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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

FUNDAMENTALISMO DO OCIDENTE E DO EXTREMO OCIDENTE

por Leonardo Boff

Predominante é o fundamentalismo islâmico. Mas há também uma onda de fundamentalismo especialmente na França e na Alemanha onde comparecem fortemente a xonofobia, a islamofobia, o antiseminitismo. Os vários atentados da al-Qaeda e de outros grupos jihadistas alimentam esse sentimento que desumaniza a todos: as vítimas e os causadores das vítimas. Podemos comprender os contextos globais que subjazem à violência terrorista (o terror das guerra do Ocidente levadas ao Oriente Médio), mas jamais, por nenhum motivo, aprová-la por seu caráter criminoso.

Radical é o fundamentalismo em vários grupos do Islam, criando um novo tipo de guerra: o terrorismo. Atualmente é ofensivo acusar alguém de fundamentalista. Geralmente só os outros são fundamentalistas, esquecendo, não raro, que quem acusa também vive numa cultura de raiz fundamentalista. É sobre isso que quero me deter rapidamente, mesmo irritando não poucos leitores e leitoras. Refiro-me ao fundamentalismo presente em amplos setores do Ocidente e do Extremo Ocidente (as Américas).

Historicamente o fundamentalismo que já pre-existia, ganhou corpo no protestantismo norte-americano entre 1890 e 1915 quando um grupo de pastores publicou uma coleção de 12 fascículos teológicos com o título Fundamentals: a testimony of the Thruth (Fundamentos: um testemunho da verdade). Ai se afirmava o caráter absoluto das verdades de fé, contra a secularização, fora da quais só poderia haver erro. Esse fundamentalismo perdura ainda hoje em muitas denominações critãs e em setores do catolismo conservador à la Lefbvre.

Diria com certo exagero, mas nem tanto que o fundamentalismo é uma das doenças crônicas do Ocidente e também do Extremo Ocidente (USA) e das mais deletérias. É tão arraigado que virou inconscinte mas bem expresso pelo político mais hilário e grosseiro da Europa, Silvio Berlusconi que declarou ser a civilização ocidental a melhor do mundo e, por isso, a ser imposta a todos. Cito dois tipos de fundamentalismo: um religioso e outro politico.

O cristianismo de versão romano-católica foi por séculos a ideologia hegemônica da sociedade ocidental, do “orbis catholicus”. Nesta lógica vejam o absolutismo de dois Papas, uma expressão clara de fundamentalismo religioso.

O Papa Alexandre VI (1492-1503) pela bula Inter Caetera destinada aos reis de Espanha determinava:”Pela autoridade do Deus todo-poderoso a nós concedida em São Pedro, assim como do vicariato de Jesus Cristo, vos doamos, concedemos e entrregamos com todos os seus domínios, cidades fortalezas, lugares e vilas, as ilhas e as terras firmes achadas e por achar”. Isso foi tomado a sério e legitimou a colonização espanhola com a destruição de etnias, culturas e religiões ancestrais.

O Papa Nicolau V (1447-1455) pela bula Romanus Pontifex dirigida aos reis de Portugal é ainda mais arrogante:”Concedo a faculdade plena e livre para invadir, conquistar, combater, vencer e submeter a quaisquer sarracenos e pagãos em qualquer parte que estiverem e reduzir à servidão perpétua as pessoas dos mesmos”. Também essa faculdade foi exercida no sentido de “dilatar a fé e o império” mesmo à custa da dizimação de nosos indígenas (eram 6 milhões) e a devastação de nossas florestas.

Esse versão religiosa ganhou uma tradução secular nos colonizadores que praticavam tal terror sobre os povos. Mas ela subsiste ainda hoje; basta ver como  a Alemanha de Merkel e a França de Hollande tratam a humilhada Grécia junto com a Troika. Julgam-se senhores do destino do povo grego, obrigando-o a pagar uma dívida impagável até o juizo final (170% acima do PIB). Temos a ver com um tipo de  fundamentalismo, o do neoliberalismo econômico com a expressão: TINA:There is No Alternative: não há outra alternativa. Quem decide que não há? Os bancos? Os governos? O povo?

Lamentavelmente essa versão absolutista foi ressuscitada por um controvertido documento do então Card. Joseph Ratzinger, Dominus Jesus (2001) onde reafirma a idéia medieval de que fora da Igreja não há salvação. Os demais estão em situação de risco face à salvação eterna.

A versão religiosa acima ganhou expressão política pelo Destino Manifesto dos USA. Esta expressão foi cunhada em 1845 pelo jornalista John O’Sullivan para justificar o expansionismo norte-americano como a anexação de parte do México. Em 1900 o senador por Indiana, Albert Beveridge explicava:”Deus designou o povo norte-americano como nação eleita para dar início à regeneração do mundo”. Outros Presidentes especialmente George W. Bush se remetiram a essa pretensiosa exclusividade. Ela justificou guerras de conquista especialmente no Oriente Médio. Parece que em Barak Obama ela não está totamente ausente.

Em resumo concentrado: os dois Ocidentes imaginam-se os melhores do mundo: a melhor religião, a melhor forma de governo, a melhor tecno-ciência, a melhor cosmovisão. Isso constitui uma forma de fundamentalismo que sugnifica: fazer de sua verdade a única e impo-la aos demais. Essa arrogância está presente no consciente e no subconsciente dos ocidentais. Graças a Deus, criou-se também um antídoto: a auto-crítica sobre os males que esse fundamentalismo tem trazido para a humanidade e para a relação com a natureza. Mas não é compartilhado pela coletividade.

Vale a frase do grande poeta espanhol Antonio Machado: ”Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no dialogo e na cordialidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar a Verdade comungada por todos. E assim se pode, quem sabe, limitar o fundamentalismo no mundo nos dois Ocidentes.

Leonardo Boff é colunista do JBonlie e escreveu: Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz, Vozes 2009.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

TESTEMUNHAS DO CORDEIRO NA AMÉRICA LATINA



Por Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio


             O noticiário vaticano avisa que o Papa proclamou publicamente o martírio do grande arcebispo salvadorenho Oscar Arnulfo Romero Galdámez. Isso significa que em breve o reconhecido mártir Monsenhor Romero deverá ser beatificado.  Seu martírio reconhecido pelo Santo Padre foi encaminhado para a Congregação da Causa dos Santos. 

A beatificação será o primeiro estágio do reconhecimento, por parte da Igreja, da santidade deste servo fiel, desta Testemunha do Cordeiro. Há muito esperada, enche de júbilo não apenas o povo de Deus que vive em El Salvador, mas todos os cristãos da América Latina e de outras partes do mundo que já viam Romero como mártir e invocavam sua intercessão junto a Deus.

            Assassinado enquanto celebrava a missa no dia 24 de março de 1980, por um atirador de elite a soldo do governo repressor de seu país, a cuja violência se opunha duramente ao defender os pobres que eram mortos diariamente em uma guerra fratricida, Monsenhor Romero é um mártir. Sem dúvida alguma.  Só espanta que sua beatificação haja demorado tanto. 

            No entanto, ao lado da iluminada figura do tão amado Romero, chamam a atenção três outros nomes e rostos. Homens ainda jovens, dois poloneses - Michele Tomaszek e Sbigneo Strzałkowski -  e um italiano -  Alessandro Dordi -, dois franciscanos e um sacerdote diocesano, também são reconhecidos mártires.  Trabalhavam todos no Peru, na região de Santa, e foram mortos em 1991, nos tempos difíceis do Sendero Luminoso, grupo guerrilheiro que deixou muitas vítimas e assassinatos atrás de si.

            Enquanto Monsenhor Romero é mais do que conhecido, venerado e sua vida e ação servem de inspiração para homens e mulheres de todas as latitudes e idades, os outros três são bem menos conhecidos.  Figuras anônimas que, longe de suas pátrias e famílias, entregavam a vida na cotidianidade do serviço aos pobres também anônimos da região de Chimbote, uma das mais pobres do Peru.
            As biografias desses três homens, europeus que viveram seu ministério na América Latina, fazendo um trabalho obscuro,  sem reconhecimentos visíveis, são praticamente desconhecidas.  Do Pe. Dordi, sabe-se que era de Bergamo, trabalhou sempre junto aos pobres, na Suíça e em outros lugares, e pertencia à Comunidade Paradiso. 

            Dos dois poloneses, sabe-se que pertenciam à ordem dos franciscanos conventuais, um dos três ramos da família franciscana.  E pouco mais. Pelas fotos que a internet veicula se vê que eram ainda bastante jovens e usavam barba.  Talvez com o avanço de seu processo de beatificação, decorrência natural de seu martírio, se possa conhecer um pouco mais sobre suas vidas.

            No entanto, a escassez de dados biográficos é compensada pelo selo de suas vidas, com a morte violenta sofrida em fidelidade ao seguimento de Jesus. Sobre Monsenhor Romero abundam os escritos, as homilias gravadas e publicadas em vários idiomas, as fotos, os ensaios e teses escritas sobre sua pessoa e seu pensamento e espiritualidade. 

            Chama a atenção nesses mártires, agora reconhecidos e  celebrados pela Mãe Igreja, a variedade dos perfis e das trajetórias, em dialética e fecunda tensão com o carisma de uma mesma vocação: o seguimento radical de Jesus Cristo e a disponibilidade de dar suas vidas para testemunhar a fé e o Evangelho.  

            Como diz o grande filósofo francês Jean Luc Marion, pecadores e traidores é o que mais existe na Igreja.  O extraordinário, o surpreendente, é que ela ainda seja capaz de produzir santos. A notícia de hoje é portadora desse alento e dessa esperança.

            Pouco importam os pecados, o contra testemunho, a covardia nossa de cada dia; os escândalos, as barbaridades e atrocidades cometidas em nome de uma hipocrisia travestida de fé.  Enquanto ainda houver pessoas, homens e mulheres, que prefiram morrer a ser infiéis e apartar-se do caminho de Jesus, a Igreja de Cristo é viva e cheia de força.

            Os que matam pessoas sempre chegam tarde.  As balas e a violência não conseguem neutralizar a luz que o testemunho irradia. Como bem diz o bispo-poeta Pedro Casaldáliga a respeito de Mosenhor Romero: “Ninguém conseguirá calar tua última homilia.”
           
  A teóloga é autora de “Simone Weil – Testemunha da paixão e da compaixão" (Edusc) 

 Copyright 2014 – MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. Contato: agape@puc-rio.br>

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ENCONTRO COM FIDEL



Por Frei Betto


      HAVANA. Há tempos Fidel não se manifestava. Como me disse em Havana um cubano, “é gritante o silêncio do Comandante”. Muitos supunham que ele se encontrava muito doente, talvez recolhido a um hospital, e com seu estado de saúde tratado como segredo de Estado.

      Pouco antes de eu viajar para Cuba, em meados de janeiro, correu a notícia de que Fidel havia morrido. Pela milésima vez... Jornalistas me ligaram interessados em saber se eu recebera confirmação de meus amigos de Cuba.
      Fui pesquisar. De fato, Fidel morreu dia 3 de janeiro de 2015, em Nairobi, no Quênia, e seu nome completo era Fidel Castro Odunga, filho de um queniano que, quando jovem, estudou em Cuba.

      Meus amigos, aqui em Havana, se perguntavam se Fidel havia ou não recebido os Cinco Heróis cubanos, recentemente libertados de longos anos de prisão nos EUA e transferidos para seu país de origem. E por que o Comandante não se manifestara, pelo menos com um artigo, quando Obama admitiu que o bloqueio “não funcionou” e aceitou entabular conversações com o governo cubano para reatar relações diplomáticas e comerciais.

      Pairava um mistério em torno do silêncio do líder da Revolução Cubana.
      Vim para participar do Congresso Mundial de Pedagogia. Proferi palestra na Universidade de Havana para pedagogos cubanos e dirigentes da FEU (Federação dos Estudantes Universitários), a UNE local.

      A convite do embaixador do Brasil, Cesário Melantonio Neto, na Casa das Américas fiz conferência sobre Paulo Freire e, no Instituto Superior de Artes, sobre Arte Contemporânea e Mercado.

      No Congresso de Pedagogia falei sobre Educação e Subjetividade e, no dia seguinte, sobre Educação, Consciência Crítica e Protagonismo Social.

      Na tarde de terça, 27 de janeiro, Fidel me convidou à sua casa. Em companhia de sua esposa Dália, conversamos durante uma hora e meia. Ele se mostrou interessado em meu encontro com o papa Francisco, em abril de 2014, em Roma, e demonstrou profunda admiração pelo chefe da Igreja Católica.

      Fidel me pediu detalhes sobre os conteúdos das palestras e discorreu sobre os temas de astrofísica e física quântica que levanto em meu livro “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), editado em Cuba.

      Aos 88 anos, o líder da Revolução Cubana, recolhido em casa, segue com atenção o noticiário mundial, sobretudo através da TV e da internet, e mantém o mesmo raciocínio ágil de quando o conheci, em 1980.

      Suas maiores preocupações, além do futuro de Cuba, são a paz mundial e a degradação ambiental. Ele teme que o espírito bélico das grandes potências e a ambição de lucro leve à destruição da humanidade muito antes do apocalipse.

      Apesar de tudo, mantém um jovial entusiasmo, de quem sabe que o melhor é guardar o pessimismo para dias melhores.

Frei Betto é escritor, autor de “Oito vias para ser feliz” (Planeta), entre outros livros.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

ESTADO LAICO INTEGRA DIREITOS HUMANOS



Por Juracy Andrade


Na contramão da liberdade de culto, algumas igrejas protestantes e muitos políticos teimam em desconstruir o edifício do Estado laico, tão frágil apesar de instituído constitucionalmente desde os albores da República. A presidente Dilma, que inicia o segundo mandato com um governo do Bradesco e dos ruralistas, corre a prestigiar a inauguração de mais um templo (melhor dizendo, financeira) do autonomeado bispo Edir Macedo. Candidatos a postos eletivos buscam avidamente o apoio de líderes protestantes e das assim ditas “bancadas evangélicas”. Até ministérios são confiados a pastores. O do Esporte, por exemplo, George Hilton, que de esporte entende tanto quanto o comunista descafeinado Aldo Rebelo, ganhou a pasta por ser filiado ao PRB (Partido Republicano Brasileiro, que ironia!), braço político de Macedo e de sua teologia da prosperidade. Hilton é conhecido principalmente por ter sido detido no Aeroporto da Pampulha (MG) com onze malas e mais umas caixas de dinheiro.

A ONG Atletas pelo Brasil, que reúne dezenas de jogadores de várias modalidades esportivas, incluindo Gustavo Borges (natação), Hortência (basquete) e Ana Moser (vôlei), apitou em nota: “Infelizmente, há anos, o Ministério do Esporte é usado na barganha política”. E tem mais: o homem das caixas de dinheiro goza da simpatia dos herdeiros de João Havelange e de Ricardo Teixeira na CBF, José Maria Marin e Marco Polo del Nero.

Bem, o meu objetivo não é falar de esportes, mas de Estado republicano laico. Desde a mais longínqua antiguidade, a religião e os deuses fizeram parte integrante do Estado, da sociedade, da cultura. Inclusive entre os judeus. Tanto que um dos motivos do desentendimento e distância entre judeus e cristãos é o fato de o nosso mestre Jesus Cristo pregar a extensão do Reino de Deus a todos os povos da Terra. Fruto, no Ocidente, do iluminismo, do enciclopedismo e da Revolução Francesa, o Estado laico ou secular é aquele que é independente de qualquer organização ou confissão religiosa, em que as autoridades políticas (de qualquer poder do Estado) não aderem publicamente a nenhuma religião e onde as crenças religiosas não influem na política, no governo, na administração.

É a definição mais clara e usual do conceito de Estado Laico: Estado em que se prescinde, por exemplo, do ensino religioso e que é independente de qualquer influência de qualquer religião. Claro que tudo isso deve ser entendido dentro de um contexto de ampla liberdade de qualquer um e qualquer agremiação religiosa, todos com direito à liberdade religiosa, isto é, a praticar sua religião sem ser impedido pelo Estado.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, inclui a liberdade de religião para qualquer pessoa entre as que nela são proclamadas. Em seu artigo 18, consta que toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, direito que inclui a liberdade de mudar de religião ou de crença, assim como liberdade de manifestar sua religião ou crença individual e coletivamente, em público e privadamente, pelo ensinamento, a prática, o culto e a observância.

Deve-se levar em conta, no entanto, conforme modernas constituições, que a ordem pública é o limite para essas liberdades (tipo: o meu direito termina quando começa o do outro). Os fiéis de uma confissão religiosa são obrigados a respeitar os direitos humanos. O exercício da liberdade religiosa não pode atentar contra a ordem pública. Abro uma digressão para fazer dois comentários.

O primeiro se refere à barulheira de certas manifestações religiosas, que tiram o sossego e o sono da vizinhança, invadindo o espaço do direito alheio. E ao fato de o governo brasileiro ter sido levado a instituir ensino religioso em escolas públicas (imposição dos assim ditos evangélicos?). Além de o presidente Lula se ajoelhar aos pés do papa. Um chefe de Estado não pode fazer isso, mesmo sendo católico.

O segundo é quanto a uma interpretação exagerada e equivocada do que é ordem pública. Por exemplo, quando o governo direitista francês de Nicolas Sarkozy proibiu as garotas muçulmanas de usar o véu na escola e de portar símbolos religiosos. Um destempero. Mulheres católicas usaram véu durante séculos. E os católicos não usam cruzes, os judeus não usam a estrela de Davi, o quipá? Burca, sim, é justo proibir, pois, além de anti-higiênico, a pessoa poderia carregar ali debaixo um arsenal. E, quando digo isto, não estou associando muçulmanos a terrorismo. Quem praticou o terrorismo de Hiroshima-Nagasaki? E o terrorismo das Cruzadas, da Inquisição, do colonialismo?

No Brasil, a Igreja resmungou muito e demorou a aceitar o laicismo do Estado republicano. Até hoje ainda há quem não aceite a Constituição. Apesar de o Concílio Vaticano 2º haver proclamado, na declaração Dignitatis humanae, que a Igreja aceita a liberdade religiosa. Mas muitas confissões protestantes continuam brigando para tomar o Estado de assalto. Muitos católicos também continuam defendendo símbolos como cruz em tribunais e outras práticas que em nada contribuem para a manutenção de um Estado laico que só fez bem à liberdade religiosa, à religião (qualquer uma) e à Igreja.


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Juracy Andrade é jornalista com formação em filosofia e teologia