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sábado, 3 de novembro de 2018

NOTA DE SOLIDARIEDADE A LEONARDO BOFF



Nesses dias pesados todas as pessoas comprometidas com a justiça e a paz e todos os grupos que creem na Democracia estão vivendo sob o impacto do resultado desastroso dessas eleições presidenciais.

Nesse contexto desejamos poder contar com o maior número possível de aliados que possam, conosco, unir-se para defender o país. Por isso, nossos grupos de base, representados nessa nota pelo Fórum Articulação de Leigos e Leigas e pelos grupos que a compõem Grupo Encontro da Partilha, Grupo Fé e Política Dom Helder Camara, CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, Trapeiros de Emaús, Turma do Fláu, MTC – Movimento de Trabalhadores Cristãos, Grito dos Excluídos, Renovação Cristã do Brasil, MCC – Movimento de Cursilhos da Cristandade da Arquidiocese de Olinda e Recife, Mulher Maravilha, Tenda da Fé, Movimento de Mulheres Contra o Desemprego, GIN – Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova, CPT – Comissão Pastoral da Terra e MIRE – Mística e Revolução, viemos a público para protestar contra a desrespeitosa e vil ofensa que em recente declaração, Ciro Gomes emitiu contra o nosso profeta e amigo querido Leonardo Boff, inspiração para todos/as os/as brasileiros/as que ouvem o grito dos pobres e o une ao grito da mãe Terra. A relação de amizade e de solidariedade que une pessoas como Leonardo Boff e Frei Betto ao presidente Lula em sua injusta prisão, só os engrandecem e são para nós exemplos a serem seguidos.

Sabemos que todos os brasileiros estão habituados a conviver com os destemperos verbais de Ciro Gomes, mas era de se esperar ao menos a civilidade de tratar os outros com educação e a ética de não atacar pessoas que, agora, não podem se defender publicamente, como é o caso do presidente Lula.
Aos irmãos, objetos da ira e do ressentimento de Ciro, só podemos lembrar as palavras de Jesus: Felizes sereis vós quando vos insultarem e disserem contra vós todo o mal por causa de mim. Alegrai-vos e exultai porque será grande nos céus a vossa recompensa” (Mt 5, 12).

Leonardo Boff nos representa!!!

RELIGIOSOS E RELIGIOSAS

1. Francisco de Assis Secchin Ribeiro
2. Frei Aloísio Fragoso – frade franciscano
3. Frei João Xerry
4. Gislane Simões Campos
5. Helivete Ribeiro – pastora Coletivo Vozes de Maria
6. Irmã Arlete - Franciscana Maristella
7. Irmã Aurieta
8. Irmã Carolina - Franciscana Maristella
9. Irmã Cláudia - Franciscana Maristella
10. Irmã Gertrudes - Franciscana Maristella
11. Irmã Jociária - Franciscana Maristella
12. Irmã Cleide Fontes
13. Irmã Lusimar - Provincial - Franciscana Maristella
14. Irmã Maria da Glória Bastos Silva
15. Irmã Maria José Cardoso
16. Irmã Maria dos Anjos – Franciscana Maristella
17. Irmã Marinez - Franciscana Maristella
18. Kinno Alves Cerqueira – presbítero da Igreja Batista
19. Marcelo Barros – Monge Beneditino
20. Maria da Conceição Leitão
21. Maria das Graças Ferreira da Silva
22. Maria Rosely Oliveira
23. Maria Vanda de Araújo
24. Mons. José Albérico Bezerra
25. Odja Barros - Pastora Batista
26. Pe. Fabio Potiguar Santos
27. Pe. Marcos Augusto Brito Mendes SJ
28. Pr. Bruno Moreira da Silva Clemente - Pr. Batista
29. Pe. Pedrinho RS
30. Sebastião Armando – Bispo da igreja Anglicana

PERNAMBUCO

31. Adérito de Aquino Filho
32. Adriana Bezerra
33. Adriana Ribeiro Alves Lins
34. Aldenize José
35. Alexandre Fragoso
36. Alexandre Telles
37. Alice Leonardo
38. Amaro Henrique Pessoa Lins
39. Ana Amâncio
40. Ana Beatriz Ribeiro de Paiva
41. Ana Catarina Teles Novaes Campelo
42. Ana Cláudia Barbosa
43. Ana Maria Tenderini
44. Ana Maria Oliveira de Araújo
45. Ana Nigro
46. Ana Patrícia Morais Barbosa
47. Ana Paula Albuquerque Rodrigues
48. Anderson Gusmão
49. Ângela Maria Alves de Barros
50. Ângela Maria de Lima Nascimento
51. Antônio Carlos Maranhão Aguiar
52. Antônio Silvio De Barros Pessoa
53. Ari Alves de Lucena
54. Aurinete marques
55. Bárbara Aguiar
56. Bete Barbosa
57. Bruno Ribeiro
58. Carmen de Castro Chaves
59. Carmen Lima
60. Carolina Menezes
61. Célia Costa
62. Célia Maria de Albuquerque Trindade
63. Christina Ribeiro de Paiva
64. Clarinda F. R. Aguiar
65. Denise Coutinho
66. Djanyse Barros Mendonça Villarroel
67. Edelomar Barbosa
68. Edla Maria Noronha Galvão
69. Edna Barbosa Ferreira
70. Edvaldo Telles Neto
71. Elenice Godoy Ramos
72. Eliane Bezerra
73. Elza Maria Andrade Mota
74. Fátima Wanderley
75. Filipe Xavier
76. Flávia Simone de Sousa Campelo
77. Francisca Chaves
78. Francisco de Assis Esmeraldo de Oliveira
79. Francisco Ilo Bezerra Cardoso
80. Francisco Sérgio Alves Pinheiro
81. Francisco Tavares
82. Geraldo Ferreira da Silva
83. Geraldo Luiz dos Santos
84. Germana Siqueira
85. Goretti Santos
86. Helena Cortez
87. Helena Maria Tenderini
88. Heloísa Maria da Silva
89. Icaro Cavalcante Pessoa
90. Iolanda Silva
91. Isabel Linda
92. Izabel Lins
93. Isaura Rodrigues
94. Iuri Cavalcante Pessoa
95. Izabel Célia Lima Melo
96. Jacilene Luiza de Oliveira Barreto
97. Jane Cristina Gonçalves Correia
98. Janete Esmeraldo
99. Janete Leitão
100. Jean Carlos Ramos da Silva
101. Jean Tessier
102. João Alves do Nascimento Júnior
103. João Luiz Vieira de Oliveira
104. Joao Paulo Medeiros
105. João Pedro Rodrigues
106. João Ricardo Tavares
107. Joenilda Alves Feitosa
108. José Arnaldo Guimarães
109. José Carlos Cavalcante
110. José Josélio da Silva
111. José Maria Marinho Falcão
112. Josefa Fernandes de Oliveira
113. Joventina Santos
114. Kelly Coelho
115. Laura Germana Araújo da Silva
116. Laura Sousa
117. Laura Susana Duque-Arrazola.
118. Lêda Telles
119. Leny Barros
120. Leonila Veridiana Araújo da Silva
121. Lia Margarida Ribeiro da Silva
122. Lilian Sibely Cavalcante Silva
123. Lívia Maria Araújo da Silva Fernandes
124. Luana Filgueiras
125. Lúcia Alves De Lima
126. Lúcia Moreira
127. Luciana Valença
128. Luciano de Farias
129. Luciene Malta
130. Lucy de la Mora
131. Luigi Tenderini
132. Luiz Carlos Oliveira de Figueiredo
133. Luís Carlos da Silva Lins
134. Luis Carlos de Siqueira Bezerra
135. Luis de la Mora
136. Ma. Elziclecia R. de Aquino
137. Magnolia de Melo Jucá
138. Maíra Barbosa
139. Manoel Moraes
140. Márcio Tavares
141. Margareth Mayer
142. Maria Ângela de Araújo Lima
143. Maria Angelina de Oliveira
144. Maria Augusta Soares de Oliveira Ferreira
145. Maria José Coelho
146. Maria Cristina Cortez Uchoa de Miranda
147. Maria de Fátima Alencar Diniz
148. Maria de Fátima Araújo de Oliveira
149. Maria de Fatima de Araújo Vieira Santos
150. Maria de Fátima Glasner
151. Maria de Fátima Silva - Sertão do Pajeu
152. Maria de Jesus de Luna Alves Campelo
153. Maria Laura Pessoa
154. Maria de Lourdes Araújo Luna
155. Maria do Carmo Araújo Silva
156. Maria do Socorro Carneiro
157. Maria Fernanda Coelho
158. Maria Hermínia Martins
159. Maria Inês do Rêgo
160. Maria Luiza Martins Alessio
161. Maria Nina Ramos Silva Cavalcanti Melo
162. Maria Raquel de Almeida
163. Maria Vanise Pires de Rezende
164. Marinalva Cavalcanti
165. Maristela Pinto de Menezes
166. Marta Maria Soares de Camargo
167. Míriam Damasceno
168. Missimere Maria da Anunciação
169. Mônica Virgínia Monteiro Pereira
170. Nadja Urt Almeida de Moraes
171. Narciso Cechinel
172. Normândia Macedo de Medeiros
173. Paolla Rêgo Barros
174. Patrícia Maria Uchôa Simões
175. Paulo Rubem Santiago
176. Pedro Telles
177. Penha Barros
178. Rejane Menezes
179. Renata Valéria de Araújo Lima
180. Ricardo Swain Alessio
181. Rogério Cavalcanti dos Santos
182. Rosa Maria Maranhão Pessoa
183. Rosilda Moura
184. Rubia Telles
185. Sara Maria Tenderini
186. Sérgio Menezes
187. Severino Ramos Barbosa
188. Sofia de Sena Costa - Brasília
189. Teresa Maria Braga de Moraes
190. Teresinha de Jesus Braga de Moraes
191. Tereza Cristina de Assis Carvalho
192. Tereza Viana Bezerra
193. Téta Barbosa
194. Valdenice Raimundo
195. Valdemir Alves de Medeiros
196. Valmir Assis da Silva Filho.
197. Vera Lúcia Anderson
198. Vera Scheidegger
199. Veralúcia Oliveira Coutinho Ramos
200. Verônica Freitas
201. Vilma Abadie Guedes
202. Vilma Dornelas da Silva
203. Virgínia Araújo dos Santos
204. Xavier Uytdenbroek
205. Zacharias Ernani Candeias Junior
206. Zezé Moura
207. Zilmar Medeiros

BRASILIA

208. Maria Zeneida Esmeraldo Oliveira

CEARÁ

209. Antônia Maria Ferreira

210. Cecília Maria Menezes
211. Francisca Simone de Castro Alves Nepomuceno
212. Maria Elisabeth Sousa Amaral
213. Maria do Rosário Esmeraldo Melo
214. Maria Odete Alves
215. Maria de Oliveira Alves
216. Porcina Barreto Frota

JUIZ DE FORA

217. Maria Inês Dia Viera Braga 

218. Antonio Fernando Vieira Braga 
219. Raquel Dias Vieira Braga

MATO GROSSO

220. Artemis Torres e Nicanor Palhares Sá


RIO DE JANEIRO

221. Asaino Maria Dos Anjos Cypriano Alves dos Santos

222. Sérgio Alves

SÃO PAULO

223. Anna Nigro SP

224. Alice Leonardo
225. Sérgio Abreu

CANADÁ

226. Maria Carolina Cunha de Sousa

227. Rossana Menezes

EUROPA

228. Andrea Menezes - NORUEGA

229. Simone Germano - PORTUGAL
230. Maurício Gaspari – PORTUGAL

terça-feira, 24 de outubro de 2017

PARA UM FÓRUM PERMANENTE DOS POVOS



Por Marcelo Barros

Nessa semana, o mundo recorda o 24 de outubro de 1945, quando foi proclamada a Carta das Nações Unidas e fundada a ONU. Agora, 72 anos depois, boa parte da humanidade percebe que continua necessária uma organização internacional que regule as relações entre os Estados. Apesar de fragilizada e ter o seu Conselho de Segurança dominado pelas grandes potências e a serviço de suas causas, a ONU ainda reúne os governantes em função da paz e do bem de toda a humanidade. No entanto, cada vez fica mais clara a urgência de se constituir um organismo com perfil semelhante que reúna cidadãos da sociedade civil. A paz, a justiça entre os povos e o cuidado que a humanidade deve ter com a Terra são questões por demais importantes para serem deixadas apenas aos cuidados de técnicos e governantes. Um princípio jurídico dos tempos antigos afirmava: "Aquilo que diz respeito a todos deve ser tratado e decidido por todos".

Nessa direção, nas últimas décadas, foram tentadas várias tentativas. Em junho de 1992, no Rio de Janeiro, enquanto os chefes das nações faziam a Rio 92, os movimentos e organizações sociais se reuniam no Aterro do Flamengo. Foi um encontro de cidadãos/ãs do mundo inteiro. O plenário dessa movimentação se chamava "Cúpula dos Povos". A partir do levante dos índios do Sul do México (1994), em Chiapas aconteceram três encontros que se chamaram: "Encontros da humanidade pela Vida e contra o neoliberalismo". Ao mesmo tempo, na Itália e na França, grupos tentavam organizar uma "ONU dos povos". Em 2001 começou o processo dos fóruns sociais mundiais. Quase vinte anos depois, esse processo continua vivo e interpelador. O próximo Fórum Mundial ocorrerá em Salvador, BA, de 13 a 17 de março de 2018.

Esses eventos são oportunos e úteis. No entanto, precisamos de uma articulação que vá além das manifestações ocasionais para algo permanente e cotidiano. No Brasil atual, dezenas de movimentos e organizações sociais se juntam em coletivos como a "Frente Brasil Popular" e ainda a "Frente Povo sem Medo".

Dos povos andinos, se espalha pelo continente a proposta de que o Estado e todas as organizações sociais, políticas e econômicas devem tomar como prioridade o paradigma que os índios chamam: o Bem Viver. Corresponde ao que, no evangelho, Jesus propõe como "vida em plenitude", ou vida de qualidade (Cf. Jo 10, 10).

No Oriente Médio, alguns povos como os armênios e os curdos vivem sem direito a se sentirem plenos cidadãos da terra em que nasceram. São considerados como estrangeiros em seus próprios países de origem: a Turquia, a Síria e o Iraque. Abdulah Ocalan, líder dos curdos, atualmente está em uma prisão da Turquia e foi condenado à morte. Ele propõe como novo caminho político o Confederalismo Democrático. Trata-se de uma administração política não estatal. É uma democracia sem Estado. Ao constatar que os Estados se fundamentam sob o poder das armas e da coerção, ele propõe um caminho democrático que busque no diálogo o consenso coletivo que seja possível, a convivência com a diversidade étnica, cultural e religiosa. Esse caminho, diferente e até contrário ao caminho trilhado pela sociedade dominante só é possível a partir de uma forte educação comunitária, uma profunda fé na dignidade humana e na capacidade de juntos desenvolvermos as sementes de bondade que existem em cada ser humano.

É impressionante que esse tipo de proposta venha de um líder social e não de ministros religiosos. Esses, em geral continuam a pensar o seu ministério e as relações entre pessoas, mesmo em uma comunidade religiosa, como relação vertical de mando e obediência. Para os cristãos, é importante recordar que, segundo o evangelho, na hora da última ceia, ao despedir-se do seu grupo de discípulos e discípulas, Jesus lhes disse: "Os reis e governantes dominam sobre os povos. Os que têm poder querem ser chamados de benfeitores. Entre vocês, não deve ser assim. Quem quiser ser o maior se torne o menor e quem se propõe a governar seja como quem se coloca a serviço dos outros" (Lc 22, 25- 26).  


 Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países    

quarta-feira, 26 de julho de 2017

NOTA DE APOIO AOS EDUCADORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DO RECIFE E REPÚDIO AO TRATAMENTO DISPENSADO PELA PREFEITURA.




Recife: 26 de Julho de 2017


“Política, queridas irmãs e queridos irmãos, não é só política partidária. Política é, antes de tudo, preocupação com os grandes problemas humanos e com os direitos fundamentais do homem. Cristo veio trazer paz ao mundo. Pode haver paz se as injustiças só fazem crescer? Não vão na onda de quem diz que primeiro é preciso fazer o bolo crescer, para dividi-lo. O bolo já está sendo preparado e está sendo comido”.  Dom Helder Camara - Circular, 2 de dezembro de 1980

O Fórum Articulação de Leigos Cristãos, inspirado no chamado do Papa Francisco  que nos chama a ser Igreja de saída, Igreja de rua, Igreja do povo de Deus e em comunhão com a nossa Arquidiocese, vem a público externar sua preocupação e repúdio ao lamentável tratamento que o Prefeito da Cidade do Recife, Exmo. Sr. Geraldo Júlio dispensou aos professores e professoras da rede municipal de ensino do Recife.
O lastimável impedimento do acesso de paramédicos para atendimento a pessoas em situação de risco de saúde viola completamente a moral cristã e os Direitos Humanos.
Vale salientar que a ocupação do gabinete do prefeito foi um ato desesperado da classe dos servidores da educação municipal que viu seus esforços em abrir canal de diálogo totalmente frustrados pelo administrador público. Os professores lutam há meses pela dignidade salarial e por melhores condições de trabalho.
Os diversos relatos sobre a forma como foram tratados os professores denota táticas de tortura psicológica e isso é inadmissível por todos os motivos, sobretudo em se tratando de funcionários públicos, dentro do prédio onde funciona a administração da cidade. Quem trata o professor como lixo não tem capacidade para administrar nada, muito menos uma cidade.
Queremos que o Prefeito, que se diz cristão, reflita sobre seus atos à luz do Evangelho e reveja sua determinação em não dialogar com os professores. Nosso desejo é que prevaleçam os valores humanos, que devem ser prioridade em qualquer situação.
Conclamamos os alunos e alunas, funcionários e funcionárias do setor de educação, bem como os pais dos alunos da rede municipal de ensino, a apoiarem nosso protesto contra a violência sofrida pelos professores, não apenas por solidariedade, mas pela consciência de que a luta deles é justa e visa um futuro melhor para todos.
Na esperança do cumprimento da justiça e da preservação dos valores morais, humanos e cristãos, desejamos a todos paz e bem

Fórum Articulação de Leigos Cristãos  na Arquidiocese de Olinda e Recife

CEBs – Comunidades Eclesiais de Base
CEBI - Centro de Estudos Bíblicos
Centro Educacional Profissionalizante do Flau (Turma do Flau)
Fé e Política Dom Helder Câmara
Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova
Grupo de Partilha Amigos para Sempre na Fé e na Vida
Encontro da Partilha
Tenda da Fé
IDHeC - Instituto Dom Helder Câmara
Mística e Revolução - MIRE
Movimento de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Olinda e Recife
Movimento de Mulheres Contra o Desemprego
Movimentos de Trabalhadores Cristãos – MTC/NE II
Pastoral Carcerária
PJMP – Pastoral da Juventude do Meio Popular

quarta-feira, 26 de abril de 2017

FÓRUM ARTICULAÇÃO DE LEIGOS CRISTÃOS ENVIA CARTA DE APOIO A DOM FERNANDO SABURIDO

Recife 25 de Abril de 2017

Ao Reverendíssimo Arcebispo de Olinda e Recife Dom Fernando Saburido

"Quanto a você, arregace as mangas, levante-se e diga a eles tudo o que eu mandar. Não tenha medo; senão eu é que farei você ter medo deles”. (Jr 1,17)

Foi com grande alegria que ouvimos a conclamação de V. Ex.ª Revma. ao rebanho de Cristo de nossa Arquidiocese para participar da Greve Geral no próximo dia 28 de abril, legítima e legitimada pelos graves ataques feitos ao povo brasileiro.

Em um momento em que a grande mídia quando não cala, coaduna-se com as posições ilegítimas de um Governo igualmente ilegítimo, a posição firme e franca da Igreja Católica, alinhada a orientação de nosso pastor Francisco, é um farol claro e forte, apontando os rumos que devemos seguir.

Vivemos um momento histórico, em que a Igreja Católica, fiel ao exemplo se Jesus Cristo, se posiciona ao lado dos pequeninos e amados de Deus, os mais fracos, os oprimidos, dando-lhes esperança e tornando-se a sua voz.

Como tão bem o disse o nosso papa Francisco, em um de seus discursos, preocupado com o futuro dos direitos trabalhistas: "Terra, teto, trabalho. É estranho – disse –, mas quando falo sobre estas coisas, para alguns parece que o Papa é comunista. Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Portanto, terra, casa e trabalho são direitos sagrados, é a Doutrina social da Igreja”.

Finalizamos com as palavras de Dom Helder que, em nosso entendimento, se encaixam no momento difícil em que vivemos:

"Enfrentar sem ódio, mas com decisão, os perigos internos e externos que ameaçam a classe trabalhadora. Quem nos obriga a estar do vosso lado, para vencer ou para perder, para triunfar ou para sofrer, quem nos incita e encoraja é o amigo número 1 dos trabalhadores: Nosso Senhor Jesus Cristo". - Dom Helder Camara, 1968.

Conte conosco. Fraternalmente,



CEBs – Comunidades Eclesiais de Base
CEBI - Centro de Estudos Bíblicos
Centro Educacional Profissionalizante do Flau (Turma do Flau)
Fé e Política Dom Helder Câmara
Grupo de Leigos Católicos Igreja Nova
Grupo Mulher Maravilha
Grupo de Partilha Amigos para Sempre na Fé e na Vida
Encontro da Partilha
Tenda da Fé
IDHeC - Instituto Dom Helder Câmara
Mística e Revolução - MIRE
Movimento de Cursilhos de Cristandade da Arquidiocese de Olinda e Recife
Movimento de Evangelização Encontro de Irmãos
Movimento de Mulheres Contra o Desemprego
MPC – Movimento de Profissionais Cristãos
MTC/NE II - Movimento de Trabalhadores Cristãos –
Pastoral Carcerária
Pastoral da Saúde
PJMP – Pastoral da Juventude do Meio Popular
RCB – Renovação Cristã do Brasil

terça-feira, 31 de março de 2015

DIGNIDADE E DIREITOS: OUTRO MUNDO É POSSÍVEL


Marcelo Barros


Nesses dias, (de 24 a 28 de março), em Túnis, no norte da África, ocorreu mais uma sessão (a 15a) do Fórum Social Mundial. Sempre com a bandeira de “um outro mundo é possível”. Dessa vez, o Fórum assumiu como tema principal a defesa da dignidade humana e dignidade da vida. Incluem-se nos direitos a serem promovidos os do ser humano, das comunidades originais, assim como os necessários cuidados com a natureza, assim como o estatuto correspondente a direitos do Cosmos, da terra, da água e de todos os seres vivos.

O Fórum Social Mundial é um processo que começou em Porto Alegre em 2001. Desde então percorreu vários continentes. A cada sessão tem reunido organizações sociais, movimentos, intelectuais e militantes de base vindos de todo o mundo em uma assembleia da humanidade. O processo dos fóruns sociais parte da percepção de que a atual forma de organizar o mundo está em crise. No mundo todo, as pessoas sofrem a insegurança de viver em uma sociedade na qual o desemprego é estrutural e desejado pelas empresas que mandam nos Estados. Os cidadãos pagam impostos, mas não veem respeitados seus direitos sociais. Já em 1948, a ONU reconhecia esses direitos como universais e imprescindíveis para toda pessoa humana. A natureza sempre passou por épocas diferentes. Em todas elas, houve catástrofes ecológicas. Mas, em nenhuma outra época, a crise ecológica chegou a esse ponto. Dessa vez, provocada pela ambição e prepotência do ser humano. Diante de tudo isso, o Fórum Social Mundial mostra que não basta protestar. É preciso sentir-se responsáveis e organizar-se para preparar um novo mundo possível. A carta de princípios do Fórum, estabelecida pela Comissão Internacional que organiza o processo, deixa claro que se trata de uma iniciativa não partidária que reúne cidadãos do mundo inteiro. No Fórum, todos são iguais e não existem autoridades que dominam. Em cada fórum, os movimentos e organizações sociais se encontram e organizam atividades autônomas sobre os mais diversos temas. O Fórum não se constitui como “central de movimentos sociais e organizações não governamentais”. Proporciona espaço para que as mais diferentes iniciativas de base e os trabalhos sociais dos diversos grupos se conheçam, dialoguem entre si e se articulem em vista de um caminho comum.  

Desde janeiro de 2001, quando ocorreu o 1o Fórum Social Mundial, até esse final de março, quando a sociedade civil internacional se reuniu em Túnis, no 12o Fórum Social, o mundo mudou muito. Em alguns aspectos para melhor. Na América Latina, nos últimos dez anos, cresceu muito a consciência de uma unidade comum. Nossos povos, desde séculos, submetidos aos impérios do mundo, deram passos na direção de sua autonomia e libertação. É claro que impérios como o governo dos Estados Unidos da América não aceitam isso. Fazem tudo para deter esse caminho. Nesses dias, intelectuais latino-americanos, teólogos da libertação, personalidades que receberam o prêmio Nobel da Paz e o padre Miguel d’Escoto, ex-secretário da assembleia geral da ONU, escreveram uma carta ao presidente dos Estados Unidos. Na carta, insistiram que Obama parasse com essa guerra ideológica. Denunciavam que, durante décadas, o governo norte-americano financiou golpes de Estado e derrubou os governos mais populares em nosso continente. Atualmente, como não tem mais clima para continuar a cometer esse tipo de ações, cria um clima de ameaça e insegurança permanente em países como a Venezuela e Bolívia. Diante de tudo isso, é mais do que urgente pensar juntos novas bases para uma sociedade internacional.

Esse fórum se encerra na véspera da semana na qual as Igrejas cristãs celebram a doação da vida de Jesus e sua Páscoa, ou seja, sua presença viva nas comunidades que continuam o seu caminho e sua missão para realizar no mundo o projeto divino de justiça e de paz. É importante que os cristãos celebrem essa Páscoa como abertura para o diálogo com os outros crentes e como símbolo de um novo fórum mundial de pessoas que creem em Deus e por isso creem mais ainda em um novo mundo possível.

  Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A IGREJA SE FAZ FÓRUM DE IRMANDADE



Por Marcelo Barros


Nesses dias, a Igreja Católica entra no 50o ano do encerramento do Concílio Vaticano II, em Roma, em 1965. Até o próximo ano, no mundo inteiro, diversos eventos recordarão o Concílio que deu início a uma grande renovação da Igreja. Ele a pôs em diálogo respeitoso e construtivo com o mundo contemporâneo. O papa Francisco tem insistido: para ser fiel ao que, hoje, o Espírito diz às Igrejas, essas devem prosseguir, com coragem e determinação, o diálogo com a humanidade. Só assim cumprirão o exigente trabalho da sua renovação interna para melhor servir ao projeto divino de justiça, paz e comunhão com o universo.  
Na celebração desse jubileu do Concílio, ministros e fieis avaliam o caminho feito desde então. Quando o papa João XXIII convocou todos os bispos do mundo para renovar a Igreja Católica, tinha em vista preparar o caminho para a unidade com outras Igrejas cristãs. Agora, 50 anos depois, apesar de muitas experiências de diálogo e serviço em comum, as Igrejas continuam divididas. E a mística da unidade, pela qual João XXIII deu a vida, não se converteu em preocupação fundamental da maior parte dos ministros e fiéis da Igreja Católica e de outras Igrejas. 

Desde esta época, o mundo viveu grandes transformações. Em todo o mundo, sociedades de cultura agrária se urbanizaram. O mundo atual se caracteriza por rápidas e incessantes mudanças, não apenas no campo tecnológico, mas também no plano da cultura e dos costumes. Dentro desse contexto, as religiões continuam se definindo como sociedades que se caracterizam pelo apego a suas tradições e pela imensa dificuldade de mudar a linguagem e o modo de ser. Isso é um obstáculo sério ao diálogo das instituições religiosas com a humanidade e a sua inserção na construção de um novo mundo possível.    
No Evangelho, Jesus propõe: “Não adianta colocar remendo novo em roupa velha. O remendo repuxa o pano e rasgão fica maior ainda. Ninguém coloca vinho novo em barris velhos porque o vinho novo arrebenta os barris velhos e tanto o vinho como os barris se perdem. Para vinho novo (que é o evangelho), temos de ter barris novos” (Mc 2, 21- 22). Essa palavra ressoa hoje para cristãos e não cristãos como um apelo para à permanente transformação inspirada pelo Espírito nas Igrejas e no mundo. Atualmente, muitos cristãos desejam um novo concílio, dessa vez, reunindo não somente bispos católicos, mas pastores e fiéis de várias Igrejas cristãs. Apesar de, hoje, contarmos com a proposta renovadora do papa Francisco, o estilo de Igreja que ainda persiste na maioria dos lugares é o modelo medieval dogmático  e autoritário. Por isso, mais do que um grande evento, a ser realizado em Roma ou em outra parte do mundo, um grande grupo de bispos, padres e fieis preparam uma proposta que se chama de “novo processo conciliar”. Seria um fórum permanente de diálogo e busca em comum. As comunidades locais são convidadas a  aprofundar os  grandes desafios do mundo atual e a missão das igrejas em relação a eles. O tema de uma civilização ecologicamente sustentável e baseada na paz e na justiça seria o pano de fundo. A partir dessa missão, é preciso renovar o modo de expressar a fé e inserir-se no mundo. Isso fará os cristãos superarem uma concepção de Igreja voltada sobre si mesma para o caminho proposto por Jesus. Em 1971 na França, (Taizé), um Concílio de jovens propunha: “uma Igreja missionária e pascal, pobre e despojada dos meios de poder que se coloque como espaço de comunhão amorosa para toda a humanidade”.



 Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países.  


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