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quinta-feira, 4 de maio de 2017

APÓSTOLAS, PIONEIRAS DO FEMINISMO


Por Frei Betto


       O Evangelho de João (20, 11-18) descreve que, morto Jesus, Maria Madalena permaneceu chorando junto ao túmulo, cuja pedra-porta havia sido retirada. Ao fitar o interior, não avistou o corpo de Jesus. Viu dois anjos. Perguntaram por que chorava. Ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram.”

       Ao se virar, Madalena se deparou com um homem que também lhe perguntou por que chorava e o que procurava. Supôs tratar-se do jardineiro do cemitério: “Se foi o senhor que levou Jesus, diga-me onde o colocou e irei buscá-lo.” O estranho chamou-a pelo nome: “Maria.” Reconheceu Jesus pelo tom de voz e exclamou: “Rabuni!” (em hebraico, Mestre).

       Madalena não se conteve e o abraçou. “Não me segure”, disse Jesus, “porque ainda não voltei para o Pai. Mas diga a meus irmãos que subo para junto de meu Pai, que é o Deus de vocês.” Ela foi ao encontro dos discípulos e anunciou: “Eu vi o Senhor!”

       Madalena foi a primeira testemunha da Ressurreição. E a primeira a anunciar Jesus ressuscitado. Só o machismo imperante na Igreja, desde os primeiros séculos, explica por que não é considerada apóstola. Desde que Jesus a livrou de “sete demônios” não deixou de segui-lo, em companhia de Joana, Susana “e várias outras mulheres” (Lucas 8, 3).

       Madalena não foi, entretanto, a primeira a reconhecer em Jesus o esperado Messias. Tal mérito pertence a outra mulher, também destacada por João (4, 1-30). Não sabemos o nome dela. Sabemos que vivia na Samaria e tinha o estranho hábito de ir ao poço buscar água por volta do meio-dia.

       Ora, em qualquer região onde não há água encanada é ao amanhecer que se costuma buscar água. A atitude da samaritana se explica pelo óbvio: não queria encontrar outras mulheres. Sabia que tinha má fama e preferia ir ao poço quando não tivesse ninguém.

       Certo dia se deparou ali com um jovem. Ao vê-la descer o balde no poço, ele pediu-lhe: “Dá-me de beber.” Pelo sotaque, reconheceu-o como judeu. E reinava forte rixa histórica entre judeus e samaritanos. “Como você, judeu, pede de beber a mim, samaritana?” Jesus, que ali parara para descansar enquanto os discípulos haviam ido comprar provisões, reagiu: “Se soubesse quem lhe pede de beber, você é que lhe pediria, e ele lhe daria água viva.”

       A afirmação a intrigou: “Você não tem balde. De onde tirará água viva?” Jesus insistiu: “Quem bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que darei nunca mais terá sede.” A fim de se livrar do trabalho de ir ao poço, ela o desafiou: “Dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede nem precise vir aqui.”

       Jesus mudou o foco do papo: “Vá chamar seu marido.” “Não tenho marido”, disse ela. Sua fama já havia chegado à Galileia. “Você está certa ao dizer que não tem marido”, retrucou Jesus. “Já teve cinco e, agora, vive com um homem que não é seu marido. Você falou a verdade.”

       Curioso Jesus não ter proferido um sermão moralista: “Sua promíscua! Como ousa querer minha água viva se não é capaz de botar freio nessa rotatividade conjugal?” E pensar que, hoje, há cardeais, bispos e padres que, contrariando o papa Francisco, insistem em negar os sacramentos a homens e mulheres recasados!

       Além de não emitir nenhuma censura, Jesus a elogiou por dizer a verdade. E ao elucidar a dúvida dela sobre que lugar Deus deveria ser adorado, se em Jerusalém ou na Samaria, ele enfatizou que “os verdadeiros adoradores que o Pai deseja devem adorar em espírito e verdade.” E, pela primeira vez, quebrou o anonimato sobre a sua natureza divina e se revelou a ela como o esperado Messias.

       Pobres dos puritanos escrupulosos! Não suportam o fato de Jesus ter se revelado, pela primeira vez, não a Pedro ou a outro apóstolo, mas a uma mulher de vida irregular! Por quê? Porque percebeu o quanto ela tinha sede de amor (a água viva). Era uma mulher voraz e veraz. E só Deus seria suficiente para preencher tamanho buraco no coração.

       A samaritana largou o balde e correu à cidade para anunciar que encontrara o Messias. Ela foi, de fato, a primeira apóstola.
       Estranho é que, até hoje, as mulheres sejam consideradas fiéis de segunda classe na Igreja Católica, impedidas de acesso ao sacerdócio. Se Deus quiser, isso haverá de mudar um dia, como tantas outras pedras do tradicionalismo já removidas.

Frei Betto é escritor, autor de “Fome de Deus” (Fontanar), entre outros livros.
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quarta-feira, 3 de maio de 2017

NO BRASIL, MASSACRES DE LATIFUNDIÁRIOS CONTRA POSSEIROS. PELO MUNDO, VIOLÊNCIA EM NOME DE DEUS


 por Juracy Andrade



“Nenhum camponês sem terra, nenhuma família sem casa, nenhum trabalhador sem direitos” disse o papa Francisco em sua visita à Bolívia, terra de vários povos indígenas que somente agora estão sendo resgatados de plurissecular omissão e exploração dos que se consideram brancos e cristãos. Do lado de cá da fronteira, o governo golpista de Michel Miguel prepara o bote final nos povos indígenas, desmontando a Funai e seu privilégio constitucional de demarcar e homologar terras indígenas. E os grileiros avançam nas terras indígenas e assentamentos de homens do campo.

Recentemente, nove trabalhadores rurais foram mutilados e assassinados, a mando de fazendeiros, no norte do Mato Grosso. Já são cerca de 60 mil mortes violentas por ano. Um dos assassinados em Taquaruçu do Norte (MT) ainda estava com um machado cravado nas costas quando jornalistas conseguiram chegar à remota localidade. É uma luta longa e violenta que, sob o atual desgoverno, tende a se intensificar, sem nenhum respeito a direitos adquiridos, como no caso dos trabalhadores em geral, que estão perdendo até o direito à aposentadoria. Um escândalo que não repercute muito pelo mundo, pois o que os países ricos querem é um Brasil submisso, como nos tempos de Fernando 2º (FHC) e companhia. E não é que o sociólogo sem alunos saiu do armário golpista?

O tema praticamente desapareceu da imprensa. E o desgoverno pouco está ligando para os desmandos do agronegócio, que incluem roubo de terras, assassinatos, desmatamento ilegal, destruição ambiental. A Comissão Pastoral da Terra, da Igreja Católica, contabiliza os desmandos e atrocidades. Que prosseguirão inevitáveis. Em 2004, 185 famílias que cultivavam terras naquela área foram expulsas e a pressão continua sobre quem ficou, centenas de pessoas. A impunidade faz com que os latifundiários e grileiros continuem sem temor. A polícia não age.

Voltando a Francisco, um papa realmente cristão, mais uma vez condenou, em recente visita ao Egito, a violência cometida “em nome de Deus”. Referia-se a atentados contra a minoria cristã daquele país, que conviveu em paz com os muçulmanos por séculos. O ideal do papa e de muitos muçulmanos pacifistas é que as religiões convivam numa boa, sem atritos, ofensas e principalmente sem a violência que explode ultimamente no terrorismo. Terrorismo, aliás, que começou com os ataques dos Cruzados aos islamitas na Terra Santa, prosseguiu com a colonização e, hoje, com os interesses petrolíferos.



O autor é jornalista com formação em filosofia e teologia

terça-feira, 2 de maio de 2017

ANOITECER LUMINOSO


Por Marcelo Barros


Em toda a América Latina, as pessoas de boa vontade e que amam a paz e a justiça se perguntam o que está acontecendo. Durante mais de uma década, a América Latina parecia menos injusta e menos desigual. Muitos países tinham governos que, mesmo sem ser socialistas, tomavam como prioridade a justiça e a igualdade social. Para isso, era importante libertar nossos países do colonialismo externo que nos aprisionava aos impérios do mundo e também diminuir as desigualdades sociais internas. Na Bolívia, Equador e Venezuela, novas constituições, discutidas e aprovadas por todas as camadas da sociedade, garantem os direitos  dos trabalhadores pobres, dos índios, dos lavradores e dos moradores de periferia. Em outros países, como Argentina, Uruguai, Paraguai e mesmo o Brasil, para conseguir governar, os setores mais progressistas tiveram de fazer acordos nem sempre fáceis com a elite. Não propuseram nenhuma reforma estrutural. No entanto, sob esses governos o povo também conseguiu algumas conquistas. A ONU reconheceu oficialmente que, na primeira década desse século, pela primeira vez, a pobreza diminuiu em toda a América Latina. Em vários países, como Bolívia, Equador e Venezuela, a FAO concluiu que não havia mais fome e a taxa de analfabetismo era praticamente zero.

A partir de 2010, o império norte-americano derramou milhões de dólares na Sociedade Interamericana de Imprensa para garantir que os meios de comunicação fizessem uma campanha sistemática e sem trégua contra os governos considerados progressistas (nem precisava ser de esquerda). E quando alguns nem assim entravam em crise, as embaixadas norte-americanas garantiriam o financiamento de golpes parlamentares. Em Honduras, fizera um golpe militar (2009). No Paraguai, o dinheiro convenceu a maioria dos congressistas a decretarem o impedimento do presidente eleito Fernando Lugo (2011). Na Argentina, não foi preciso golpe. O dinheiro derramado permitiu a eleição de um aliado do império. No Brasil, conforme declaração do próprio Temer nos Estados Unidos: foi preciso tirar Dilma para garantir que os interesses do império pudessem ser salvos.

Quem se guia pelas notícias da imprensa internacional e das agências que as repetem no Brasil, a Venezuela enfrenta um caos econômico, o povo passa fome e um governo ditatorial se impõe contra tudo e contra todos. Testemunhas e observadores enviados à Venezuela por organismos internacionais de Direitos Humanos atestaram que a situação econômica é difícil porque os comerciantes boicotam o governo e escondem alimentos para vendê-los pelo preço do dólar paralelo. No entanto, o governo respeita todas as leis democráticas, existe plena liberdade de organização e de comunicação e os programas sociais funcionam de forma melhor do que na maioria dos países do continente, inclusive no Brasil. Para quem acha que o império conseguiu acabar com tudo, é bom saber que a Bolívia continua o seu caminho e que o Equador acabou de eleger um presidente que continuará o caminho até aqui percorrido pelo governo de Rafael Correa.

No México, desde que, em 1994, começou a rebelião zapatista dos índios em Chiapas, a vida das comunidades indígenas mudou muito.  Os índios tentaram diversos acordos de paz com o governo. Todos falharam porque o governo não respeitou nenhum. Muitos líderes foram assassinados. Um cai e outro segue o caminho até ser morto e substituído por outro e, assim, eles não perdem a esperança. Apesar de terem sofrido repressões terríveis e de que muita gente foi assassinada, os índios organizaram os caracóis, unidades organizativas com um governo próprio nas comunidades locais. E contra o que chamam "a preguiça do pensamento", organizam seminários e encontros de estudo a que chamam de "sementeiras". Nos anos de 2013 e 2014, a escolinha zapatista acolheu três mil jovens estudantes de diversos países, interessados em pensar uma política baseada na solidariedade e um modo de organizar a sociedade mundial a partir de baixo e dos  pobres. Pensam em apresentar uma mulher índia como candidata à presidente do México em 2018. Sabem que a chance de vitória é mínima, mas teriam o tempo de campanha para despertar o povo do México para um fato que eles expressam assim: "Já podemos escutar o som de um mundo que desaba. Escutem! Esse mundo é a sociedade, essa que vocês sustentam e acham que tem de se organizar desse modo. O nosso outro mundo (indígena) foi reduzido a pouco e vocês acham que está em ocaso. Vocês nos veem como um povo primitivo e atrasado. Mas, o nosso anoitecer nos levará à luz da ressurreição porque é feito de amor e de esperança".

Que essa mensagem dos índios do México possam nos animar a continuar o caminho do amanhecer em busca de uma sociedade mais justa. Como diz o Fórum Social Mundial: "Um mundo novo é necessário. Juntos podemos torná-lo possível".  


Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

QUANTOS JUSTOS HAVERÁ?

 Por Maria Clara Lucchetti Bingemer



            O Brasil de hoje me recorda a história de Abraão com Deus seu Senhor, que o havia feito deixar para sempre casa, parentela e família, e caminhar em direção a um futuro desconhecido.  Abraão partiu confiante apenas na palavra daquele que o enviara.  E por isso é venerado como pai da fé.

            Essa resposta de fé e obediência vigilante do patriarca foi grata ao coração do Altíssimo, que com ele estabeleceu aliança, cumpriu promessas inimagináveis e fez do ventre ancião e estéril de sua mulher, Sara, uma posteridade mais numerosa que as estrelas do céu e as areias do mar.  Deus confiava em Abraão e mantinha com ele uma relação de amizade.

            E é por isso que o Senhor lhe revelou que estava farto daquilo que acontecia com as cidades pecadoras, Sodoma e Gomorra.  Fartou-se, cansou-se das infidelidades, corrupção, trapaças que aconteciam incessantemente em seus territórios.  E confidenciou a seu servo e amigo Abraão sua intenção de destruir as cidades iníquas: “É imenso o clamor que se eleva de Sodoma e Gomorra, e o seu pecado é muito grande. Eu vou descer para ver se suas obras correspondem realmente ao clamor que chega até mim; se assim não for, eu o saberei." 

 Porém, o coração de Abraão confrangeu-se de compaixão e dor ante a possibilidade de destruição daquelas cidades.  Conhecendo Deus e Sua Justiça, começou a interceder e apelar às entranhas misericordiosas do Altíssimo: “Fareis o justo perecer com o ímpio?” Para Abraão, era incompatível com o Deus de toda justiça não perceber que havia justos na cidade iníqua. “Talvez haja cinquenta justos na cidade: fá-los-eis perecer? Não perdoaríeis antes a cidade em atenção aos cinquenta justos que nela se poderiam encontrar? Não, vós não poderíeis agir assim, matando o justo com o ímpio, e tratando o justo como ímpio! Longe de vós tal pensamento! Não exerceria o juiz de toda a terra a justiça?” 

E o Senhor consentiu ao pedido de seu servo Abraão.  Se pudessem ser encontrados cinquenta justos, Ele pouparia a cidade e Seu divino braço sobre ela não desceria. Porém, o pai da fé temeu por sua audácia.  Seu coração encheu-se de inquietude.  E se não existissem ali cinquenta justos? 

A peroração com o Altíssimo continuou, pois, com Abraão implorando a misericórdia já não para cinquenta, mas para quarenta e cinco e obtendo mais uma vez a promessa de misericórdia do Senhor. 

Porém Abraão, que ia cada vez mais tomando consciência do quão grandes eram os pecados de Sodoma e Gomorra, foi diminuindo em seu diálogo o número de supostos justos. Desceu sua estimativa para quarenta, depois para trinta, vinte até chegar a dez justos.  A promessa final de Deus se deteve em dez justos por cuja justiça toda a cidade seria poupada. 

O final da história é feliz e triste ao mesmo tempo.  Na verdade, não havia dez justos em Sodoma, mas apenas Ló, sobrinho de Abraão e sua família, totalizando quatro pessoas. E esses foram resgatados pelos anjos do Senhor e escaparam da purificação que a justiça divina fez acontecer. 

O cenário atual de nosso país lembra muito a história das cidades assassinas que provocaram a ira de Deus e sua misericórdia por causa de seu servo Abraão.  Por toda parte, as notícias que chegam são apenas de injustiça, corrupção, crimes de todos os calibres e tamanhos. Por virem do centro do poder, esses crimes atingem e afetam a vida de toda a população brasileira, que geme sob o peso duro da diária luta pela sobrevivência, sempre mais difícil e penosa. 

As listas se multiplicam – a de Janot, a de Fachin etc. - trazendo uma infinidade de injustiças e de injustos que as cometeram e comprometem toda uma população de muito mais de 200 milhões de habitantes. Os pobres veem seus sonhos roubados, seu futuro espoliado por assaltos multimilionários aos cofres públicos e propinas incalculáveis de ricos empresários. Refugiados em paraísos fiscais, o produto do roubo e seus detentores acreditavam escapar da justiça humana.

Vendo o vazio de lideranças positivas no mundo da política e olhando tristemente o mar de lama em que se transformou Brasília, ouvimos a voz do pai da fé, Abraão, intercedendo pelos justos que não deveriam perecer com os ímpios. E quando uma nova delação faz aparecer novos nomes, e a lista dos injustos aumenta, temos a tentação de perguntar: Mas haverá cinquenta justos?  E quarenta? Ou trinta?  Ou mesmo vinte? Ou apenas dez? O pânico que se apossa de nós sinaliza que talvez não haja nenhum. 

No entanto, Ló e sua família foram resgatados ao final da história.  Dos escombros do nosso país, a esperança discreta se deixa perceber.  Há esforços, iniciativas, comunidades, vocações políticas feitas de idealismo e entrega.  A lista de Abraão não está vazia. Graças a isso é permitido ter esperança.

Possa o nosso país reencontrar o caminho de sua legitimidade democrática, de seu crescimento, da superação das imensas desigualdades e iniquidades que o assolam e vão sendo exacerbadas pela gigantesca corrupção que se revela nos capítulos da Operação Lava jato.  Mas isso só será possível se, sem deixar de confiar e esperar na misericórdia divina, for feita uma grande avaliação, uma profunda autocrítica por parte de todos – cidadãos e homens públicos – a fim de que o Brasil possa retomar o seu caminho com dignidade e coragem. 

Como sempre, é a Revelação que nos ajuda uma vez mais.  Diz a tradição talmúdica que o destino do mundo repousa sobre 36 justos desconhecidos. Nem eles mesmos sabem quem são. Certamente Deus sabe.  Esperamos sua manifestação, que impedirá nosso país de afundar no caos e viver uma aurora de esperança em meio a tanta decepção e desespero. 
 
Maria Clara Lucchetti Bingemer é  professora do Departamento de Teologia da PUC-. A   teóloga é autora de “O  mistério e o mundo – Paixão por Deus em tempo de descrença”, Editora Rocco.
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