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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

VACINA PARA PSICOPATAS FACÍNORAS

 



 

Prof. Martinho Condini

 

Caras amigas e amigos, quando penso que se esgotaram o estoque de estupidez do  paraquedista presidente e o seu governo, eles se superam e me surpreendem, claro que sempre negativamente. 

A primeira surpresa vem do Ministério da Saúde que publicou uma portaria no final de agosto que obriga os médicos e demais profissionais de saúde quando acolherem pacientes de casos em que houver indícios ou confirmação do crime de estupro, devem informar a polícia. E também determinaram que a vítima violentada deverá ver a imagem do feto em ultrassonografia, se não bastasse ela ainda deverá ser submetida a um extenso questionário sobre o estupro. Só faltou eles informarem que a vítima deverá dar um beijo na boca do estuprador, com direito a foto e porta retrato para colocar no criado mudo do seu quarto.

Esses psicopatas facínoras que aprovaram essa portaria gostariam que isso fosse feito com sua mãe, esposa ou filha? Há menos de um mês tivemos o caso da menina no Espírito Santo que foi estuprada e engravidou do próprio tio. Agora o ministério da saúde apresenta essa esdrúxula portaria para humilhar mais ainda as possíveis vítimas, que chegam ao hospital destroçada física e psicologicamente. Onde está a questão humanitária dessa corja?Em 2018 foram 66 mil vítimas de estupro no Brasil. O maior índice desde que o estudo começou a ser feito em 2007.  A maioria das vítimas (53,8%) foram meninas de até 13 anos. Conforme a estatística, apurada em micro dados das secretarias de Segurança Pública de todos os estados e do Distrito Federal. Quatro meninas até essa idade são estupradas por hora no país. Ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil, 4,1% acima do verificado em 2017 pelo anuário. Esses dados são suficientes para que o aborto legal seja respeitado nesse país.

O núcleo duro do governo e congressistas governistas neopentecostais e neoconservadores que se dizem ‘cristãos’ ou ‘de Deus’, deveriam ter tido vergonha na cara e ter impedido a publicação ou solicitado o seu cancelamento quando dela tomaram ciência, apesar que ciência não ser o forte dessa gente, em nenhum sentidos. E por favor, não venham com menção a Deus nessa questão do estupro legal. A última religiosa congressista governista que se referiu a Deus é suspeita de ter assassinado o ‘marido’.  

E a segunda surpresa foi mais uma pérola do paraquedista presidente da república, no dia 1º de setembro, que afirmou: “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”. Para reforçar a sua fala a Secretaria da Comunicação da Presidência da república emitiu  a seguinte mensagem: “O governo do Brasil preza pela liberdade dos brasileiros”.

Tenho certeza que hoje, enquanto vocês estão lendo este artigo já morreram mais de 122 mil pessoas no Brasil por causa da pandemia do covid 19.

O mundo está ensandecido em busca de uma, duas, três, quatro, cinco e mais quantas vacinas vierem para que as pessoas voltem a ter alegria de viver, de se relacionar, de trabalhar e se divertir. E somos obrigados a ouvir esses absurdos da cupula governamental do país que está em 2º lugar em número de mortos no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos da América, coincidentemente governado por outro facinora e psicopata, que também negou a pandemia como o nosso paraquedista presidente.

Historicamente sabemos quantas vidas foram salvas no século XX e início do XXI, graças as campanhas de vacinação em massa em nosso país, contra sarampo, poliomielite, coqueluche, caxumba, rubéola, H1N1 e outras.  

Mas infelizmente, no início do século XXI, iniciou-se uma onda mundial antivacina que possibilitou a volta de doenças que já estavam erradicadas há décadas no Brasil.

Agora o que nos resta é torcer para que se encontre o mais rapidamente possível a vacina para o covid-19, e que as pessoas se conscientizem que crianças e adultos devem ser vacinados para evitarmos o alastramento de epidemias e milhares de mortes.

Agora, vacina para insanidade mental de psicopatas e facínoras que governam esse país, acho impossível ser descoberta, mas se descobrissem, a ignorância os impediriam de tomar.


O Prof. Martinho Condini é historiador, mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação. Pesquisador da vida e obra de Dom Helder Camara e Paulo Freire. Publicou pela Paulus Editora os livros 'Dom Helder Camara um modelo de esperança', 'Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo', 'Fundamentos para uma Educação Libertadora: Dom Helder Camara e Paulo Freire' e o DVD ' Educar como Prática da Liberdade: Dom Helder Camara e Paulo Freire. Pela Pablo Editorial publicou o livro 'Monsenhor Helder Camara um ejemplo de esperanza'. Contato profcondini@gmail.com

terça-feira, 8 de setembro de 2020

BASTA DE MISÉRIA, PRECONCEITO E REPRESSÃO!

 



Marcelo Barros

 

Mais uma vez, desde 1995, a data da independência do Brasil é marcada por manifestações populares. Elas nos lembram que a  independência política, ocorrida em 1822 está incompleta. Para verdadeira independência, um país deve garantir vida livre e digna para toda a sua população. Isso supõe superar as desigualdades sociais e as injustiças delas decorrentes. Por isso, a cada 07 de setembro, movimentos populares e pastorais sociais da CNBB organizam o Grito dos Excluídos que se expressa através de concentrações e caminhadas pelas ruas das cidades.

O Grito é um gesto profético em defesa da justiça e do direito de todos. Em outros tempos, bispos profetas se colocavam como voz dos que não tinham voz. Hoje os próprios excluídos lutam para ter voz e vez no embate por uma plena cidadania. Neste ano, sua celebração terá de ser através da internet e de forma mais processual. No entanto, a crise social e sanitária imposta pela pandemia mundial de covid-19 e os graves retrocessos sociais impostos pelo atual governo brasileiro tornam ainda mais necessários o protesto e as manifestações da população atingida. Por isso, a organização do Grito insiste em proclamar a  preservação da vida em primeiro lugar. Opõe-se a um modo de organizar a sociedade que aumenta as desigualdades e injustiças. Neste ano, o lema do Grito será Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação!

Por todo o Brasil, as milhares de pessoas envolvidas nas atividades do Grito manifestam solidariedade aos quase 120 mil irmãos e irmãs mortos pela Covid 19. Denunciam o descaso e indiferença com o qual o presidente do país e o seu governo têm tratado a pandemia. Solidarizam-se às comunidades indígenas e remanescentes de quilombos, especialmente, atingidas pela pandemia e vítimas da cruel omissão das autoridades.

O Grito dos Excluídos também faz referência à urgente necessidade de revogação da Emenda Constitucional (EC) 95, o chamado Teto de Gastos. A tão falada crise econômica não pode mais servir de justificativa para tirar direitos da população e reduzir serviços públicos. Não é justo descarregar sobre a população mais pobre as consequências do descuido do governo. Os trabalhadores e trabalhadoras não podem continuar sendo penalizados pela ausência de políticas públicas, em todas as áreas. Por isso, é urgente revogar essa emenda constitucional.

Pelo fato de que, neste momento, ainda não podemos realizar o manifestações em praças públicas, o coletivo que coordena estabeleceu que todo dia 7 de cada mês, será um “Dia D do Grito”. De fato, o sistema de exclusão e de injustiças tem sido constante. Por isso, se torna necessário que esta realidade seja denunciada e combatida durante um tempo maior e através de diversas atividades que vão se espalhar por este tempo a seguir.

Para todas as pessoas que seguem tradições espirituais, é importante que a solidariedade com os setores mais oprimidos e vulneráveis da sociedade seja considerado como prioridade sagrada. Simone Weil, espiritual francesa da primeira parte do século XX, afirmava: “Eu reconheço quem é de Deus, não quando me fala de Deus, mas pelo seu modo de se relacionar com as pessoas e de lutar pela justiça no mundo”.

Todos sabem que o Brasil é o terceiro país do mundo em desigualdades sociais. Não poderemos mudar essa realidade apenas com gritos, mas, de fato, o Grito dos Excluídos é um movimento que se desdobra em iniciativas de organização dos trabalhadores e debates políticos com propostas alternativas importantes para o país.

O que caracteriza a fé judaica e cristã é a relação íntima entre a intimidade de Deus e o cuidado com a justiça e a solidariedade. Nos evangelhos, Jesus insiste de que não se pode separar o amor a Deus e o amor aos irmãos e irmãs. Ele revelou a preferência divina por aquelas pessoas que o evangelho chama de “pequeninos e objetos da predileção de Deus”. Ele as toma como companhia privilegiada em seus contatos e refeições. E afirma: “Quem acolhe uma pessoas destas (excluída da sociedade), é a mim que acolhe” (Mateus 25, 31 ss).

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 57 livros publicados. O mais recente é Teologias da Libertação para os nossos dias (Vozes). Email: contato@marcelobarros.com

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

AS LIDERANÇAS CRISTÃS QUE ELEGERAM BOLSONARO

 



Por Lusmarina Campos Garcia

Os escândalos envolvendo dois pastores e um padre esta semana em conjunto com o caso da menina de 10 anos na semana passada, mostram que o cristianismo no Brasil apodreceu

A pastora, cantora gospel e deputada federal pelo PSD/RJ, Flordelis dos Santos de Souza, é acusada de ser a mandante do assassinato do marido que foi executado pelos filhos. Com um discurso moralizante “pela família”, “em favor da vida”, contra o aborto e as relações homoafetivas, a “pastora” é acusada de manter relação incestuosa com os filhos além de matar o marido. Foi eleita com o voto de pessoas evangélicas ao cargo de deputada federal.

O pastor Everaldo Pereira, que batizou o Bolsonaro no Rio Jordão e é presidente do PSC (Partido Social Cristão), foi preso nesta sexta-feira (28), juntamente com dois de seus filhos, acusado de ser o líder de uma “sofisticada organização criminosa” que tem “o objetivo comum de desviar recursos públicos e realizar a lavagem de capitais, dentre outros crimes”. De acordo com a delação do ex-secretário de saúde Edmar Santos, o pastor Everaldo exercia influência sobre a CEDAE, o DETRAN e a Saúde do Estado do Rio de Janeiro. A área de saúde, da qual foram desviados milhões durante a pandemia, expondo a população do Estado a um maior risco de contaminação e morte pelo coronavírus.

Outro grande defensor “da vida”, o pastor Everaldo pode ser responsabilizado pela morte de tanta gente.

O padre Robson de Oliveira está sendo investigado por suspeita de desvio de R$ 120 milhões de doações dos fiéis. Ele foi extorquido em R$ 2,9 milhões para tentar impedir a divulgação de alegados casos amorosos. O padre é o idealizador da construção da Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO), que foi orçada em R$ 1,4 bilhões. Só o sino, importado da Polônia, custou R$ 6 milhões. A obra começou em 2012, mas ainda não saiu dos alicerces.

Tal obra é administrada pela AFIPE (Associação dos Filhos do Divino Pai Eterno) cujo presidente é o padre. Outras três AFIPEs foram criadas e a suspeita do Ministério Público é que existe um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito uma vez que as associações compraram inúmeros imóveis, dentre os quais uma fazenda de R$ 100 milhões, avião, casa em condomínio fechado, casa na praia, etc. A GAECO afirma que as três associações movimentaram entre 8 a 10 bilhões. Uma das linhas de investigação é de lavagem de dinheiro de empresários e políticos. Um dos núcleos políticos recebeu das Afipes mais de 43 milhões. Quatro crimes estão sendo investigados: apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e organização criminosa.

As igrejas cristãs têm se constituído em verdadeiros antros de extorsão e agências do crime organizado. Escondem a sua imundície por trás do discurso moralista “pró-vida”, “contra o aborto”, “contra a homossexualidade”, “pela família”, enquanto suas ações produzem mesmo é a morte, a injustiça, os abusos sexuais, a violência contra as mulheres, contra a comunidade LGBTQI, contra outras religiões.

Em nome de Deus dão vida ao diabo, ao demônio, ou seja, lá que nome se possa atribuir à concentração do mal. Dizem-se evangelizadores, mas não proclamam nem pautam as suas vidas pelos evangelhos. Matam, corrompem, enriquecem, constroem basílicas bilionárias ao invés de construir casas para quem não as tem e investir o dinheiro para criar condições de vida digna para o povo. Pervertem o evangelho colocando-o a serviço do dinheiro e do poder político. Enganam o povo com uma espiritualidade gospel e com a troca de “bênção” por doação. Dão ênfase à meritocracia, quando o núcleo primordial do evangelho é a Graça.

Onde está a voz destes líderes defendendo os indígenas, que estão sendo expulsos das suas terras durante a pandemia? Onde está o seu canto denunciando os assassinatos cotidianos nas favelas? Porque nada disseram quando chegamos aos 100 mil mortos pela C0vid-19? Onde estão as orações pelas 120 mil famílias enlutadas? Onde está a pregação fervorosa que aponta a desigualdade social como um problema estrutural que não se resolve individualmente, mas apenas com política pública de distribuição de renda, de riquezas, com reforma agrária e social? Cadê as televisões destes líderes denunciando o racismo?

Estes líderes e o povo que os têm como exemplo elegeram Bolsonaro.

É hora de parar. As igrejas cristãs precisam fazer uma auto-crítica profunda se quiserem sarar; precisam se repensar a partir de um diálogo franco e aberto com as mulheres, com a comunidade lgbtqi, com pessoas especiais, com negras e negros, com indígenas. O que precisamos é de um cristianismo libertário, que tome como modelo a figura do Jesus profético, e que não se deixe moldar pelo capitalismo financista, mas sim pela solidariedade e pelo compromisso com a construção de uma sociedade e uma humanidade mais justa, igualitária, acolhedora das diferenças e pacífica.

Lusmarina Campos Garcia é teóloga eco-feminista, pastora luterana e pesquisadora no Programa de Pós-graduação da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ. Compõe três grupos de pesquisa: Observatório do Judiciário Brasileiro, Direito e Cinema e Teoria da Sociedade, Direito e Política. Defensora dos direitos humanos, com ênfase na questão de gênero, pronunciou-se na audiência pública do STF no contexto da ADPF 442 em defesa da descriminalização do aborto. É atuante no movimento ecumênico desde a década de 1980.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

BRASIL DOS SAFADOS E DOS HONRADOS

 


por Frei Betto

 

       Em certos dias sinto profunda vergonha de ser brasileiro. Acontece quando vejo sucessivos governadores do Rio mergulhados na mais descarada corrupção, enfileirados à porta da cadeia. Ou quando me deparo com o contorcionismo da família Bolsonaro para (não) explicar rachadinhas, milícias, Queiroz, Wassef, 89 mil reais repassados à primeira-dama, e o modo agressivo com que o presidente reage às perguntas que não querem calar.

       Fico envergonhado quando o Tribunal de Contas da União (TCU) descobre que o auxílio emergencial, que beneficia 66,2 milhões de pessoas, foi pago também a quem não tinha direito de recebê-lo. Gente que, com certeza enche a boca para acusar injustamente líderes progressistas de corrupção, embolsou o total de 42,1 bilhões de reais saídos dos cofres públicos.

       Nessa toca de Alá Babá, ocupada por 6 milhões de ladrões, foram detectados 680 mil servidores públicos, 73,2 mil militares e 17 mil mortos! Todos os vivos com estabilidade no emprego. Para o ministro Bruno Dantas, do TCU, “não há hipótese legal, nem pela mais forçosa interpretação da lei, para um militar ativo, inativo ou pensionista ser titular do auxílio emergencial”.  Devolveram o dinheiro que tanta falta faz à saúde e à educação? Foram punidos? O governo responde com estridente silêncio...

       Como diz Ricardo Kotscho, no país dos espertos quem não tem direito se lambuza e quem precisa não recebe. Ainda estão fora do cadastro do governo 3,3 milhões de pessoas que se enquadram nos requisitos para merecer o auxílio emergencial que escancara o tamanho da pobreza no Brasil.

       Se me envergonha esse Brasil de corruptos, nepotistas, oportunistas e milicianos, sinto-me honrado em ser brasileiro quando me deparo com gente como os membros da Associação de Coletores de Recicláveis de Araçatuba (SP). Em 27 de agosto, dentro de um cofre atirado ao lixo, eles encontraram R$ 36 mil. Cada um dos 26 filiados à Associação consegue tirar, por mês, cerca de R$ 1,2 mil. A renda total fica em torno de R$ 30 mil a R$ 35 mil. A quantia encontrada no cofre é basicamente o lucro que eles obtêm mensalmente reciclando materiais.

       Ao desmontar o cofre para vender as peças como sucata, perceberam que havia um fundo falso. Dentro, o valor em dinheiro. “Fiquei apavorado e comecei a gritar. Nunca tinha visto tanto dinheiro em espécie na minha vida. Eu olhei e tinham pacotes e pacotes”, contou o catador Manoel de Sá, de 63 anos. “O cofre já estava aberto e todo amassado. A coordenadora pediu para pegá-lo. Eu me aproximei, chutei a tampa, que estava difícil de abrir, e vi o dinheiro separado em notas de R$ 100 e de R$ 50. Não precisei usar nenhuma ferramenta”, disse ele. E conluiu: “Eu gosto de deitar minha cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. Não conseguiria fazer isso se tivesse pegado o dinheiro. Usei minha honestidade que meu pai e minha mãe me ensinaram".

       O coordenador da Polícia Judiciária de Araçatuba (SP), Paulo César Cacciatore, explicou que o cofre foi encontrado após policiais militares receberem denúncia anônima informando que o objeto havia sido descartado no bairro Jussara, em Araçatuba, em 2018. “O cofre estava arrebentado, destruído. Alguém furtou ou roubou, pegou o que tinha dentro, se é que tinha algo, e jogou o cofre no local. Ele foi apreendido e, na época, apresentado no 3º Distrito Policial. Deve ter sido realizada uma investigação, mas não conseguiram encontrar ocorrências que relacionassem o cofre e a vítima”.

       Em junho deste ano, a Associação foi atingida por um incêndio que destruiu grande parte do galpão e equipamentos usados pelos catadores. Não houve vítimas. Menos de um mês depois, um laudo apontou que o incêndio fora provocado de forma criminosa. O suspeito de cometer o crime ainda não foi localizado.

       “A produção não parou. O incêndio atingiu mais a parte de cima, onde ficavam a biblioteca, o refeitório e a cozinha. Estamos recebendo bastante ajuda, porque o pessoal se sensibilizou”, disse Alexandra Campos Alves, secretária da Associação.

       Alexandra explicou que a Associação precisa de dinheiro para consertar as máquinas que foram danificadas pelas chamas. O custo para arrumá-las é alto. “Estamos passando por um momento complicado. Todos recebem pouco dinheiro. Lutamos muito. A quantia encontrada no cofre ajudaria demais, mas não era nossa. Ligamos para a Polícia Civil e devolvemos”.

       Os R$ 36 mil vão ficar guardados em juízo. Existem detalhes na lei que permitem, ao fim da investigação, que a quantia possa ser encaminhada aos cooperados que encontraram o valor.

       Muitos políticos e militares deveriam ser obrigados a fazer estágio na Associação de Araçatuba para serem eticamente reciclados.

 

       Frei Betto é escritor, autor do romance policial “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.

 

Frei Betto é autor de 68 livros, editados no Brasil e no exterior. Você poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org  Ali os encontrará  a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio. 

 

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