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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

PAPA CONSAGRA TEORIA DA EVOLUÇÃO



Por Frei Betto
      O evolucionismo e o Big Bang não são incompatíveis com a existência de um Criador, declarou o papa Francisco à Academia de Ciências do Vaticano, a 28/10/2014: “Quando lemos a respeito da Criação no Gênesis, corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico, com varinha de condão capaz de tudo fazer. Mas isso não é assim.”

       A declaração coincide com o momento em que membros da Academia Brasileira de Ciências se reunirão, em Campinas, no 1º Congresso Brasileiro do Design Inteligente. Alguns desses cientistas defendem a teoria do TDI (Teoria do Design Inteligente), segundo a qual uma Inteligência Suprema, que muitos denominam Deus, criou diretamente a complexidade da célula humana. 

       A teoria da evolução afirma que todos os seres vivos descendem de um ancestral comum, e que o principal mecanismo responsável pelo surgimento das características desses seres é a seleção natural. Já o Big Bang é a explosão primordial que deu origem ao Universo. 

       A teoria do Big Bang foi esboçada pelos cálculos de Alexander Friedmann. Em 1927, o padre e cosmólogo belga George Lemaître publicou um artigo defendendo-a. Se as galáxias continuam a se afastar umas das outras, isso significa que, no passado, estiveram mais próximas. Considerada a distância dessa proximidade num tempo demasiadamente longo, então se conclui que houve um momento em que não havia espaços vazios entre as galáxias. Todo o céu era feericamente iluminado. Portanto, antes desse tempo teria existido uma época em que não havia espaços vazios entre as estrelas, precedido por um tempo em que não havia espaço entre os átomos e os núcleos no interior dos átomos. 

       Lemaître imaginou que, "um dia", todo o Universo coube numa esfera que batizou de “átomo primordial”.  Ele teria explodido e se fragmentado em partículas elementares que formaram átomos, estrelas e galáxias, sem que houvesse explosão audível, pois não existiam ondas sonoras, e tanto o espaço quanto o tempo teriam tido início a partir daí.

       Teria o inconsciente de Lemaître o remetido à imagem bíblica da Criação? Por ser ele sacerdote, sua teoria serviu de motivo de gracejos durante anos. Em 1927, ele tentou se aproximar de Einstein na 5ª Conferência Solvay, em Bruxelas, a fim de defender seu ponto de vista. O cientista alemão foi rude: "Seus cálculos são corretos, mas sua visão física é abominável." 

       Einstein, além de se sentir incomodado por uma cosmologia que negava seu Universo estático, desconfiava que Lemaître, como religioso, pretendia harmonizar a origem do Universo com a Criação bíblica.
       Em 1931, em sua edição de 19 de maio, o New York Times deu em manchete: "Lemaître sugere que um único grande átomo, que continha toda a energia, foi o princípio do Universo." Tornou-se uma celebridade, a ponto de Einstein reparar seu preconceito e, malgrado sua falta de convicção, admitir que a tese do jovem sacerdote era a "maior, mais bela e satisfatória interpretação de fenômenos astronômicos."

       Em 1996, João Paulo II admitiu: "Novas descobertas nos levam a reconhecer que a evolução é mais do que uma hipótese. A convergência dos resultados de estudos independentes constitui, em si mesma, argumento significativo em favor da teoria." E, em nome da Igreja Católica, penitenciou-se e reabilitou Galileu Galilei e Charles Darwin.

       A TDI mescla inadequadamente religião e ciência e, a partir de uma leitura literal da Bíblia, defende que descendemos de seu Adão e dona Eva. Ora, Adão, em hebraico, significa “terra”; e Eva, “vida”. O autor do Gênesis não teve intenção de ensinar ciência, e sim que Deus incutiu em sua Criação uma dinâmica evolutiva própria, ora desvendada pela ciência.

       Se Adão e Eva tiveram dois filhos homens, Caim e Abel, como estamos aqui? Os criacionistas aprovam o incesto de Eva com seus filhos? 

       Pobre da fé que busca na ciência muletas para se sustentar. Infeliz da ciência que se arvora em negar ou afirmar a existência de Deus.

Frei Betto é escritor, autor de “A obra do Artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros.

 http://www.freibetto.org/>    twitter:@freibetto.
     
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

MISERICORDIAM VOLO ET NON SACRIFICIUM (MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO)



      por  Juracy Andrade



A pauta é o Sínodo, tão básico na tradição apostólica e tão relegado desde que o papa virou imperador de Roma (Francisco á apenas bispo de Roma, como ele mesmo fala) e se criou uma corte cardinalícia de aproveitadores sem compromisso com a Igreja de Cristo e que usurparam o lugar dos sucessores dos apóstolos. Tirei o título destas reflexões das palavras de Jesus Cristo no Evangelho de Mateus, capítulo. 9, versículo 13, tradução da Vulgata de São Jerônimo. Tirado do esquecimento pelo Concílio dos anos 1960, o Sínodo dos Bispos foi relegado, como não poderia deixar de ser, pelos papas Wojtyla e Ratzinger (João Paulo 2º e Bento 16). As conclusões e decisões de qualquer reunião de bispos só tinham valor depois de passar pelo crivo da Cúria Romana, que se reservava o direito de censurar os bispos. Como na reunião do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), em Aparecida, que contou com a participação do cardeal Bergoglio, então arcebispo de Buenos Aires e hoje o revolucionário papa Francisco. Este revigorou a instituição do Sínodo e foi voto vencido em algumas questões ali abordadas. Ouviu e valorizou os sucessores dos apóstolos. Não impôs sua vontade imperial.

Na abertura, exortou os participantes ao diálogo aberto, sem hipocrisia, sem orgulho e sem temor. Na contramão do conformismo e de outras doenças que afetam o mundo político e o religioso. Muito diferente do dogmatismo do Santo Ofício de Ratzinger e das imposições imperiais de Wojtyla.. Este Sínodo especial (o ordinário será no ano que vem e terá conclusões e diretrizes) foi preparado durante mais de um ano, através da busca de respostas a um questionário elaborado pelo papa Francisco. Junto com o próximo Sínodo, ele é de suma importância para a implantação das reformas que o bispo de Roma deseja. Temas complexos e historicamente ignorados pela Cúria Romana, como uniões de fato, uniões de gays, exclusão da mulher, métodos contraceptivos, celibato dos padres, participação de divorciados na eucaristia fizeram parte das deliberações sinodais.

Vamos esperar o Sínodo ordinário, no próximo ano, mas o que acaba de se encerrar foi uma prova muito importante para Francisco testar a receptividade à revolução que propõe. Ele ainda não pode acabar totalmente com os poderes que se atribui a Cúria Romana. Basta lembrar que ainda está aí firme o cardeal alemão Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, um êmulo do papa alemão. E também que o secretário particular de Ratzinger já expôs seu pensamento de que Francisco está desmoralizando a instituição papal. Nada mais disse nem lhe foi perguntado, mas isso basta.

A verdade, como lembra o monge Marcelo Barros (colaborador deste Porta-Voz), é que muitos bispos se dizem de acordo com as propostas do papa de renovação eclesial, mas formam seus seminaristas, futuros padres, dentro de uma linha contrária a qualquer mudança. Ele também propõe que o Sínodo seja uma instituição permanente. O que talvez levasse de fato ao desmantelamento da Cúria Romana. Lembra afinal uma palavra de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia: “A Igreja não pode ser apenas uma democracia. Ela tem de ser muito mais. Deve ser e se mostrar como comunhão”.

PS – Muito bom o blogue de Rejane misturadeletras.blogspot.com.br Também a edição mais recente do Jornal Igreja Nova, baluarte da resistência contra os desmandos de Dom Dedé, seguido de perto hoje, e talvez até ultrapassado, por Dom Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba.


Juracy Andrade é jornalista com formação em filosofia e teologia

terça-feira, 4 de novembro de 2014

VOTEMOS PELOS BENS COLETIVOS



Por Marcelo Barros
Depois de uma campanha eleitoral aguerrida, somos cada vez mais chamados a votar pelo cuidado e proteção dos bens que são comuns a todo ser vivo e especialmente à humanidade. Todos acompanham com preocupação a carência de água em regiões como São Paulo. Embora a responsabilidade direta seja dos poderes públicos, o cuidado com a água, a qualidade do ar e a saúde do planeta Terra são tão importantes que não podemos confiá-los apenas a governos e técnicos de plantão. Todos somos responsáveis pela vida e pelo ambiente em que vivemos. 

Uma Rede de organizações de solidariedade na Europa afirma: “Os bens comuns podem ser definidos como o conjunto de recursos, meios e práticas que permitem a um grupo se constituir como comunidade, capaz de assegurar a todos o direito a uma vida digna” (Nigrizia, gennaio 2011, p. 79). Esses bens são necessários, indispensáveis e insubstituíveis para a vida de todas as pessoas. Por isso, ninguém deveria ter o direito de se apropriar deles. Tomemos o exemplo da água. A água potável é tratada e transportada até nossa casa. É justo pagar a uma empresa por esse serviço, mas a água em si não tem preço. Se um norte-americano usa, em média, 44 litros de água por dia, enquanto a maioria dos africanos não tem acesso nem a um litro, pode-se pedir que os maiores consumidores paguem pelo seu excesso, para custear o acesso a quem não pode ter nem o necessário. Mas, a quantidade mínima de água necessária às pessoas, durante um dia, deve ser garantida gratuitamente a todos. Do mesmo modo, toda a humanidade tem direito aos bens indispensáveis à vida. A partir desse critério, atualmente, no mundo inteiro, vários movimentos e organizações civis trabalham para que o Ar, a Água, a Saúde, o Conhecimento e a Energia renovável sejam considerados como bens comuns. Eles são patrimônio de todo ser vivo. A humanidade é guardiã e administradora desses bens, não para dilapidar, mas para partilhar com os outros seres de modo harmonioso e justo. Entretanto, isso que seria uma conquista de toda humanidade tem encontrado barreiras nas legislações nacionais. A própria ONU não consegue aprovar uma carta dos direitos da Terra, da Água, do Ar e de outros recursos dados pelo Criador para uso comum da humanidade e de todo ser vivo. 

Somente uma sociedade organizada a partir do sentido de comunidade compreende o conceito de bem comum. Onde não há comunidade não pode haver compreensão de que, além dos bens que são particulares, como uma casa ou um carro de alguém, existem bens que são comuns a todos. Já em 1854, um cacique dos índios Seattle escrevia ao presidente dos Estados Unidos : “Como se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho”.

Apesar de que, no mundo inteiro, essa campanha por uma sociedade dos bens comuns tem crescido e se fortalecido, ainda não tomou no Brasil expressões visíveis. Este trabalho em defesa da sustentabilidade supõe a compreensão de que formamos, como diz a “Carta da Terra”, uma “comunidade da vida”. Nessa educação para uma compreensão mais comunitária da vida e uma partilha mais justa dos bens comuns, as religiões e tradições espirituais têm uma grande responsabilidade. As religiões ancestrais indígenas e negras reafirmam a sacralidade da natureza. A tradição judaico-cristã concorda que todo o universo é sinal e instrumento do amor divino. A Terra, a Água, o Ar e tudo o que nos cerca é bem mais do que uma mercadoria. No século XIX, ao concluir sua carta ao presidente dos Estados Unidos, o cacique Seattle afirmava: “Ensinem a suas crianças o que ensinamos às nossas: a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. A terra não pertence ao homem. O ser humano pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo”.   

Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo católico é especializado em Bíblia e assessor nacional do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, das comunidades eclesiais de base e de movimentos populares. É coordenador latino-americano da ASETT (Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo) e autor de 45 livros publicados no Brasil e em outros países. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

QUÃO “CORDIAL” É O POVO BRASILEIRO?

Por Leonardo Boff
Dizer que o brasileiro é um “homem cordial” vem do escritor Ribeiro Couto, expressão generalizada por Sérgio Buarque de Holanda em seu conhecido livro: “Raizes do Brasil” de 1936 que lhe dedica o inteiro capítulo Vº. Mas esclarece, contrariando Cassiano Ricardo que entendia a “cordialidade”como bondade e a polidez, que “nossa forma ordinária de convívio social é no fundo, justamente o contrário da polidez”(da 21ª edição de 1989 p. 107). Sergio Buarque assume a cordialidade no sentido estritamente etimológico: vem de coração. O brasileiro se orienta muito mais pelo coração do que pela razão. Do coração podem provir o amor e o ódio. Bem diz o autor:”a inimizade bem pode ser tão cordial como a amizade, visto que uma e outra nascem do coração”(p.107).

Escrevo tudo isso para entender os sentimentos “cordiais” que irromperam na campanha presidencial de 2014. Houve por uma parte declarações de entusiasmo e de amor até ao fanatismo para os dois candidatos e por outra, de ódios profundos, expressões chulas por parte de ambas as partes do eleitorado. Verificou-se o que Buarque de Holanda escreveu: a falta de polidez no nosso convívio social.

Talvez em nenhuma campanha anterior se expressaram os gestos “cordiais” dos brasileiros no sentido de amor e ódio contidos nesta palavra. Quem seguiu as redes sociais, se deu conta dos níveis baixíssimos de polidez, de desrespeito mútuo e até falta de sentido democrático como convivência com as diferenças. Essa falta de respeito repercutiu também nos debates entre os candidatos, transmitidos pela TV. Por exemplo, que um dos candidatos chame a Presidenta do país de “leviana e mentirosa” se inscreve dentro desta lógica “cordial”, embora revele grande falta de respeito diante da dignidade do mais alto cargo da nação.

Para entender melhor esta nossa “cordialidade” cabe referir duas heranças que oneram nossa cidadania: a colonização e a escravidão. A colonização produziu em nós o sentimento de submissão, tendo que assumir as formas políticas, a língua, a religião e os hábitos do colonizador português. Em consequência criou-se a Casa Grande e a Senzala. Como bem o mostrou Gilberto Freyre não se trata de instituições sociais exteriores. Elas foram internalizadas na forma de um dualismo perverso: de um lado os senhor que tudo possui e manda e do outro o servo que pouco tem e obedece ou também a hierarquização social que se revela pela divisão entre ricos e pobres. Essa estrutura subsiste na cabeça das pessoas e se tornou um código de interpretação da realidade e aparece claramente nas formas como as pessoas se tratam nas redes sociais.

Outra tradição muito perversa foi a escravidão. Cabe recordar que houve uma época, entre 1817-1818, em que mais da metade do Brasil era composta de escravos (50,6%). Hoje cerca de 60% possui algo em seu sangue de escravos afrodescendentes. O catecismo que os padres ensinavam aos escravos era “paciência, resignação e obediência”; aos escravocratas se ensinava “moderação e benevolência” coisa que, de fato, pouco se praticava.

A escravidão foi internalizada na forma de discriminação e preconceito contra o negro que devia sempre servir. Pagar o salário é entendido por muitos ainda como uma caridade e não um dever, porque os escravos antes faziam tudo de graça e, imaginam que devem continuar assim. Pois desta forma se tratam, em muitos casos, os empregados e empregadas domésticas ou os peões de fazendas. Ouvi de um amigo da Bahia que escutou uma senhora, moradora de um condomínio de alta classe dizer: ”os pobres já recebem a bolsa-família e, além disso, creem que têm direitos”. Eis a mentalidade da Casa Grande.

As consequências destas duas tradições estão no inconsciente coletivo brasileiro em termos, não tanto de conflito de classe (que também existe), mas antes de conflitos de status social. Diz-se que o negro é preguiçoso quando sabemos que foi ele quem construiu quase tudo que temos em nossas cidades. O nordestino é ignorante, porque vive no semiárido sob pesados constrangimentos ambientais, quando é um povo altamente criativo, desperto e trabalhador. Do nordeste nos vêm grandes escritores, poetas, atores e atrizes. No Brasil de hoje é a região que mais cresce economicamente na ordem de 2-3%, portanto, acima da média nacional. Mas os preconceitos os castigam à inferioridade.

Todas essas contradições de nossa “cordialidade” apareceram nos twitters, facebooks e outras redes sociais. Somos seres contraditórios em demasia.

Acrescento ainda um argumento de ordem antropológico-filosófica para compreender a irrupção dos amores e ódios nesta campanha eleitoral. Trata-se da ambiguidade fontal da condição humana. Cada um possui a sua dimensão de luz e de sombra, de sim-bólica (que une) e de dia-bólica (que divide). Os modernos falam que somos simultaneamente dementes e sapientes (Morin), quer dizer, pessoas de racionalidade e bondade e ao mesmo tempo de irracionalidade e maldade. A tradição cristã fala que somos simultaneamente santos e pecadores. Na feliz expressão de Santo Agostinho: cada um é Adão, cada um é Cristo, vale dizer, cada um é cheio de limitações e vícios e ao mesmo tempo é portador de virtudes e de uma dimensão divina. Esta situação não é um defeito mas uma característica da condition humaine. Cada um deve saber equilibrar estas duas forças e na melhor das hipóteses, dar primazia às dimensões de luz sobre as de sombras, as de Cristo sobre as do velho Adão.

Nestes meses de campanha eleitoral se mostrou quem somos por dentro, “cordiais” mas no duplo sentido: cheios de raiva e de indignação e ao mesmo tempo de exaltação positiva e de militância séria e autocontrolada.

Não devemos nem rir nem chorar, mas procurar entender. Mas não é suficiente entender; urge buscar formas civilizadas da “cordialidade” na qual predomine a vontade de cooperação em vista do bem comum, se respeite o legítimo espaço de uma oposição inteligente e se acolham as diferentes opções políticas. O Brasil precisa se unir para que todos juntos enfrentemos os graves problemas internos e externos (guerras de grande devastação e a grave crise no sistema-Terra e no sistema-vida), num projeto por todos assumido para que se crie o que se chamou de o Brasil como a “Terra da boa Esperança” (Ignacy Sachs).

Leonardo Boff escreveu “O despertar da águia: o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade”, Vozes, Petrópolis 1998.