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quinta-feira, 23 de julho de 2020

FÉ COMO EXPERIÊNCIA DE AMOR


                                                por Frei Betto


A fé nos revela que o divino se derrama apaixonadamente sobre cada um de nós. Se Ele deixasse de amar, deixaria de ser Deus.


             Por que orar? Para dilatar o coração e ser capaz de amar assim como Jesus amava. O contrário do medo não é a coragem, é a fé, esta planta que, para vicejar, exige água (a oração) e Sol (o Transcendente). Sem regar, a planta morre calcinada.


      Essa apreensão amorosa do Transcendente faz desaparecer a ideia de um Ser castigador e repressor. O temor abre espaço ao amor. Deus passa a ser apreendido, como dizia o papa João Paulo I, "mais como Mãe do que como Pai".


      Os místicos de todas as religiões e correntes espirituais ensinam que a oração é como a relação entre duas pessoas que se amam: do flerte, repleto de indagações e fascínio, nasce a proximidade. O namoro é feito de preces, pedidos e louvores. O noivado favorece a intimidade de quem se abre inteiro à presença do outro. Vira os amados pelo avesso. As palavras já não são necessárias. O silêncio plenifica. Enfim, as núpcias, essa simbiose que levou o apóstolo Paulo a exclamar: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim". Eis a paixão inelutável, a gravidez do espírito, o vazio de si repleto de Totalidade.


      A fé nos revela que o divino se derrama apaixonadamente sobre cada um de nós. Se Ele deixasse de amar, deixaria de ser Deus. A pessoa é que, na sua liberdade, se abre mais ou menos à sua presença amorosa.


      A sadia experiência da fé nada tem de fuga do mundo ou o narcisismo espiritualista de quem faz da religião mero antídoto para angústias individuais. Nela articulam-se contemplação e serviço ao próximo, oração e vida, alegria e justiça.

 Jesus, paradigma na experiência da fé, convida a todos que o encontram a fazer de Deus o seu caso de amor. E avisa: os novos tempos não surgem na virada dos séculos ou dos milênios, mas no coração que se converte, muda de rumo, e descobre que o próximo e o mundo são moradas divinas.

Frei Betto é escritor, autor de “Reinventar a vida” (Vozes), entre outros livros.

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