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domingo, 15 de janeiro de 2023

Dia da “cagada”Nacional*: 08 de janeiro

 


Luis Carlos Bezerra


 

 

A bunda branca cagou na saída

Ao quebrarem o Palácio do Planalto

Na mímese ao Capitólio barato

Contra a democracia consagrada

 

Quando  a Classe média se acha elite

Pensa que é rica e não tem gratidão

Pois é bolsonista de coração

E tem ódio do novo presidente

 

O ódio ao pobre é marca registrada

Saiu das redes e foi a esplanada

Golpear o povo em plena Alvorada

 

Punição sem anistia, procede

Com apuração da atitude covarde

Do ataque terrorista da  manada

 

 

Recife, 08 de janeiro de 2023.

Luiz Carlos Bezerra

 

#Foraterrotistas

#Forabaonistas

#Vivademocracia

#Semaniatia

 

*Dia da cagada Nacional: 08 de janeiro.

Tentativa de golpe  no Brasil, cujo símbolo é a cagada de um terrorista no Planalto. Esta data deve permanecer  na nossa memória para que tentativas de golpear a nossa democracia não se repitam.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

PALAVRAS DE PEDRO - DIA DA RESISTÊNCIA INDÍGENA

 Dom Pedro Casaldáliga 




      Mas, claro, para assumir assim a causa indígena, é preciso despojar-se de todo etnocentrismo pastoral, de todo colonialismo. Mas “despojar-se”. Despojamento que deve ser sumamente lúcido, inclusive cientificamente, e talvez heroico. Como não, se isso implica deixar muitas coisas, pensar de outra maneira, renunciar, em parte, até à própria religião?

     Já não é renunciar simplesmente a costumes, a modos de comer e de vestir, ou de ver e de sentir. Sequer se trata de renunciar somente às filosofias. É renunciar inclusive à própria “religião”. Não digo à fé, claro. . .

     Para falar do momento atual da luta pela causa indígena seria bom partir de uma visão mais global, continental. Depois de superar uma primeira fase colonialista (que não descrevo; aí estão os livros de História), na qual um Las Casas disse grandes coisas muito bem ditas, não é?. . . Este é um santo de minha devoção, ao qual eu levantaria um monumento — embora não faça falta — em todas as aldeias indígenas do Continente, e diante de todos os conventos de frades missionários e de todos os bispados, para que nos entrasse pelos olhos, feito pedra e feito grito, o Las Casas que nos avisou a tempo e parece que só depois de quatro séculos começamos a despertar. . .

     Com uma visão assim, um pouco continental, haveria que destacar algumas figuras em vários lugares. No México está dom Ruiz; Samuel Ruiz, que foi secretário do Departamento de Missões do CELAM, figura extraordinária que merece muito dos povos indígenas e da Igreja da América Latina. Poder-se-ia destacar também o padre Meliá, catalão no Paraguai, antropólogo e missionário, que trabalha com os índios Guarani. E outros antropólogos missionários, outros núcleos de missão que, em vários lugares da América Latina, já há alguns anos partiram para uma autocrítica, despojaram-se do preconceito religioso latino, romano, ocidental etc. e souberam distinguir bem entre religião e fé, assumiram as descobertas da Antropologia, da Etnografía e superaram inclusive o neocolonialismo que houve no próprio Concilio e que se deu no pós-Concílio. Medellín mesmo, praticamente, sequer pensou nos índios; apesar da lucidez com que Medellín soube enfrentar o Continente e seus problemas maiores, não é? E são 50 milhões de índios na América Latina. . . E são povos que estão para morrer, com essas raízes e potencialidades evangélicas. . .

 

Pedro Casaldáliga, Na Procura do Reino

#Casaldàliga!

#PedroCasaldáligaPresente!

#NãoQueremosGuerraQueremosPaz!

quarta-feira, 9 de março de 2022

PALAVRAS DE PEDRO - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 



        “A mulher. Ela, nem menos nem mais. Secularmente marginalizada em quase todas as culturas e também, é claro, nesta machista América Latina que, de fato, é mais Mátria do que Pátria Grande, Abya Yala, terra virgem mãe em constante fecundidade.

        As mulheres, todas as mulheres, também as negras, e as índias também, e as pobres e as usadas e submetidas, estão se colocando em pé de consciência coletiva e organizada, e são, com muita frequência, suporte e maioria nas diferentes esferas do movimento popular. E serão cada vez mais. E não só na práxis, mas também no pensamento, não só na militância, mas também na liderança. E os homens e a Sociedade e a Igreja haverão de reconhecer e respeitar e dialogar, porque já a mulher latino-americana se reconhece ativamente, exige o respeito da igualdade e dialoga à altura fraterna. Nem quer os privilégios tolos de certo feminismo primeiro-mundista, nem aceitará facilmente que a Sociedade ou a Igreja continuem declarando como dogma de fé a presença e a ação da mulher num segundo plano subordinado”.

 

Pedro Casaldáliga, Agenda Latino-americana 1993.

#Casaldàliga!

#PedroCasaldáligaPresente!

#NãoQueremosGuerraQueremosPaz!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

CUBA E O PÃO NOSSO DE CADA DIA

 Frei Betto


      

       Em novembro, passei duas semanas em Cuba para assessorar o governo no programa de Soberania Alimentar e Educação Nutricional, apoiado pela FAO, Oxfam e União Europeia. Lançado em fevereiro de 2020, o programa, conhecido como Plan San, teve aprovação oficial em julho de 2020. Em breve, o parlamento cubano dará sua chancela à Lei de Segurança Alimentar e Educação Nutricional.

       O Plan San se centra em quatro objetivos fundamentais: 1) Reduzir significativamente a importação de alimentos; 2) Incrementar a produção local de alimentos, valorizando a agricultura familiar, urbana e suburbana; 3) Ampla campanha de educação nutricional; 4) Intensa comunicação do Plan San.

       Os objetivos estão interligados, e sua execução envolve a atuação articulada de todos os ministérios do governo, bem como instituições e associações do país (Comitês de Defesa da Revolução, Federação de Mulheres, sindicatos, cooperativas etc).

       A comunicação almeja mobilizar toda a população assim como, nos primeiros anos da Revolução, toda a nação se comprometeu com a Campanha Nacional de Alfabetização. O índice de analfabetismo, que chegava a 77% da população, zerou. Em 1959 havia em Cuba apenas 3 mil médicos (dos quais muitos deixaram o país após a vitória dos barbudos de Sierra Maestra). Hoje, são mais de 100 mil, dos quais 30 mil atuam em 67 países. O Brasil tem 2,4 médicos por cada mil habitantes, a maioria concentrada em centros urbanos. Cuba tem 9/1.000 (dados de 2020).

       A educação nutricional é decisiva para o êxito do Plan San. O cubano possui hábitos alimentares que podem perfeitamente serem substituídos, como a preferência por pão de trigo, cereal importado. Cuba produz muita mandioca e tem condições de adotar também o pão de milho e de farinha de coco. A carne pode dar mais lugar ao consumo de feijão, lentilha, espinafre, amendoim, soja e abacate, ricos em proteína. Embora não haja muito gado leiteiro na ilha, as novas gerações já se acostumam com leite e iogurte de soja.

       No incentivo à produção agrícola, destaca-se a agroecologia. Visitei várias propriedades rurais com alta produtividade e sem uso de insumos químicos. A Revolução, ao promover a reforma agrária, deu títulos de propriedades a lavradores e sem-terras.

       A capacitação dos monitores do Plan San, que prioriza o protagonismo dos organismos de base, como os Conselhos Populares, é feita pela metodologia de educação popular baseada, sobretudo, na pedagogia de Paulo Freire.

       Como o Plan San é política de Estado e prioridade de governo, espera-se que seus primeiros frutos possam ser colhidos nos próximos quatro ou cinco anos. O presidente Diaz-Canel, com quem tive vários diálogos nessa recente visita ao país, considera-o urgente e imprescindível. 

        Em Cuba não há fome. Contudo, o cubano tem muito apetite! O governo gasta mais de 2 bilhões de dólares por ano na importação de alimentos, inclusive do Brasil, do qual compra, entre outros, arroz e frango. 

       A situação alimentar da ilha do Caribe é afetada, sobretudo, pelo bloqueio injustamente imposto ao país, há seis décadas, pelo governo dos EUA. Essa asfixia impede que navios da marinha mercante de bandeiras de países que negociam com os EUA entrem em portos cubanos. Os containers são descarregados no Panamá e na Jamaica e, em seguida, os produtos são transportados à ilha, o que os encarece. Somam-se a isso as catástrofes climáticas que periodicamente castigam o país, como furacões, enchentes e secas, e o fato de Cuba se ver obrigada a importar petróleo para obter energia, já que é pobre em recursos hidráulicos.

       Dois fatores recentes contribuem para estrangular a frágil economia cubana: a inclusão do país na lista “made in USA” dos países “promotores de terrorismo”, embora não haja o menor indício disso. Pelo contrário, Cuba participa do combate ao terrorismo, como o comprova o livro de Fernando Morais, “Os últimos soldados da guerra fria” (Companhia das Letras, 2011). E, por razões humanitárias, o país socialista exporta médicos e professores para inúmeras nações empobrecidas.

       Como “desgraça pouca é bobagem”, reza o ditado popular, a Covid obrigou a ilha a fechar as portas à principal fonte de divisas nos últimos anos, o turismo. Agora começam a voltar os turistas, já que se logrou reduzir drasticamente a contaminação, foram adotadas medidas sanitárias rígidas (máscara é obrigatória fora de casa) e criadas três vacinas, o que possibilitou a imunização de quase toda a população.

       Há, porém, outra pedra no meio do caminho: Biden ainda não revogou as 243 novas medidas adotadas por Trump para reforçar o bloqueio, e ainda decidiu punir todos os bancos e empresas que tiverem alguma transação em dólar com Cuba. Hoje, dólar é papel colorido na ilha. Impossível trocá-lo em bancos, casas de câmbio, hotéis e lojas. São aceitos apenas euros e cartões de crédito.

       Apesar dessa situação dramática, Cuba resiste. Toda a população, de quase 12 milhões de habitantes, tem acesso à cesta básica mensal e, gratuitamente, aos sistemas de saúde e educação. Não há pessoas vivendo em situação de rua ou pedintes.

 

Frei Betto é escritor, autor da “Cartilla popular del Plan de Soberanía Alimentaria y Educación Nutricional de Cuba” (La Habana, 2021), entre outras obras. Livraria virtual: freibetto.org

 

 

 


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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

DIA DOS PAIS: ELEGIA PARA TOMÁS COVAS

 


Maria Clara Lucchetti Bingemer

 

            O prefeito de São Paulo, Bruno Covas,  morreu de um câncer agressivo e doloroso no último mês de maio.  O Brasil acompanhou sua luta e sua coragem, sempre a postos no trabalho, mesmo em tratamento. Acompanhou igualmente sua agonia desde que deu entrada no hospital, falecendo logo após. Em todo esse período de dor e esperança até o último minuto, seu filho Tomás, de 15 anos, esteve junto.  Todos pudemos vê-lo sozinho ao lado do caixão do pai, amparado apenas por uns poucos familiares e assessores do prefeito.  

            A Covid-19 fez a dor de Tomás e sua precoce orfandade ainda mais dolorosas.  Não pode haver enterro com muitas pessoas, devido ao risco do contágio. Tomas não pôde abraçar pessoas que admiravam seu pai e lhe diriam coisas boas sobre aquela figura essencial que acabara de perder.  Impressionou a dignidade do jovem ao lado do caixão e podemos imaginar quantas perguntas sem respostas aconteciam em seu interior. 

            Tomás Covas amava muito o pai.  Em entrevistas após sua morte, testemunhou que lhe havia dito para ir tranquilo, que descansasse daquela imensa luta contra a doença incurável que o assediava desde 2019. Certamente guarda de Bruno boas lembranças, com alegria, presença, proximidade e esperança. 

            Uma das mais importantes, segundo seu testemunho, é o jogo de futebol que ambos foram assistir juntos em janeiro, quatro meses antes da morte do prefeito. Era o final da Copa Libertadores que aconteceu no Maracanã.  Um sonho de ambos ver essa final juntos.  O pai havia acabado uma longa e dolorosa sessão de quimioterapia e foi licenciado pelos médicos.  Pediu mais três dias de licença não remunerada na prefeitura e foi junto com o filho realizar o sonho de torcer no estádio Mário Filho, o lendário Maracanã. 

       Recentemente, no entanto, o presidente resolveu comentar criticamente e com bastante desaire o gesto do prefeito. Bolsonaro afirmou a apoiadores na porta do Palácio do Planalto, referindo-se a Covas: “O outro, que morreu, fecha São Paulo e vai assistir à Palmeiras e Santos no Maracanã”. Referia-se às medidas restritivas que Bruno Covas tomara para evitar a propagação do coronavírus. Acusava o prefeito de ser incoerente por ter ido ao Maracanã com o filho. 

            Diante das declarações do presidente, Tomás não resistiu e pronunciou-se.  Sua fala foi dura e contundente.  E a meu ver emocionante. Um filho que acaba de perder o pai com tenra idade não suportou a crítica injusta e pouco sensível, mesmo vinda do presidente das República. Acusou o presidente de não ter sensibilidade por atacar uma pessoa que já não está mais entre nós e, portanto, não pode se defender. Declarou ter respeitado, juntamente com seu falecido pai, todos os protocolos na ida ao Maracanã.  

            Finalmente, definiu as agressões contra seu pai como vazias, ressaltando o significado que havia tido para pai e filho a última saída de prazer e alegria que tiveram. Fora para “curtir seus últimos momentos juntos”, acrescentou.  E terminou dizendo que isso era amor, sentimento que o presidente nunca entenderá. 

            Tomás, nesse Dia dos Pais, meu pensamento vai para você. Tal como você, fiquei órfã de pai muito cedo e sei bem a falta que faz a figura paterna na vida de qualquer pessoa.  Partilho sua dor.  E ao mesmo tempo me sinto cheia de admiração por sua firmeza nas declarações e no repúdio a palavras que atingiram a memória de seu pai. Ele certamente neste momento está muito orgulhoso de você.  

 

Maria Clara Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, autora de “Experiência de Deus na Contemporaneidade: entre o viver e o contar” (Editora Paulinas), entre outros livros.

 

 

 

terça-feira, 3 de março de 2020

A CAMPANHA DA FRATERNIDADE E O DIA DA MULHER



Por Marcelo Barros

Anualmente, em março, a Igreja Católica no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, sempre sobre um tema de relevância para que a sociedade possa ser mais justa e mais igualitária. Também em março, sempre no dia 08, a ONU celebra o Dia internacional da Mulher. O objetivo desta comemoração é educar toda a humanidade sobre a necessária igualdade de direitos e condições entre homem e mulher, no respeito às diferenças de gêneros e na construção comum de um mundo novo possível.

Entre os diversos assuntos aos quais a Campanha da Fraternidade se dedicou, no decorrer desses mais de 50 anos, ainda não apareceu o desafio da promoção da igualdade de gêneros. Mesmo na Igreja Católica, muitos eclesiásticos pensam existir uma ideologia de gêneros e se colocam contra esse mito. Infelizmente, embora o evangelho de Jesus tenha como princípio a igualdade absoluta entre homens e mulheres, até hoje, a Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas não se abriram à participação igualitária da mulher e do homem nos ministérios e nos cargos de maior responsabilidade na Igreja. Como Igreja é fundamentalmente Igreja local, essa mudança só poderá ocorrer a partir das bases. E aí sim, as comunidades cristãs poderão dar um verdadeiro e profundo testemunho do reinado divino que vem a esse mundo.

É urgente  criar no mundo e nas Igrejas uma nova cultura de inclusão e superar o patriarcalismo e o machismo que fazem mal a todos, mulheres e homens. Nas sociedades tradicionais da América Latina, o machismo se infiltrou nas culturas de nossos povos. No entanto, muitas vezes, determinadas culturas, patriarcais e machistas nas relações afetivas e românticas, em outras instâncias, são matriarcais. Também o feminismo tem muitas correntes e variações. Cada uma delas nos chama a atenção para um aspecto da realidade.

Na América Latina, em movimentos indígenas e camponeses, as mulheres têm sido profetizas do cuidado com a terra, na relação de amor com a natureza e em propor novas relações no seio da família e da sociedade. A meta do bem viver tem algo que somente uma justa e profunda relação de gêneros pode alcançar.

Em todos os países da América Latina, as taxas de feminicídios, isso é, crimes nos quais mulheres são assassinadas por serem mulheres, são das mais altas do mundo. Além disso, a violência cotidiana de mulheres que são agredidas por companheiros ainda é assustadora. Nos nossos dias, ao vermos filmes e novelas sobre o tempo da escravidão, nos perguntamos como nossos antepassados puderam conviver com tanta atrocidade. Sem dúvida, no futuro, quando nossos netos e bisnetos estudarem como era o mundo em nossa época, vão saber de que lado estávamos nós e o que fizemos contra esses crimes que ocorrem sob nossos olhos e diante de nossa consciência. Não vamos poder dizer, como no mito do paraíso perdido, "a serpente nos enganou".

Nessa semana na qual o mundo inteiro será mais sensibilizado para a causa da mulher e da igualdade de gêneros, as comunidades cristãs são, especialmente, chamadas a aplicar a Campanha da Fraternidade de 2020 ao tema da solidariedade à causa da mulher. É preciso olhar toda a sociedade (não só as mulheres) como ferida pelo patriarcalismo e compreender a palavra de Jesus: vai e faze o mesmo como o apelo para que olhemos a realidade das mulheres nos meios em que convivemos, sejamos tomados pela solidariedade compassiva e juntos, mulheres e homens nos unamos no cuidado com a vida de todos e da natureza.

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 57 livros publicados. O mais recente é Teologias da Libertação para os nossos dias (Vozes). Email: contato@marcelobarros.com

















sexta-feira, 26 de abril de 2019

SÃO JORGE: OS POBRES MATAM TODO SANTO DIA UM DRAGÃO





por leonardo boff

Tempos atrás escrevi dois estudos sobre São Jorge, um histórico e outro interpretativo. A situação atual da maioria do povo empobrecido e humilhado tem que matar um dragão cada dia para poder sobreviver. Vale invocar a força e a coragem de São Jorge.Por isso atualizo o escrito anteriormente publicado e válido especialmente para o atual momento.
A história de São Jorge e o combate feroz com o dragão são dados de grande significação. Vamos tentar interpretar sua figura, o dragão e a sua luta.Veremos que tem a ver com a existência de cada ser humano, especialmente dos que precisam lutar muito para viver. Primeiramente, o dragão é dragão, portanto, uma serpente. Mas é apresentada alada, com enorme boca que emite fogo e fumaça e um cheiro mortífero. É um dragão simbólico.
No Ocidente representa o mal e o mundo ameaçador das sombras. No Oriente é positivo, símbolo nacional da China, senhor das águas e da fertilidade (long). Entre os aztecas era a serpente alada (Quezalcoatl), símbolo positivo de  sua cultura. Para nós ocidentais o dragão é sempre terrível e representa a ameaça à vida ou as dificuldades duras da sobrevivência. Os pobres dizem: “tenho que matar um dragão por dia tal é a luta pela sobrevivência”.
Mas o dragão, como o mostrou a tradição psicanalítica de C. G. Jung com Erich Neumann, James Hillmann. Etienne Perrot e outros, representa um dos arquétipos (elementos estruturais do inconsciente coletivo ou imagens primordiais que ordenam a psique) mais ancestrais e transculturais da humanidade.
Junto com o dragão sempre vem o cavaleiro heroico que com ele se confronta numa luta feroz. Que significam essas duas figuras? À luz de categorias de C. G. Jung e discípulos, especialmente de Erich Neumann que estudou especificamente este arquétipo (A história da origem da consciência, Cultrix 1990) e da psicoterapia existencial-humanística de Kirk J. Schneider (O eu paradoxal, Vozes 1993) procuremos entender o que está em jogo nesse confronto. Ele ensina e nos desafia.
O caminho da evolução leva a humanidade do inconsciente ao consciente, da fusão cósmica com o Todo (Uroboros) para a emergência da autonomia do ego. Essa passagem é dramática, nunca totalmente realizada; por isso, o ego deve continuamente retomá-la caso queira gozar de liberdade e se impor na vida.
Mas importa reconhecer que o dragão amedrontador e o cavaleiro heroico são duas dimensões do mesmo ser humano, de cada um de nós.  O dragão em nós é o nosso universo ancestral, obscuro, nossas sombras de onde imergimos para a luz da razão e da independência do ego. Por isso que em algumas iconografias, especialmente uma da Catalunha (é seu patrono) o dragão aparece envolvendo todo o corpo do cavaleiro São Jorge. Numa gravura de Rogério Fernandes o dragão aparece envolvendo o corpo do Santo, que o segura pelo braço e tendo o rosto, nada ameaçador na altura do de São Jorge. É um dragão humanizado formando uma unidade entre o ser humano e São Jorge. Noutras (no Google há 25 páginas de gravuras de São Jorge com o dragão) o dragão aparece como um animal domesticado sobre o qual São Jorge de pé o conduz, sereno, não com a lança mas com um bastão.
A atividade do herói, no caso de São Jorge, na sua luta com o dragão mostra a força do ego,da consciência, corajoso, iluminado e que se firma e conquista autonomia, mas sempre em tensão com a dimensão escura do dragão. Eles convivem mas o dragão não consegue dominar o ego.
Diz o psicanalista Neumann:”A atividade da consciência é heroica quando o ego assume e realiza por si mesmo a luta arquetípica com o dragão do inconsciente, levando-a a uma síntese bem sucedida”(Op.cit. p.244), A pessoa que fez esta travessia não renega o dragão, mas o mantem domesticado e integrado como seu lado de sombra.
Por esta razão, em muitas narrativas, São Jorge não mata o dragão. Apenas o domestica e o reinsere no seu lugar, deixando de ser ameaçador. Ai surge a síntese feliz dos opostos; o eu paradoxal encontrou seu equilíbrio pois alcançou a harmonização do ego com o dragão, do consciente com o inconsciente, da luz com a sombra,  da razão com a paixão, do racional com o simbólico, da ciência com a arte e com a religião.
A confrontação com as oposições e a busca da síntese constitui a característica de personalidades amadurecidas, que integraram a dimensão de sombra e de luz. Assim o vemos em Buda, Francisco de Assis, Jesus, em Gandhi, em Luther King e no Papa Francisco.
Os cariocas tem grande veneração por São Jorge tão forte quanto a de São Sebastião, patrono oficial da cidade. Mas este é um guerreiro, cheio de flechas, portanto “vencido”.Por isso há um movimento para faze-lo o segundo patrono do Rio de Janeiro.
O povo sente necessidades de um santo guerreiro corajoso “vencedor” das adversidades. Ai São Jorge representa o santo ideal. Numa famosa  novela “Salve Jorge”ele é o herói que salva as mulheres traficadas contra o dragão do tráfico internacional de mulheres.
Por certo, aqueles que veneram São Jorge diante do dragão não saibam nada disso. Não importa. Seu inconsciente sabe; ele  ativa e realiza neles sua obra: a vontade de lutar, de se afirmar como egos autônomos que enfrentam e integram as dificuldades (os dragões) dentro de um projeto positivo de vida (São Jorge, herói vitorioso). E saem fortalecidos para a luta da vida.
Leonardo Boff coordenou a publicação da obra completa de C. G. Jung junto à Editora Vozes.

terça-feira, 19 de março de 2019

A ÁGUA NOSSA DE CADA DIA NOS DÁ HOJE



Marcelo Barros

Essa semana é marcada pelo 22 de março, dia mundial da Água. Nesse ano, temos mais motivos para valorizar essa comemoração proposta pela ONU. No Brasil, tivemos em janeiro, o rompimento da barragem de Brumadinho com a morte de centenas de pessoas e a destruição da vida no rio Paraopeba, com o risco da lama tóxica atingir até o São Francisco. Há quase quatro anos, rompeu-se a barragem da Samarco em Mariana. Resultou na morte de muitas pessoas e de toda a vida que existia no rio Doce. Até aqui nada foi feito para impedir que desastres desse tipo voltem a acontecer.

Por trás de tudo isso, está o raciocínio que reduz a natureza, as águas e até as pessoas à condição de mercadorias. É importante que movimentos sociais, organizações de base e as Igrejas insistam: a água é um bem comum, direito universal de todo ser vivo. Sem água, não existe vida. Por isso, a água não pode ser privatizada e mercantilizada. Antigamente, esse argumento parecia pouco relevante, porque as pessoas pensavam que a água é um bem que nunca iria faltar. Nas últimas décadas, a experiência da humanidade é justamente o contrário. Na sua carta sobre o cuidado da casa comum, o papa Francisco alerta:

“A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos”(Laudatum sii, 28).

O Brasil detém 12% de toda água doce do mundo, mas como em todo o planeta, essa distribuição é desigual e problemática. No cerrado e em todo o planalto central, as pesquisas revelam assustadora diminuição das fontes de água e do nível hidrográfico dos rios. No sertão do Nordeste e no Centro-oeste sempre houve secas sazonais. No entanto, agora, com o desflorestamento e a destruição da natureza, é a sociedade humana que provoca desastres ecológicos como secas, terremotos e inundações. Pesquisas da ONU revelam que, nas últimas cinco décadas, houve uma redução de mais de 60% da água doce disponível do planeta. O estresse hídrico já é uma realidade para mais de um bilhão de seres humanos que vivem com menos de dois litros de água potável por dia.

Cada vez mais, os conflitos entre nações ocorre não mais por territórios e sim pelo direito do uso de águas de rios e lagos. Em Israel, o Estado desviou as águas do rio Jordão e as canalizou em tubos subterrâneos. Assim, acampamentos e assentamentos palestinos não podem delas se beneficiar. Um jornal palestino conta que na cidade de Caná da Galileia, onde, segundo a tradição, Jesus transformou a água em vinho, o prefeito declarou: “Se, hoje, Jesus voltasse por aqui, nós lhe pediríamos para transformar vinho em água”. 

Infelizmente as religiões e tradições espirituais que deveriam dar à humanidade uma cultura amorosa de relação com a terra e as águas, não têm vivido com êxito essa missão. No entanto, a maioria das tradições espirituais acredita que a vida nasceu a partir das águas. Por isso a água é sempre símbolo e instrumento do Espírito de Deus. Na Bíblia e nos evangelhos, Jesus promete o Espírito Santo como água viva que quem beber jamais terá sede.

A espiritualidade ecumênica convida as pessoas e comunidades a verem a água como instrumento de comunhão entre as pessoas e solidariedade entre os povos. É possível aprofundar a relação entre pessoas, como também entre povos através da partilha da água comum.

Em vários países, pessoas e comunidades impregnadas dessa espiritualidade têm vencido importantes lutas legais contra a privatização da água. Têm participado de comissões de defesa de rios, lagos e fontes de água. Os cristãos reconhecem na partilha do pão o próprio Jesus presente. Assim também, agora somos convidados a testemunhar o Espírito Divino presente em cada pouco d´água que partilhamos como sacramento da presença e ação do Espírito Mãe da Vida.   

  MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 44 livros publicados, dos quais  “O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede da Paz e Loyola. Email: irmarcelobarros@uol.com.br

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

NA LUTA PELA SAÚDE O DIA DOS/DAS ENFERMOS/AS




Por Marcelo Barros

Embora a, cada ano, a ONU consagre o 07 de abril, como “dia mundial da saúde”, já desde os anos 90, é no 11 de fevereiro, festa da Virgem de Lourdes, que a Igreja Católica comemora o “Dia mundial do enfermo”. Não é ruim que haja duas datas anuais em que possamos recordar que saúde não é luxo nem artigo de comércio. É direito humano universal e necessidade de primeira categoria. Em um mundo no qual mais de um bilhão de pessoas sofre de extrema pobreza, agravada desde o início deste século XXI, a fome se torna epidemia e a saúde se transforma em algo quase inalcançável.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde como “o estado de completo bem-estar físico, psíquico, mental e social”. De acordo com essa compreensão, a saúde consiste não apenas em não estar doente, mas em alcançar um equilíbrio de vida sadia. As religiões antigas chamavam isso de salvação, no sentido de plenitude da vida e da graça divina em nossas vidas. A diferença entre uma pessoa santa e uma pessoa sana (sadia) é apenas um t. Isso não liga doença e pecado, culpa ou erro pessoal. Recorda que saúde plena é a realização total da vida. A tradição afro-brasileira denomina esta energia de Axé.

Se se aplicar rigidamente a definição da OMS,  ninguém pode-se considerar com plena saúde. Todos estamos continuamente na luta para vencer alguma fragilidade do corpo e do espírito que atenta contra o que seria a saúde profunda. Somos todos/as mais ou menos doentes. A saúde é um ideal a ser buscado cada dia.

No mundo moderno, os Estados assumiram que a saúde e sua proteção é direito humano. A sociedade tem obrigação de zelar pelo bem estar físico e psíquico de seus membros. Infelizmente, os governos de ideologia neoliberal decidiram diminuir ao máximo os encargos do Estado. O Banco Mundial defende que os investimentos na saúde têm dois tipos de serviço: os competitivos, passiveis de financiamento (por exemplo, campanhas de vacinação) e os discricionários, oferecidos à sociedade, de acordo com a capacidade de aquisição das pessoas. Isso significa que o cuidado com saúde tem de ser comprado. De fato, na maior parte dos países, como no Brasil atual, se multiplicam os planos privados. Vende-se saúde, como se fosse Coca-Cola.

A Constituição Brasileira estabelece que “saúde é direito de todos e dever do Estado”. Depois de uma longa luta dos movimentos populares, a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), no início da década de 90, foi uma grande conquista da sociedade brasileira. Poucos anos depois, o governo de Fernando Henrique Cardoso aprovou um plano de terceirização da saúde que só não destruiu totalmente o SUS, porque os movimentos sociais e comunidades lutaram muito para denunciá-lo e para garantir as conquistas da Constituição. A partir daí, em muitos Estados, os governos entregam a administração de hospitais públicos e até do Sistema de Saúde a organizações privadas, denominadas de organizações sociais. Estas recebem hospitais e equipamentos públicos. O Estado investe e gasta, mas é o setor privado que administra e lucra. Mesmo neste sistema iníquo, veem-se sinais e testemunhos de generosidade humana, amor gratuito e doação por parte de médicos/as, enfermeiros/as e agentes de saúde. Entretanto, é claro que o sistema privado só cuida da saúde se tem lucros e benefícios, pois essa é a sua natureza.  Por isso, é importante que organizações da sociedade civil e de Igrejas se esforcem para chamar a atenção de todos para o cuidado com as pessoas doentes.

Neste 11 de fevereiro de 2019, a Igreja Católica celebra o XXVII Dia mundial do Doente que será celebrado de modo especial em Calcutá na Índia. Para essa celebração, por conhecer essa realidade de um mundo que tende a transformar tudo, até a saúde, em mercadoria  o papa Francisco propôs o tema evangélico “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10, 8).

Na carta publicada pelo papa para esse dia, o papa insiste em denunciar “a cultura do descarte e da indiferença”. Para contrabalançar essa realidade, pede que se coloque “a generosidade gratuita como paradigma capaz de desafiar o individualismo e a fragmentação social dos nossos dias e para promover novos vínculos e formas de cooperação humana”. Escreve ainda: “O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, assim como de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».

No Brasil, atualmente, parece que muita gente prefere escolher o ódio e a violência como caminhos sociais e políticos. Certamente, isso adoece. O papa tem razão ao lembrar: Só o amor cura e dá saúde.

MARCELO BARROS é monge beneditino e escritor. Tem 44 livros publicados, dos quais  “O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede da Paz e Loyola. Email: irmarcelobarros@uol.com.br

terça-feira, 7 de agosto de 2018

AS BOMBAS NOSSAS DE CADA DIA



Por Marcelo Barros

Nesses dias, o mundo recorda com dor as datas nas quais o governo dos Estados Unidos jogaram sobre as populações civis de Hiroshima (06 de agosto de 1945) e de Nagazaki (dois dias depois) as bombas atômicas que fizeram as guerras evoluírem de combates restritos para a destruição em massa. Atualmente, comparadas às centenas de armas nucleares que nove potências mundiais têm armazenado, as bombas de Hiroshima e Nagazaki são apenas inocentes brinquedos infantis.

Atualmente, os grandes impérios mantêm guerras na África e no Oriente Médio. Assim, suas empresas vendem armas cada vez mais sofisticadas e caras. (O mercado de armas é a segunda fonte econômica do mundo, logo atrás das drogas). No entanto, para seus interesses colonialistas, na América Latina, o império norte-americano promove o que ele mesmo denomina de “guerra de baixa intensidade” ou “guerra de quarta geração”. Nas ruas da Nicarágua, jovens protestam violentamente contra um governo que trai suas propostas iniciais. E a violência policial os reprime. No entanto, o que os espera será sem dúvida muito pior. A guerra econômica contra o governo da Venezuela torna a vida do povo muito dura e difícil. E ao governo dos Estados Unidos, essas desestabilizações de governos eleitos custam apenas alguns poucos milhões de dólares e não arriscam a vida de nenhum soldado norte-americano. Em poucos anos, o império já conseguiu reconquistar quase toda a América Latina. Sempre que possível, paga o que for necessário aos próprios governos locais e os  próprios políticos brasileiros e chilenos cuidam da recolonização. Cuba e Bolívia parecem a aldeia dos gauleses de Asterix que, sem poção mágica, resistem ao Império. No entanto, os próprios governos vassalos do império cuidarão de dificultar cada vez mais o projeto de integração latino-americana de Bolívar e do presidente Chávez. No Brasil, o único que ainda poderia lhes fazer frente (Lula), com ou sem respaldo da lei, é mantido na prisão. Pouco importa que isso escancarou aos olhos do mundo todo o projeto iníquo do império e dos seus vassalos.  


Os grandes meios de comunicação recebem as somas necessárias para manter o povo no sono da alienação. A cada hora morre mais de uma criança, por doenças provocadas pelas condições de insalubridade e insegurança alimentar. Cada dia, são assassinados jovens negros e pobres, vítimas da violência que faz pobres matarem pobres. Nas ruas da cidade, se multiplicam as pessoas abandonadas à própria sorte. E no sertão do Nordeste, o monstro da fome volta a assustar. No entanto, as redes de televisão fazem as pessoas chorarem por um gol perdido na copa e passam o dia a discutir se Neymar foi ou não classificado entre os dez maiores atletas do mundo.

As bombas de Hiroshima e Nagazaki são anualmente recordadas. No entanto, quem lembrará que entre maio e junho desse ano mais de 600 migrantes perderam a vida no Mar Mediterrâneo por culpa dos governos da Itália e de países europeus que fecham os portos a suas embarcações? Quantos migrantes estarão morrendo nesses dias tentando atravessar as fronteiras dos Estados Unidos? Quantos verão seus filhos e filhas de seis ou oito anos serem levados a campos de concentração do governo democrático da maior potência da Terra?

Nos Estados Unidos, há mais de século, as pessoas respiram guerra e a sociedade fala de violência. O país tem 310 milhões de pessoas. Existem registradas legalmente mais de 270 milhões de armas em mãos de particulares. As pessoas são treinadas para matar e morrer. Nessa cultura pautada pelas armas, o desequilíbrio psíquico e os acessos psicóticos de alguém facilmente se expressarão através do canal que a sociedade mais oferece: a violência. No Brasil, noite e dia, sem cessar, jornais, revistas e programas de televisão semeiam e cultivam a mesma violência como política, para manter a cultura que permite a desigualdade. Esse vírus provoca muito mal a toda a sociedade, mas o risco é que o veneno acabe matando até quem o fabrica e o vende.

Graças a Deus, os movimentos sociais se rearticulam. A sociedade civil internacional se firma como sujeito de direitos e conquistas. As religiões são chamadas a retomar sua vocação de testemunhas de Deus Amor e Fonte de Paz. Todas as tradições espirituais podem se unir em um grande mutirão para trabalhar pela paz, tanto no coração das pessoas, como nas estruturas sociais. Ao recordar as bombas de Hiroshima e Nagazaki, temos de acabar também com a bomba da fome que mata diariamente mais do que as armas de guerra. E precisamos igualmente cortar pela raiz o germe da violência instalada na sociedade da intolerância e da desigualdade social. Jesus falou: “são abençoadas as pessoas que trabalham pela paz porque, ao fazer isso, elas fazem o que Deus faz” (Mt 5, 9).


Marcelo Barros, monge beneditino e escritor, autor de 26 livros dos quais o mais recente é "O Espírito vem pelas Águas", Ed. Rede-Loyola, 2003. Email: mostecum@cultura.com.