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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O PAPA E A UNIÃO HOMOAFETIVA


 


Frei Betto

        Esse reconhecimento de Francisco, contudo, não muda a doutrina da Igreja Católica. Ela continua a não abençoar sacramentalmente uniões homoafetivas. O que é óbvia contradição, em especial por proclamar, doutrinariamente, que o valor supremo entre um casal não são os direitos decorrentes da união, e sim o amor que suscita e alimenta a relação. 

 

       Quem diria? O noticiário alardeia que o papa Francisco aprova a união civil de casais gays! Ora, faz tempo que Francisco assume tal posicionamento. Em 2014, em entrevista ao jornal italiano “Corriere dela Sera”, ele reconheceu que as leis estatais de união civil foram aprovadas principalmente para fornecer direitos legais aos parceiros do mesmo sexo.

       Em 2017, em entrevista ao escritor francês Dominique Wolton, ao ser questionado sobre a possibilidade de casamento de casais do mesmo sexo, reagiu: “Chamemos isso de ‘união civil’. Nós não brincamos com a verdade”.

       Quando cardeal em Buenos Aires, Bergoglio exortou os bispos argentinos a apoiarem as uniões civis. Teve papel de destaque em 2010, quando o governo argentino avaliava se permitiria o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 

       Agora, reafirmou sua posição no documentário “Francisco”, sobre os seus sete anos de pontificado, dirigido por Evgeny Afineevsky e estreado em Roma em 21/10. Ele afirma que gays são “filhos de Deus” e “têm direito a uma família”. E acrescenta que as leis de união civil protegem os direitos legais das pessoas que mantêm relacionamentos homoafetivos.

       O tema surge no filme quando aparece o depoimento de Andrea Rubera, homossexual italiano que participa de missas na casa Santa Marta, no Vaticano, onde mora o papa. Rubera conta ter entregado a Francisco uma carta, na qual ele e seu parceiro manifestam receio de levar os filhos à igreja, com medo de serem rejeitados por terem pais gays. O papa telefonou a Rubera e o encorajou a fazê-lo e, inclusive, conversar com o pároco a respeito da união deles.

       Chris Vella, da Rede Global de Católicos Arco-Íris (GNRC, sigla em inglês), que representa mais de quarenta organizações dos cinco continentes, declarou ao receber a notícia do posicionamento do papa: “Como homem casado, em casamento civil do mesmo sexo desde 2018, olho com esperança para um futuro em que a Igreja não apenas reconheça as uniões civis para casais do mesmo sexo, mas também celebre seus relacionamentos como sinais sagrados e sacramentais do amor como presença manifesta de Deus no mundo. A Igreja deve celebrar nossa fidelidade, compromisso, perseverança e fecundidade tanto quanto celebra essas qualidades para as uniões heterossexuais”. 

       Esse reconhecimento de Francisco, contudo, não muda a doutrina da Igreja Católica. Ela continua a não abençoar sacramentalmente uniões homoafetivas. O que é óbvia contradição, em especial por proclamar, doutrinariamente, que o valor supremo entre um casal não são os direitos decorrentes da união, e sim o amor que suscita e alimenta a relação. 

       Ainda levará um tempo para a Igreja adequar seu duplo discurso, o para fora e o para dentro da instituição. Padres e bispos não podem fazer casamento religioso de gays, mas são cada vez mais frequentes as bênçãos a esses casais, ainda que não tenham seu matrimônio registrado na paróquia. Para fora, a Igreja defende que todos os direitos da mulher devem ser assegurados e toda discriminação de gênero, combatida. Para dentro, as mulheres continuam impedidas de acesso ao sacerdócio, ao episcopado e ao papado. O machismo, o patriarcalismo e a misoginia prevalecem.

       A manifestação do papa, porém, traz importante contribuição para o Brasil: agora fica muito mais difícil para o Judiciário aprovar a obsessão bolsonarista de descriminalizar a homofobia. 

 

Frei Betto é escritor, autor de “Sexo, orientação sexual e ‘ideologia de gênero’”, entre outros livros. Livraria Virtual: freibetto.org

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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

CHAMADOS À AÇÃO, A UMA IGREJA EM SAÍDA



Por  Cesar Kuzma

 

A pessoa de Francisco e o modo de pastorear a Igreja que ele nos oferece têm-nos servido de inspiração e de testemunho para muito daquilo que estamos buscando e tentando construir eclesialmente, seja em âmbito interno, naquilo que tocam as estruturas, seja em âmbito de missão, e, como base de tudo isso, pensando na proposta do próprio Papa, uma Igreja em saída. Podemos dizer o mesmo em relação à sociedade, pois Francisco retoma às intenções do Vaticano II e propõe um diálogo autêntico e livre, em que os grandes dramas e tramas humanos, as grandes causas e problemas sociais atuais são tratados e aproximados da missão da Igreja.

         Uma característica que percebemos na sua Exortação Evangelii gaudium (EG), por exemplo, é o modo como ele aborda o conteúdo da expressão evangelizar. Ele diz que se trata de uma ação de alegria, que resulta de uma sensação que contagia todo o nosso ser e que, por essa razão, transborda e vai ao encontro do outro, da outra, e de todas as realidades, à todas as periferias [existenciais e sociais]. Esta alegria não vem de um simples entusiasmo humano ou de mera experiência, por mais importantes e reais que elas sejam, mas nasce de um encontro vivo e real com Jesus Cristo, o ressuscitado. É um encontro que marca o nosso ser e a experiência que se produz modifica a nossa estrutura, naquilo que somos e naquilo que somos chamados a ser, pois passamos a ver de forma diferente. Este ver, que aparece nas narrativas bíblicas da ressurreição e que aqui é trazido como uma ação que permite esta experiência, é muito mais que olhar, ele abre novos horizontes e possibilidades.

A partir deste encontro, nós passamos a dar nova razão e sentido às experiências que trazemos e somos motivados por um novo ar de esperança, que faz tudo parecer novo (EG 11). E isso, mesmo diante das adversidades e tribulações, das condições concretas que nos cercam, já que esta é uma alegria que nos coloca diante de uma realidade transcendente que se faz valer pelo imanente da história, por aquilo que é real e concreto, com toda a sua problemática e questões urgentes, diante de toda dor e sofrimento, de questões de vida e de morte, pois não há fuga, mas presença, vivência e anúncio. Esta nova sensação produzida pelo encontro na fé, que faz brotar esta alegria, esta força de esperança, não pode ser confundida com alienação ou simplesmente êxtase religioso, mas sim de um brotar da fé que se faz compromisso, que implica postura e que avança para uma esperança responsável, cativa, crítica e criativa. O ressuscitado que encontramos não é outro senão o crucificado. Ele nos deixou um caminho de seguimento que nos convida a um Reino, ao serviço, ao cuidado do outro e a construção do bem comum; e esta experiência, este entendimento, isto é, esta percepção, é vital para o cristão.

         Esta é a fonte da alegria que deve estar presente no olhar do evangelizador, de todo cristão. É a alegria diante de um futuro que nos chama a novas realidades e, ao mesmo tempo, nos compromete com aquilo que está a nossa frente, com situações e pessoas concretas, com dores e sofrimentos, angústias e esperanças; situações limites que não se pode ignorar, pois elas nos obrigam a um olhar prioritário.

Todos somos chamados a esta ação, a uma saída. Ela deve ser real e concreta.

  

Teólogo leigo, casado e pai de dois filhos. Doutor em Teologia e professor-pesquisador do Departamento de Teologia da PUC-Rio. Presidente da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião).


* Este artigo foi publicado originalmente no Portal das CEBs : http://portaldascebs.org.br/2020/10/20/chamados-a-acao-a-uma-igreja-em-saida-por-cesar-kuzma/

terça-feira, 20 de outubro de 2020

O PAPA E A CIDADANIA UNIVERSAL

Por  Marcelo Barros 

Nesta semana a ONU celebra seus 75 anos e lembra o 24 de outubro de 1945, quando foi criada. Nestes dias, a humanidade recebe de presente a nova carta do papa Francisco sobre a fraternidade universal e amizade social. Esta carta-encíclica é dirigida a toda a humanidade e tem como objetivo provocar uma reflexão sobre a vida depois da pandemia.

O papa afirma que se sentiu motivado a escrever esta carta desde que, em fevereiro de 2019, se encontrou com o grande Imã Ahmad Al- Tayyeb, uma das maiores autoridades do Islamismo no mundo. Juntos, eles publicaram uma Declaração sobre a Paz e a Fraternidade.  Outro fator que apressou a carta foi a inesperada ocorrência da pandemia. No primeiro capítulo da encíclica, o papa lamenta que, salvo poucas exceções, nesta emergência sanitária, a humanidade demonstrou total incapacidade de atuar conjuntamente. Na maioria dos países o desmantelamento do sistema público de saúde foi responsável pela morte de muitas pessoas que teriam sido salvas, se o mundo tivesse outra forma de organização (Cf. n. 35).

Nesta semana, a Organização Mundial de Saúde publicou uma cifra que os meios de comunicação evitam mostrar. Conforme os dados oficiais, os Estados Unidos, com toda a sua riqueza, é o país no mundo com número maior de vítimas da Covid 19 (280 mil) e o Brasil ultrapassou a marca de 150 mil. Ao mesmo tempo, a China que tem dois bilhões e quatrocentos milhões de pessoas conta até agora cinco mil mortos. O Vietnam com cem milhões de habitantes chora 35 mortes e Cuba, cuja população é de 10 milhões, teve 153 vítimas fatais. Estes dados confirmam que, como o papa escreve em sua encíclica: a sociedade atual perdeu o sentido da História (n. 13), desenvolve novas formas de colonização cultural (n. 14) e gera situações cruéis e inusitadas de escravidão (n. 24).

No capítulo 2: “Um estranho no caminho”, o papa pede permissão aos leitores não cristãos para comentar a parábola evangélica do samaritano. Denuncia que a sociedade dominante exclui os diferentes e transforma o próximo em sócio (n. 102). E reafirma: “a mera soma dos interesses individuais não é capaz de gerar um mundo melhor para a humanidade” (n. 105). Convida todos os seres humanos a pensar e atuar como parte da humanidade, com senso comunitário. Mostra que, para lutar contra a pobreza, é preciso enfrentar suas causas estruturais. Declara que a propriedade individual é legítima, mas o bem coletivo deve estar acima do individual e toda propriedade deve ter uma função social (n. 116).

O capítulo V, “A melhor Política” mostra valores, mas também os limites das visões liberais (163- 164). Propõe uma reforma profunda da ONU que deve ampliar sua tarefa e se tornar família das nações ou verdadeira comunidade internacional (173). Pede que se resgate a dignidade da Política com P maiúsculo e que esta seja expressão do amor social (176- 177).

No capítulo 6 desenvolve uma pedagogia do Diálogo como forma de convivência e cita o nosso Vinícius de Moraes ao dizer que “a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida” (n. 215). O papa cita Vinícius, no “Samba da Bênção”, canção na qual Vinícius se apresenta como Capitão do Mato, pede a bênção à Mãe Menininha do Gantois e se apresenta como sendo o branco mais negro do Brasil.

O capítulo 7 trata de como tomar posição diante dos conflitos que são inevitáveis na vida. Defende o perdão como perspectiva, mas deixa claro que o perdão não substitui a justiça, nem supõe esquecimento (n. 246- 248). Condena a violência do Estado, sempre muito mais forte e cruel do que qualquer violência de grupos particulares (253). Rejeita radicalmente a guerra, a pena de morte e a prisão perpétua (n. 253). Pede que a humanidade constitua um Fundo Mundial para acabar com a Fome (263). No último capítulo (o VIII) dedica-se a mostrar como as Religiões devem se colocar a serviço da fraternidade no mundo. Deixa claro que “os textos religiosos clássicos de todas as tradições podem oferecer um significado para todas as épocas (n. 275). Insiste que as religiões devem se renovar através de dois cuidados ou perspectivas: concentrar-se no essencial e voltar às fontes da fé (n. 282).   

Mais uma vez, ao intensificar o diálogo com a humanidade na busca de saídas para a crise que vivemos, o papa sofre ataques. Intensificam-se contra Francisco hostilidades e oposições que, no passado recente, nenhum papa viveu. Os inimigos do papa vêm de dois setores: daqueles que, como Steve Banon, têm fortes interesses econômicos a salvaguardar e para isso usavam a religião e agora se sentem deslegitimados pelo papa. No entanto, a oposição mais violenta vem de um grupo de cardeais, bispos e padres da própria Igreja Católica. Estes se sentem ameaçados em suas ambições eclesiásticas e suas necessidades de poder e riqueza. Alguns afirmam claramente que esperam a mudança de papa para recolocar a Igreja no seu devido lugar. Independentemente dos inimigos que querem a sua morte, o papa continua a nos convidar: “Sonhemos como uma única humanidade, como caminhantes da mesma carne humana, como filhos e filhas desta mesma terra que nos alberga a todos, cada qual com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada qual com a própria voz, mas todos irmãos e irmãs” Encíclica Fratelli Tutti, n. 8). 

 

 

 Marcelo Barros, monge beneditino e escritor, autor de 57 livros dos quais o mais recente é "Teologias da Libertação para os nossos dias", Ed. Vozes, 2019. Email: irmarcelobarros@uol.com.br

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

DEUS EM TODAS AS COISAS, SEGUNDO INÁCIO DE LOYOLA

 


por Maria Clara Lucchetti Bingemer

 Francisco de Assis e Inácio de Loyola são dois santos bem diferentes, e geraram duas espiritualidades igualmente diversas.  Um é medieval, o outro moderno.  Ambos são contemplativos, mas o segundo não pode conceber a contemplação sem uma prática com algum nível de eficácia. E assim encarna o espírito moderno.  O primeiro contempla a criação, se irmana com ela e é poesia pura ele mesmo. Porém, em ambos se pode encontrar o traço do amor pela criação inseparável do amor ao Criador. 

 O mundo, criação de Deus, é para Inácio o lugar onde ele pode perceber este  Deus que o tocou de maneira candente e inesquecível quando do seu ferimento em Pamplona e convalescença em Loyola. O movimento trinitário de descida do Deus trino ao seio da criação, transfigurado por sua presença em todas as coisas e de retorno dessas coisas à vida imanente, íntima desse Deus, marca não só a vida de Inácio como também sua obra.

Já nos primeiros tempos de sua conversão, Inácio viu Jesus Cristo como inseparável da comunhão trinitária com o Pai, que o envia ao seio da criação como mediador e salvador para, desde ali, redimir todas as coisas. Teve aí a visão iluminadora conhecida como "a ilustração do Cardoner" por haver-se dado às margens do rio que tem este nome. Inácio sentiu que seus olhos se clareavam, fazendo-o ver todas as coisas novas. Para ele, as criaturas se tornam transparentes, diáfanas, e "todas as coisas" cantam a glória de Deus. O mundo é a morada de Deus, o lugar onde o Senhor amorosamente se deixa encontrar.

Mas esta visão inaciana da Criação e o gozo da contemplação dAquele que é sua origem e fim não é idílica, de um universo perfeito, pronto e acabado. É, ao contrário, a lúcida visão de um mundo que, embora saído das mãos do Criador e por Ele habitado, carrega em si a marca mortal e destruidora do pecado. Experimentando profundamente o gozo de "ser criado", de ser parte intrínseca desta Criação saída das mãos de Deus, o cavaleiro de Loyola experimenta, como consequência deste "ser criado" o dever de "louvar, reverenciar e servir a esse Deus Criador”. 

Percebe que “as outras coisas sobre a face da terra” são criadas para ele e que através delas deve reverenciar e servir ao Criador, buscando sempre o maior e melhor meio de realizar esse desejo. E, assim como a Trindade que se revela a Inácio, se mostra primariamente em seu movimento descendente, transfigurando "todas as coisas", assim também a experiência que Inácio faz deste Deus Trinitário não acontece a não ser em "todas as coisas", ou seja, no mundo. O lugar de Deus, tal como é percebido por Inácio, não é outro senão o mundo, o lugar onde a graça divina se mistura com as "coisas criadas", inclusive com o pecado humano e que o próprio Deus vem resgatar e reconduzir à sua primitiva origem, no seio da comunhão trinitária. 

Já desde Loyola, nos primórdios de sua conversão, o elemento cósmico, do mundo criado, da natureza, está incorporado na sua oração, na sua antropologia, na sua experiência do divino e no inflamado amor que começa a crescer e alastrar-se em seu interior com relação àquele de quem provém essas maravilhas. Relatando ao padre Luís Gonçalves da Câmara o tempo de sua convalescença em Loyola, logo após o ferimento de Pamplona, sublinha com especial ênfase que "a maior consolação que descobrira era contemplar o céu e as estrelas. Fazia-o muitas vezes e por muito tempo, porque com isto sentia em si um muito grande esforço para servir a Nosso Senhor."

Deus é aquele que não se identifica com as coisas, uma vez que nelas permanece a ambiguidade de pecado e graça, de bem e mal. Mas é, igualmente e sobretudo, aquele que habita nas coisas: nos elementos, dando-lhes o ser; nas plantas o vegeta;, nos animais, o sentir; nos homens, o entender; e, assim, em mim, dando-me ser, vida, sentidos e fazendo-me entender. E também como faz de mim seu templo, sendo eu criado à semelhança e imagem de sua divina majestade. 

 A visão de Inácio também desvela um Deus que trabalha, que labuta em todas as coisas, que luta quando as galáxias se movem. O movimento incessante da vida é percebido como indicativo de sua sagrada fadiga e todas as coisas são recapituladas em seus trabalhos redentores. Deus trabalha dentro do universo, dentro das coisas. Trabalha também e sobretudo dentro do ser humano, pelos movimentos de seu Espírito. Torna-se imperativo, portanto, que o ser humano descubra e possa ler e interpretar esses "trabalhos", este constante e apaixonado "serviço" divino, que identifique e misture suas eleições, ações e paixões com os trabalhos de Deus, a fim de poder "em tudo e por tudo amar e servir Sua Divina Majestade."

Quando celebramos os cinco anos da encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco, sobre o cuidado da criação, Santo Inácio ensina qual deve ser nossa atitude: reverenciar, amar e cuidar de todas as coisas criadas, pois nela palpita a vida do próprio Criador e a elas estamos interligados por uma vida que é dom de Deus para todos os seres vivos que habitam esse mundo. 

 

Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de “Mística e Testemunho em Koinonia” (Editora Paulus), entre outros livros