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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Vida em primeiro lugar! Você tem fome e sede de que?

 


Pe. Francisco Aquino Júnior


 

No dia 07 de setembro, dia da pátria, celebramos o Grito dos Excluídos/as. Igrejas, organizações populares e setores diversos da sociedade saem às ruas em todo o país, não para marchar como “soldado cabeça de papel”, mas para gritar como cidadãos e como pessoas de fé: Vida em primeiro lugar. É tanto um grito de protesto contra as várias formas de negação de direitos a amplos setores da sociedade, quanto um grito de afirmação e resistência populares nas lutas por direitos no campo e na cidade, quanto ainda um grito de alegria e celebração das conquistas populares. 

É muito significativo que essa manifestação aconteça no dia 07 de setembro. Uma forma de dizer – no protesto, na resistência e na festa – que o verdadeiro patriotismo e a verdadeira unidade nacional se dão na luta e afirmação da dignidade de todas as pessoas, mediante conquista e garantia de direitos. O Grito é ocasião privilegiada de expressão e animação das lutas e organizações sociais: celebração das lutas e conquistas; animação e fortalecimento das resistências e lutas populares. Como bem recorda Frei Carlos Mesters: “Luta sem festa, derrota na certa. Festa sem luta, vitória falsa”.

O Grito dos Excluídos/as acontece desde 1995. Nasce como fruto da 2º Semana Social Brasileira – “Brasil: Alternativas e Protagonistas”, em sintonia com a Campanha da Fraternidade daquele ano que tinha como tema “Fraternidade e Excluídos” e como lema “Eras Tu, Senhor?”. Em 1996, a Assembleia Geral da CNBB insere essa atividade no Projeto de Evangelização da Igreja no Brasil: “O Grito dos Excluídos será celebrado anualmente, em nível nacional, no dia 07 de setembro, retomando preferentemente o tema da Campanha da Fraternidade” (Documentos da CNBB 56, n. 129). Desde o início, o Grito foi uma atividade promovida com movimentos e organizações populares. Em alguns lugares, articulado pelas pastorais sociais. Em outros lugares, por movimentos e organizações populares. Mas sempre como atividade conjunta.

O tema do primeiro Grito foi “Vida em primeiro lugar”. Nos anos seguintes, isso se tornou o tema permanente do Grito, colocando sempre o desafio e a possibilidade de reconstrução do país: “Reconstrução que vai além de atender as demandas tão urgentes com políticas públicas, seja de combate à fome, à violência contra o povo preto e pobre nas periferias, contra os povos indígenas, à violência contra as mulheres e à população LGBTQIA+. Mas que passa também pelo respeito aos territórios indígenas e quilombolas e pela garantia dos direitos à moradia digna, reforma agrária e urbana, ao trabalho, à educação, saúde, cultura e lazer. Reconstrução que, sobretudo, promova o fortalecimento da democracia e da soberania e aponte para a construção de um projeto de sociedade onde a economia esteja a serviço da vida” (CNBB – Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora. Carta de apoio ao Grito dos Excluídos 2023).

O lema desse ano é: “Você tem fome e sede de que?”. Uma pergunta que faz ecoar os muitos gritos que vêm do campo e dos becos e periferias das cidades, ao mesmo tempo que exige de todos nós, como cidadãos e pessoas de fé, respostas concretas que atendam às necessidades e direitos de nosso povo. É claro que isso não dá a toque de mágica nem cai do céu. Exige muita luta e organização. Direitos se conquistam na luta. Não podemos cair na ilusão de que determinados governos vão garantir os direitos da população. Todos sabemos que os governos, por melhores que sejam ou pareçam, estão muito mais alinhados e amarrados aos grandes grupos econômicos do que parece…

Importa manter viva a esperança ativa do nosso povo: “esperança do verbo esperançar” que compromete e mobiliza; esperança fundada e dinamizada pelo Espírito de Deus que, a partir de baixo, consola, anima, desperta e mobiliza o povo na luta cotidiana pela sobrevivência e na organização e mobilização populares por direitos.

Que Deus abençoe os movimentos e organizações populares no campo e na cidade. E que o Gritos dos Excluídos e Excluídas anime nossas comunidades, pastorais e organizações populares na luta e conquista de direitos – sinal e instrumento do reinado de Deus nesse mundo que é um reinado de fraternidade, justiça e paz.

 

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

NECROPOLÍTICA

   

Frei Betto


 

          O capitalismo se pauta pela necropolítica, vocábulo derivado do grego antigo “nékros”, que significa "morto". Em suma, a política que produz morte. Morte das pessoas e da natureza. Basta verificar como a maioria dos governos se comporta diante da desigualdade social e da crise ambiental. São raros os que, como o atual do Brasil, implementam políticas sociais para proteger e promover a população mais vulnerável, e adotam medidas eficazes contra a destruição do meio ambiente.

          A necropolítica não enche vagões ferroviários de segmentos populacionais descartados pela política vigente rumo a campos de extermínio, como fizeram os nazistas. Ela é mais sutil. Promove a concentração de riqueza como valor supremo e empobrece milhões para que uma minoria possa usufruir das fortunas acumuladas. Investe mais em artefatos bélicos do que no combate à fome. E se fantasia de “economia verde ou sustentável” para desmatar florestas e extrair minerais preciosos.

          Dotada de poderosa máquina de persuasão ideológica, a necropolítica suscita indignação frente à anexação da Crimeia pela Rússia, mas encobre de silêncio a apropriação usamericana da base naval de Guantánamo, em Cuba, e dos territórios palestinos pelos colonizadores judeus antissemitas. Ergue a voz para acusar a Rússia de apoderar-se da Ucrânia, mas nada diz da anexação de Porto Rico pelos EUA. 

          A necropolitica não usa câmaras de gás; ela destila o preconceito – a pobres, negros, gays, refugiados etc. – até que a exclusão os induza à privação da vida. Promove a precarização das condições de trabalho. Sobretudo, se apoia da indiferença diante dos vulneráveis, como fez o governo Bolsonaro ao não tentar impedir a morte de mais de 700 mil vítimas da Covid-19.

          Como denuncia Saskia Sassen, cientista social holandesa, nas últimas décadas passamos de um sistema que, ao menos em parte, se preocupava com a inclusão da população no mercado de consumo (social-democracia), a um sistema de deliberada exclusão, agora acelerada pelas inovações tecnológicas que dispensam mão de obra.

          A pandemia foi um alerta da natureza de que a espécie humana pode ser facilmente erradicada da face da Terra, como ocorreu aos dinossauros, caso se aprofunde a destruição ambiental. Curioso o fato de nenhuma outra espécie ser contaminada pela Covid-19, somente a humana. Ora, a natureza, cuja idade passa de 13,7 bilhões de anos, evoluiu milhares e milhares de séculos sem a nossa existência. Em nada necessita dos humanos. Pode prosseguir a sua jornada nas estrelas sem a nossa incômoda presença. Nós, no entanto, em tudo dependemos dela, da alimentação que nos mantém vivos à matéria-prima de todos os nossos artefatos, da roupa aos computadores.

          Quando se vive em um sistema que promove a morte coletiva em função do lucro (guerras, drogas, seletividade, apropriação privada, exclusões etc.), isso provoca profunda insegurança, como no naufrágio do Titanic, quando cada um se agarrou à própria sobrevivência sem se importar com aqueles que não tinham acesso aos botes salva-vidas. É essa insegurança que, hoje, reforça a nova face da necropolítica: o autoritarismo. Ele produz a erosão dos valores democráticos que, em tese, se propõem a oferecer botes em que caibam todos. Agora se trata de salvar a elite, a primeira classe, aqueles que podem pagar pelo direito à vida. 

          Imagine um casal que leva o filho criança a um parque de diversões. O menino corre, brinca, interage com outras crianças, usufrui de uma liberdade e um espaço que não tem no pequeno apartamento em que mora. Súbito, ouvem-se o estampido de um tiro e a notícia de que um criminoso está à solta. A criança, apavorada, se agarra ao pai e à mãe, em busca de proteção e segurança. 

          É essa síndrome da insegurança que reforça o autoritarismo da necropolítica. E um bom exemplo, na América Latina, é o atual governo de Nayib Bukele em El Salvador. Em nome do combate à criminalidade, passou a dominar o Legislativo e o Judiciário e criou megaprisões, verdadeiros campos de concentração, que hoje abrigam mais de 100 mil presos, muitos deles sem provas ou culpa formada. A megaprisão inaugurada em Tecoluca, em fevereiro de 2023, comporta 40 mil detentos! É a maior do mundo.  

          Outro exemplo de necropolítica é a rejeição dos países europeus aos refugiados africanos e árabes, milhares deles naufragados no Mediterrâneo por falta de socorro. O capitalismo criou um estilo de vida tão bem moldado pelos filmes de Hollywood, que retrata uma “seleta espécie humana” que merece o direito à vida: branco, cristão e rico. Os demais são todos encarados como subprodutos da espécie e não merecem os mesmos direitos do núcleo seleto, como dignidade, saúde e educação. 

          Esse preconceito nos é incutido de tal modo que perdemos a capacidade de nos indignar. Já não nos perturba ver imagens de crianças latino-americanas fechadas em jaulas na fronteira do México com os EUA; famílias palestinas cercadas por soldados israelenses que as observam de marretas na mão, destruindo as próprias casas; corpos negros boiando no Mediterrâneo. Nem causa estupor ver países ricos revacinarem quatro ou cinco vezes suas populações e recusarem vacinas a países pobres. 

          A humanidade não é dada a autocrítica. É muito difícil os países europeus admitirem os genocídios praticados na África, na América Latina e na Ásia durante séculos, para explorar seus povos e riquezas. Agora, fecham as portas às suas próprias vítimas. Os EUA não admitem sequer a derrota que lhes foi imposta pelos vietnamitas; os genocídios atômicos de Hiroshima e Nagasaki (que Obama visitou, mas se recusou a, ao menos, pedir desculpas); a anexação a seu território de quase metade do México; as ditaduras sanguinárias emplacadas pela Casa Branca na América Latina, e outros tantos crimes de lesa-humanidade.

          Só podemos enfrentar a necropolítica com a biopolítica. Não no sentido que Michel Foucault empregou a este termo, mas sim como projeto de redução da desigualdade social, defesa intransigente do meio ambiente, combate aos preconceitos, sobretudo ao racismo, misoginia, homofobia e fundamentalismo religioso.

          Como alertava Marx, o caminho à humanização da humanidade é longo. Ou como diria Thomas Hobbes, filósofo do século XVI, ainda hoje “o homem é o lobo do homem”. Bem faz o papa Francisco ao propor uma economia alternativa ao capitalismo. 

 

Frei Betto é escritor, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org

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segunda-feira, 31 de julho de 2023

MARIELLE FRANCO: O PODER DE UMA VIDA

 

 


     
Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

Quem tem medo de Marielle Franco? Essa parece ser a pergunta que voltou a ressoar aos ouvidos do Brasil de hoje após um tempo longo demais de silêncio grávido e pesado. O estampido dos quatro tiros que interrompeu a vida da jovem vereadora do Rio de Janeiro e os três que atingiram seu motorista Anderson Gomes se faz ouvir novamente, perfurando desta vez os ouvidos moucos que insistiam em não escutar  afirmações que se iam impondo sempre mais fortemente sobre o caso cuja solução fora apenas parcial e incompleta.  

Agora surge nova narrativa que vem abrir outra parte de um cenário que se adivinhava, mas ao qual faltavam elementos para afirmar. E o depoimento promete, porque anuncia direções e pistas com as quais talvez não se contasse na difícil elucidação do caso, em suas raízes mais antigas, ou seja: as cabeças que decidiram o assassinato, arquitetado e minuciosamente planejado. 

Um ano depois do crime – portanto em 2019 -  a Polícia chegou a prender dois acusados de executar o crime.  São eles: o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio de Queiroz.  Ambos teriam envolvimento com grupos de milícia. Mas os mandantes não foram identificados até o presente momento.

No entender da Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, cinco anos é um tempo mais do que longo para elucidar um caso como este. Isso só demonstra como foi cuidadosamente arquitetado, planejado em todos os detalhes. A localização do crime, em uma rua escura e deserta; o horário, noturno e tardio; a não proteção das vítimas, que transitavam sem segurança e foram pegas de surpresa, segundo depoimento da assessora da vereadora Marielle, Fernanda Chaves. 

Depois do choque da notícia,  que provocou manifestações de indignação e protesto no Brasil e  no mundo inteiro,  as investigações correram sob sigilo.  Não se conseguia acompanhar o ritmo delas.  Os responsáveis pela condução do processo foram mudados uma e outra vez o que, junto com a experiência dos suspeitos presos – dois ex-policiais que sabem como se desenrola uma investigação – tornavam a apuração dos fatos ainda mais difícil. 

Recentemente, Elcio de Queiroz resolveu falar.  E seu depoimento espalhou suspeitas sobre vários personagens do mundo policial e político brasileiros que  indicam que ainda há muita investigação a fazer neste caso.  Mas é alentador ver que se está prosseguindo na tentativa de identificar todos os mandantes e o motivo do assassinato. A reparação de uma injustiça é sempre uma lufada de ar puro e purificador no horizonte da vida. 

Até aqui seria mais um caso de crime não solucionado como há tantos outros.  O que traz de diferente o fato de a investigação do assassinato de Marielle Franco estar novamente sob os holofotes e revelação de movimentos antes ignorados? 

Creio que a resposta está na própria pessoa de Marielle e de seu entorno: sua família, sua vida, seu testemunho, sua história.  A jovem vereadora de sorriso ensolarado e radiante é uma figura símbolo de inúmeras vítimas de injustiça em nosso país: mulher, negra, sexualidade na categoria de “diversidade sexual”.  Ao mesmo tempo é alguém que mesmo morta continua viva.  Viva pelo que é, pelo que fez e ainda faz.  Viva porque a morte não anulou seu poder de fazer vibrar corações e mobilizar consciências. 

Viva na história e brutalmente assassinada e empurrada prematuramente para fora da história.  Marielle continua viva em Deus.  Não significa que está viva “em outro plano” , não sendo mais por nada atingida e não alcançando nada mais  neste mundo.  Os vivos em Deus estão mais vivos que muitos que se consideram vivos e são nossos companheiros de existência.  E o poder de seu testemunho e legado é como um vento que movimenta a história e a faz tornar-se eloquente como nunca.  

Desde que novos fatos foram despejados pela boca de um dos suspeitos de seu assassinato, a história do Brasil espera, atenta e vigilante.  E aguarda que seja escrito um novo e fundamental capítulo de seu transcurso. 

 

            

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Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de

 “Viver como crentes no mundo em mudança” (Editora Paulinas), entre outros livros.

 

 

Copyright 2023 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>

 

terça-feira, 18 de julho de 2023

O Caminho espiritual da solidariedade compassiva


Marcelo Barros 


Para os povos da América Latina e movimentos populares, o mês de julho traz recordações importantes. No dia 24 de julho de 1783, nasceuSimon Bolívar, o libertador. Em julho, países como Cuba e Nicaráguacelebram dias importantes no processo de sua libertação. No 17 de julho,recordamos a páscoa de Bartolomeu de las Casas, que, no século XVI,atuou no Caribe, no sul do México e na América Central. Era fradedominicano que, ao ver o sofrimento dos índios se converteu e se tornoumissionário e teólogo para lutar contra a escravidão. Defendeu a dignidadedos índios junto ao rei da Espanha e escreveu o primeiro tratado de teologiae espiritualidade que ensina: nos corpos dos índios escravizados, é o próprio Jesus Cristo que é explorado pelos que se dizem cristãos.

Atualmente, quase cinco séculos depois, podemos lamentar queao protestar contra a escravidão indígena, Las Casas não tenha sabido denunciar o próprio sistema colonizador em si mesmo. E há quem o acuse de ter aceito o tráfico e a escravidão dos africanos para substituir os índios nas minas e engenhos da colonização. Não há provas disso. De fato, ao morrer em 1566, Las Casas não chegou a antever esse problema. O tráfico de africanos sequestrados para ser escravos na América floresceu mais em época posterior, a partir das últimas décadas do século XVI. Seja como for mesmo com suas contradições, os escritos desse grande missionário são referência para nova concepção intercultural de missão e de leitura da história a partir das vítimas e não dos vencedores.

A espiritualidade lascasiana sustenta que a missão cristã não pode ter como objetivo conquistar adeptos para a fé. Deve valorizar a presença divina em toda realidade humana e respeitar a diversidade das culturas. Se não for assim, as missões católicas e evangélicas levam às comunidades indígenas não a boa notícia do evangelho de Jesus e sim destruição das culturas, colonialismo e morte.

Ainda em nossos dias, no Brasil, povos indígenas continuam massacrados, vítimas de um modelo de progresso que olha os índios como estorvo para a concentração de terras, o agronegócio e os lucros das grandes empresas. Na Amazônia, os Ianomami e vários outros povos continuam perseguidos e massacrados.

A memória de Las Casas nos chama a defender a vida e a liberdade dos índios pelas razões humanas e sociais, mas também como exigência espiritual da nossa fé. Não podemos aceitar projetos como o Marco Temporal que nega aos povos originários o direito a suas terras ancestrais. Em 1815, em sua “Carta a Jamaica”, Simon Bolívar considera o elemento religioso como aglutinante da alma americana e formula “a necessidade urgente de uma união de nossos povos, ligados por elementos culturais e religiosos comuns”.

Nestes dias, de 18 a 22 de julho, em Rondonópolis, MT, se reúne o XV Encontro intereclesial de comunidades eclesiais de base com o tema: CEBs; Igreja em saída, na busca da vida plena para todos e todas!” O lema do encontro é a palavra bíblica: “Vejam! Eu vou criar Novo Céu e uma Nova Terra” (Is 65, 17). O Amor Divino quer realizar essa renovação da vida e do mundo através de nós. Essa deve ser a nossa espiritualidade.