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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

REPENSANDO A COMPAIXÃO

   Maria Clara Lucchetti Bingemer 


         

          A palavra compaixão  talvez seja uma das menos entendidas de todas as línguas.  Normalmente é associada à pena, piedade, comiseração.  Ora, não há nada mais alheio ao sentido visceral dessa palavra forte e ardente – compaixão – do que essas edulcoradas e humilhantes definições.

          Compaixão é sofrer com, padecer solidariamente e em comunhão.  Tem a ver com justiça e restaurar dignidades atingidas e cruelmente vulneradas. Compaixão é o sentimento que caracteriza o ser humano diante de seus irmãos em humanidade que se encontram desumanizados pela pobreza, a violência e a opressão.  É o que move o coração dos justos diante da iniquidade e do sofrimento do outro.  É o que enche de desejo de comungar com a dor do outro e fazê-la sua.

Perante as vítimas inocentes da  injustiça, dentro de um ambiente de globalização e pluralismo como é o nosso hoje, existirá   um critério de entendimento e convivência irrevogavelmente reconhecido e vinculante para todos e, neste sentido, capaz de ser reconhecido como verdadeiro? Parece-me ser compaixão a palavra-chave para encontrar a resposta. Pois ela é capaz de suscitar a memória subversiva das vítimas para fazê-las de novo ativas na história.

          É  este conceito-atitude que procura exprimir a necessidade de o cristianismo abandonar a sua ameaçadora autoprivatização acomodada.  Compassio não é um sentimento a partir de cima ou de fora, mas a percepção do sofrimento alheio, no qual se toma parte e que eticamente obriga. Para esta compaixão, vale o imperativo categórico: “para, escuta e olha”.

          A compaixão é a capacidade de partilhar o sofrimento do outro. Com efeito, o mais terrível do sofrimento não é tanto ele em si, mas a solidão que nele se experimenta. Por isso alguns teólogos contemporâneos tratam de elaborar uma memoria passionis (memória da paixão)  como categoria de base de uma teologia em espaço público. Trata-se de recordar – lembrar com o coração - os sofrimentos dos outros; fazer  um rememorar público do sofrimento alheio, incorporado de tal maneira ao uso público da razão que a esta imprima um selo.

A compaixão parte, portando, da universalidade da experiência do sofrimento. A partir daí entende a teologia contemporânea a necessidade de uma nova teologia política que contribua vigorosamente para uma Igreja compassiva, funcionando a “memoria passionis” como recordação provocadora que fundamenta uma nova ética.

          Os que sofrem, as vítimas de todo tipo, teriam então uma autoridade. E esta autoridade seria a autoridade interior de um ethos global, de uma moral mundial, que obrigaria todos os homens anteriormente a qualquer ideologia, a qualquer entendimento. Uma moral que,  por conseguinte,  não pode ser posta de lado ou relativizada por nenhuma cultura e por nenhuma religião, ou igreja. Toda verdadeira mística, hoje, sobretudo após Auschwitz, não pode não ser inspirada por esse ethos.  E uma política inspirada por este ethos seria mais e diferente de uma pura executora das orientações do mercado, da técnica e de suas opressões objetivas em nossos tempos de globalização.  Seria, portanto, mais humanizante e libertadora.

            Aquilo que a  teologia política explicitou na Europa do pós-guerra, que a teologia da libertação tematizou na América  Latina a partir dos anos 1970,  muitos já o viviam e o vivem em suas vidas e experiências espirituais, explicitando-o em sua práxis. Referimo-nos aqui a fenômenos como o dos padres operários, na Europa dos anos 1950; a pessoas como Madeleine Delbrel, apóstola das ruas de Paris; a Simone Weil, filósofa agnóstica que a partir da dureza do trabalho da fábrica vivido em seu corpo encontra a Deus e a Jesus Cristo, já nos anos 1930, antes mesmo dos horrores da guerra. E a tantos outros e outras que já viviam e narravam o que a teologia posteriormente elaborou em estilo articulado e rigoroso. 

          É  possível, portanto, afirmar que o critério universal da condição humana se encontra na interpelação feita pela pobreza e a dor do outro e pela compaixão que ela origina.  Todo este movimento não é apenas ético, mas também místico - ou melhor, é místico porque ético e vice-versa -  uma vez que na Revelação bíblica e no Cristianismo ambas as coisas não se dissociam. Só encontrando aí sua fonte de inspiração primeira e iniludível pode a Teologia não ser infiel à sua identidade e à sua missão.

 

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Maria Clara Bingemer é professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de "Simone Weil - A força e a fraqueza do amor” (Ed. Rocco), entre outros livros.

 

 

 

Copyright 2021 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>

 

domingo, 26 de dezembro de 2021

GRAVAR NUM DISCO VOADOR. LANCAR NO ESPAÇO SIDERAL

 Fabio Potiguar dos Santos


Eu vou fazer uma canção pra ela. Uma canção singela, brasileira. Para lançar depois do carnaval. Eu vou fazer um iê iê iê romântico. Um anticomputador sentimental. Eu vou fazer uma canção de amor.  Para gravar num disco voador. Eu vou fazer uma canção de amor. Para gravar num disco voador. Uma canção dizendo tudo a ela. Que ainda estou sozinho, apaixonado. Para lançar no espaço sideral

Caetano Veloso canta na sua música “Não Identificado”, gravado por ele em 1969 e um ano antes, por nada mais nada menos pelo corpo e voz de Gal Costa, que ele, o filho de Dona Canô,  ia gravar um disco não numa gravadora e tão pouco lançar na rádio ou na televisão. Esse cara é genial! Conectado lá e, que o diga, logado mais ainda agora no seu último álbum. Tá ligado? Penso e sinto o mesmo. É preciso inventar e se reinventar o tempo todo, principalmente desde de agosto de 2016 pra cá. Precisamos mais do que a lua se reinventar nova, crescente, gibosa, cheia, minguante. Teimosamente se inventar cotidianamente com o sol.  Esta canção se tornou para mim como um hino de ano novo.

Mais do que nunca, com o avanço das iníquas ondas do nazifascismo cheias de ódio   é preciso inventividade intelectual e afetiva proposta por esta canção. Igualmente, com o aumento da pobreza e o desequilíbrio ecológico pautados por uma agenda econômica ultra neoliberal, é necessária muita criatividade cheia de amorosidade, sabedoria e força para o enfrentamento das injustiças ecosociais que a humanidade clama e a terra geme. Ao mesmo tempo, com o adoençamento físico, psíquico e espiritual que nos entristece e nos angustia, que nos deprime e causa ansiedades e outras dores, a gente tem que ter mesmo esse engenho de gravar um disco voador e lançá-lo no espaço sideral com uma canção de amor, brasileira.

Cantar de Caetano a Dalva de Oliveira que naquela “Marcha de quarta-feira de Cinzas” não via mais ninguém a sorrir, a se abraçar, a se beijar, a cantar e a dançar cantigas de amor, mas, nos juntamos agora eu e você, leitora e leitora amiga/a a essa Diva, e cheia de esperança entoava fortemente que, no entanto, é preciso cantar “Mais que nunca é preciso cantar. É preciso cantar. E alegrar a cidade. A tristeza que a gente tem. Qualquer dia vai se acaba. Todos vão sorrir. Voltou a esperança. É o povo que dança. Contente da vida feliz a cantar”. Das folhas cibernéticas deste artigo ainda que o ódio, mesmo que as agressões e mesmo assim com tantos opressores e oprimidos no país e no mundo, nós, sem alienação, “enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não, eu canto”, Belchior, pois a gente via sorrir de novo.  “Vê, como é bonita a vida. Vê, há esperança ainda. Vê, as nuvens vão passando. Vê, um novo céu se abrindo. Vê, o sol iluminando. Por onde nós vamos indo”. Que tal a gente escutá-las em uma dessas plataformas digitais?

2022. Vamos gravar num disco voador, muita criatividade. 2022. Vamos lançar músicas no espaço sideral, bastante inventividade. 2022.  Vamos cantar uma canção de amor copiosas engenhosidades. Canta, Santo Amaro! Melhor, canta, Natal! Canta, Recife! Canta, Brasil e mundo inteiro porque “a verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão” como na canção tão antiga e tão nova do Salmo 85.  A frase de começo desta canção de amor será a mesma do início do livro bíblico dos Cânticos dos Cânticos, do Amado cantando para Amada, “beija-me com os beijos de tua boca”. Quando a gente estiver cantando e dançando em ciranda  e coco, frevo e maracatu,  samba e bossa, baião e xaxado, funk e rap, reggae e brega, clássica e pop, forró e rock roll  e toda diversidade musical,  me lembrarei dos salmistas bailando com címbalos sonoros o Salmo 25 “Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sábado, 25 de dezembro de 2021

Presente à nação brasileira



Prof. Martinho Condini

Está semana enviei um uatezap para o “Papai Noel” (para mim um capetalista inescrupuloso)  que o melhor presente que nós vamos ganhar será em outubro de 2022, quando ocorrerão as eleições gerais em nosso país. 

Então, nós brasileiros e brasileiras teremos a oportunidade de nos presentear com o fim do governo das milícias, dos horrores, das atrocidades, do genocídio, da ignorância de um grupo e seus seguidores que infestaram o Brasil com sua burrice crônica, da qual eles se orgulham. Esta praga será combatida e exterminada nas urnas eletrônicas e não nas cédulas de papel como queria ou ainda quer o capetão cloroquina.

Não será fácil, eu sei, todos nós sabemos como é difícil exterminar as pragas, mas não é impossível. Principalmente se todas as brasileiras e brasileiros sensíveis e responsáveis se empenharem e começarem agora, a conversar com os seus parentes, amigos e amigas sobre a mudança que será necessária para o Brasil retomar o rumo da dignidade, desenvolvimento e justiça social. Não é nada razoável e coerente continuarmos com esse desgoverno que está acabando com o nosso país, e terá mais um ano para fazer muito estrago.

Nós iniciamos o século XXI, de uma maneira extraordinária, nos tornamos a sexta economia do mundo, jovens ingressaram nas universidades públicas e privadas por meio do  PROUNI, o nosso desenvolvimento agroindustrial possibilitou a geração de milhões de empregos, como também  milhões de pessoas saíram da condição de miseráveis. Políticas públicas foram implementadas em vários setores: educação, saúde, assistência social e outros. A fome foi extinta no Brasil (e agora está de volta de maneira avassaladora, infelizmente, não é por causa da pandemia, mas do desgoverno do pandemônio). Isso tudo só foi possível por um simples motivo, vontade política de um grupo político progressista e preocupado com as camadas populares do nosso país, que ao longo da história sempre estiveram à margem das prioridades das elites governistas.

Nada acontece se não houver vontade política por parte daqueles que estão no poder. E quando digo, dos que estão no poder, me refiro aos membros do legislativo e executivo, sendo que num sistema presidencialista são os legisladores que determinam como a banda irá tocar. E hoje em nosso congresso quem está com a batuta na mão são os parlamentares da bancada do BBB (Bíblia, Bala e Boi). São estes que dão sustentação ao capetão cloroquina.  

Desde o golpe de 2016, esse país entrou em um processo de esfacelamento, todas as conquistas que a sociedade obteve até então estão sendo destruídas.

Para recuperarmos a credibilidade do nosso Brasil no exterior, o crescimento econômico e as condições dignas de vida do povo brasileiro, precisaremos impedir que esse “Estupidossauro Bolsonarus” e o seu gado acéfalo sejam extirpados do governo.

O presente a nação brasileira virá daqui a dez meses, após todos nós, durante este período, conversarmos e dialogarmos nas fábricas, escolas, escritórios, na feira, super mercado, consultórios médicos ou dentários, festas de aniversário, restaurantes, bares, quiosques de praia, na roça, nas redes sociais ou qualquer outro espaço, sobre o que está ocorrendo em nosso país. Isso fará toda a diferença.

      E tenho certeza que essa nossa atitude possibilitará sermos felizes de novo.

O Prof. Martinho Condini é historiador, mestre em Ciências da Religião e doutor em Educação. Pesquisador da vida e obra de Dom Helder Camara e Paulo Freire. Publicou pela Paulus Editora os livros 'Dom Helder Camara um modelo de esperança', 'Helder Camara, um nordestino cidadão do mundo', 'Fundamentos para uma Educação Libertadora: Dom Helder Camara e Paulo Freire' e o DVD ' Educar como Prática da Liberdade: Dom Helder Camara e Paulo Freire. Pela Pablo Editorial publicou o livro 'Monsenhor Helder Camara um ejemplo de esperanza'. Contato profcondini@gmail.com

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Natal: os Herodes de ontem, de hoje e a Divina Criança

 


Leonardo Boff


 

Os ancestrais relatos sobre o “Divus Puer”(a Criança Divina) ganham sempre novas significações consoante a mudança dos tempos e dos contextos históricos.Nós os lemos e interpretamos com os olhos de hoje, no quadro de uma situação sombria,marcada pela morte de milhões do mundo inteiro e de milhares entre nós sob o ataque traiçoeiro de um vírus letal. Descobrimos similitudes e poucas diferenças entre o Natal de outrora e de hoje.Na verdade, numa leitura simbólica, temos a ver com algo que afeta a todos os humanos.

De um lado, temos José e Maria, sua esposa, grávida de nove meses.Eles vem de Nazaré, do norte da Palestina para o sul, em Belém. São pobres como a maioria dos artesãos e camponeses mediterrâneos. Às portas de Belém, Maria entra em trabalho de parto:  segura a barriga pois a longa caminhada acelerou o processo. Batem à porta de uma hospedaria. Ouvem o que os pobres na história sempre ouvem:”não tem lugar para vocês na hospedaria”(Lc 2,7).

Abaixam a cabeça e se afastam preocupados. Como ela vai dar à luz? Sobrou-lhes, na vizinhança, uma estrebaria  de animais. Ai há uma manjedoura com palhas,  um boi e um jumento que, estranhamente, permanecem quietos, observando. Ela dá a luz a um menino entre os animais. Faz frio. Ela o envolve com panos e ajeita-o nas palhinhas. Choraminga alto como todos os recém nascidos.

Há pastores que velam à noite, vigiando o rebanho.São considerados impuros e por isso desprezados, por estarem sempre às voltas com os animais e seus excrementos. Surpreendentemente, uma luz os envolveu e escutaram do Alto uma voz lhes anunciando:”não temais anuncio-vos uma grande alegria que é para todo o povo;acaba de nascer o  Salvador; este é o sinal: encontrareis um menino envolto em panos,deitado numa manjedoura”. Ao porem-se, pressurosos, a caminho ouviram um cântico mavioso, de muitas vozes, vindo do Alto:”Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens  por Deus amados”(Lc 2,8-18). Chegam e se confirmou tudo o que lhes fora comunicado: aí está um menino, tiritando, enfaixado em panos e deitado na manjedoura,em companhia de animais.

Algum  tempo depois,eis que vem descendo o caminho, três sábios do Oriente. Sabiam interpretar as estrelas. Chegam. Extasiam-se pela misteriosidade da situação. Identificam no menino aquele que iria sanar a existência humana ferida. Inclinam-se, reverentes, e deixam presentes simbólicos. Com o coração leve e maravilhados, tomam o caminho de volta, evitando a cidade de Jerusalém, pois aí reinava uma pessoa terrivelmente belicosa.

Lição: Deus entrou no mundo, na calada da noite,sem que ninguém o soubesse. Não há pompa nem glória, que imaginaríamos adequadas a um menino que é Deus. Mas preferiu vir fora da cidade, entre animais. Não constou na crônica da época,nem em Jerusalém, muito menos em Roma. No entanto,aí está Aquele que o universo estava gestando dentro de si há bilhões de anos, aquela “luz verdadeira que ilumina cada pessoa que vem a este mundo”(Jo 1,10).

Devemos respeitar e amar a forma como Deus quis entrar neste mundo: anônimo como anônimos são as grandes maiorias pobres e menosprezadas da humanidade.Quis começar lá em baixo para não deixar ninguém de fora. A situação humilhada e ofendida deles foi aquela que o próprio Deus  quis fazer sua.

Mas há também sábios e homens estudiosos das estrelas do universo e que captam atrás das aparências o mistério de todas as coisas. Entrevem neste menino de corpinho tiritante, que molha os paninhos,choraminga e busca, faminto, o seio da mãe, o Sentido Supremo de nossa caminhada e do próprio universo.Para eles é também Natal.

É verdade o que se conta por aí: “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser menino”.

Esse é um lado, alvissareiro: um raio de luz no meio da noite escura. Um pouco de luz tem mais direito que todas as trevas. Daí nos vem salvamento, uma revolução dentro da evolução que, de forma antecipada, chegou à sua plenitude. Em fim…

Mas há o outro lado, sombrio e também trágico. Há um Herodes que se sente ameaçado em seu poder de soberano pela presença deste menino. José,atento, logo se dá conta:ele quer mandar matar o menino. Foge para o Egito com Maria e o menino ao colo que dorme, busca o seio e volta a dormir.

Herodes é sanguinário. Por segurança mandou matar todas as crianças de Belém e arredores de dois anos para baixo.Assim não escaparia o menino Jesus. Então se ouviu um dos lamentos mais comoventes de todas as Escrituras:”Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos assassinados e não quer ser consolada porque os perdeu para sempre”(Mt 2,18).

Os Herodes se perpetuam na história. Entre nós temos um que não ama a vida, que zomba do vírus letal,que não se compadece das lágrimas e choros de milhares de famílias quer perderam filhos, irmãos, parentes e amigos. Não se sentem consoladas enquanto não se fizer justiça. Nega proteção vacinal a crianças e a jovens entre 5 a 11 anos. Eles podem ser contaminados, contaminar e até morre.Não quer porque não quer, na contramão da ciência e dos países que estão vacinando suas crianças. Acostumou-se ao negacionismo, parecendo ter feito um pacto com o vírus. Ouvem-se vozes de pais e de avós,vindas de todos os lados:”quero a vida de meus filhos e filhas; quero que os vacinem; quero que vacinem meus netos e netas”.

Como o faraó, endureceu seu coração e alimenta o propósito do Herodes do tempo do menino.Mas haverá sempre uma estrela,como a de Belém, a iluminar nossos caminhos.Por mais perverso que seja o nosso Herodes não pode impedir que o sol nasça cada manhã nos trazendo esperança, aquele que foi chamado “O Sol da Esperança”.

Essa alegria é inaudita: a nossa humanidade,fraca e mortal, a partir do Natal começou a pertencer ao próprio Deus.Por isso algo nosso já foi eternizado pelo Divino Menino que nos garante que os Herodes da morte jamais triunfarão. Feliz Natal a todos com muita luz e discreta alegria.

Leonardo Boff é teólogo e escreveu O Sol da Esperança: Natal, histórias, poesias e símbolos, Mar de Ideias, Rio 2007; Natal: a humanidade e a jovialidade de nosso Deus, Vozes 2009. Para encomendar:contato@leonardoboff.eco.br