O Jornal On Line O PORTA-VOZ surgiu para ser o espaço onde qualquer pessoa possa publicar seu texto, independentemente de ser escritor, jornalista ou poeta profissional. É o espaço dos famosos e dos anônimos. É o espaço de quem tem alguma coisa a dizer.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

A CAVERNA, O MONGE E A ESPIRITUALIDADE






                             Maria Clara Bingemer 


            Para quem anda descrente da humanidade, o recente episódio do resgate de doze adolescentes tailandeses de uma caverna inundada foi uma bela surpresa.  Uma onda de solidariedade se fez presente de um ponto a outro do planeta.  

Uma corrente de desejos e sentimentos positivos apontava de todas as partes na direção da caverna onde os meninos e seu treinador estavam confinados. O heroísmo de tantos, que vieram de outros países para ajudar no salvamento, foi admirável. Em época tão conturbada como a que vivemos, trata-se de um autêntico reencontro da humanidade consigo mesma, como disse a acadêmica Rosiska Darcy de Oliveira em recente artigo. 

Os doze meninos e seu treinador permaneceram na caverna onde as fortes inundações os surpreenderam isolados por longos dias com comida escassa e em condições muito precárias. Quando foram encontrados, o mundo inteiro ficou impressionado por estarem em boas condições físicas naquela situação limite que viviam.  Mas, para além disso, chamaram mais ainda a atenção de todos pela calma e equilíbrio que demonstraram durante todo o processo de encontro, resgate e salvamento.

De um grupo de adolescentes que formavam um time de futebol seria normal esperar medo, pânico e agitação ao se perceberem confinados em uma caverna escura por vários dias, sem saber como fazer para sair dali e salvar-se.  A insegurança, aliada àescassez de recursos alimentícios e àexiguidade do espaço seco em meio àcaverna alagada, tudo contribuía para que os meninos estivessem abalados e vulneráveis.

No entanto, o que se viu foi um grupo de crianças calmas, vivendo a dificuldade pela qual passavam com um sorriso nos lábios e muita serenidade. Nenhum chorava ou tinha qualquer reação de angústia e aflição. E assim permaneceram ao longo de toda a operação de resgate com muita expectativas e adiamentos sem fim. 

Qual o segredo dessa paz, desse equilíbrio?  Que espírito adejava por aquela caverna a ponto de conseguir tranquilizar desta maneira doze crianças em perigo? Cremos que a resposta se encontra em algo que acompanha o ser humano desde suas origens e que ao longo da história tomou formas e configurações diversas e fascinantes: a espiritualidade.  Ou seja, a capacidade do ser humano de elevar-se além do sensorial e do racional, e experimentar a transcendência. 

No caso do time dos “Javalis Selvagens” que comoveu o mundo, parece que a fonte imediata daquele enfrentamento admirável de uma situação tão adversa encontra sua raiz na pessoa do treinador Ekapol Chanthawong. Foi ele quem os levouà excursão que acabaria isolando-os dentro da caverna.  Mas foi igualmente ele que os liderou no processo de resistência que lhes permitiu conservar a vida e as energias, de modo que pudessem ser salvos e reconduzidos a suas famílias. 

O treinador, antes de ocupar-se de times de futebol, foi monge budista e viveu desde os doze anos em um mosteiro.  Dali saiu para cuidar de sua avódoente. Ali também aprendeu as técnicas e o método da meditação budista durante uma década.  E quando saiu, levou consigo a espiritualidade que havia vivido no mosteiro. O mosteiro ficou gravado em seu interior  e o faz atéhoje manter contato com a comunidade que ali reside. Segundo o abade do mosteiro, Chanthawong continua meditando regularmente. 

Parece que, ao constatar a situação de isolamento em que se encontrava junto com os meninos, passou a ensinar-lhes a meditar.  O objetivo era mantê-los calmos e preservar suas energias enquanto ali estivessem.  Assim se passaram duas semanas. Cada um fazia uma hora de meditação ao dia, e isso os ajudou a resistir durante todo o tempo em que estiveram na caverna até serem encontrados e resgatados. 

Além de ajudar os meninos dando-lhes o que tem de melhor – sua espiritualidade – o treinador deu-lhes vida concreta retirada de sua própria vida. Jejuou e não se alimentou durante os dias de reclusão, a fim de que sobrasse mais dos poucos alimentos de que dispunha o grupo para os meninos.  E foi oúltimo a ser libertado e ver novamente a luz do sol. Certamente seus longos anos de ascese no mosteiro foram fundamentais nessa atitude e nessa prática. 

Neste momento, quando ainda vivemos, juntamente com a euforia da Copa do Mundo, o alívio e a alegria de ver a todos os personagens da caverna finalmente sãos e salvos, somos levados a refletir sobre a importância da espiritualidade para nossas vidas. 

A rica, admirável e milenar tradição budista pretende conduzir as pessoas em direção à iluminação e à paz de espírito. Poderia ter sido outra tradição.  O importante neste caso é perceber a grandeza de nossa condição humana.  Tão precária e frágil a ponto de contar com forças limitadas para sobreviver em situações difíceis.  Mas tão incrivelmente bela e elevada de forma a enfrentar grandes dificuldades graças ao espírito que anima uma corporeidade finita e mortal. 

O time dos Javalis Selvagens e seu treinador nos sinalizam algo da maior importância.  É preciso cultivar o espírito, investir na vida espiritual, seja em que tradição religiosa for, ou mesmo fora de qualquer uma.  Certamente faz a vida mais digna desse nome.  E pode ajudar-nos muito quando nos virmos isolados em alguma caverna escura e inundada sem vislumbrar saídas evidentes. 


Maria Clara Bingemer é teóloga, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de de “Simone Weil – Testemunha da paixão e da compaixão" (Edusc)

 Copyright 2018 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>


sexta-feira, 20 de julho de 2018

O DESAFIO ATUAL: CONTRA O ESTADO PÓS-DEMOCRÁTICO, RESGATAR A DEMOCRACIA




 Por Leonardo Boff  

Não são poucos os analistas sociais e juristas da maior qualidade que denunciam o atual situação política do Brasil como a instauração de um Estado de exceção. O golpe parlamentar,jurídico e mediático de 2016 permitiu que os golpistas passassem por cima da Constituição, modificassem as leis trabalhistas em favor dos patrões, engesassem o país com o teto de gastos, em saúde e educação, impedindo que se crie um Estado de Bem Estar Social.
A justiça deixou de ser imparcial e, mesmo nos níveis mais altos, mostra ter lado, contra o PT e a figura carismática de Lula. O que o juiz federal de primeira instância Sérgio Moro faz, é a aplicação deslavada do lawfare e não esconde o ânimo persecutório ao ex-Presidente, condenando-o sem provas materiais irrefutáveis. Por isso é considerado um prisioneiro político..
Importa observar que este tipo de política obedece a uma ampla estratégia pensada a partir dos interesses do Império com os aliados internos de nosso pais. O Brasil é decisivo em termos de geopolitica e de abundantes bens e serviços naturais, capazes de garantir a base físico-química que sustenta o sistema-vida e o sistema-Terra, já em alto gru de erosão.
O golpe foi dado sob a égide do mais rigoroso neoliberalismo e da voracidade do capital especulativo de cariz capitalista que domina a políitica no mundo inteiro.
É sabido que a ordem capitalista, por seu individualism e a fúria de acumulação nunca se deu bem coma democracia. Se democracia implica mais que o direito de votar, mas de buscar a igualdade de todos os cidadãos com referência às leis, aos direitos basicos, à justiça social e às garantias fundamentais, devemos dizer que ela é antes um engodo que uma realidade. A democracia moderna se construiu como representativa de toda a sociedade. Na verdade, em geral, representou os interesses dos poderosos e sub-representou os do povo trabalhador ou pobre.
Dados de várias entidades sérias nos relatam que cerca de 8 bilhardários controlam grande parte da economia mundial, deixando milhões e milhões na pobreza e na fome. Como a lógica capitalista é a competição e não a solidariedade, entramos numa era de barbárie e de grande desumanidade,
Esse tipo de capitalismo necessita de demcracias de baixíssima intensidade, com um Estado submetido ao mercado, com a menor participação popular possível. A estratégia dos países capitalistas visam a recolonizar a América Latina e o Brasil condenados a ser meros exportadores de commodities (alimentos, minérios e outros)
O golpe de 2016 foi dado com esse propósito, em si, anti-patriótico, anti-popular e profundamente injusto, em benefício dos endinheirados e herdeiros da Casa Grande. Esse golpe liquidou com o Estado democrático de direito. Guardou as aparências e as instituições. Mas não funcionam como a Constitição prevê ou funcionam sem imparcialidade.
Inaugurou-se o “pós-Estado democrático”, categoria usada por Rubens Casara, juz de direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e professor universitário, com notável capacidade teórica de pensar o desastre da democracia brasileira e sua ideologia subjacente. Agora vigora de fato um Estado de exceção, à moda do jurista alemão Carl Schmitt (1888-1985) que justificava o regime de Hitler,pois para ele o critério do político reside na definição do inimigo a ser satanizado e destruido (cf. O conceito do político,Vozes 1992,51-53). Acima de todas as leis está o “Führer” ou o “Ducce”, que sempre têm razão.
A consequência se lê no sub-título do livro:”neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis”. Quer dizer, mantem-se a farsa democrática e se castigam os mais pobres, pois são indesejáveis ao sistema de acumulação e de consumo.
O desafio atual consiste em resgatar a democracia mínima (nem aquela “sem fim” de Boaventura de Souza Santos ou como “valor universal” de Norberto Bobbio, nem a democracia “sócio-ecológica” de Zaffaroni e minha) mas simplesmente a pura e simples democracia, expressa no Estado Democrático de Direito. Devemos repudiar o Estado pós-democrático como excrecência da democracia e outro nome para o regime de exceção.
Leonardo Boff escreveu: “Brasil: concluir a refundação ou prolongar a dependência”, Vozes 2018.


quinta-feira, 19 de julho de 2018

O BRASIL SAIRÁ DO BURACO?




por Frei Betto

         Em ano de eleição presidencial mais importante do que discutir qual o melhor candidato é debater que projeto queremos para o Brasil superar a atual crise agravada pelo desastrado governo Temer, que fez o país voltar 20 anos em dois. 

         Não acredito em saídas para a crise de olho apenas nos índices do mercado financeiro. Como falar em melhoras na economia se o PIB recua, o desemprego aumenta, a dívida pública e a inflação sobem e o dólar vai às alturas?

         Para o Brasil sair do buraco, ou seja, livrar toda a sua população dos apertos atuais, é preciso isentar de impostos todos que ganham até 10 salários mínimos por mês, de modo a aquecer a demanda interna. E taxar o imposto de renda em 10% para quem recebe de 10 a 20 salários mínimos por mês; 20 para quem ganha de 20 a 30; 30 para os remunerados de 30 a 40 salários mínimos; e 40% de taxação para todos que embolsam mais de 40 salários mínimos por mês.

         Há que imprimir progressividade também no pagamento do IPTU. Quem aluga imóvel ficaria livre de IPTU. Quem possui até três imóveis, com menos de 150 m2 cada um, deveria merecer um acréscimo de 20%. Acima desta área, 30%. Para quem tem até cinco imóveis, 40%. E para quem é dono de mais cinco, seja qual for o tamanho, acréscimo de 60%. 
         Isso reduziria a especulação imobiliária. O Brasil tem um déficit de 6,2 milhões de moradias. E há 7 milhões de imóveis vazios, incluídos os que são ocupados por breve espaço de tempo ao longo do ano, como os situados em beira de praias.

         As propriedades agrícolas não produtivas deveriam merecer 50% de aumento no imposto rural. Este imposto seria progressivo em mais 10% a cada ano. Ao atingir 100%, e comprovada a improdutividade, o imóvel rural seria confiscado para efeito de reforma agrária. 

         Todos os recursos privados remetidos ao exterior deveriam ser taxados em 40%, bem como as fortunas acima de R$ 2 milhões. Quem possui dois veículos de transporte individual pagaria 50% a mais no IPVA. Em contrapartida, as passagens de transportes coletivos seriam reduzidas pela metade.

         Cobrança imediata de todas as dívidas com o INSS e a Receita Federal. Auditoria das dívidas pública e externa. Todas as empresas privadas envolvidas em corrupção passariam a ter 49% de seu controle acionário em mãos do poder público. 

         Fim do foro privilegiado em todas as instâncias; do auxílio moradia para quem possui imóvel no município em que trabalha; do auxílio “salsicha” (refeições e lanches) em todas as instâncias da administração pública; e de uso de veículos oficiais, exceto para os presidentes dos três poderes republicanos.

         Com tais medidas, o Brasil teria recursos suficientes para aprimorar seus sistemas de saúde e educação e reimplantar políticas sociais que assegurem inclusão social da população empobrecida. 

Frei Betto é escritor, autor do romance policial “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.

  Copyright 2018 – FREI BETTO – Favor não divulgar este artigo sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com) 

 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
Você acaba de ler este artigo de Frei Betto e poderá receber todos os textos escritos por ele - em português, espanhol ou inglês - mediante assinatura anual via mhgpal@gmail.com



quarta-feira, 18 de julho de 2018

08 DE JULHO de 2018: OS OLHOS DE MILHÕES SE ABRIRAM NESTE DOMINGO



Por Artur Peregrino*

Acabo de chegar de uma peregrinação (de 01 a 08 de julho) no Baixo São Francisco, Estado de Sergipe. Éramos 10 peregrinas e peregrinos que caminhamos em um raio de 100 quilômetros em direção a foz do Rio São Francisco. Escutamos muito a população. No que toca a questão da prisão de Lula é impressionante. Ainda na estrada percebi uma vibração do povão, pé no chão, que vibrou com a possibilidade de Lula ser solto. A vibração não vinha de estudantes universitários ou militantes. Mas vinha do povo “lascado”. Vimos claramente que os pobres não abandonaram Lula.

Com o episódio que assistimos nesse domingo percebemos que no Brasil, a Justiça e o direito perderam muito neste processo. Tivemos mais um abusivo desrespeito ao devido processo legal e aos direitos e garantias individuais. Ficou escancarada a manipulação do sistema judicial contra um cidadão. Lula não saiu, mas está maior ainda na sua luta contra o arbítrio e a injustiça.

Alguns juízes abandonaram todos os princípios da magistratura, rasgaram a toga e golpearam fortemente e mais uma vez o frágil estado democrático de direito no país. E isso tudo acontecendo com o STF assistindo de camarote. Se alguém, das pessoas que acompanha minimamente a política, tinha dúvida que estamos vivendo o reino da mais completa arbitrariedade agora não tem mais dúvida. Fica muito claro que estamos vivendo um golpe sem máscaras. O golpe é um ato de violação aos direitos básicos do povo. E que está se concentrando    em um dos maiores líderes populares da história do Brasil.

O país se incendiou nesse domingo com a decisão do desembargador Rogério Favreto. As elites não aguentam ver Lula solto. Foi ficando claro que a decisão do desembargador não se concluiu por questão política. O caso do juiz Moro (juiz de primeiro piso) é de insubordinação judicial. É um claro descumprimento de regras judiciais. É algo profundamente escandaloso. Aprofundou-se uma fissura histórica no âmbito das instituições.

Hoje há uma anarquia do poder judiciário no Brasil. Isso porque um juiz de primeira instância manda no país, manda no judiciário e manda na polícia federal. Manda desobedecer uma ordem de hierarquia superior. Estão brincando de atirar fogo no país.

Estamos vivendo uma violenta ilegalidade jurídica. A constituição brasileira está sendo pisoteada. Pisotearam o que restava do sistema de justiça. Claramente o Brasil vive sobre um regime de exceção. O regime de exceção numa ditadura aberta está em curso no Brasil. Estamos vivendo um tipo de ditadura do século XXI. O golpe de 2016 arrebentou a Carta Magna de 1988 e está destruindo o estado democrático de direito que já se encontra em um estado avançado de destruição.

O que percebemos é que as condições políticas que determinam a hegemonia das forças conservadoras, seja no aparato do Estado ou seja no sistema de justiça, estão se deteriorando com muita rapidez. O que é o Partido do Golpe?

O Partido do Golpe é formado de cinco fatores: a. pelos partidos tradicionais de direita, sobretudo o DEM e o PSDB; b. pelo capital financeiro; c. pelos meios monopolistas de comunicação (da grande mídia opressiva); d. pelo sistema de justiça; e. pelo imperialismo norte americano. A confluência desses cinco fatores é clara: tem que tirar Lula do páreo eleitoral. Por isso é correto não abrir mão da candidatura do Lula em quaisquer circunstâncias.

Quais são as forças que querem manter Lula preso? Até que ponto o sistema jurídico brasileiro pode suportar a sua completa desmoralização? O medo do Lula não é outra coisa a não ser ver o Brasil, de novo, ser governado para os menos favorecidos, para os miseráveis, para os invisíveis.

Importante destacar que a Fundação Internacional dos Direitos Humanos, organismo não-governamental sediado em Madri (Espanha) com presença em 15 países, emitiu uma declaração no domingo (8) em que diz que passa a considerar o ex-presidente Lula como “prisioneiro de consciência” em razão do não cumprimento do habeas corpus concedido pelo desembargador. Essa percepção já se alarga no mundo: Lula é um prisioneiro político. A farsa foi descoberta: o caráter político da prisão de Lula que não tem nenhuma base jurídica. Esse acontecimento ajudou milhões de pessoas abrirem os olhos. No Brasil, a democracia precisa ser reinventada. O Papa Francisco ao reunir-se com os movimentos sociais latino-americanos em Santa Cruz de la Sierra na Bolívia, lançou um desafio: não esperem nada de cima pois virá sempre mais do mesmo; sejam vocês mesmos os profetas do novo, organizem a produção solidária, especialmente a orgânica, reinventem a democracia.



* Doutorando em Ciências da Religião pela UNICAP e Mestre em Antropologia pela UFPE; Licenciado em Filosofia pela UNICAP; Bacharelado em Filosofia pela UNICAP e Bacharelado em Teologia pelo Instituto de Teologia do Recife - ITER; Especialista (SENAC) e docente (UNICAP) em EaD; prof. do Curso de Teologia na UNICAP e integrante do Instituto Humanitas - IHU UNICAP; prof. Extensionista; pesquisador do Grupo de pesquisa UNICAP/CNPq Religiões, identidades e diálogos, na linha de pesquisa Diálogos inter-religiosos; membro do Grupo de Peregrinas e Peregrinos do Nordeste – GPPN. Email: arturperegrino@gmail.com