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terça-feira, 5 de junho de 2018

A PRIORIDADE DE SALVAR A VIDA NO PLANETA




Marcelo Barros

Durante essa semana, em torno ao 05 de junho, que a ONU consagra como “dia internacional do ambiente”, no mundo inteiro, se promovem discussões e eventos sobre a urgência de um maior cuidado com a Terra e a proteção da vida no planeta. "Cinco relatórios publicados em março pela Plataforma Intergovernamental científico-política sobre a Biodiversidade e os serviços eco-sistêmicos (Ipbes) confirmam: a situação atual é alarmante e exige uma resposta urgente dos governos e da sociedade civil internacional. A diminuição da água doce em todo o planeta é visível e muito grave. O aquecimento global afeta a fertilidade da terra e a própria vida marinha em todos os oceanos. Os venenos usados na agricultura estão provocando a extinção de diversas espécies de abelhas. Além disso, impedem a polinização de muitas espécies vegetais" (Cf. Revista Internazionale, n. 1249, abril 2018, p. 15).  

Na década passada, a Global Food Print Network e outras entidades científicas que seguem a situação de saúde do Planeta haviam falado do Earth Overshoot Day. Esse seria o dia em que os limites de sustentabilidade da Terra seriam ultrapassados e o equilíbrio da vida no planeta, totalmente ameaçado. Infelizmente, os dados revelam que já há dez anos, exatamente no dia 23 de setembro de 2008, a Terra superou em 30% sua capacidade de reposição dos recursos necessários para as demandas humanas. No momento atual, para atender às necessidades da humanidade, precisaríamos de mais de uma Terra. Garantir ainda o que resta dessa sustentabilidade da Terra é a premissa indispensável para resolver os outros aspectos da crise: social, alimentar, energética, econômica, cultural.

Infelizmente, governos e instituições internacionais continuam insistindo no modelo capitalista depredador. A cada ano, os governos destinam somas imensas para armamentos e guerras. O Banco Mundial faz qualquer coisa para salvar bancos e multinacionais irresponsáveis que perderam dinheiro no cassino financeiro da imprevisibilidade. Já há quase dez anos, a imprensa denunciava: "Esse dinheiro do povo, dado aos ricos, “é um valor 40 vezes maior do que os recursos destinados a combater as mudanças climáticas no mundo e a pobreza” (Le Monde Diplomatique Brasil, maio de 2009, p. 3).

Para quem vive a busca espiritual, o cuidado amoroso com a Mãe Terra, com a água e com todo ser vivo fazem parte do testemunho que Deus é amor, está presente e atuante no universo. Apesar de todas as agressões e crimes cometidos contra o Planeta, ainda podemos salvá-lo. Em 2003, a UNESCO assumiu a “Carta da Terra”, como instrumento educativo e referência ética para o desenvolvimento sustentável. Participaram ativamente de sua concepção humanistas e pensadores do mundo inteiro. É preciso que a ONU assuma e ponha em prática esse documento que qualquer pessoa pode ler e comentar na internet (basta consultar: “carta da terra”). É o esboço de uma “declaração dos direitos da Terra e da vida” e todos nós precisamos defendê-los. 

 Na encíclica sobre o cuidado com a Terra, nossa casa comum, o papa Francisco propõe uma aliança de toda a humanidade para cuidar mais e melhor da Terra. Ali, ele afirma que as religiões e tradições espirituais devem se unir para fortalecer essa aliança de todos pela vida. Em cada tradição espiritual, precisamos explicitar e desenvolver o mais profundamente possível uma verdadeira veneração pela Terra, pela Água e por todos os seres vivos, como sacrários ou ainda ícones vivos do Espírito Divino. Como diz uma oração que os cristãos das Igrejas mais antigas  cantam em cada celebração eucarística: "Os céus e a terra estão cheios da tua glória, ou seja, da tua presença amorosa".


 Marcelo Barros, monge beneditino e escritor, autor de 26 livros dos quais o mais recente é "O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede-Loyola, 2003. Email: mostecum@cultura.com.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

ERA DE INCERTEZAS



 por Frei Betto



      Vivemos na era de incertezas. Há mais perguntas que respostas. Mais dúvidas do que certezas. Navegamos à deriva na terceira margem do rio. Abandonamos a primeira, a modernidade com sólidos paradigmas filosóficos e religiosos, e ainda não sabemos como se configurará a segunda, a pós-modernidade.

      Estão em crise as grandes instituições pilares da modernidade: o Estado, a Família, a Escola e a Religião. Vigoram modelos e propostas para todos os gostos. 

      Em meio à turbulência, emerge com nitidez o mundo hegemonizado pelo capitalismo neoliberal. A financeirização da economia supera a produtividade. A regulação da sociedade se desloca das mãos do Estado para as do mercado. 

      Se no século passado a Europa fez concessões à socialdemocracia como antídoto à ameaça socialista, agora os direitos sociais retrocedem e novas tecnologias tornam obsoleto o trabalho humano.

      Como tudo que é sólido desmancha no ar, é preciso criar exceções e dar consistência ao sistema globocolonizado de consumismo e hedonismo. Assim, difunde-se a ideologia da privatização, concomitante ao esgarçamento das instituições. Privatiza-se a política. Já que os políticos fracassaram, entrega-se a administração pública a empresários bem-sucedidos. Já que os partidos se desmoralizaram, cada um que lance mão de seu celular e faça dele sua tribuna de ódio ou aplauso. 

      Para sustentar essa democracia virtual sobre abissal desigualdade social, cria-se a cultura da apartação. UPPs, não para combater o crime organizado, e sim para assegurar que a turba ignara desça dos morros em fúria ensandecida. Se desaba um prédio ocupado por sem tetos, a culpa é das vítimas. O discurso do ódio é legitimado até pelo STF ao confundir graves ofensas à honra alheia com liberdade de expressão. 

      Passamos da era analógica à digital. Mudam também os padrões de relacionamentos. O valor do outro depende de sua posição no mercado. E fora do mercado não há salvação. 

      Nem tudo, entretanto, se ajusta à mercantilização do planeta em detrimento dos direitos humanos. E o maior desajuste reside em nossa relação com a natureza. Esgotou-se o tempo. A ânsia de lucro poluiu o ar, o mar e a terra. Ou mudamos os nossos paradigmas socioambientais ou a Terra voltará a viver como ao longo de milênios, sem a nossa incômoda presença.

      Há que se adotar o desenvolvimento sustentável, no qual estejam incluídos o ecológico, o social e o cultural. No fim da década de 1940, o Japão, arruinado pela guerra, era mais pobre que o Brasil. E quarenta anos depois, quando o nosso país se destacou como a 8ª economia do mundo, o Japão já figurava entre as cinco primeiras. Havia promovido uma revolução educacional, o que jamais fizemos. 

      Nosso modelo de desenvolvimento continua predatório e são tímidas as iniciativas para que, neste país ensolarado, as energias eólica e solar prevaleçam sobre as fósseis, tão poluidoras do meio ambiente. É preciso mudar os paradigmas do que entendemos por progresso e avanço civilizatório. Os países europeus e os EUA comprovam que crescimento do PIB não significa redução da desigualdade social. E como tem acentuado o papa Francisco, desenvolvimento que não tem centralidade no ser humano, e sim do acúmulo do capital privado, é antiético. 

    Quiçá os índios andinos tenham algo a nos ensinar quando sublinham a diferença entre "viver bem" e "bem viver".


Frei Betto é escritor, autor do romance “Hotel Brasil” (Rocco), entre outros livros.


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terça-feira, 29 de maio de 2018

CONVITE PARA DANÇAR COM DEUS




Por Marcelo Barros


"A missão de quem crê é semear ressurreição", afirma Dom Pedro Casaldáliga. Pessoas dos mais diversos caminhos espirituais fazem isso quando testemunham que a proposta divina é um amor transformador das estruturas. Estamos vivendo um tempo de intolerâncias, ódios e radicalismos de direita. Nesse contexto, retomamos um ensinamento de Etty Hillesun. Nos tempos do Nazismo, essa jovem judia, condenada à morte, esperava a hora da execução em um campo de concentração. E ela afirmou: “Eles podem roubar tudo de nós, menos nossa humanidade. Nunca poderemos permitir que eles façam de nós cópias de si mesmos, prisioneiros do ódio e da intolerância”.

 A espiritualidade social e política libertadora nos torna capazes de sermos radicais em nossas opções e posicionamentos, sem abrir mão de nossa capacidade de amar e de nossa ética de respeito à dignidade do outro, seja ele quem for. É isso que as pastorais sociais fazem quando revelam que a transformação do mundo se faz a partir de baixo. É a inserção cotidiana nas bases que, como um trabalho de formiguinha vai semeando no mundo um jeito novo e amoroso de fazer trabalho social e político. Essa é a inspiração do Amor Divino nos corações humanos e que deve transformar as estruturas do mundo. Assim testemunhamos que Deus é Amor. Esse amor está presente como energia criadora e permanente no universo e dentro de cada um de nós. No mundo, animais e até plantas se mostram sensíveis a uma música bela e se desenvolvem quando são tratados com amor. No universo mais amplo, a Física contemporânea mostra que o movimento e os ritmos são propriedades essenciais da matéria. Os grandes cientistas da Cosmologia (por exemplo, Fritjof Capra) concordam que toda matéria – tanto na Terra como no espaço – está envolvida numa dança cósmica. Isso não é metáfora. É real. 

O caminhar rítmico dos astros e o correspondente movimento da Terra que influi nos mares e no pulsar da Terra, assim como a batida do coração da vida, tudo isso tem um segredo, um ritmo oculto. Quando o ritmo da dança se modifica, o som produzido também muda. Cada átomo canta incessantemente sua canção, e a cada momento, cria formas densas e sutis. Isso faz parte de uma dança que, na antiga Índia, os mestres espirituais já haviam intuído. Eles a chamavam:  a dança de Shiva, a divindade que renova o universo. A dança cósmica do universo é espelho e expressão de uma dança divina, uma dança amorosa que mantém o ritmo do cosmos. 

Cada um de nós só se torna pessoa e se realiza através do Amor, isso é, na relação com Deus em nós, na comunhão com os outros e no cuidado com a Terra e a natureza. Há uma relação trinitária inscrita em nosso próprio ser humano e a sabedoria da vida se alcança quando conseguimos que essas três dimensões diversas se harmonizem em uma dança íntima que, mesmo na idade adulta, pode parecer espiritualmente uma cantiga de ninar. Esse mesmo mistério que é arte como o de bailar em um contexto nem sempre favorável à dança do amor, se revela em nós, como mistério de Deus. Mistério que está em nós, mas nos ultrapassa. É maior do que nós. Nele, Deus em nós se revela como Pai de amor maternal, com o qual nós, cristãos só podemos nos relacionar intimamente através de Jesus, seu Filho, ressuscitado em nossa comunhão humana e no Espírito que se manifesta como mãe e alma do universo. É mistério de amor presente no mais íntimo de cada um de nós. Essa Terna Trindade não existe fora de nós, em um céu distante, mas presente e atuante em nossa comunhão de amor, no cuidado com a Terra, a água e todos os seres vivos.

A Ternura é uma palavra que corresponde a uma expressão muito querida, tanto da tradição bíblica, como do Zen-budismo e do Dalai Lama: a palavra  compaixão. No hebraico, o termo Rahamin significa literalmente “amor uterino”. Quer dizer que quando somos capazes de um amor uterino somos capazes de ternura. O que seria esse amor uterino? No seu discurso de Benarés, Buda diz que devemos olhar o outro, o nosso semelhante, como uma mãe olha o filho esperado que está ainda em seu útero. Esse amor uterino é o amor divino em nós. É o amor de pura ternura. Cada pessoa tem momentos e situações que provocam ternura. Entretanto, são momentos circunstanciais. Não bastam. 

É necessário assumirmos a Ternura como princípio básico e permanente do nosso jeito de viver. Para isso, é preciso um método de vida que a gente cultive e exerça tanto quando as situações favorecem, principalmente quando a realidade que nos envolve não é tão favorável assim. Os Evangelhos testemunham: Jesus viveu a partir deste princípio. Era como um jeito de viver. Então mesmo quando ele se irritava, ou devia denunciar o mal, era movido por este princípio da Misericórdia ou da Ternura[1]. Por isso, precisamos de uma verdadeira terapia interior para conseguir colocarmos nossa vida na sintonia com o Princípio Ternura, novo estado de consciência, mais respeitoso para com a Terra e cuidadoso com a vida. Nesse caminho, devemos valorizar mais a razão cordial e a inteligência emocional e criar espaço para a espiritualidade, fonte de contemplação, gratuidade e veneração. Dizia Kallil Gibran: “Quando você conseguir viver a Ternura como princípio, não diga ‘tenho Deus no coração'. Diga: “estou no coração de Deus”.

Marcelo Barros, monge beneditino e escritor, autor de 26 livros dos quais o mais recente é "O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede-Loyola, 2003. Email: mostecum@cultura.com.


[1] - Jon Sobrino explica isso muito bem no seu livro: Princípio Misericórdia, Ed. Vozes. Eu prefiro dizer “Princípio Ternura”

segunda-feira, 28 de maio de 2018

CHILE: A PEDOFILIA E A VERDADE QUE LIBERTA



Por Maria Clara Bingemer

 A Igreja do Chile vive tensos momentos. Depois de seguidas denúncias de abusos sexuais por parte de sacerdotes e o encobrimento das mesmas por membros da hierarquia católica, o Papa Francisco foi procurado pelas vítimas. Em um primeiro momento não aceitou as denúncias por considerá-las falsas.  Uma vez convencido por seus emissários que investigaram os fatos in loco, constatou que havia sido mal informado, pediu perdão às vítimas e convocou todos os bispos do país a Roma.
A reunião entre os bispos e o Papa foi dura, dolorosa, mas franca e transparente. Ao final da mesma, a Igreja e o mundo se surpreenderam ao saber que todos os bispos se colocaram à disposição do pontífice para que atuasse com toda liberdade quanto ao futuro deles. Trata-se de algo inusitado em termos eclesiais. E por isso não se sabe o desfecho que terá.
Quem permanecerá? Quem sairá?  Quem será confirmado na missão que desempenha agora?  Quem deverá deixá-la? Sobre isso nada se sabe.  Sabe-se, porém, que neste tema tão tenebroso da pedofilia na Igreja pela primeira vez as feridas são expostas sem complacência ou meias medidas.  O processo poderá ser muito difícil, mas existe uma real oportunidade de sanar o futuro.
Desde o momento em que constatou claramente que as vítimas diziam a verdade com suas denúncias, Francisco atuou de forma transparente. Ao reunir-se por três dias com os bispos chilenos, entregou-lhes um documento de dez páginas.  Nele, não poupava expressões e chamava as coisas pelo nome: negligência, omissão, erros graves, vergonha. Os bispos refletiram sobre o que lhes era dito e chegaram conjuntamente à posição de deixar o Papa  decidir e agir com toda liberdade
Não é de hoje que o fantasma da pedofilia assombra a Igreja Católica. Todos recordamos o drama que Bento XVI teve que enfrentar logo no início de seu pontificado. O caso do Chile soma-se a essa lamentável lista de escândalos  que fragiliza o tecido eclesial e a credibilidade da instituição. Por ser tão grave, não pode ser tratado com medidas paliativas.  Há que reconhecer o erro, pedir perdão e procurar reconstruir integralmente o que foi destruído. 
O gesto dos bispos é admirável em sua radicalidade.  Agradecem às vítimas por haver, com suas denúncias, permitido que a verdade venha à luz. Elogiam sua perseverança e coragem ao expor publicamente suas feridas e persistir em tentar ser ouvidos em meio às incompreensões e ataques inclusive da comunidade eclesial. Pedem perdão à Igreja como um todo e particularmente à do seu país. Agradecem ao Papa sua escuta paternal, sua correção fraterna e o honesto diálogo que com eles manteve.
Admirável igualmente foi a atitude de Francisco.  Se em um primeiro momento não aceitou as denúncias por considerá-las falsas, não deixou de mandar apurar e investigar os fatos.  E uma vez constatada a pertinência do que diziam as vítimas, teve a coragem de pedir perdão e mudar sua decisão.
Por mais chocante que pareça todo o acontecido, na verdade, o decurso de todo o processo deixa perceber claramente a força do Espírito que conduz à verdade e é  verdade em si mesmo.  Já diz a Escritura que o outro nome do demônio é Pai da mentira.  Tudo que é falso, camuflado, encoberto não vai na direção da justiça, da paz e do amor.  Entra, pois, em rota de colisão com a Boa Nova que o Evangelho traz e não sintoniza com o projeto do Reino de Deus. 
É preciso, pois, romper.  E foi essa ruptura – dura e dolorosa – mas poderosamente sanadora que aconteceu. Aconteceu no confronto do qual foram personagens as vítimas dos abusos, os bispos chilenos e o Papa. Aconteceu na percepção de Francisco de onde estava a verdade que urgia que se corrigissem rumos e tomassem medidas enérgicas.  Aconteceu na abertura sincera dos bispos que renunciaram a controlar seu destino e o puseram em mãos do Papa. 
De fato, com tudo que tem de sombrio, trata-se de um evento luminoso. Finalmente está para sempre banida a secreta convicção de que o clericalismo que ainda habita a Igreja protege os abusadores, confiantes no silêncio das vítimas.  É evidente que estas não mais estão dispostas a calar seu sofrimento e o dano que lhes foi feito. Isso permite esperar para as novas gerações um clero mais responsável e adulto.  Igualmente um episcopado mais cuidadoso na formação de seus seminaristas e mais vigilante sobre o que se passa em suas comunidades. 
Fica claro igualmente que quando se busca com sinceridade o caminho do bem, o medo é vencido e emerge a honesta disposição de reparar os erros cometidos. Mesmo que não seja fácil, que isso implique viver momentos de incerteza e de insegurança, confiando apenas na misericórdia divina. 
O que sucede neste momento com a Igreja do Chile permite esperar tempos melhores com respeito às relações intra eclesiais. A pedofilia acontece em todos os setores da sociedade.  Não é prerrogativa da Igreja Católica tê-la em suas fileiras.  No entanto, talvez o modo como essa mesma Igreja, sob a direção do Papa Francisco, está administrando algo tão conflitivo possa ser um testemunho que ajude a sociedade como um todo ao deparar-se com o mesmo problema. 
Se. como disse Jesus Cristo, só a verdade liberta, parece que há reais motivos para celebrar o processo libertador que hoje vive a Igreja do Chile. 

Maria Clara Bingemer é teóloga, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, autora de Testemunho: profecia, política e sabedoria, Editora PUC-Rio e Reflexão, entre outras obras. 

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