociedade. Tanto antigas culturas, como cientistas atuais consideram a Terra como um único organismo vivo. Derrubar uma árvore é como cortar o braço de um ser vivo. Cada vez mais fica claro o que nos ensina a Ecologia Integral: a prática da sociobiodiversidade como caminho do bem viver pessoal e coletivo.

Ao adorar a Deus, fonte da vida, ou a suas manifestações da natureza, quase todas as tradições espirituais estão reverenciando a vida. Elas nos convidam a uma relação de carinho com toda criatura e a uma atitude de agradecimento ao Espírito Divino por fazermos parte desta grande comunidade da vida. 

 

 

Marcelo Barros, monge beneditino e escritor, autor de 57 livros dos quais o mais recente é "Teologias da Libertação para os nossos dias", Ed. Vozes, 2019Email: irmarcelobarros@uol.com.br  

quarta-feira, 21 de julho de 2021

33º CONGRESSO DA SOTER DEBATE SOBRE A RESPONSABILIDADE DAS RELIGIÕES NA DEFESA DA LAICIDADE, DEMOCRACIA E DIREITOS HUMANOS

 


*Matéria postada REVISTA IHU ON-LINE

Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) celebrou de 12 a 16 de julho seu 33º Congresso Internacional, que teve como tema “Religião, Laicidade e Democracia: cenários e perspectivas”. Com cerca de 800 pessoas inscritas, conferencistas nacionais e internacionais e mais de 440 apresentações acadêmicas, o congresso tem sido um momento importante na reflexão sobre uma questão que cada vez cobra maior destaque na realidade brasileira e mundial.

Segundo Cesar Kuzma, presidente da SOTER, “tentamos trabalhar as urgências do nosso tempo no âmbito social, no âmbito político-democrático, na responsabilidade que toca às Igrejas cristãs e às religiões em geral da defesa da laicidade, na defesa da democracia, na defesa dos direitos humanos, apontando caminhos, apontando horizontes, apontando novas perspectivas”.

 

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

 

O congresso partiu dos diferentes cenários em que a sociedade brasileira se encontra, agora marcados também “pela pandemia, pela destruição do estado democrático de direito, pela fragilidade nas nossas democracias, pela perda de direitos sociais e também humanos, pelo desmonte das políticas públicas e pelo grande desastre que vem ocorrendo também em nível ambiental”, segundo o presidente da SOTER.

Dentro dessa pluralidade de cenários, o 33º Congresso da SOTER foi um momento para refletir, que partiu da abordagem de Pedro Ribeiro de Oliveira, que buscou “apresentar-nos uma visão panorâmica no qual nós estamos inseridos”, segundo Kuzma. A palestra de Boaventura de Sousa Santos, que trabalhou a questão da laicidade e da democracia, mostrou a diferença entre os diferentes espaços, valorizando “a importância da Teologia da Libertação na América Latina, na luta histórica que ela teve na defesa da própria democracia”, afirma Kuzma.

Na leitura sobre os diferentes momentos, o teólogo fala sobre os aportes de Frei Betto e Jucimeri Isolda Silveira, destacando os direitos humanos, “que se tornam cada vez mais frágeis na atual conjuntura social que nós vivemos”. Ele destaca a celebração que aconteceu pelos 50 anos da Teologia da Libertação, que considera um momento brilhante, afirmando que a SOTER segue essa linha, e “tem na opção pelos pobres o grande enfoque da sua proposta e de seus objetivos”, insistindo em que “a linha libertadora faz parte da natureza da própria SOTER”, algo que foi feito de forma coletiva. Com a presença de diferentes instituições foi, segundo o presidente da SOTER, “um momento marcante, brilhante, que emocionou a todos”.  

A professora italiana Serena Noceti abordou a questão da responsabilidade das Igrejas cristãs na defesa do estado democrático, desde elementos da Fratelli tutti e o Conselho Mundial de Igrejas. Desde os aportes do Papa Francisco, foi refletido sobre a economia, com a presença de Ladislau Dowbor, e a ecologia, com a reflexão de Afonso Murad, perspectivas que segundo Kuzma, “se somam à questão da democracia, da laicidade, do direito, do bem comum, ou da Casa Comum, que é uma expressão que acabou fazendo parte dos nossos discursos”.


Congresso da SOTER foi momento para reconhecer com o prêmio João Batista Libânio, a trajetória da teóloga Ivone Gebara, valorizando, segundo o presidente da SOTER “uma caminhada de luta que não se faz sozinha, se faz de modo coletivo, se faz com outras pessoas”. Seguindo o tema do congresso, Cesar Kuzma insiste em que “dar o prêmio a Ivone, com a história que ela tem, com a dinâmica de espiritualidade com a qual ela vive, e na ternura de sua voz e pelo fato de ser mulher, isso foi algo muito emocionante e muito bonito”.




O congresso foi encerrado na sexta-feira com a palestra de Ivone Guevara, onde abordou a questão da responsabilidade das religiões no estado, para a defesa da laicidade a da democracia. A teóloga colocou a importância de as religiões caminhar em conjunto com a sociedade. Finalmente, Maria Isabel Varanda e Rudolf von Sinner, apontaram pistas, horizontes, fazendo uma releitura do evento e apontando possíveis caminhos, “sem a intenção de nos oferecer, mas convidando a um caminhar continuo, coletivo, em busca de novos horizontes, de novas perguntas, de novos espaços”, segundo o professor Kuzma.

Segundo o presidente da SOTER, “o congresso superou todas as expectativas”, inclusive em número de participantes. Ele destaca que o fato de ser virtual permitiu o acesso de pessoas de varias partes do Brasil, da América Latina e de outros países. Mesmo virtualmente, “conseguimos espaços onde a afetividade, a ternura, a humanidade, se fizesse presente”, afirmou Cesar Kuzma. Teve momentos para homenagear as vítimas da Covid-19 e a diretoria da SOTER emitiu uma nota por ocasião do Encerramento do 33º Congresso.

A nota manifesta “a nossa preocupação e o nosso repúdio em relação à deterioração da democracia no Brasil, que se traduz não só no ataque contínuo às Instituições Democráticas e ao Estado de Direito, mas também no aumento da repressão e da violência policial, no aprofundamento da desigualdade social e da fome, na destruição ambiental, na agressão aos povos indígenas, seus direitos e vidas, nos atos sistemáticos de racismo que revelam a condição do racismo estrutural presente em nossa sociedade, na afirmação do sexismo e no crescimento do feminicídio”.

Desde a SOTER é denunciado que “o negacionismo foi e é responsável por grande parte do número de mortos pela atual pandemia da COVID-19, que já ceifou mais de 530 mil vidas no Brasil”. Ao mesmo tempo, a nota insiste em que “este mesmo negacionismo agravou a crise econômica, levando a um enorme contingente de pessoas desempregadas e ao aumento da fome e da miséria”.

O texto condena que “neste contexto, as Religiões, sobretudo certas expressões do Cristianismo, nem sempre têm tido um papel profético, crítico e libertador”, denunciando que “ao contrário, alguns grupos têm instrumentalizado a Religião, negado o caráter laico do Estado e promovido, ou reforçado, a deterioração de nossa democracia em nome de Deus, inclusive afirmando e praticando a intolerância religiosa”.

Por isso, consideram urgente “reafirmar que as Religiões devem estar a serviço da vida e não da morte”. Nesse sentido, a diretoria da SOTER destaca que “o Cristianismo possui uma longa trajetória e, em nosso país, foi fundamental, juntamente com outras Tradições Religiosas, na luta pelos direitos humanos e pela redemocratização do Estado e da Sociedade”. Finalmente, conclamam “todas as lideranças religiosas a se colocarem na defesa incondicional da plena democracia, dos direitos humanos e da justiça social”.

 

*FONTE:http://www.ihu.unisinos.br/maisnoticias/noticias/78-noticias/611188-33-congresso-da-soter-debate-sobre-a-responsabilidade-das-religioes-na-defesa-da-laicidade-democracia-e-direitos-humanos 

 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

RESISTÊNCIA INDÍGENA E NOSSA DEFESA




Por Marcelo Barros

Cientistas sociais brasileiros como José Luiz Fiori e analistas internacionais como Boaventura de Sousa Santos afirmam que no dia 08 de junho de 2018 foi selado um acordo entre o chanceler dos Estados Unidos, representantes militares do Brasil e alguns das elites nacionais. Esse acordo possibilitou financiamento e assessoria de guerra para provocar a vitória eleitoral do atual presidente e gerar a nova realidade política brasileira que vivemos. Sem dúvida, as primeiras vítimas disso têm sido os povos indígenas. Minutos depois da posse do presidente, no 1º de janeiro, esse correu a assinar a Medida Provisória 870/ 2019. Entre outras medidas, esse decreto esvaziou de suas funções legais a FUNAI (Fundação Nacional do Índio). Transferiu o poder sobre as terras indígenas para os ruralistas do Ministério da Agricultura. A partir de agora, a raposa fica encarregada de cuidar do galinheiro. De lá para cá, várias áreas indígenas foram invadidas e muitas outras estão ameaçadas. Para citar alguns exemplos mais notórios: no Maranhão, os Guajajara criaram uma associação civil “Os guardiães da floresta”. Em pouco mais de um ano já tiveram três desses cuidadores da floresta assassinados. Agora, a cada dia, lidam com invasões de madeireiros na área indígena. Em Rondônia, nesses dias, dezenas de invasores armados estão invadindo e semeando medo nas aldeias  Uru-Eu-Wau-Wau e nas terras dos índios Karipuna. No Mato Grosso, a terra indígena Marãiwatsédé dos Xavantes, demarcada nos anos da presidente Dilma, está sendo ameaçada de nova invasão. No Mato Grosso do Sul, os Guarani Kaiowá viram intensificar-se a perseguição que já sofrem há quase um século. Continuam a chorar o suicídio de jovens e adolescentes que preferem morrer a viver sem terra e sem direito à comunidade e sua cultura própria. Em plena cidade de Porto Alegre, a comunidade Guarani de Ponta do Arado, bairro de Belém Novo, nas margens do Guaíba, está vendo sua área cercada por milícias armadas. Na cerca que limita a reserva, homens parados impedem os índios de circular, além de vigiá-los dentro de sua própria terra.

Nesses dias, as comunidades do Rio Grande do Sul celebram o aniversário do martírio do índio Sepé Tiaraju. Sepé, cujo nome indígena não parece ter sido esse, foi o líder guerreiro que uniu o povo guarani na luta contra os exércitos espanhol e português. Em 1750, no Tratado de Madri, as duas nações europeias tinham decidido destruir as comunidades das missões, cuidadas pelos jesuítas. Sepé unificou os índios das sete povoações missioneras com o grito: “Esta terra tem dono”. Até hoje, esse grito ressoa nas lutas indígenas e é reconhecido como legítimo por todos os que têm senso de justiça. Sepé morreu vítima de uma emboscada no arroio Caiboaté. Milhares de índios foram mortos ou se espalharam pelas florestas, escondidos para sobreviver. Até hoje, o grito de Sepé Tiaraju, o cacique guarani, ressoa nas lutas indígenas.

Há séculos, o povo o considera São Sepé. Só agora, com o papa Francisco, o Vaticano acolheu o pedido para reconhecê-lo como santo católico. Isso significa que a causa dos povos indígenas não é só uma luta social e política justa. É isso, mas se torna também apelo espiritual através do qual o Espírito Divino se manifesta presente no mundo e nos ilumina.

Depois de mais de cinco séculos de resistência a tantas violências e perseguições, a fidelidade dos povos indígenas à unidade da comunidade, à preservação de suas culturas de origem e a profunda comunhão com a mãe Terra e a natureza se tornam para os cristãos um verdadeiro testemunho (martírio). É o que aparece no testemunho de Marcelo Grondin e Moema Viezzer que conseguiram resumir brilhantemente essa história no livro: O maior genocídio da história da humanidade: mais de 70 milhões de vítimas entre os povos originários das Américas. (Toledo, PR, GFM Gráfica e Editora, 2018). Quem lê esse livro impressionante, não pode deixar de concluir: Os povos indígenas podem ser nossos mestres em como resistir nesses dias maus que vivemos. Temos de nos unir a esses irmãos e irmãs que são companheiros nossos nas tribulações provocadas pelo Capitalismo e no testemunho do projeto divino no mundo.

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 44 livros publicados, dos quais  “O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede da Paz e Loyola. Email: irmarcelobarros@uol.com.br

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

ABORTO: UMA LEGISLAÇÃO EM DEFESA DA VIDA





por Frei Betto
                                                                                
                                                                   
   Ao contrário do psicanalista ou da psicóloga que se depara com o drama de mulheres que abortaram, como religioso tenho sido solicitado por aquelas que, diante de uma gravidez indesejada, sofrem a atroz angústia da dúvida. E raramente elas chegam acompanhadas por seus parceiros - o que não deixa de ser um preocupante sintoma.
      É espantoso que, às portas do século XXI, haja questões tão sérias, como o aborto, que ainda são consideradas tabus indiscutíveis. O capitalismo erotiza a cultura, através da reificação das relações humanas subjugadas aos imperativos do consumo, e por isso mesmo mantém a censura em torno do tema da sexualidade.
      Para o sistema, que depende da exacerbação do imaginário coletivo, só é real o que não é racional. Seria inquietante se, por exemplo, os movimentos feministas começassem a questionar o uso da mulher na publicidade. Pelo mesmo motivo, impede-se que nas escolas se trate de questões de gênero e de educação sexual (quando muito, há aulas de higiene corporal para se evitar doenças sexualmente transmissíveis).
      Devo acrescentar que lamento as dificuldades que a Igreja impõe à discussão em torno do aborto. Se a Teologia é o esforço de apreensão racional das verdades de fé, o teólogo tem, por dever de ofício, de se manter aberto a todos os temas que dizem respeito à condição humana, mormente quando encerram implicações morais. Aquilo sobre o qual ninguém fala ou escreve, não existe - diz um personagem de Érico Veríssimo em  Incidente em Antares. 
      Por isso mesmo, as instituições autoritárias preferem cobrir de silêncio questões polêmicas que refletem incomensuráveis dramas humanos. A própria Constituinte evitou o tema, preferindo adiá-lo para as leis complementares. Embora eu seja contra o  aborto, admito a sua descriminalização e sou plenamente a favor da mais ampla discussão sobre o assunto, pois se trata de um problema real, grave, que afeta a vida de milhares de pessoas. Desconfio, entretanto, que há algo de verdade neste provérbio feminista: Se os homens parissem, o aborto seria um sacramento.

A posição da lei brasileira

      Ninguém aborta pelo prazer de fazê-lo. É sempre uma opção difícil, traumática, sob toda sorte de pressões e angústias. Dados da Pesquisa Nacional do Aborto (PNA), divulgada em 2016 (O Globo, 1.8.2018) indicam que 503 mil mulheres ralizaram aborto no Brasil em 2015. Costuma-se afirmar que, desses milhares de abortos praticados a cada ano no Brasil, a consequência imediata seria a morte de inúmeras mulheres, em geral negras e pobres. 
      Se infelizmente existem casais - pois o aborto não é uma questão exclusiva da mulher - que comparam o aborto a uma extração de dente, não há dúvida de que ele deixa sequelas físicas, psíquicas e morais em inúmeras pessoas. A atual legislação brasileira (artigos 124 a 128 do Código Penal) o considera crime - tanto da parte da gestante, quanto dos médicos, das enfermeiras e das curiosas que dele participam. A lei faz exceção aos casos de gravidez decorrente de estupro ou agressão sexual, bem como por razões terapêuticas quando há risco de vida para a mãe (cardiopatias e tuberculose, por exemplo).

A posição da Igreja

      No decorrer de sua história, a Igreja Católica nunca chegou a uma posição unânime e definitiva. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou  admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situava-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado um ser humano. Até hoje, nem a ciência, nem a teologia, têm uma resposta exata. A questão permanece em aberto.
      Santo Agostinho (sec. IV) dizia que só a partir de 40 dias após a fecundação, quando se pode falar em pessoa (unidade corpo-espírito). Assim mesmo para os fetos masculinos, já que se considerava que a hominização do feto feminino exigia o dobro do tempo...
      Santo Tomás de Aquino (séc. XIII) reafirmou que não se pode reconhecer como humano o embrião que ainda não completou 40 dias, quando então lhe é infundida a "alma racional". Esta posição virou doutrina oficial da Igreja Católica a partir do Concílio de Trento (encerrado em 1563).
       Mesmo assim, sempre foi contestada por outros teólogos que, baseados na autoridade de Tertuliano (séc. III) e de Santo Alberto Magno (séc. XIII), defendiam a hominização imediata, ou seja, desde a fecundação trata-se de um ser humano em processo.
       Santo Afonso de Ligório (+1787) admitia o aborto terapêutico, caso a vida da mãe corresse risco imediato. Contudo, essa discussão sobre feto "inanimado" (que ainda não teria alma) ou "animado" (já com alma), encerra-se oficialmente com a divulgação da Apostolica Sedis, em 1869, na qual o papa Pio IX condena toda e qualquer interrupção voluntária da gravidez.
      No século XX, introduz-se novamente a discussão entre aborto direto e indireto. Roma passa a admitir o aborto indireto, em caso de gravidez tubária ou de câncer no útero. Mas não admite o aborto direto nem mesmo em caso de estupro. E não fez exceção quando um grupo de freiras do Congo sofreu violação. A posição atual dos teólogos mais qualificados não coincide com a de Roma.
      O redentorista Bernhard Haering, um dos mais renomados moralistas católicos, admite o aborto quando se trata de preservar o útero para futuras gestações ou quando o dano moral e psicológico causado pelo estupro impossibilita a mulher de aceitar a gravidez. É o que a Teologia Moral denomina ignorância invencível. Nem a Igreja tem o direito moral de exigir sempre de seus fiéis atitudes heróicas. É o que a ética chama de conflito de valores e deveres. E o próprio papa reconhece que, inclusive na questão do aborto, a responsabilidade moral pertence, em última instância, ao inviolável reduto da consciência humana e só pode ser julgado por Deus.

Limites da posição da Igreja

      Roma é contra a descriminalização do aborto, baseada no princípio de que não se pode legalizar algo que é ilegítimo e imoral: a supressão voluntária de uma vida humana. Mesmo defendendo tal princípio, a história demonstra que nem sempre a Igreja o aplicou com igual rigor a outras esferas do conflito social. Defende a legitimidade da "guerra justa" e da revolução popular em caso de tirania prolongada e inamovível por outros meios. É o princípio tomista do mal menor. Em muitos países, a Igreja aceitava ainda a pena de morte para criminosos comuns e políticos, posição somente agora revogada pelo papa Francisco, até porque se a pena de morte não existisse Jesus não teria sido executado na cruz. E a própria Igreja já patrocinou, na Inquisição, a eliminação física de pessoas consideradas hereges ou inimigas da fé católica.
      Embora a Igreja defenda a sacralidade da vida do embrião em potência, a partir da fecundação, jamais comparou o aborto ao crime de infanticídio e nem prescreveu rituais fúnebres ou batismo in extremis  para os fetos abortados. 

O direito ao uso do próprio corpo

      É preciso encarar com muita seriedade as razões que induzem uma gestante ao aborto. Ao falar do direito ao uso do próprio corpo, nem todas as mulheres são movidas pela racionalização burguesa semelhante à concepção do direito de propriedade, ius utendi et abutendi  (direito de uso e abuso). É bem conhecido o resultado de tal concepção...
      Assim como o direito de propriedade encerra uma intrínseca função social, o direito sobre o corpo não pode prescindir de sua natureza social. Este é um dos princípios que fundamentam o movimento ecológico, pois homem algum é uma ilha. Não há nada que uma pessoa faça com o seu próprio corpo que não tenha reflexos em seu relacionamento social. Até o modo como o alimentamos ou vestimos influi em nossa postura em relação aos outros. Do ponto de vista moral, não se pode aceitar, como direito, a autodestruição física ou psicológica.
      A opção de abortar é moral e política. Pode ser encarada pelo ângulo do poder do mais forte sobre aquele que é completamente frágil. Tão frágil que podem ser encontradas justificativas científicas para negar-lhe o título de humano. Para a genética, o feto é humano a partir da segmentação. Para a ginecologia-obstetrícia, desde a nidação, a implantação no útero. Para a neurofisiologia, só quando se forma o cérebro. E para a psicosociologia, quando há relacionamento personalizado. 
      Em suma, o fato é que o feto é uma espécie de subproletário biológico. Tão reduzido à sua impotência, que não tem como protestar ou rebelar-se. A Bíblia adverte que a grande tentação do ser humano é querer "fazer de sua força a norma da justiça" (Sabedoria 2, 11). E, em muitos casos de aborto, o feto paga pela rejeição que a mulher tem ao homem que a fecundou ou pelos preconceitos que a atemorizam e a tornam tão escrava de conveniências sociais que, paradoxalmente, ela decide extraí-lo em nome de sua suposta liberdade. Liberdade que ela teme e da qual foge quando se trata de admitir uma relação adúltera, assumir-se como mãe solteira ou exigir de seu parceiro, ainda que casado com outra mulher, que ele seja companheiro e pai face à evidência de uma vida em processo.
      Há casos em que o aborto é a culminância de um ciclo desprovido de coerência moral. Vive-se uma ambiguidade que nega o mínimo de respeito à dignidade alheia. A falsidade como cúmplice da conveniência. Homens que na vida social defendem as mais avançadas ideias, quando confrontados com uma inesperada gravidez reagem com uma covardia inominável, como se o problema fosse exclusivo da mulher. E, o que é pior, há mulheres coniventes com a omissão masculina, não raro por se verem tendo que optar entre o feto e o afeto...
      Engels, em A Origem da Família, do Estado e da Propriedade Privada, denuncia o mercantilismo que afeta as relações humanas nas classes dominantes, onde as pessoas valem pelo que têm e não pelo que são. Quem se empenha na transformação da sociedade capitalista deve saber que o único capital que jamais pode ser perdido é o moral. Pode-se perder a liberdade e, inclusive, a vida. A perda da moral implica o descrédito da própria causa que se defende e representa, de fato, uma vitória do inimigo.

As situações-limites

      Permanece em aberto a discussão sobre o momento em que o feto pode ser considerado humano. Partilho a opinião de que, desde a fecundação, já há vida com destino humano e, portanto, histórico. Sob as óticas cristãs e marxistas, a dignidade de um ser não deriva daquilo que ele é e sim do que pode vir a ser. Por isso, cristianismo e marxismo defendem os direitos inalienáveis dos que se situam no último degrau da escala humana e social.
      É interessante observar que, na história, sempre se pôs em xeque a plena dignidade de pessoas que eram mantidas na opressão: índios, mulheres, negros... Hoje, o debate sobre se o ser embrionário merece ou não o reconhecimento de tal dignidade, não deve induzir ao moralismo intolerante, que ignora o drama de mulheres que optam pelo aborto por razões que não são de mero egoísmo ou conveniência social. Trata-se de mulheres muito pobres, que objetiva e subjetivamente não têm condições de assumir aquele filho, naquele momento; de menores de idade que sofrem violação, como aconteceu no Recife com uma menina de 9 anos; de mulheres mentalmente enfermas, incapacitadas para cuidar de uma criança; ou de mulheres que engravidam involuntariamente após os 40 anos, quando a possibilidade de nascer um filho com sequelas aumenta de 1/2500 para 1/100, sendo de 1/45 para mulheres que já atingiram 45 anos.
      Enfim, há uma série de situações humanamente dramáticas, geradas por pobreza, ignorância, opressão social, violência, que não podem ser encaradas sob o olhar altivo do moralismo farisaico.
       Em princípio, devemos lutar para que tais situações não se apresentem no futuro, erradicando suas causas sociais. E pouco adiantam os remendos legais que procuram encobrir suas contradições. Por esta via, em breve se discutirá o projeto de lei de eliminação dos mendigos, como hoje se discute a redução da maioridade penal.
      Frente à gravidade de inúmeros casos atuais, não basta aguardar aquele futuro em que as mulheres não temerão pelo nascimento de seus filhos e quando o aborto já não será necessário. Não se deve também ceder à hipocrisia da direita, interessada em manter a criminalização do aborto para favorecer as "fábricas de anjinhos" - as clínicas clandestinas que fazem a fortuna da máfia de branco, inclusive fornecendo fetos às indústrias de cosméticos, onde são aproveitados como matéria-prima dos produtos de beleza.

A descriminalização do aborto

      É a defesa do sagrado dom da vida que levanta a pergunta se é lícito manter o aborto à margem da lei, pondo em risco também a vida de inúmeras mulheres pobres que, na falta de recursos, tentam provocá-lo com chás, venenos, agulhas ou a ajuda de curiosas, em precárias condições higiênicas e terapêuticas. É possível que uma legislação em favor da vida faça este problema humano emergir das sombras para ser adequadamente tratado à luz do Direito, da Moral e da responsabilidade social do poder público.
      Um dos principais especialistas em Teologia Moral e Ética Médica no Brasil, o padre Hubert Lepargneur, admite que "devemos reconhecer, por desagradável que nos seja, a tendência dos países civilizados em considerar legal a operação, sob restrição de um mais ou menos rigoroso condicionamento, para que se controle um ato grave, individual e socialmente, uma operação que precisa de cuidados sanitários à altura das exigências modernas de saúde" (O aborto voluntário , Paulinas, São Paulo, 1983, p. 47).
      O teólogo e jesuíta espanhol González Faus é de opinião que "mais do que o moralista, a existência de situações-limites deve ser contemplada pelo legislador civil, que não está obrigado a assegurar toda a moralidade e sim a convivência pacífica, nem está obrigado a prescrever a heroicidade ou a procurar um "melhor" inimigo do bem, senão que muitas vezes há de contentar-se em evitar o mal maior. E é possível que, nas atuais circunstâncias de nossa sociedade, a descriminalização legal do aborto seja um mal menor, enquanto todos nós não trabalharmos por uma sociedade em que o aborto já não seja necessário" (Este es el hombre, Ed. Cristandad, Madri, 1986, pp. 277-285).
      Por que alguns se opõem de maneira tão violenta ao debate sobre a descriminalização do aborto? Não se trata dos mesmos setores que proíbem a educação sexual nas escolas, defendem a “escola sem partido” e a pena capital, e aplaudem a eliminação sumária de supostos bandidos e traficantes? Ora, para tais setores, a descriminalização do aborto poderia trazer à tona o que se passa entre executivos e secretárias, entre patrões e empregadas, além do risco de ter que dividir a herança com o filho bastardo. A morte clandestina no ventre elimina qualquer risco à propriedade e à imagem pública do proprietário. Para este, aliás, não há ilegalidade nesta matéria. Basta embarcar a gestante para um país que não criminaliza o aborto, e tudo estará resolvido de acordo com a lei.
      Mas como ficam as mulheres pobres que não podem ter filhos, senão sob o risco de perderem o emprego e deixarem a família na miséria? São inúmeras as mulheres que, para obter um trabalho, se vêem obrigadas a esconder que são casadas e a impedir ou interromper a gravidez.
      Se tais setores fossem sinceramente contra o aborto, lutariam para que não se tornasse necessário. Para que todos pudessem nascer em condições sociais seguras, numa sociedade sem profunda desigualdade social, na qual todos pudessem viver com dignidade. Como não estão dispostos a isso, o mais cômodo é exigir que se mantenha a penalização do aborto. Mas como fica a penalização de políticas econômicas que resultam no aumento da mortalidade infantil? 

Uma legislação a favor da vida

      Está comprovado que a descriminalização, aprovada em vários países, não reduz o número de abortos clandestinos. Muitas mulheres continuam a preferir o anonimato, para evitar danos à sua imagem social e/ou à do parceiro. O que diminuiu foi o número de óbitos de mulheres em consequência do aborto. E inúmeras gestantes que procuraram os serviços sociais de atendimento foram convencidas a ter o filho - o que não ocorreria se vigorasse a criminalização do aborto.
      Hoje, muitas opiniões autorizadas na Igreja admitem que não se pode tratar a matéria com intolerância, supondo que numa sociedade culturalmente diversificada, plural e laica, haja valores morais universalmente aceitos.
      "No plano dos princípios - declarou monsenhor Duchène, presidente da Comissão Espiscopal Francesa para a Família - lembro que todo aborto é a supressão de um ser humano. Não podemos esquecê-lo. Não quero, porém, substituir-me aos médicos que refletiram demoradamente sobre o assunto em sua alma e consciência e que, confrontados com uma desgraça aparentemente sem remédio, tentam aliviá-la da melhor maneira, com o risco de se enganar" (La Croix, 31/3/79).
      E em abril do mesmo ano, o bispo francês manifestou que uma pessoa que aborta "não comete sempre uma culpa grave. Não levamos em conta aquilo que se passa nas consciências de certas pessoas envolvidas em situações aparentemente sem saída" (Le Monde , 25/4/79).
       Uma legislação em favor da vida deve obrigar o poder público a promover amplas campanhas sobre o aborto, esclarecendo suas implicações morais, físicas e psicológicas, como ocorre na China; prever severas sanções às empresas e aos empregadores que recusam mulheres casadas ou não dão suficiente apoio às gestantes; criar postos de atendimento às gestantes que pensam em abortar, onde médicos, psicólogos, assistentes sociais e, inclusive, ministros da confissão religiosa da interessada, procurem convencê-la a assumir o filho, demovendo preconceitos e barreiras, como acontece na França; ampliar a rede de Casas da Mãe Solteira (como já existe em São Paulo, por iniciativa particular), de modo a  evitar que as gestantes solteiras sejam induzidas ao aborto por desamparo afetivo, moral ou econômico; prever a objeção de consciência do pessoal terapêutico convocado a atuar nos casos de exceção previsto pela lei; garantir o salário maternidade e multiplicar o número de creches; criar o sistema  telefônico de atendimento às mulheres angustiadas por gravidez imprevista, como o SOS-Futuras Mães, da França, que dispõe de postos de recepção telefônica; oferecer ajuda financeira às famílias que adotam crianças rejeitadas por suas mães. 
      Em resumo, deve-se assegurar o direito à vida do embrião e amparo moral, psicológico e econômico à gestante, bem como prescrever medidas concretas que socialmente venham a tornar o aborto desnecessário.

Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.
  
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segunda-feira, 30 de março de 2015

NOTA DE ESCLARECIMENTO E REPÚDIO DO CENTRO DE DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS DE PETRÓPOLIS CONTRA A FALSA ACUSAÇÃO DE BENEFÍCIO INDEVIDO DO GOVERNO FEDERAL

por Leonardo Boff



Correu pelas redes sociais uma  falsa afirmação  de que o Centro de Defesa do Direitos Humanos de Petrópolis, do qual sou presidente honorário (sem qualquer remuneração ) teria sido de forma corrupta beneficiado pelo governo federal  do PT. O CDDH desenvolvia, em nome do Governo, desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, um atividade altamente  perigosa pelo convênio PROVITA. 

O programa era “A proteção a vítimas e a testemunhas ameaçadas”  escondendo-as  com todas as suas famílias, tendo que enviá-las, por vezes,  a outros estados para escapar da perseguição dos que queriam eliminá-las. Trago aqui o testemunho da coordenadora do projeto a partir da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República: “Amigo Leonardo Boff e demais do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis. Tenho plena confiança e certeza da ética com que vocês desenvolvem o trabalho. E, mais do que isso, sou testemunha do quanto o convênio para o PROVITA desestabilizou o Centro, pois buscar solução para essa situação era uma das minhas responsabilidades como Secretaria Nacional na SDH da Presidência: Abraços  Salete".

Em 18 de março de 2015 17:54, Centro de Defesa dos Direitos Humanos
escreveu:

NOTA DE ESCLARECIMENTO E REPÚDIO

O Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis foi criado em novembro
de 1979 tendo entre seus fundadores Leonardo Boff, que atualmente é diretor-presidente da instituição. Dentre os diversos projetos desenvolvidos pela instituição desde a sua criação, o CDDH realizou a execução do Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas do Estado do Rio de Janeiro (PROVITA/RJ), em convênio com o governo do Estado do Rio de Janeiro e este conveniando com o Governo Federal, de maio de 2002 até maio de 2014 abarcando governos do PSDB e PT. Por conta da natureza do Programa e suas necessidades, o volume financeiro dos convênios resulta em um montante considerável (mais ainda abaixo de muitos estados que se preocupam com investimento nesta política).


Este convênio, com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, saiu da execução da instituição em maio do ano de 2014 deixando uma dívida de R$ 167.997,29,que está sendo negociada por meio de um Termo de Ajuste de Contas por despesas contraídas para a garantia da vida dos usuários e beneficiários do Programa. 

Todas as atividades do PROVITA/RJ são orientadas e fiscalizadas pelo CONDEL – Conselho Deliberativo do Programa e todos os documentos de prestação de contas de TODOS os convênios institucionais estão em dia com os financiadores da instituição, sejam governamentais ou não.


Para a execução dos projetos, desde a sua fundação, o CDDH conta com a parceria financeira prioritária da cooperação internacional e de parceiros históricos. Com a crise europeia dos últimos anos e a priorização de
recursos destes parceiros para atendimento a outros países, a instituição passou a buscar recursos locais, concorrendo a editais, possibilidades de financiamento e apresentando os projetos a instituições privadas, fundações e empresas de economia mista. O financiamento da Petrobras, para a efetivação do projeto ArticulAção, voltado para jovens moradores de comunidades periféricas da cidade de Petrópolis, foi iniciado em fevereiro de 2014 e desde então, a organização recebeu apenas a primeira parcela do contrato, estando em constante acompanhamento pela equipe de monitoramento desta estatal. 


O CDDH-Petrópolis, para manutenção de seu título de Utilidade Pública Federal, mantém transparência de todos os seus repasses e gastos com projetos.


Leonardo Boff, assim como os outros membros da diretoria da Instituição, são voluntários e, no caso deste, sua contribuição mais valiosa é a dedicação de
seu tempo de modo militante em favor dos pobres e desfavorecidos atendidos pelo CDDH e por outras instituições e movimentos de Direitos Humanos, chamando atenção para este debate.


Salientamos a importância de esclarecer as notas que tentam criminalizar, sem provas, os movimentos sociais e que colocam em risco o trabalho social e político desenvolvido em favor dos excluídos. Infelizmente estas falas soltas, sem qualquer averiguação, objetivam provocar o enfraquecimento da luta por direitos humanos.


Carla de Carvalho / Rafael Coelho Rodrigues
Coordenação Executiva – CDDH-Petrópolis