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terça-feira, 17 de setembro de 2019

O FRÁGIL FILTRO DA VIDA



Por Marcelo Barros

Em meio às notícias aterradoras de desastres climáticos em todo o mundo, incêndios criminosos na floresta amazônica e na África, nesta semana, a ONU nos convida a celebrar a atenção e cuidado com a camada de ozônio que protege o planeta Terra. É preciso que toda a humanidade saiba: o ozônio é um gás volátil (O3) que se encontra na atmosfera. Ali, entre 25 e 30 quilômetros de distância da superfície da terra, existe uma camada de ozônio que tem como função absorver a radiação ultravioleta do sol e, assim, proteger plantas, animais e seres humanos desses raios que devem ser filtrados para não nos fazer mal. Se, na atmosfera, essa camada de ozônio diminui ou mesmo desaparece, nós e os animais ficamos expostos a várias enfermidades e problemas.

No começo da década de 70, vários tipos de câncer e doenças de pele começaram a se espalhar de forma inusitada. Os cientistas descobriram que era por causa da destruição da camada de ozônio e a culpa era de gases industriais lançados na atmosfera. Foram necessários anos para convencer os industriais. Somente em 1987, os cientistas conseguiram que os governos assinassem o Protocolo de Montreal, tratado no qual 46 governantes se comprometeram a parar a fabricação de clorofluorcarbono (CFC), principal fator da destruição do ozônio na atmosfera. A partir daquele 16 de setembro de 1987, cada ano, nessa data, se celebra o dia internacional de proteção à camada de ozônio”.

Conforme os dados que temos, desde a assinatura do documento de Montreal, a produção do CFC em todo o mundo caiu 76% em relação aos anos anteriores ao tratado. Entretanto, no mercado negro, a cada ano, ainda são vendidas mais de 30 mil toneladas de CFC, em forma de gás para geladeiras e latas de spray. Isso mostra que não basta a lei para mudar a realidade. É preciso uma mudança cultural. Esse é o objetivo do dia de proteção à camada de ozônio.  Cuidar da proteção da camada de ozônio é responsabilidade dos governos e organismos internacionais, mas é igualmente importante que todos os cidadãos, entrem nessa campanha. Quando facilitamos queimadas, quando usamos sprays como inseticidas e desinfetantes, estamos comprometendo a camada de ozônio. E não pense você que um aerossol aqui e ali não faz mal. Está provado que a basta a incidência desse tipo de prática em um conglomerado urbano e já os cientistas percebem mudança na camada de proteção à Terra.

Há cinco anos, o papa Francisco propôs que toda a Igreja Católica assumisse o costume das Igrejas orientais (ortodoxas) de dedicar o primeiro domingo de setembro ou uma data conveniente desse mês a orar e meditar no cuidado com a criação, a Terra, às águas e toda a natureza. Infelizmente, até aqui, no Brasil, poucas dioceses têm assumido essa bandeira. Muitos bispos e padres confessam que nem tinham ouvido falar dessa proposta. É preciso que as comunidades locais e as pessoas de boa vontade lembrem a seus ministros que deveriam seguir as orientações do papa não somente quando esse emite normas conservadoras e rígidas, mas também e principalmente quando esse dialoga com as melhores causas da humanidade e propõe um caminho para o bem comum não só dos cristãos, nem mesmo só dos seres humanos e sim de toda a Vida no planeta.

Daqui a poucos dias, bispos católicos de todo o mundo se reunirão em Roma com o papa no Sínodo sobre a Amazônia. Uma novidade desse sínodo é que o documento de trabalho que os bispos receberam para prepará-lo afirma: “A ecologia integral faz parte essencial da missão das Igrejas cristãs e Deus pede de todos nós uma conversão que não é somente no plano individual e moral, mas deve ser uma conversão ecológica em nosso modo de nos relacionar com a Terra, nossa casa comum e todos os bens da criação”. 

Pelo fato de que todas as Igrejas cristãs e também algumas outras religiões têm sido cúmplices ou omissas em relação a esse modelo de civilização destruidor da natureza, essa conversão ecológica é urgente e fundamental. É preciso criar uma mais sólida formação e uma nova sensibilidade das comunidades espirituais com relação ao cuidado com a natureza e em especial com a camada de ozônio que protege a vida.

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 44 livros publicados, dos quais  “O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede da Paz e Loyola. Email: irmarcelobarros@uol.com.br  



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